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Jorge Braz Torres

Reginaldo Barros Herbert A. A. de Siqueira

Manejo de Pragas das Plantas Cultivadas Ênfase Nordeste

RECIFE, 2006

Não é nossa pretensão abordar os assuntos aqui apresentados na sua total complexidade. Inúmeras publicações existem para o contexto geral bem como para cada cultura ou sistema específico. Assim, o único objetivo aqui é reunir e guiar os estudantes da disciplina Entomologia Agrícola nos seus estudos e, havendo maiores interesses são recomendados alguns títulos que poderão ser consultados ao final de cada tópico.

As principais culturas aqui abordadas se assemelham em muito das demais regiões bem como as práticas fundamentais para o manejo integrado das pragas. Entretanto, existem algumas situações particulares que devemos ter atenção para obtermos sucesso no uso das práticas de manejo visando reduzir as populações de artrópodes pragas.

Muitas das práticas de manejo recomendadas são oriundas de estudos de diversos autores que para facilidade de leitura são omitidas de citação dos padrões usualmente utilizadas em texto de revisões de literatura. Também, vale ressaltar que algumas das práticas de manejo mencionadas já se tornaram em desuso por surgimento de outras mais eficientes. Portanto, é recomendada aos estudantes e usuários uma criteriosa avaliação antes de tomar sua decisão.

J.B.T. R.B. Recife, 2006

Fotos Capa: Autoria Jorge Braz Torres. Lado esquerdo superior – armadilha de feromônio do bicudo do algodoeiro. Lado esquerdo inferior: planta de mandioca atacada pelo ácaro verde, Mononychelus tanajoa; Lado direito superior – Barreira com flores em plantio orgânico de alface/Chã-Grande, PE.

Páginas

Nomenclatura zoológica01
Desenvolvimento dos insetos05
Introdução ao manejo integrado de pragas12
Filosofia do controle de pragas23
Guia prático para confecção do MIP24
Formigas cortadeiras31
Cupins37
Gafanhotos42
MIP do algodoeiro48
MIP da cana-de-açúcar74
MIP do feijoeiro: Phaseolus e Vigna83
MIP da mandioca94
MIP do milho102
MIP das pastagens110
MIP do sorgo116
MIP do abacaxizeiro120
MIP da aceroleira124
MIP da bananeira129
MIP dos citros134
MIP do coqueiro146
MIP da goiabeira153
MIP da graviola e pinha158
MIP da mangueira164
MIP do maracujazeiro170
MIP do alho e cebola174
MIP da batata-doce178
MIP da berinjela, pimentão e jiló182
MIP das brássicas188
MIP das curcubitáceas194
MIP do tomateiro201

A unidade fundamental da sistemática é a espécie, a qual é definida no conceito biológico como sendo um grupo de indivíduos ou populações que na natureza são capazes de cruzarem entre si e produzir descendentes férteis e, que são isolados reprodutivamente de outros grupos. O fluxo gênico ocorre apenas entre membros de uma espécie, sendo de uma espécie para outra, evitado por processos pré-copulatórios (ecológico, temporal e etológico) e pós-copulatório (mecânico, gamético, F1 estéril e F2 não viável).

A constatação da espécie deve ser realizada cuidadosamente, sendo fundamental o isolamento reprodutivo, através dos caracteres morfológicos, encontrados devido às variações geográficas, especialmente como coloração, forma do corpo e distribuição geográfica que são referidas como subespécie. No entanto, existem indivíduos que não possuem estes caracteres geográficos definidos, sendo morfologicamente idênticos, porém apresentam alterações fisiológicas, comportamentais e com particularidades ecológicas, constituindo as categorias de biótipo, raça fisiológica e espécie críptica, demandando estudos nestas áreas para serem reconhecidos, sendo fundamental o isolamento reprodutivo.

A classificação formal abrange as principais categorias taxonômicas:

Filo, Classe, Ordem, Família, Gênero e Espécie que de acordo com as relações entre essas categorias, são organizados de forma hierárquica. Todavia, outras categorias intermediárias são estabelecidas como segue:

Reino

Filo

Subfilo

Classe

Subclasse

Ordem

Subordem

Superfamília

Família

Subfamília Tribo

Gênero

Subgênero

Espécie Subespécie

A padronização para a nomenclatura zoológica foi iniciado com o médico sueco Carolous Linnaeu, que atribuía nomes em latim ao material zoológico do museu de Estocolmo e publicava-o sob o título de “Systema Naturae”. Na 10a edição publicada em 1758, o autor propôs a “nomenclatura binomial”, da qual se faz uso até hoje. A nomenclatura binomial consiste de um nome (epíteto) genérico (gênero) e outro para a unidade fundamental, o epíteto específico (espécie). Ambos em latim, sempre escritos de forma diferente do texto corrente (negrito, itálico, grifado) e com o nome do gênero sempre iniciando em LETRA MAIÚSCULA e da espécie minúsculo. Além disso, propôs a reunião dos gêneros afins em Família e Ordem e, estas em Classe. Já as categorias intermediárias como subfamília e tribo foram propostas por Latreille. Sabendo-se da importância desta organização para a ciência, vários debates foram promovidos e, sendo a regra anteriormente proposta por Carolous Linnaeu eternizada no 5o Congresso Internacional de Zoologia, realizado em Berlim, em 1901.

Existem regras que são encontradas no Código Internacional de

Nomenclatura Zoológica, para o nome científico, Família, Gênero, Espécie e Subespécie. Os insetos possuem, na maioria, dois tipos de nomes: comum e o científico.

Nome comum

São nomes populares tanto no meio científico como na sociedade em geral, pela facilidade de pronúncia. Assim, são atribuídos às espécies de maior expressão, devido ao grande número de indivíduos por grupo ao qual referimos baseados no nome dado ao grupo complementado pela distribuição geográfica, tipo de injúria, comportamento, localização no hospedeiro/planta, tipo de presa ou hospedeiro (inimigos naturais), etc.: joaninhas, Col.: Coccinellidae; vaquinhas, Col.: Chrysomelidae; moscas, Dip.: Muscidae; percevejos, Heteroptera, etc. - brocas, minadores, desfolhadores, etc. - mosca-do-chifre, Hematobia irritans irritans; pulgão das gramíneas, Schizaphis graminum; parasitóides de ovos de percevejo, Telenomus podisi (Hym.: Scelionidae), etc.

Salienta-se, ainda, que são regionais e que não devem ser empregados como base para tomada de decisão para estudos ou, mesmo para controle, pois devido à ampla distribuição geográfica, a mesma espécie pode possuir diversos nomes comuns. Assim, deve-se conferir a identificação junto a um especialista.

LAGARTA ROSCA, nome comum amplamente empregado para a lagarta Agrotis ipsilon (Lepidoptera: Noctuidae), devido ao seu comportamento de se enroscar próximo a planta atacada. Porém inúmeras outras lagartas apresentam o mesmo comportamento quando perturbadas e podem ser encontradas no solo junto à planta.

Nome científico

O nome científico é latinizado, mas pode ser derivado do local de coleta, pessoa que identificou a espécie, característica do grupo, etc. Quando empregar o nome em homenagem a pessoa do sexo masculino, acrescenta-se i e, se for feminino, acrescenta-se ae. No caso do nome feminino terminar em a, acrescenta-se somente e - Agraulis vanillae vanillae (L., 1758), Trichogramma galloi Zucchi, 1988.

O nome científico da espécie é binomial e consta de gênero e espécie.

As vezes, trinomial quando possui subespécie. Estes sempre são grafados em destaque do resto do texto, sendo o nome genérico iniciado com letra maiúscula e da espécie e subespécie minúscula - Ex.: Atta sexdens sexdens.

Os nomes da espécie e subespécie são seguidos pelo nome do autor e ano de descrição, separado por vírgula e grafados de mesma forma do texto - Atta sexdens rubropilosa Forel, 1908. Se o nome do autor estiver entre parênteses, isto significa que ele descreveu a espécie (ou subespécie) em um outro gênero diferente daquele que a espécie encontra-se atualmente. Assim, pode-se deparar com as seguintes situações e, que geralmente deixam dúvidas aos estudantes.

Quando um autor cria um novo gênero e este já havia sido utilizado, o nome mais recente é invalidado, sendo considerado homônimo do mais antigo. Também, não pode haver duas espécies no mesmo gênero. Assim, um novo nome deve ser dado a espécie para substituir o nome mais recente, tendo que ser único no mundo. Deste modo, têm-se o princípio da prioridade, sendo o nome válido (gênero ou espécie) o mais antigo, e aquele atribuído posteriormente são considerados sinonímias.

• Podisus sculptus Distant, 1889 - percevejo predador - significa que a espécie sculptus foi descrita por Distant em 1889 no gênero Podisus;

• Podisus nigrispinus (Dallas, 1851) - percevejo predador - significa que a espécie nigrispinus foi descrita por Dallas em outro gênero que não Podisus, tendo sido posteriormente transferida para este gênero.

As categorias taxonômicas possuem terminações padronizadas sem necessidade de citação da categoria quando mencionada como: Superfamília (oidea), Família (idae), Subfamília (inae), Tribo (ini).

Outras composições são usadas, como quando referimos a uma espécie do gênero, mas não determinada - Brontocoris sp. - ou quando referimos a mais de uma espécie de mesmo gênero - Podisus spp., Atta spp.

Categorias taxonômicas

• Reino - caracteriza-se por seres animados (vivos ou orgânicos), compreendendo as plantas (reino vegetal ou flora) e os animais (reino animal ou fauna);

• Filo - Arthropoda - origina-se do grego (Arthron = articulação e, Podes = pernas); correspondem pela maior parte do Reino Animal, sendo caracterizados por possuirem: corpo segmentado em anéis ou metâmeros e com duas ou três regiões distintas - heteronomia (cabeça, tórax e abdome ou fundidos cefalotórax e abdome); apêndices em pares; simetria bilateral; exoesqueleto quitinizado e renovado por ocasião da muda (cresce); ausência de epitélio ciliado em todas as fases de desenvolvimento e aparelho circulatório aberto (cavidade do corpo formado por hemocele); musculatura formada por fibras musculares estriadas;

• Subfilo - nesta categoria encontram-se os Chelicerata (presença de quatro pares de apêndices, sem antenas e corpo dividido em duas partes - cefalotórax (prosoma) e abdome (opistosomia), aranhas, ácaros, etc. - e Atelocerata ou mandibulata, possui um par de antenas;

• Classe - Insecta, corpo dividido em três partes, possui um par de antenas e três pares de pernas (Hexápoda) e aparelho bucal ectognato (peças bucais livres); mandíbulas e maxilas;

• Subclasse - Apterygota – sem asas, metamorfose simples (Thysanura) e Pterygota com adultos possuindo, geralmente, dois pares de asas e sem pernas abdominais e metamorfose completa;

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