Cultivo da Ameixeira

Cultivo da Ameixeira

(Parte 7 de 8)

Manejo pós-colheita

Resfriamento rápido ou pré-resfriamento

O resfriamento rápido é o procedimento utilizado para remover o calor de campo logo após a colheita dos frutos, fazendo com que a fruta atinja logo a temperatura definitiva de armazenamento. É muito importante que o calor de campo seja retirado o mais rapidamente possível. O tempo entre a colheita e o resfriamento não deve ser superior a 12 horas.

Métodos de resfriamento rápido utilizados em ameixas:

> Hidroresfriamento: consiste em resfriar os frutos com água na temperatura entre 0,5 e

1°C, mediante imersão, através de duchas ou túneis com duchas. É um sistema de resfriamento muito rápido, sendo que a temperatura da fruta pode baixar de 25-30°C para 2°C em 20-30 minutos. O fator limitante é o custo elevado.

> Resfriamento por ar forçado: consiste em produzir diferenças de pressões, que originam uma corrente de ar que circula através das caixas ou "pallets". A velocidade do ar e o empilhamento são aspectos críticos neste sistema. O sistema mais simples consiste em fazer duas fileiras de caixas ou "pallets" de determinada altura, deixando um espaço livre entre elas, cobertas por uma lona para formar um túnel. Em um extremo se coloca um exaustor que retira o ar quente do interior do túnel, provocando uma diferença de pressão. O ar frio que é obrigado a passar em alta velocidade entre as frutas provoca seu resfriamento. Neste sistema é possível baixar a temperatura da fruta de 25- 30°C para 3 a 4°C, em 2 a 6 horas. Sua vantagem é ter um menor custo que o hidroresfriamento.

> Resfriamento em câmaras: as ameixas são resfriadas na mesma câmara frigorífica, onde o ar circula à temperatura de 0°C. É um sistema lento, pois a temperatura de polpa da fruta pode demorar 48 a 72 horas para baixar de 25-30°C para 3 a 4°C. A vantagem é que a movimentação do produto é mínima e o custo é baixo, pois as câmaras, posteriormente, são utilizadas para estocagem definitiva dos frutos.

Armazenamento refrigerado

O principal objetivo do armazenamento refrigerado de ameixas é estender a vida útil, ampliando o período de comercialização. A ameixa deve ser armazenada com temperatura da polpa entre 0,5 e 0°C. Variações de temperatura de 0,5 a 1°C abaixo do nível mínimo devem ser evitadas, pois aumentam os riscos de congelamento. Temperaturas mais elevadas que o máximo recomendado proporcionam a rápida aceleração do processo de maturação, diminuindo o período de conservação. Isso implica na necessidade de um correto controle da temperatura, pO principal objetivo do armazenamento refrigerado de ameixas é estender a vida útil, ampliando o período de comercialização. A ameixa deve ser armazenada com temperatura da polpa entre 0,5 e 0°C. Variações de temperatura de 0,5 a 1°C abaixo do nível mínimo devem ser evitadas, pois aumentam os riscos de congelamento. Temperaturas mais elevadas que o máximo recomendado proporcionam a rápida aceleração do processo de maturação, diminuindo o período de conservação. Isso implica na necessidade de um correto controle da temperatura, principalmente da polpa do fruto. A faixa de temperatura entre 2º e 5°C deve ser evitada, pois aumenta a ocorrência de problemas fisiológicos, como escurecimento interno e desintegração gelatinosa ou vitrescente.

A umidade relativa do ar deve estar entre 90-95%, pois abaixo dessa faixa a desidratação (murchamento) do fruto é maior. Ao contrário, se for mais alta, aumenta a ocorrência de podridões. Os psicrômetros registram a umidade relativa de forma mais precisa que os higrômetros. O dimensionamento adequado da superfície de evaporação nas câmaras, que resulta em um delta t (diferencial de temperatura entre o produto e o meio) pequeno, possibilita manter alta a umidade relativa.

A circulação do ar deve ser adequada. Velocidades muito altas ocasionam o murchamento do produto e muito baixas não removem rapidamente o calor do fruto, provocando falhas no resfriamento.

Nestas condições de armazenamento as ameixas se conservam entre duas a seis semanas, dependendo da variedade e condições de produção.

Armazenamento em atmosfera controlada e modificada

É um sistema de armazenamento no qual se modifica a concentração de gases atmosféricos, sendo utilizado como complemento ao sistema refrigerado convencional, visando prolongar a vida útil do fruto por períodos maiores que o obtido na refrigeração convencional.

Na atmosfera controlada existe um controle preciso do O2 e/ou Co2, enquanto que na atmosfera modificada não existe um controle preciso desses gases.

Para ameixas são recomendadas concentrações de 1,5-2% de O2 e 2,5-5% de CO2 e temperaturas de 0,6 a 2°C, dependendo da cultivar. Concentrações maiores podem ser utilizadas em tratamentos de pré-armazenamento, aplicando doses de 5%,10% ou 15% de CO2 por curtos períodos, para diminuir a ocorrência de problemas fisiológicos.

Manejo no mercado e comercialização

As tecnologias desenvolvidas para o período de pós-colheita visam contribuir para limitar as perdas que ocorrem entre a colheita e a comercialização da ameixa. Ainda existem importantes desafios a vencer neste campo, especialmente os que dizem respeiro à manutenção da qualidade durante o manuseio, frigoconservação e distribuição do fruto. Vários itens devem ser considerados, destacando-se, entre eles, o processo de seleção e classificação, embalagem e transporte.

> Seleção e Classificação

Logo após a colheita, os frutos devem ser selecionados e classificados. Chama-se seleção e classificação ao ato de separar os frutos segundo a sanidade, forma, coloração e dimensão. Este processo pode ser iniciado durante a colheita, quando devem ser separados ou descartados os frutos muito verdes, manchados, podres ou muito pequenos, na chamada colheita seletiva. Entretanto, é no galpão de classificação que esta operação é realizada de forma adequada, sendo as ameixas classificadas em função das normas vigentes no mercado ao qual se destinam.

Para o mercado interno, o Ministério da Agricultura ainda não tem estabelecido um padrão oficial para a ameixa. Para o mercado externo, devem ser consideradas as exigências do comprador e do país ao qual se destinam.

> Embalagem

A Portaria SARC/MA nº 62 publicada em 23/03/01, para fins de consulta pública, será a base da nova portaria interministerial que deverá substituir a Portaria 127 de 4 de outubro de 1991. Diferentemente da anterior, a Portaria nº 62 não regulamenta as medidas individuais das caixas, apenas determina que: as embalagens deverão permitir a paletização, tendo como referência a medida de 1,0 x 1,20 m; podem ser retornáveis ou descartáveis; estar de acordo com normas higiênico-sanitárias e conter informações relativas à marcação ou rotulagem.

> Transporte

O transporte das ameixas pode ser realizado por via terrestre, aérea e marítima, ou combinações entre eles, em função da distância do mercado e preços.

Existem necessidades comuns e limitações, por isso é imprescindível conhecer os fundamentos técnicos para otimizar o manejo dos frutos.

O transporte refrigerado tem como objetivo prolongar a vida útil do fruto em trânsito, reduzindo o metabolismo e retardando sua deterioração, mediante o uso de baixa temperatura. O sistema de refrigeração do veículo de transporte deve ser capaz de remover o calor residual do interior do mesmo, do calor exterior (chão, teto, portas), da infiltração de calor exterior (deficiente selamento de portas), do excesso de calor do produto no momento de ser transportado e calor de respiração do fruto.

A circulação uniforme do ar entre as caixas de frutos é importante para assegurar a uniformidade da temperatura. No método convencional de circulação do ar, este é liberado pela parte superior (usado principalmente em caminhões), enquanto que a liberação de ar pelo chão é usado em "containers" ou navios.

A composição da atmosfera, principalmente em oxigênio, dióxido de carbono e etileno, é outro fator importante pois ela muda com a respiração do fruto no transporte, especialmente no transporte de longa duração (marítimo). Os navios modernos tem sistemas eficientes de renovação de ar para evitar este problema.

A maior parte das ameixas produzidas no Brasil são transportadas por via terrestre, em muitos casos sem refrigeração, mas o transporte refrigerado em caminhões com lona térmica está sendo usado por produtores de frutas de melhor qualidade ou por importadores.

O transporte marítimo é indicado para o transporte do fruto a mercados distantes. Podem ser usados navios de linhas comerciais, que têm um itinerário pré-estabelecido por vários portos ou navios charter (alugados) que levam a fruta diretamente até o porto de destino. A carga paletizada pode ir diretamente no porão do navio ou em containers ou contenedores de 20 ou 40 pés de capacidade. Não há experiência deste tipo de transporte para ameixas no Brasil.

O transporte aéreo é utilizado para o transporte a longas distâncias de produtos de alto valor. O produto pode ir paletizado no compartimento de carga da aeronave, ou em containers. Seu alto custo, aliado a problemas logísticos e técnicos, são algumas da dificuldades deste sistema de transporte no Brasil.

Coeficientes Técnicos para Custos, Rendimentos e Rentabilidade

O conjunto de operações que caracterizam o sistema de produção da ameixa varia em função do nível tecnológico adotado pelos fruticultores e da própria região onde é desenvolvido.

Os coeficcientes técnicos descritos nas tabelas numeradas de 1 a 3, representam a média das informações obtidas pela equipe envolvida com a cultura, na região sul do Rio Grande do Sul.

Trata-se de valores diretos, sem considerar depreciações ou juros sobre o capital investido e/ou preço da terra. Os coeficentes das operações com máquinas e equipamento, ou mesmo de mão-de-obra, são aqueles praticados pelos agricultores na região.

Considerando o ponto de vista do homem de negócios, os investimentos a serem avaliados dependem da finalidade e da decisão tomada durante cada etapa do processo. Considera-se que os valores obtidos estejam próximos da realidade da região, para a qual são válidos.

Conforme pode ser observado na tabela 1, os gastos de implantação do pomar representam o maior dispêndio do agricultor, visto que envolve a aquisição de mudas. Entretanto, este custo é diluído ao longo dos anos, considerando que um pomar bem instalado e, que obedeça as recomendações da pesquisa apresenta vida útil de 12 anos, com produtividade ao redor de 15 mil quilos por hectare.

Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 25. Sintomas provocados por Xylella fastidiosa em folhas de ameixeira.

Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 26. Sintomas provocados por Xylella fastidiosa em ramos de ameixeira.

Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 27. Sintomas de Bacteriose Xanthomonas arboricola Pv. pruni em ameixas.

Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 28. Aspecto do fruto mumificado, resultante da infecção por Monilinia fructicola.

Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 29. Sintomas de Plum Line Pattern Ilarvirus em plantas de ameixeira cultivar Golden Japan.

Foto: Luis Antônio Suita de Castro

Fig. 30. Sintoma do ataque de nematóides em raízes do portaenxerto Capdebosq.

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