Módulo de Princípios deEpidemiologia para o Controle deEnfermidades

Módulo de Princípios deEpidemiologia para o Controle deEnfermidades

(Parte 5 de 7)

O modo de transmissão é a forma em que o agente infeccioso se transporta do reservatório ao hospedeiro.

Os principais mecanismos são os seguintes:

1. Transmissão direta: é a transferência direta do agente infeccioso por uma porta de entrada para que se possa efetuar a infecção. É denominada também transmissão de pessoa a pessoa. Isso pode acontecer através da dispersão de gotículas (gotas de flugge ou perdigotos) nas conjuntivas ou nas membranas mucosas do nariz ou da boca ao espirrar, tossir, cuspir, falar ou cantar, e pelo contato direto como tocar, beijar, ou ter relações sexuais. No caso das micoses sistemáticas, a transmissão ocorre por exposição direta de tecido suscetível a um agente que vive normalmente sob a forma saprófita no solo.

2. Transmissão indireta: a. Mediante veículos de transmissão ou fômioes: através de objetos ou materiais contaminados, tais como brinquedos, lenços, instrumentos cirúrgicos, água, alimentos, leite, produtos biológicos, incluindo soro e plasma. O agente pode ou não ter se multiplicado ou desenvolvido no veículo antes de ser transmitido.

b. Por meio de um vetor:

ou. seu. ambiente. imediatoO. agente. pode. ou. não. se. desenvolver,. propagar. ou.

Vetor:.um.inseto.ou.qualquer.portador.vivo.que.transporta.um.agente.infeccioso. desde.um.indivíduo.ou.seus.excrementos.até.um.indivíduo.suscetível,.sua.comida. multiplicar.dentro.do.vetor .

Mecânico: é o simples traslado mecânico do agente infeccioso por meio de um inseto terrestre ou voador, seja por contaminação de suas patas ou tromba ou pela passagem em seu trato intestinal, sem multiplicação ou desenvolvimento cíclico do micro-organismo.

Biológico: o agente necessariamente deve propagar-se (multiplicar-se), desenvolver-se ciclicamente ou ambos (ciclopropagação) no artrópode-vetor antes que possa transmitir a forma infectante ao ser humano. O artrópode torna-se infectante somente depois que o agente passa por um período de incubação (extrínseco) depois da infecção. O agente infeccioso pode transmitir em forma vertical (transmissão transovariana) às gerações sucessivas do vetor, bem como aos estágios sucessivos do ciclo biológico (transmissão transestadial) do vetor, como a passagem da crisálida à fase adulta. A transmissão pode ocorrer através da saliva durante a picada (como na malária, dengue e febre amarela), por regurgitação (como na peste) ou ao depositar sobre a pele os agentes infecciosos com a defecação do artrópode vetor (como na doença de Chagas e no tifo exantemático e murino), que podem entrar pela ferida da picada ou ao coçar-se.

a) Através do ar: é a disseminação de aerossóis microbianos transportados por uma porta de entrada apropriada, geralmente o trato respiratório. Os aerossóis microbianos são suspensões aéreas de partículas constituídas total ou parcialmente por micro-organismos. As partículas com diâmetro de 1 a 5 micros chegam facilmente aos alvéolos do pulmão e lá permanecem. Também podem permanecer em suspensão no ar durante longos períodos de tempo; algumas mantêm sua infectividade e/ou virulência e outras a perdem. As partículas de tamanho maior se precipitam, o que pode dar origem a uma transmissão direta. As principais partículas são:

Núcleos goticulares: são os pequenos resíduos da evaporação de gotículas de flugge ou perdigotos emitidas por um hospedeiro infectado. Esses núcleos goticulares também podem formar-se por aparelhos borrifadores diversos, em laboratórios microbiológicos, em abatedouros industriais, salas de autópsias, etc. e geralmente se mantêm em suspensão no ar durante um tempo prolongado.

Pó: pequenas partículas de dimensões variáveis que podem proceder do solo (geralmente inorgânicas ou esporos de fungos separados do solo seco pelo vento ou agitação mecânica), vestidos, roupas de cama e pisos contaminados.

Portas.de.eliminação.ou.de.saída.do.agente

O caminho pelo qual um agente infeccioso sai do seu hospedeiro é, geralmente, denominado como porta de saída. As principais são:

Respiratórias: as doenças que utilizam esta porta de saída são as de maior difusão e as mais difíceis de controlar (tuberculose, influenza, sarampo, etc).

Genitourinárias: leptospirose, sífilis, AIDS, gonorréia e outras doenças de transmissão sexual.

Digestivas: próprias da febre tifóide, hepatite A e E, cólera e amebíase.

Pele: através de contato direto com lesões superficiais, como na varicela, herpes zoster e sífilis. Por picadas, mordidas, perfuração por agulha ou outro mecanismo que tenha contato com sangue infectado, como na sífilis, doença de Chagas, malária, leishmaniose, febre amarela, hepatite B, etc.

Placentária: em geral, a placenta é uma barreira efetiva de proteção do feto contra infecções da mãe; no entanto, não é totalmente efetiva para alguns agentes infecciosos como os da sífilis, rubéola, toxoplasmose, AIDS e doença de Chagas.

As portas de entrada de um germe no novo hospedeiro são basicamente as mesmas usadas para a saída do hospedeiro prévio. Por exemplo, nas doenças respiratórias, a via aérea é utilizada como porta de saída e porta de entrada entre as pessoas. Em outras doenças, as portas de saída e de entrada podem ser diferentes. Como exemplo, nas intoxicações alimentares por estafilococos, o agente é eliminado através de uma lesão aberta da pele e entra no novo hospedeiro através de alimentos contaminados com secreção da lesão.

Pergunta 1. O hábitat natural no qual um agente infeccioso vive, cresce e se multiplica, denomina-se:

d) Fonte de infecção.

Pergunta 2. O modo de transmissão de pessoa a pessoa caracteriza-se por:

a) Uma porta de saída específica desde o reservatório. b) A gravidade da doença.

c) A existência de um veículo ou vetor.

d) Uma transmissão imediata entre porta de saída e porta de entrada.

e) A porta de entrada no hospedeiro.

Pergunta 3. Da seguinte lista de doenças indique com 'H' as que são de reservatório humano e com 'E' as de reservatório extra-humano:

d) ( ) Leptospirose.

Pergunta 4. Qual das seguintes opções não é um reservatório de agente infeccioso?

Pergunta 5. Portadores são definidos como pessoas que:

a) São imunes à doença porque já adquiriram a infecção anteriormente. b) Têm imunidade passiva devido a mecanismos naturais ou artificiais.

c) Abrigam certos agentes infecciosos sem apresentar evidência da doença, mas são fontes potenciais de infecção. d) Estão muito doentes e são fontes potenciais de infecção para os suscetíveis.

Pergunta 6. A maioria das doenças é transmitida durante a fase inicial do período de incubação.

Pergunta 7. Qual das seguintes opções não é uma característica dos portadores humanos?

a) Abrigam os agentes infecciosos antes que apareçam sinais e sintomas da doença. b) Estão infectados e, ainda que não apresentem sinais ou sintomas, são fontes de infecção. c) Estão infectados e apresentam sinais e sintomas clínicos.

d) Continuam sendo infectantes durante a convalescença da doença e depois de recuperados. e) Abrigam os agentes infecciosos por um ano ou mais e são capazes de continuar sendo fontes de infecção.

Pergunta 8. Qual das seguintes portas de saída é geralmente a mais importante e a mais difícil de controlar?

a) O trato respiratório. b) O trato digestivo.

c) O trato geniturinário.

Hospedeiro.suscetível

O hospedeiro foi definido como um indivíduo ou animal vivo, que em circunstâncias naturais permite a subsistência e o alojamento de um agente infeccioso. Para produzir uma doença infecciosa no indivíduo, deve ser reunida uma série de aspectos estruturais e funcionais do próprio indivíduo.

A pele intacta e as membranas mucosas proporcionam ao corpo uma camada impermeável a muitos parasitas vivos e agentes químicos. As membranas mucosas são mais facilmente penetráveis que a pele intacta, e servem com frequência de porta de entrada a vários agentes patógenos.

Os reflexos como a tosse e o espirro, por exemplo, representam um esforço para limpar as vias respiratórias de substâncias nocivas. As secreções mucosas, como as lágrimas e a saliva têm uma ação limpante simples e podem também conter anticorpos específicos contra micróbios patógenos.

Outros mecanismos de defesa são as secreções gástricas (acidez gástrica), o peristaltismo e os anticorpos inespecíficos. Um germe que penetra na capa protetora do corpo enfrenta uma variedade de mecanismos de defesa imunológica, tanto do tipo celular (linfócitos T, macrófagos e outras células que apresentam antígenos) como do tipo humoral (linfócitos B, anticorpos e outras substâncias). Os micróbios extracelulares estimulam geralmente o desenvolvimento de inflamação no lugar da invasão. A presença inicial de anticorpos, gerados previamente por infecção natural ou vacinação, poderia prevenir ou limitar a invasão do hospedeiro (memória imunológica).

A deterioração imunológica, como no caso do vírus da AIDS, ou o uso de drogas imunossupressoras, ou doenças crônicas, facilitam a multiplicação de outros germes, como o da tuberculose, ou de agentes oportunistas, como o Pneumocistis carinii. Outro exemplo mais comum é a ocorrência de broncopneumonia bacteriana como episódio terminal em pessoas com doença crônica não infecciosa.

A idade é um fator de grande importância, visto que a ocorrência e a gravidade das doenças variam conforme a idade do hospedeiro. As doenças eruptivas da infância são exemplos de como a idade influencia na ocorrência das doenças contagiosas. A infecção e subsequente doença atacam predominantemente as crianças pequenas, as que têm maior risco devido a sua alta suscetibilidade (pela ausência de memória imunológica) e alto grau de exposição. A tuberculose, a esquistossomose na sua forma crônica e alguns tipos de acidentes, são exemplos de problemas que atingem mais os adultos. Na velhice, predominam afecções como as doenças degenerativas, a hipertensão e o câncer, bem como uma maior suscetibilidade às infecções.

As diferenças de suscetibilidade devida intrinsecamente ao sexo são mais difíceis de demonstrar. No entanto, conhece-se por exemplo que a suscetibilidade a certas infecções de transmissão sexual como a gonorréia ou a clamídia é maior nas mulheres do que nos homens, devido em parte, a considerações anatômicas, fisiológicas e a presença de co-infecções (duas ou mais infecções simultaneamente). As variações na ocorrência da doença de acordo com o sexo refletem com frequência graus diferentes de exposição a riscos distintos entre homem e mulher devido às ocupações e/ou estilos de vida diferentes. Nas mulheres, a gravidez predispõe claramente à infecção das vias urinárias e pode agravar várias condições patológicas preexistentes. Por outro lado, algumas das doenças crônicas e outros eventos são mais comuns entre mulheres, por exemplo a tirotoxicose, o diabetes mellitus, a colecistite, a colelitíase, a obesidade, a artrite e a psiconeurose. No entanto, a úlcera péptica, a hérnia inguinal, os acidentes, o câncer de pulmão, o suicídio e a cardiopatia arterioesclerótica são mais frequentes nos homens.

O grupo étnico e o grupo familiar são também características relevantes do hospedeiro. Os membros de um grupo étnico compartilham muitos traços geneticamente determinados que podem incluir, além das características físicas óbvias (o fenótipo), um aumento na suscetibilidade ou resistência aos agentes específicos da doença. Esse conceito é fácil de compreender, mas demonstrar que as diferenças na incidência da doença são geneticamente determinadas é mais difícil, já que se deve levar em consideração o efeito de todos os fatores ambientais e socioeconômicos associados. Um exemplo é a resistência à tuberculose, que positivamente é maior nas populações européias do que nas indígenas.

Tão importante como o componente genético associado a uma etnia é o seu componente cultural. Os padrões culturais de grupos étnicos moldam e determinam estilos de vida e percepções específicas da realidade que influenciam diretamente nas suas condutas frente ao risco e, portanto, no seu potencial de exposição a fatores causais de doença.

Assim como ocorre com os grupos étnicos, os indivíduos que integram um grupo familiar podem diferir entre si em relação à suscetibilidade a doenças geneticamente determinadas. Na realidade, aceitou-se desde há muito tempo que fatores hereditários podiam contribuir para a incidência da doença e o desenvolvimento atingido pela genética nas últimas décadas corroborou com aquela suposição. No entanto, deve-se reconhecer as múltiplas influências sociais e ambientais que atingem a família como grupo, incluindo seu nível socioeconômico, dieta, nível educacional, grau de coesão social e a exposição comum a agentes infecciosos.

(Parte 5 de 7)

Comentários