apostila de desenho técnico

apostila de desenho técnico

(Parte 6 de 11)

Dadas as perspectivas, desenhar os três vistas de cada peça, analisando os rebatimentos das suas superfícies.

Capítulo 3

Ângulos Diedros

A representação de objetos tridimensionais por meio de desenhos bidimensionais, utilizando projeções ortogonais, foi idealizada por Gaspar Monge no século XVIII. O sistema de representação criado por Gaspar Monge é denominado Geometria Descritiva.

Considerando os planos vertical e horizontal prolongados além de suas interseções, como mostra a Figura 3.1, dividiremos o espaço em quatro ângulos diedros (que tem duas faces). Os quatros ângulos são numerados no sentido anti-horário, e denominados 1º, 2º, 3º, e 4º Diedros.

ÂNGULOS DIEDROS Rebatimento

Rebatimento

Rebatimento

Rebatimento 2ºDIEDRO 1ºDIEDRO

3ºDIEDRO 4ºDIEDRO

Épura Épura

Épura Épura

Figura 3.1

Utilizando os princípios da Geometria Descritiva, pode-se, mediante figuras planas, representar formas espaciais utilizando os rebatimentos de qualquer um dos quatro diedros.

Entretanto, para viabilizar o desenvolvimento industrial e facilitar o exercício da engenharia, foi necessário normalizar uma linguagem que, a nível internacional, simplifica o intercâmbio de informações tecnológicas.

Assim, a partir dos princípios da Geometria Descritiva, as normas de Desenho Técnico fixaram a utilização das projeções ortogonais somente pelos 1º e 3º diedros, criando pelas normas internacionais dois sistemas para representação de peças:

• sistema de projeções ortogonais pelo 1º diedro • sistema de projeções ortogonais pelo 3º diedro

Antonio Clélio Ribeiro, Mauro Pedro Peres, Nacir Izidoro 32

O uso de um ou do outro sistema dependerá das normas adotadas por cada país. Por exemplo, nos Estados Unidos da América (USA) é mais difundido o uso do

3º diedro; nos países europeus é mais difundido o uso do 1º diedro. No Brasil é mais utilizado o 1º diedro, porém, nas indústrias oriundas dos

USA, da Inglaterra e do Japão, poderão aparecer desenhos representados no 3º diedro.

Como as normas internacionais convencionaram, para o desenho técnico, o uso dos 1º e 3º diedros é importante a familiarização com os dois sistemas de representação.

A interpretação errônea de um desenho técnico poderá causar grandes prejuízos.

Projeções Ortogonais pelo 1º Diedro

Figura 3.2

As projeções feitas em qualquer plano do 1º diedro seguem um princípio básico que determina que o objeto a ser representado deverá estar entre o observador e o plano de projeção, conforme mostra a Figura 3.2.

A partir daí, considerando o objeto imóvel no espaço, o observador pode vê-lo por seis direções diferentes, obtendo seis vistas da peça.

Ou seja, aplicando o princípio básico em seis planos circundando a peça, obtemos, de acordo com as normas internacionais, as vistas principais no 1º diedro.

Para serem denominadas vistas principais, as projeções têm de ser obtidas em planos perpendiculares entre si e paralelos dois a dois, formando uma caixa. A Figura 3.3 mostra a peça circundada pelos seis planos principais, que posteriormente são rebatidos de modo a se transformarem em um único plano. Cada face se movimenta 90º em relação à outra.

Figura 3.3

LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE DESENHO TÉCNICO 3

A projeção que aparece no plano 1(Plano vertical de origem do 1º diedro) é sempre chamada de vista de frente.

Em relação à posição da vista de frente, aplicando o princípio básico do 1º diedro, nos outros planos de projeção resultam nas seguintes vistas:

• Plano 1 – Vista de Frente ou Elevação – mostra a projeção frontal do objeto.

• Plano 2 – Vista Superior ou Planta – mostra a projeção do objeto visto por cima.

• Plano 3 – Vista Lateral Esquerda ou Perfil – mostra o objeto visto pelo lado esquerdo.

• Plano 4 – Vista Lateral Direita – mostra o objeto visto pelo lado direito. • Plano 5 – Vista Inferior – mostra o objeto sendo visto pelo lado de baixo.

• Plano 6 – Vista Posterior – mostra o objeto sendo visto por trás.

A padronização dos sentidos de rebatimentos dos planos de projeção garante que no 1º diedro as vistas sempre terão as mesmas posições relativas. Ou seja, os rebatimentos normalizados para o 1º diedro mantêm,em relação à vista de frente, as seguintes posições:

• a vista de cima fica em baixo; • a vista de baixo fica em cima;

• a vista da esquerda fica à direita;

• a vista da direita fica à esquerda.

Talvez o entendimento fique mais simples, raciocinando-se com o tombamento do objeto. O resultado será o mesmo se for dado ao objeto o mesmo rebatimento dado aos planos de projeção.

A figura 3.4 mostra o tombamento do objeto. Comparando com o resultado das vistas resultantes dos rebatimentos dos planos de projeção, pode-se observar:

• O lado superior do objeto aparece em baixo e o inferior em cima, ambos em relação à posição frente.

• O lado esquerdo do objeto aparece à direita da posição de frente, enquanto o lado direito está à esquerda do lado da frente. Figura 3.4

A Figura 3.5 mostra o desenho final das seis vistas. Observe que não são colocados os nomes das vistas, bem como não aparecem as linhas de limite dos planos de projeções.

Antonio Clélio Ribeiro, Mauro Pedro Peres, Nacir Izidoro 34

Figura 3.5

É importante olhar para o desenho sabendo que as vistas, apesar de serem desenhos bidimensionais, representam o mesmo objeto visto por diversas posições. Com a consciência de que em cada vista existe uma terceira dimensão escondida pela projeção ortogonal; partindo da posição definida pela vista de frente e sabendo a disposição final convencionada para as outras vistas, é possível entender os tombos (rebatimentos) efetuados no objeto.

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