Cultivo da Ameixeira

Cultivo da Ameixeira

(Parte 4 de 8)

Após o período de dormência, a retirada de água do solo pela planta aumenta à medida que os ramos se desenvolvem e a área foliar é ampliada.

Posteriormente a floração, a multiplicação celular é muito grande porque é o número de células que determina o tamanho final dos frutos. A falta de água nesse período reduz o número de células, comprometendo o tamanho dos frutos. Terminada a divisão celular, nos frutos inicia-se a fase de aumento do volume das células. Nesse período, a etapa mais crítica ocorre duas a três semanas antes da colheita.

Outra fase crítica dá-se durante a diferenciação das gemas, que ocorre após a colheita. Nesse período, a atividade radicular é muito grande, uma vez que a planta armazena as reservas de nutrientes que irá utilizar no florescimento e na brotação, definindo a carga de frutos para a próxima estação. Essa é a fase mais importante no controle da umidade do solo, em razão de que, em condições de baixa umidade, há comprometimento da absorção de nutrientes pela planta, impedindo que ela entre, adequadamente nutrida, na fase de dormência.

Manejo da irrigação

O manejo da irrigação consiste em determinar a época e a quantidade de água a ser fornecida aos cultivos. Existem diferentes métodos, que variam quanto ao uso de instrumentos, custo de implementação, necessidade de dados meteorológicos e eficiência de aplicação, entre outros fatores.

Irrigação por aspersão: Apesar de não ser o método mais indicado para pomares já formados, é muito empregado na produção de mudas (Figura 20). Consiste na dispersão de água sobre a cultura, utilizando-se um conjunto de moto-bomba, tubulação, aspersores e acessórios.

As principais vantagens são: não necessitar de sistematização do terreno; pode ser utilizado em solos com quaisquer taxas de infiltração ou retenção de água; e não apresentar perdas na condução ou por escoamento superficial, quando bem manejado. Além disso, exige pouca mão-de-obra, apresenta facilidade de montagem, não dificulta o preparo de solo, pode ser instalado no pomar já implantado, ser automatizado, (operarando 24 horas por dia), e usado na prevenção de danos por geadas e possui grande variedade de opções de equipamentos.

Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 20. Irrigação de viveiro de produção de mudas de ameixeira utilizando o método de aspersão.

O método apresenta como principais desvantagens: altos volumes de aplicação; baixo rendimento; altas pressões para funcionamento e, conseqüentemente, o consumo de muita energia. Também molha toda a área e a folhagem das plantas; tem alto custo de implantação; utilização limitada pelo vento; e necessidade de água de boa qualidade.

Irrigação de superfície: Dos métodos utilizados, o de sulcos é o que apresenta maior aplicação em fruteiras. Apresenta como desvantagens a dificuldade de circulação de máquinas, a manutenção dos sulcos e a grande necessidade de mão-de-obra.

Irrigação localizada: Caracteriza-se por adicionar água ao solo com maior freqüência e em volumes menores, oferecendo umidade adequada à região onde as raízes se distribuem.

As principais vantagens do sistema para fruteiras são: proporciona maior produtividade com menores volumes de água aplicados; utiliza baixa pressão na operação; não molha as folhas das plantas; opera em cultivos implantados em solos de baixa capacidade de infiltração (argilosos); pode-se aplicar fertilizantes junto com a água; não necessita de nivelamento do solo; não apresenta limitações de topografia; pode ser automatizado é de elevada eficiência de aplicação, (pois molha somente a área junto ao gotejador, o que reduz o aparecimento de ervas daninhas); possibilita o uso de água com teores de sais mais elevados do que nos métodos de aspersão; e necessita de pouca mão-de-obra para seu funcionamento.

Principais desvantagens: os custos de implementação, a ocorrência de entupimentos (por fatores biológicos, químicos e físicos) e o acúmulo de sais nas laterais do bulbo úmido; não pode ser utilizado no controle de geadas; e necessita de experimentação local para maximizar os resultados com o sistema.

Viabilidade econômica da irrigação

Todos os métodos, quando bem utilizados devem apresentar resultados semelhantes quanto à produtividade da cultura. A escolha do método deve ser acompanhada de análise que leve em conta os fatores técnicos relacionados aos fatores econômicos do investimento. Em regiões sujeitas a períodos de estiagem, o uso de irrigação suplementar na cultura da ameixeira pode proporcionar benefícios ao produtor.

No Sul do Brasil, a suplementação de água nos pomares, por meio da irrigação, tem sido feita de forma simples e com baixa tecnologia. Mesmo nesses casos, tem-se observado reação positiva das plantas, particularmente em relação ao aumento do diâmetro dos frutos.

Tratos Culturais

A localização do pomar de ameixeira constitui-se no fator primordial para o sucesso do empreendimento. A escolha inadequada impede que sejam realizados tratos culturais essenciais ao desenvolvimento da cultura e pode acarretar sérios prejuízos às plantas. Torna-se imprescindível avaliar as condições locais em relação a pomares já existentes, observando-se a adaptação das plantas, seu desenvolvimento, vigor e produtividade.

A poda é uma operação importante no manejo das plantas, uma vez que estimula a formação de novas áreas de produção, livra a árvore de ramos doentes, fracos e "ladrões", proporciona um certo equilíbrio entre o crescimento vegetativo e a produção, estimula a produção de frutos de melhor qualidade, diminui a alternância de produção, conduz a planta a forma desejada e controla a altura da mesma, facilitando os tratos culturais.

Condução inicial da muda

Normalmente, as mudas de ameixeira são plantadas em haste única, com comprimento variável e niveladas, posteriormente, à altura de 70 cm do solo.

Dependendo da cultivar e do clima da região, em meados de agosto/setembro iniciam as brotações das gemas vegetativas localizadas em toda a haste principal da muda. Como norma geral, tem-se procurado reduzir gastos desnecessários de energia pela planta, na formação de ramos, que não serão aproveitados. Deve-se proceder, então, a retirada de todas as brotações situadas na porção inferior da muda, até a altura de aproximadamente 40 cm do solo (Figuras 21 e 2). Entretanto, todos os ramos situados na porção superior devem permanecer na planta, sem que ocorra qualquer interferência.

Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 21 e 2. Condução inicial da muda antes e depois da retirada das brotações basais.

Tem-se observado que em ramos estruturais selecionados durante o primeiro período vegetativo é grande a possibilidade de ocorrer perda devido ao ataque de pragas, de doenças, de roedores (lebre), por acidentes mecânicos e, principalmente, quebra ocasionada pelo vento devido à fragilidade da união dos ramos ao tronco, durante os primeiros estágios de desenvolvimento da planta. Em muitos casos, tem-se numerosa ramificação na porção superior da muda. Entretanto, não há necessidade de maiores preocupações porque poderão ser retiradas na poda de inverno. Desta forma estarão favorecendo o fortalecimento do tronco e raízes, possibilitando uma planta bem estabelecida.

A seleção dos ramos que formarão as pernadas da planta, em número de quatro, é realizada apenas durante o período de repouso vegetativo, na poda de inverno. Nessa ocasião, todos os ramos desnecessários devem ser eliminados.

A poda é uma operação importante no manejo das plantas, uma vez que visa estimular a formação de novas áreas de produção, livrar a árvore de ramos doentes, fracos e "ladrões", proporcionar equilíbrio entre o crescimento vegetativo e a produção, estimular a produção de frutos de melhor qualidade, diminuir a alternância de produção, conduzir a planta a forma desejada e controlar a altura da mesma, facilitando os tratos culturais.

Para que se possa podar adequadamente a ameixeira, deve-se considerar o seu hábito de frutificação que nos dois grupos básicos é bem diferenciado. As ameixeiras européias frutificam sobre esporões (ramos curtos, de crescimento determinado e especializado em produção de flores e frutos). Aquelas do grupo japonês e seus híbridos possuem, além de esporões, ramos mistos, isto é, ramos que possuem gemas floríferas e vegetativas. A ameixeira produz frutos lateralmente, em ramos de um ano ou em esporões vigorosos sobre madeira mais velha. A poda seca ou de inverno é feita durante o período de repouso vegetativo. Dependendo da cultivar e região onde é cultivada a ameixeira, a poda é realizada de junho até agosto.

Poda da formação

As cultivares do grupo europeu são, geralmente, mais adaptadas ao sistema de líder central. As do grupo japonês adaptam-se melhor ao sistema de centro aberto.

O sistema de líder central (ou eixo central) é uma forma utilizada principalmente em pomares de alta densidade. Permite o desenvolvimento do tronco como uma estrutura única e sem ramificações a uma altura entre 40 a 50 cm de altura. A partir desta altura são escolhidos anualmente, nos três próximos anos, camadas de ramificações primárias, constituídos por quatro a cinco ramos e distanciados de 50 cm uma camada da outra. Ao final do terceiro ano, a planta terá três camadas de ramos primários que formam, junto com o líder central, o esqueleto da planta e que darão origem a ramificações secundárias e sustentação da produção.

No sistema de vaso ou centro aberto (Figura 23) são selecionadas de quatro a seis ramificações, distribuídas de forma radial, ficando a mais baixa a 30 cm do solo. Destas são conservadas apenas quatro. É aconselhável deixar um ou dois ramos a mais devido à possibilidade de perda de algum deles por efeito do vento ou de outro agente.

Os ramos principais selecionados devem ser reduzidos em até um terço do comprimento, cortados logo acima de um ramo lateral que se dirija para fora. Este detalhe destina-se a abrir a copa da planta.

Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 23. Condução inicial da muda antes e depois da retirada das brotações basais.

Muito freqüentemente as cultivares do tipo japonês sobrecarregam de frutos. Para evitar a carga excessiva ou a alternância de produção é aconselhável podar a planta mais severamente do que nas cultivares do grupo europeu.

O encurtamento (ou desponte de ramos) é realizado com a finalidade de estimular o crescimento vegetativo e diminuir a carga de frutos, até que a planta ocupe o espaço disponível na linha. Quando o crescimento do ramo é maior que o desejado, o desponte é realizado próximo a um esporão (crescimento determinado).

Em plantas jovens é importante estimular o crescimento do ramo do ano entre 25 e 50 cm e, em plantas em produção, em 25 cm.

As plantas de P. domestica, em idade produtiva, devem ser podadas muito levemente.

Poda verde

É praticada durante o período de vegetação, florescimento, frutificação e maturação dos frutos, tendo por finalidade melhorar a qualidade e manter a forma da copa através da supressão de partes da planta.

Em árvores novas é recomendado realizar a poda verde, realizada durante o período de crescimento, para eliminação dos ramos mal posicionados e "ladrões" ou para desponte dos ramos, eliminando bifurcações ou forquilhas para favorecer a formação de ramos laterais secundário.

Nas plantas em produção é realizada com a finalidade de eliminar ramos nos quais o crescimento seja dirigido para o interior da copa e aumentar a aeração e iluminação no interior da planta, promovendo-se o aumento da frutificação nas camadas inferiores dos ramos, melhorando-se a coloração da película dos frutos.

Manejo de Plantas Daninhas

Entre os fatores que influenciam a quantidade e a qualidade dos frutos, o manejo do solo e o controle das plantas invasoras merecem atenção especial. No manejo do solo dos pomares é necessário que se mantenha um grau de controle das plantas daninhas que permita as frutíferas expressarem toda a capacidade produtiva. Principalmente nos períodos de brotação, floração, raleio e a fase compreendida entre o endurecimento do caroço e a maturação do fruto, a competição exercida pelas plantas invasoras deve ser mínima ou nula.

É recomendável que o solo dos pomares, na linha de plantas, ou seja, na área efetivamente explorada pelo sistema radicular das frutíferas, seja mantido livre de qualquer tipo de vegetação que possa competir com a ameixeira, principalmente, no período compreendido entre a floração e a maturação dos frutos, estendendo-se até a queda das folhas.

Controle mecânico e químico de invasoras

O controle das plantas invasoras pode ser feito de diferentes maneiras, devendo ser considerados alguns parâmetros tais como: espécies infestantes, período de infestação, fenologia das espécies infestantes e fenologia da frutífera. Com relação a este último item, na fase de formação dos frutos é muito importante que não haja concorrência por água e nutrientes, principalmente em solos com baixa fertilidade natural e pouco profundos.

Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 24. Aspecto na linha de plantas de um pomar de ameixeira sem competição de invasoras.

Em pomares localizados em áreas com declive acentuado (sujeitos aos processos erosivos) é aconselhável manter as entrelinhas relvadas para evitar o arraste de solo durante os períodos chuvosos. A vegetação nas entrelinhas deverá ser de porte baixo, ou mantida roçada durante a fase vegetativa da ameixeira.

A utilização de enxada rotativa também deve ser evitada, principalmente em solos com textura fina. Nestas condições este implemento desestrutura o solo, pulverizando-o. Após uma chuva, forma-se uma crosta na superfície do terreno, diminuindo a permeabilidade à água e ao ar, comprometendo o bom desenvolvimento da ameixeira e facilitando os processos erosivos.

Grades tipo off set podem ser usadas, desde que o solo esteja em condições de friabilidade.

Quando as entrelinhas são mantidas relvadas, a passagem das máquinas para a execução dos tratamentos fitossanitários e demais tratos culturais motomecanizados é facilitada.

Nas linhas de plantas, deve-se proceder o revolvimento de uma fina camada na superfície do solo. Esta prática, sempre que possível, deve suceder a adubação nitrogenada, promovendo a incorporação do adubo, evitando-se, assim, perdas por volatização e aumentando-se a eficiência do fertilizante, principalmente se for usada a uréia como fonte de nitrogênio. Convém salientar que o cultivo do solo não elimina a necessidade de adubação nitrogenada.

A eliminação das espécies invasoras deve se restringir à área explorada pelo sistema radicular das frutíferas. Em muito casos, dependendo das espécies invasoras, do regime de chuvas e da disponibilidade de mão-de-obra, a capina manual torna-se impraticável ou ineficiente. Uma capina eficiente seguida da aplicação de um herbicida pré- emergente (Tabela 4), permite, em certas situações, que a área tratada fique livre das plantas invasoras por um período superior a cinco meses.

Tabela 4. Herbicidas pré-emergentes utilizados no controle das plantas invasoras em pomares de ameixeira.

Herbicidas as pré-emergentes

Princípio ativo Dosagem do produto comercial DIURON (ou similar) 2,0 a 3,0 kgh a-1

(Parte 4 de 8)

Comentários