Apostila da Cultura do Arroz

Apostila da Cultura do Arroz

(Parte 1 de 9)

No Mundo, A origem do arroz no mundo tem sido debatida por algum tempo, mas a planta é de tal maneira antiga que a época precisa e o lugar de sua primeiro surgimento talvez nunca venha a ser conhecido. O que é certo, entre tudo, é que a domesticação do arroz é um dos mais importantes progressos na história, pois esse grão alimentou mais pessoas por uma maior período de tempo do que qualquer outra cultura. (4)

Pelas teorias dos pesquisadores tudo levar a crer que a domesticação muito provavelmente teve lugar na região do Korat ou em alguma depressão protegida do norte da Tailândia; em um vale ao longo do Planalto de Shan em Myanmar; no sudoeste da China; ou em Assan (estado Indiano). (4)

A grande variedade de tipos de arroz encontrada na zona das chuvas das monções, estendendo-se desde o Oriente da India através de Myanmar, Tailândia, Laos, norte do Vietnam, e sul da China. Esta diversidade de espécies, incluindo aquelas consideradas por muitos como envolvidas no processo original de domesticação, vem dar suporte ao argumento de que as regiões continentais do sudeste da Ásia foi o berço do cultivo do arroz. (4)

Pesquisas arqueológicas encontraram grãos e casca de O. sativa na região de Non

Nok Tha no planalto de Korat na Tailândia, datando de 4000 anos A.C. (teste do carbono 14). Esta evidência junto com a de plantas encontradas na Caverna dos Espíritos na fronteira de Myanmar com a Tailândia datando de cerca de 10.0 anos A.C., sugerem que a agricultura possa ser mais velha do que se estima atualmente. ( 4 )

Com o incremento do preparo da lama e o transplante de mudas, o arroz acabou verdadeiramente domesticado. Na China a história do arroz irrigado nos vales dos rios e nas terras baixas é mais antiga que as lavouras de terras altas. No sudeste da Ásia, ao contrário, o arroz foi originalmente produzido nas condições de lavouras de sequeiro nos planaltos, e somente recentemente ocupou os vastos deltas dos rios. Pessoas migraram do sul da China ou talvez norte do Vietnam, carregando a tradição do arroz irrigado para as Filipinas durante o segundo milênio A.C. e Deutero-Malays levaram a prática para a Indonésia cerca de 1500 A.C. Da China ou Coréia o arroz foi introduzido no Japão não depois de 100 A.C.( 4 )

O arroz é uma planta rústica. São muitas as espécies de arroz as quais podem florescer ( cultivado fácilmente) numa grande variedade de regiões, climas e paisagens. Antes do cultivo do arroz, o arroz selvagem crescia nas regiões do sudeste da Ásia atualmente conhecida como Myanmar, antiga Burma, na Tailândia e Vietnam. Arqueólogos acreditam que o cultivo do arroz pode ter iniciado no nordeste da Tailândia antes de 4.500 A.C. Isto significa que o arroz tem sido cultivado no sudeste da Ásia por pelo menos 7000 anos. Porque o arroz tinha uma abundante colheita e estável, com fácil cultivo, as lavouras de arroz contribuíram para o crescimento das populações e civilizações no sudeste da Ásia. ( 5 )

Apesar das diferentes opiniões sobre a exata origem do cultivo do arroz, muitos arqueólogos confirmam que a prática do cultivo do arroz gradualmente se expandiu para o sul vindo da região do sul da China e nordeste da Tailândia passando para as ilhas do sudeste asiático. ( 5 )

As plantações do arroz, o gosto pelos tubérculos e o cultivo de grãos, fizeram os homens a iniciar a terem grande controle sobre o ambiente natural. Este métodos de controle da terra também mudou a vida diária das pessoas das antigas civilizações do sudetse asiático. ( 5 )

Pyu, localizada atualmente em Burma (Myanmar), foi um dois primeiros reinos que estabeleceu um complexo sistema de irrigação servindo de suporte para uma grande população. Pyu foi um poderoso reino entre os séculos sexto e oitavo. O reino de Pagan no oeste de Burma ganhou proeminência nos séculos nono e décimo segundo. ( 5 )

Por mais de 7000 anos o arroz tem sido o mais importante produto ( colheita-safra) na vida das pessoas do sudeste asiático. Por esta razão, o cultivo do arroz faz parte da formação da cultura dos povos do Sudeste asiático. Muitas cerimônias, festivais e formas de arte dessas regiões do mundo tem alguma coisa a ver com o arroz. A cerimônia de “Royal Plowing” na Tailândia é um exemplo preciso de como o ciclo do arroz influi no calendário dos ritos anuais.( 5 )

Movimentos para o oeste da India e sul do Sri Lanka também aconteceram muito cedo. A data de 2500 A.C. já havia sido mencionada por Mohenjo-Daro, enquanto no Sri- Lanka, o arroz era a maior cultura por volta de 1000 A.C. A cultura bem que pode ter sido introduzida na Grécia e áreas vizinhas do Mediterrâneo durante o retorno de membros da expedição de Alexandre “O Grande” da India entre 334 e 324 A.C. Desde um centro na Grécia e Sicília, o arroz se difundiu gradualmente atravé do sul da europa e algumas regiões no Norte da África.( 4 )

Durante o século 16 e iníco do 17, a malária era a mais importante doença no sul da Europa, e se acreditava ser devida ao mal cheiro que vinha das áreas alagadas ( daí a origem do nome “ mal aire”). Grande projetos de drenagem foram aplicados no sul da itélia, e o cultivo do arroz irrigado foi desencorajado em algumas regiões. De fato, ele foi verdadeiramente proibido na proximidades das grandes cidades. Estas medidas foram uma significativa barreira para a difusão do arroz na Europa (4 )

Como resultante da Era das Grandes Expedições Européias, as novas terras do oeste foram descobertas. O cultivo do arroz foi introduzido no novo mundo pelos pioneiros colonos europeus. O portugueses levaram para o Brasil, e os espanhóis introduziram o seu cultivo em vários locais da América Central e do Sul. A primeira notícia da América do Norte data de 1685, quando a cultura foi implantada nas terras baixas da costa e ilhas do que hoje é a Carolina do Sul. No início do século 18 o arroz foi para a Louisiana, mas somente no século 20 foi produzido no Vale do Sacramento na Califórnia Também nesta época obtiveram-se os primeiros sucessos na produção do arroz na Austrália. (4)

A introdução na Europa teria ocorrido pelo contato que houve entre a Macedônia e a Índia devido as campanhas de Alexandre Magno.(1)

A introdução na América do Norte ocorreu em 1694, pelo Cap. Smith, que o trouxe da Madagascar para o Estado da Carolina.(1)

No Brasil já havia notícias da cultura do arroz na capitania de São Vicente.(1) É procedente o fato de que o início de lavouras arrozeiras se deu na Bahia antes de 1587. A orizicultura praticada como atividade organizada e com fundamentos econômicos, teve início em meados do século 18. No Maranhão teve início em 1745, em Pernanbuco em 1750, e no Pará em 1772. A primeira exportação de arroz pelo Brasil ocorreu em 1773, com arroz produzido no Pará, num total de 13 toneladas destinadas à Portugal. A orizicultura foi predominantemente produto de exportação até metade do século 19 quando o Brasil passou a grande importador. O arroz asiático das colônias européias chegava a preços irrisórios.( 2 )

A partir de 1880 o governo federal atribui crescentes taxas ao arroz importado, e ele atinge o início do século 20 com um preço elevado no mercado nacional, causando o incremento dos investimentos na produção nacional.( 3 )

No RS, nas regiões coloniais desde 1832 se encontram referências à cultura, onde eram usadas variedades chamadas “de montanha” ( de sequeiro).(1)

A cultura só tomou incremento após o início da irrigação mecânica, fazendo-se a elevação da água por meio de bombas.(1)

A primeira lavoura irrigada foi instalada em 1904 nas proximidades de Pelotas, pelos irmãos Lang. A segunda em 1905, por Oscar Loevens, em Gravataí (Cachoeirinha), nos campos onde hoje está situada a Estação Experimental do IRGA. No mesmo ano inicia-se a irrigação mecânica em Cachoeira do Sul, onde rápidamente se expandiu, tornando-a por muito anos o município maior produtor do RS.(1)

Referências Bibliográficas:

1- Melhoramentos da Rizicultura no Rio Grande do Sul. Secretaria da Agricultura, Indústria e Comércio do RS, maio de 1945. Porto Alegre, 1946. 429p.

2- Origens, atualidades e perspectivas da orizicultura brasileira. Artigo de Balthazar de Bem e Canto, quando presidente do IRGA na Lavoura Arrozeira, mar/abr. 1979.

3- As origens da orizicultura gaúcha. Ema Julia Massera, Lavoura Arrozeira, jan/fev. 1983.

4- A Brief History of Rice. From the publication Rice: Then and Now by R.E Huke and E.H. Huke, International Rice Research Institute, 1990.

5- Mapping Southeast Asia. Internet.

1. ECOFISIOLOGIA DA CULTURA DO ARROZ

1.1 TAXONOMIA

Engler Cronquist

Divisão Angiospermae Magnoliophyta Classe Monocotylidoeae Liliopsida Subclasse ---------------------------- Commelinidae Ordem Graminales Cyperales Família Gramineae Poaceae Gênero Oryza Oryza Espécie Oryza sativa Oryza sativa

A estrutura de uma planta de arroz pode ser agrupada em duas partes:

Órgãos vegetativos: Raiz, colmo e folhas. Órgãos reprodutivos: Panícula, flor, fruto.

1.2 RAÍZES

Dois TIPOS - Seminal ou primária. - Adventícias ou secundárias.

1.2.1 Raíz Seminal: É apenas uma raiz. Se origina do primórdio existente no embrião. Cresce até mais ou menos o estádio de 7 folhas.

Em solo bem drenado é a raiz seminal que emerge primeiro do embrião. Caso contrário, é o Coleóptilo.

1.2.1 Raízes Adventícias: Se formam dos nós inferiores do colmo. Ramificam-se abundantemente concentrando-se, geralmente, até uma profundidade de 0,15 m. As 3 primeiras saem da parte inferior do nó do coleóptilo, 3 dias após a seminal. Após 2 dias mais 2 raízes saem do nó do coleóptilo (parte superior). Estas 5 raízes mais a seminal, suprem a plântula em água e minerais, além de fixar a mesma ao solo nos estádios iniciais. Quando a planta estiver com 3,2 a 4 folhas emergem 8 novas raízes do primeiro nó, com 5 folhas emergem as do segundo nó e crescem até 7 ou 8 folhas, e com 6 folhas emergem as do terceiro nó que crescem até a planta ter 8 a 9 folhas. As raízes dos perfilhos emergem da mesma maneira sincronizada que a do principal. O número de raízes atinge o máximo entorno do estádio de emergência da panícula. O comprimento radicular total no florescimento pode atingir 15 a 34 km/m² de superfície de solo.

1.2.2 Fatores que afetam o sistema radicular: Condições de solo, clima, umidade, afetam o comprimento final das raízes. porém o fator determinante é o genótipo ou cultivar.

a) Tipo de planta:

Cultivares de porte baixo, alta capacidade de perfilhamento apresentam o eixo principal das raízes com menor diâmetro. Cultivares com maior número de perfilhos férteis tendem a possuir um número maior de eixos principais, com menor diâmetro e um maior número de raízes superficiais. Cultivares com menor número de perfilhos e maior peso de panícula tendem a ter menor número de eixos principais e com maior diâmetro resultando sistema radicular mais profundo.

b) Condições de solo: Solos profundos e bem drenados resultam raízes mais profundas, enquanto que solos rasos e mal drenados encontramos raízes mais na superfície.

c) Manejo da água: Solo com boa percolação e sistema de inundação intermitente provocam o aparecimento de sistemas radiculares com maior número de eixos principais e mais profundos. Sem percolação e inundação contínua o número de eixos principais é menor e mais superficial.

d) Adubação: O nitrogênio é o elemento que mais influencia a formação do sistema radicular do arroz. A concentração de N na base da planta deve ser maior que 1% para não sofrer deficiência. Níveis mais altos ocasionam um maior número de eixos e mais superficiais, enquanto que níveis mais baixos ocasionam raízes mais longas.

e) Densidade de semeadura: Um maior o número de plantas por m² aumentam o número de eixos principais com menor diâmetro e menor comprimento.

1.2.4 Morfologia do sistema radicular de uma cultivar de arroz com alto potencial de rendimento: a) O número, o comprimento e o diâmetro dos eixos principais deve ser grande. b) As raízes laterais e os pêlos absorventes devem ser bem desenvolvidos.

c) Raízes superficiais abundantes e bem desenvolvidas. d) Distribuição de raízes mais profundas.

De acordo com a altura de uma planta de arroz (comprimento do colmo mais panícula) classifica-se o colmo em: curto: menos de 0,70 m médio: de 0,70 a 1,10 m Longo: maior de 1,10 m

Os colmos são constituídos de nó e entrenós. Em cada nó há uma folha e uma gema capaz de emitir afilhos e raízes caulinares. O septo nodal separa dois entrenós. Os entrenós maduros são ocos, levemente sulcados e sem pilosidade. os entrenós inferiores são curtos, mais grossos e os superiores mais longos e mais finos. A estatura da planta é função do número e do comprimento dos entrenós. Uma planta possui de 12 a 2 entrenós, porém de 4 a 9, dos superiores, podem ultrapassar 5 cm de comprimento. O número e o comprimento dos entrenós varia com a cultivar e com o ambiente. As tardias formam maior número de entrenós.

1.3.1 Afilhos: É uma característica genética com domínio da pesquisa. Sofre influencia do meio ambiente e podem ser de 1 a 30 por planta. Os afilhos saem dos nós inferiores, alternadamente, sendo que do colmo principal saem os afilhos primários, destes saem os afilhos secundários, que por sua fez podem emitir os afilhos terciários. O primeiro afilho surge junto com a quarta folha. O segundo afilho com a quinta folha e o terceiro com a sexta folha e assim por diante. Os afilho formados quando surge a quarta e a quinta folha são os que provavelmente irão produzir grão. Na produção de sementes o afilhamento pode atrapalhar pela diferença de maturação.

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