Cultivo da Ameixeira

Cultivo da Ameixeira

(Parte 6 de 8)

Mosca das frutas - Anastrepha fraterculus

A mosca das frutas é de cor amarelada, corpo amarelo mais escuro e asas transparentes, com manchas escuras de desenho característico.

A larva varia da cor branca à branco-amarelada e têm corpo liso, sem pernas, não se distinguindo claramente a cabeça, que fica na parte fina do corpo. A parte posterior termina abruptamente, sem afilar. As larvas, quando totalmente desenvolvidas, medem cerca de 7 a 9 m de comprimento.

O dano causado pela mosca das frutas ocorre exclusivamente no fruto. A larva forma galerias que, posteriormente, se transformam em uma área úmida, em decomposição, de cor marrom (Figura 31).

Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 31. Ameixas atacada por larvas de Anastrepha fraterculus.

Algumas medidas podem ser tomadas fora e dentro do pomar como forma de auxílio no controle da mosca das frutas, a seguir relacionadas:

> Eliminar plantas silvestres que sejam, constantemente, infestadas pela mosca, ou usar seus frutos para preparar suco para isca ou alimentação animal.

> Usar isca tóxica e/ou armadilha nas plantas silvestres infestadas.

Retirar os frutos temporões. Nunca deixá-los amadurecer na planta, pois, certamente, serão atacados pela mosca e constituirão foco de infestação. Esses frutos podem, entretanto, funcionar como armadilhas, pois, sendo atacados e depois eliminados, interromperão o ciclo da mosca.

> Eliminar do pomar os frutos caídos ou refugados. Aconselha-se enterrar tais frutos cerca de 20 a 30 centímetros de profundidade. Esses fruto, também podem ser usados para elaboração do suco para as armadilhas ou da isca tóxica.

Em ameixa, o ataque inicia-se logo no começo do desenvolvimento dos frutos (frutos com 2-3 cm de diâmetro). Quando o ataque ocorre neste estágio, não há o desenvolvimento da larva no interior do fruto, mas provoca, entretanto, a queda deste.

A isca tóxica constitui-se de uma solução de açúcar ou sucos de fruta, com a adição de um inseticida. Sucos de laranja, pêssego, nêspera, ameixa, entre outros, adoçados na razão de 5kg de açúcar cristal para 100 litros de líquido, constituem-se em excelentes veículos para a aplicação de isca tóxica. Os melhores inseticidas para uso em isca tóxica são: diazinon, dimetoato, etion, fenitrotion, fention, malation, mevinfós e triclorfon. A aplicação deve dar-se diretamente sobre as folhas, numa faixa de cerca de 1m de largura e no lado do sol da manhã. Aproximadamente 150 ml de isca tóxica são suficientes para se cobrir essa faixa da planta. Aplica-se com pulverizadores comuns, com gota de pulverização grossa. Isso se consegue aumentando a saída de líquido e diminuindo-se a pressão do pulverizador.

A pulverização em cobertura total das plantas deve ser adotada quando o ataque acontecer logo no inicio do desenvolvimento dos frutos. Para esse tipo de aplicação, usa-se um inseticida que tenha ação de profundidade, ou seja, que mate as larvas nascidas e as que venham a nascer no interior do fruto nos dias seguintes à pulverização. Dentre os inseticidas recomendados para esse tipo de pulverização, destacam-se: dimetoato, fenitrotion, fention, formation, mevinfós e triclorfon. É necessário observar, rigorosamente, o período de carência do produto, ou seja, o número de dias que devem ocorrer entre a aplicação e o início da colheita.

Pulgão - Myzus persicae

O pulgão, Myzus persicae é de coloração verde e corpo mole, liso e brilhante, com manchas. Há formas aladas (mais escuras) e não-aladas. As ninfas são de coloração verde a marrom-avermelhada. Os danos causados pelos pulgões são muito variáveis. Não há dúvida de que, em plantas jovens (de um a dois anos) e em viveiros, ocorram maiores prejuízos. Essas plantas podem ter sua formação e desenvolvimento comprometidos, uma vez que os brotos infestados não se desenvolvem.

O controle com inseticidas é muito fácil para os pulgões em geral. Porém, é fundamental que a aplicação do defensivo ocorra no momento certo. Após as folhas estarem encarquilhadas e fechadas, dificilmente o inseticida terá o mesmo efeito que com a planta sadia. Assim, é necessário identificar o início da infestação e, localizadamente, efetuar-se o controle.

Escolito - Scolytus rugulosus

Existem várias espécies de coleobrocas que atacam plantas frutíferas, além do Scolytus rugulosus. Os adultos são pequenos besouros (2,0 a 2,5 m de comprimento), de coloração marrom-escura a preta, com as pernas e as antenas marrons (Figura 32). Os machos são menores do que as fêmeas.

Plantas de ameixeira, durante o ataque inicial do inseto, mostram desuniformidade de brotação e floração. Estes sintomas evoluem para a morte de ramos e, conseqüentemente, morte da planta.

O controle tardio é extremamente difícil, devido ao hábito de ataque, multiplicação e, sobretudo, pelo desconhecimento das características de comportamento e ciclo de vida da praga. O controle através da remoção de ramos atacados pode ser uma ajuda importante para evitar a disseminação da praga no pomar. Os resíduos da poda e partes atacadas devem ser queimados, pois, de outro modo, podem servir como foco de multiplicação de escolitos. A eficiência do controle químico depende da forma de aplicação. Para se matar o inseto, o inseticida (piretróides, fosforados) tem que penetrar no orifício em quantidade razoável. Isso é possível através de injeção dirigida no orifício ou pincelamento do tronco e ramos mais grossos.

Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 32. Adulto de Scolytus rugulosus sobre ramo atacado.

Formigas - Atta spp, Acromyrmes spp e Mycocepurus spp

As formigas cortadeiras, conhecidas, vulgarmente, por saúvas (Atta spp, Acromyrmes spp) e quenquém (Mycocepurus spp), são pragas ocasionais nas fruteiras, tanto no viveiro como no pomar.

O controle com barreiras físicas na planta que impeçam a subida das formigas pode resolver, temporariamente, a situação. Tais barreiras incluem faixa com graxa, pedaços de lã, esponja com inseticida etc. ao redor do tronco. O controle com inseticidaformicida propicia melhor resultado quando o produto for aplicado em formigueiros recém formados, ou seja, quanto menor o formigueiro, mais fácil será o controle. Após a localização do formigueiro, deve-se abrir o ninho com uma enxada até se chegar à terra firme e polvilhá-lo com formicida abundantemente ou regá-lo com uma solução de inseticida e água. A forma mais prática de controle é através da isca tóxica granulada, pois as próprias formigas carregam os grânulos para o formigueiro. A isca deve ser depositada ao longo dos carreiros e, de preferência, à tardinha.

Caso se observe movimento ordenado de formigas no carreiro após três a quatro dias da primeira aplicação é conveniente reaplicar a isca, fazer-se polvilhamento ou, ainda, a fumigação.

Normas Gerais sobre o Uso de Agrotóxicos

O processo educativo que permite conhecer os métodos de controle de pragas e, em especial, o conhecimento, manipulação e/ou utilização dos agrotóxicos permite obter melhores resultados agronômicos e evitar ou reduzir problemas de intoxicação, poluição ambiental e contaminação de alimentos com resíduos não-desejáveis.

Os compostos classificados como tóxicos podem ser usados com segurança, sempre que observadas as medidas de precaução adequadas e as indicações contidas nos rótulos. Ultimamente as pesquisas sinalizam para a obtenção de produtos que não persistam no ambiente e que sejam de baixa toxicidade para animais de sangue quente, fatores esses não-atingíveis facilmente, requerendo, da mesma forma que os produtos tóxicos, atenção e precaução quanto ao seu uso.

Dessa maneira, o manejo seguro dos agrotóxicos, seja qual for a sua classificação toxicológica, necessita urgente difusão no meio rural afim de se evitar acidentes, gerando prejuízos desnecessários além de danos à saúde e ao ambiente.

Principais recomendações quanto ao uso de agrotóxicos

> Escolha o agrotóxico adequado. Leia o rótulo com atenção e siga rigorosamente as instruções do fabricante. Em caso de dúvida, procure esclarecer-se sobre o rótulo com pessoas que possam ajudá-lo.

> Inspecione sempre a lavoura. Não deixe que as pragas, doenças e ervas daninhas tomem conta do pomar, mas não aplique o produto sem necessidade.

> Verifique se os equipamentos de aplicação estão em boas condições de uso, sem vazamentos e bem calibrados. No caso dos pulverizadores, estes devem estar com os bicos desentupidos e filtros limpos. Nunca use a boca, nem arames, alfinetes e outros objetos perfurantes, para desentupir os bicos dos pulverizadores. Siga as instruções dos técnicos e dos fabricantes.

> Abra as embalagens com cuidado, para evitar respingos, derramamento do produto, ou levantamento do pó. Mantenha o rosto afastado e evite respirar o defensivo.

>Ao preparar e aplicar defensivos, use macacão completo ou camisa de mangas compridas, chapéu de aba larga e botas impermeáveis. Proteja-se com luvas, máscara e óculos adequados, de acordo com a recomendação contidas no rótulo. Não fume, não beba e nem se alimente durante o preparo e aplicação.

> Não faça misturas sem orientação de um técnico. Produtos misturados nem sempre são necessários, podem tornar-se mais tóxicos, ou mesmo perder o efeito como agrotóxico.

> Os agrotóxicos não utilizados devem ficar nas embalagens com seus rótulos originais, bem fechadas e guardadas em depósitos apropriados.

> Guarde sempre os agrotóxicos em depósito fechado e que não tenham acesso a crianças, pessoas desavisadas, ou animais domésticos e onde não estejam guardados alimentos, rações e medicamentos.

> Observe rigorosamente o intervalo recomendado entre a última aplicação e a colheita, conforme vem indicado no rótulo, para evitar resíduos além dos permitidos nos produtos agrícolas.

> Nunca utilize as embalagens vazias dos agrotóxicos para outros fins. Elas devem ser enxaguadas três vezes e a calda acrescentada à preparação a ser pulverizada (tríplice lavagem). Mantenha a embalagem usada na propriedade para futura reciclagem controlada pelos órgãos ambientais responsáveis.

> Não queimar ou enterrar as embalagens pois geram graves problemas ambientais.

> Ao terminar o trabalho, tome banho com bastante água e sabão. A roupa de serviço deve ser trocada e lavada diariamente.

> Nunca transporte os agrotóxicos juntamente com alimentos, medicamentos e rações e nem permita pessoas ou animais sobre a carga dos mesmos. Na eventualidade de acidentes no transporte de agrotóxicos, solicite instruções mais detalhadas aos órgãos de assistência técnica de sua região.

Primeiros socorros

Em caso de ingestão: Se a pessoa estiver consciente, dê imediatamente grande quantidade de água e induza o vômito. Procure imediatamente um médico, levando a embalagem, bula ou folheto, rótulo ou receita agronômica do produto. Nunca induzir o vômito ou dar algo, por via oral, a uma pessoa inconsciente.

Em caso de contato com a pele: Remova as roupas contaminadas e lave as partes atingidas com grande quantidade de água e sabão. Se houver irritação, procure logo um médico, levando a embalagem, bula ou folheto, rótulo ou receita agronômica do produto.

Em caso de contato com os olhos: Lave-os imediatamente com grande quantidade de água por vários minutos, se houver irritação, procure logo o médico levando embalagem, bula ou folheto, rótulo ou receita agronômica do produto.

Em caso de inalação: Procure local arejado. Havendo sinais de intoxicação procure um médico, levando a embalagem, bula ou folheto, rótulo ou receita agronômica do produto.

Colheita e Pós-Colheita

Durante a maturação da ameixa acontecem mudanças de cor, sabor, aroma e textura. As mudanças proporcionam condições organolépticas ótimas, que asseguram a qualidade comestível do fruto.

As principais alterações que ocorrem no fruto durante a maturação são: produção de etileno e outros produtos voláteis; mudanças na cor, na taxa respiratória, na permeabilidade dos tecidos e na textura; e transformações químicas que atingem os carbohidratos, ácidos orgânicos, proteínas, compostos fenólicos, pigmentos e pectinas, entre outras. É durante a fase de amadurecimento que os sabores e odores específicos, junto com o aumento de doçura e diminuição da acidez, tornam-se mais acentuados. É nesse período também, que ocorre o amaciamento do fruto em conjunto com mudanças de coloração.

A ameixa é um fruto climatérico. Portanto, durante o processo de amadurecimento apresenta um pico de produção de etileno, acompanhado pelo aumento da taxa respiratória. O etileno é um hormônio sintetizado naturalmente pelo fruto à medida que amadurece. Devido a essas características, a ameixa pode ser amadurecida após ter sido retirada da planta.

Ponto de colheita

A determinação do ponto ótimo de colheita é de extrema importância. Isso permite assegurar uma boa conservação, adequada resistência ao transporte e a manutenção das condições necessárias para que a fruta chegue até o consumidor com qualidade.

A determinação do ponto de colheita em ameixas está baseado em métodos físicos, químicos, fisiológicos ou combinações entre eles, os quais permitem monitorar o avanço da maturação.

Com o avanço da maturação, a cor de fundo verde fica mascarada pela cor de superfície. Esta mudança de cor de fundo está associada à maturação em muitas espécies de frutas; entretanto, em ameixas, pode não refletir uma mudança de maturação. Ou seja, algumas variedades de ameixas podem apresentar a cor definitiva (ex. vermelho) sem estar totalmente maduras. Com a maturação também muda a cor da polpa.

Na medida que a fruta amadurece, a firmeza da polpa diminui, tornando-a mais branda e macia, o que é um indicativo da maturação.

O teor de sólidos solúveis totais aumenta. Os açúcares representam a maior parte dos sólidos solúveis totais. A acidez diminui com o avanço da maturação. É importante, pois em conjunto com os sólidos solúveis são responsáveis em grande parte pelo sabor das ameixas.

Deve-se considerar que cada um destes índices, de forma isolada, pode ser afetado pelos tratos culturais no pomar, clima, solo, irrigação etc. Para diminuir essa variabilidade, nos testes de maturação, sempre devem ser considerados dois ou três índices de forma conjunta. Em ameixas, a cor de superfície, firmeza da polpa e teor de sólidos solúveis são os mais importantes.

Método de colheita

A colheita é uma operação muito importante e delicada. Destacam-se dois aspectos: realizá-la de forma cuidadosa e colher a fruta com a maturação adequada. Para cumprir estes objetivos é necessária uma adequada coordenação entre os recursos humanos disponíveis, a maturação da fruta, as condições ambientais, os recursos técnicos e equipamentos. A experiência local do agricultor é muito importante na forma de realizar a colheita. Como nem todos os frutos amadurecem ao mesmo tempo, a colheita é realizada em várias passadas, podendo ser de duas a três no caso de intervalos longos ou de quatro a cinco com intervalos curtos, dependendo da variedade e do mercado. Deve ser enfatizado o manejo cuidadoso da fruta na colheita, evitando golpes, batidas e feridas que poderão resultar em perdas do produto por podridões.

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