Agricultura milho

Agricultura milho

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Índice

O Conselho de Informações sobre Biotecnologia (w.cib.org.br) é uma organização não-governamental e uma associação civil sem fins lucrativos e sem nenhuma conotação político-partidária ou ideológica. Seu objetivo básico é divulgar informações técnico-científicas sobre a Biotecnologia e seus benefícios, aumentando a familiaridade de todos os setores da sociedade com o tema.

Coordenadora Geral:Alda Lerayer Editor Executivo:Antonio Celso Villari Redação: Débora Marques Consultores Técnicos:William da Silva – Unicamp

Ernesto Paterniani – Esalq/USP Leonardo Sologuren – Céleres Luciana Di Ciero – Esalq/USP

Apoio Operacional:Jacqueline Ambrosio

Erika Nakamura

Projeto Gráfico:Sérgio Brito Imagens:Agência Estado / Arquivo CIB

•Domesticação – Ação do homem5

Tecnologia do campo à mesa

Devido à importância da cultura do milho na economia mundial – e ao enorme potencial de crescimento do Brasil nesse campo –, o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB) oferece à sociedade este guia, que resume os principais avanços técnico-científicos desenvolvidos neste cereal, desde o seu surgimento até a Biotecnologia, passando por questões importantes como segurança ambiental e alimentar.

A mais antiga espiga de milho conhecida é datada de 7.0 a.C. Com o passar dos anos, o alto nível de domesticação e o melhoramento genético tornaram a planta completamente dependente da ação do homem.

A aplicação da Biotecnologia no desenvolvimento de novas cultivares é uma grande aliada do melhoramento genético, propiciando benefícios diretos a agricultores e consumidores.

Atualmente, em muitos países, grandes e pequenos produtores usufruem dos benefícios do milho desenvolvido pela Biotecnologia – também chamado de geneticamente modificado (GM) – e apresentam maior competitividade, principalmente considerando a diminuição do número de aplicações de agroquímicos. A Biotecnologia pode ser utilizada para o desenvolvimento de variedades resistentes a pragas e tolerantes a herbicidas ou que proporcionem melhor aproveitamento de água e nutrientes. Um dos exemplos particularmente importante para os agricultores do Brasil será o emprego do milho tolerante à seca, que poderá auxiliar na utilização mais eficiente da água disponível.

Um pouco de história

Saiba também que...

Origem

O milho é uma espécie da família das gramíneas, sendo o único cereal nativo do Novo Mundo. É o terceiro cereal mais cultivado no planeta (ver página 13). A cultura está espalhada numa vasta região do globo, em altitudes que vão desde o nível do mar até 3 mil metros.

Este cereal não é nativo do Brasil e, assim, é importante ressaltar que não somos o centro de origem dessa cultura, como, equivocadamente, muitos podem imaginar. Apenas o México e a Guatemala são considerados países que deram origem ao milho que conhecemos hoje.

A mais antiga espiga de milho foi encontrada no vale do Tehucan, na região onde hoje se localiza o México, datada de 7.0 a.C. O Teosinte ou “alimento dos deuses”, como era chamado pelos maias, deu origem ao milho por meio de um processo de seleção artificial (feito pelo homem). O Teosinte ainda é encontrado na América Central.

Ao longo do tempo, o homem promoveu uma crescente domesticação do milho por meio da seleção visual no campo, considerando importantes características, tais como produtividade, resistência a doenças e capacidade de adaptação, dentre outras, dando origem às variedades hoje conhecidas.

• O milho descende do ancestral conhecido como Teosinte, que é uma gramínea com várias espigas sem sabugo, até hoje encontrado em lavouras de milho na América Central. Pode cruzar naturalmente com o milho e produzir descendentes férteis.

• Esses cruzamentos com o Teosinte não agradam aos pequenos agricultores que cultivam variedades locais, pois resultam em plantas de baixa produtividade na geração seguinte.

• Depois do Teosinte, outro parente geneticamente mais distante do milho encontrado na América Latina, inclusive no Brasil, é o Tripsacum, em alguns locais chamado de Capim Guatemala. Ao contrário do Teosinte, milho e Tripsacum não se cruzam na natureza em função das diferenças genéticas significativas entre as duas espécies.

O Teosinte tem sido apontado por por trabalhos científicos como o parente mais próximo do milho

Pela sua importância na economia mundial, o milho já foi objeto de estudo de destacados cientistas, resultando em milhares de trabalhos científicos, e, atualmente, é um dos principais temas pesquisados pela Genética e Biotecnologia

Domesticação – Ação do homem

A partir da gramínea Teosinte, na região hoje ocupada pelo México, o homem foi selecionando variações genéticas naturais, que, gradativamente, deram origem ao milho domesticado. Inicialmente, os grãos eram expostos fora da casca, formando um sabugo, parecido com a forma que conhecemos atualmente. Essa estrutura, que reteve os grãos e os organizou em pequenos pares de fileiras, atraiu os nativos antecessores dos astecas.

Mais tarde, esses nativos, por meio de um processo inconsciente de seleção, escolhiam as espigas mais fáceis de serem colhidas e armazenadas. Isso levou, naturalmente, à redução do número de espigas por planta e ao aumento do número de fileiras de grãos no comprimento das espigas, que se tornaram maiores.

Com o tempo, eram colhidas as plantas mais vigorosas, produtivas e de maior qualidade. Essas variações mais “fortes” contribuíram para o surgimento de variedades com capacidade de adaptação em altas e baixas altitudes, como é o relevo da América Central.

Um pouco de história

A imagem dá uma idéia clara de alterações importantes que ocorreram ao longo da domesticação do milho, que passou de uma gramínea com espigas de poucos grãos cobertos com uma casca dura (Teosinte, à esquerda) até o milho moderno (à direita,) com grãos maiores descobertos e presos ao sabugo, o que não ocorre no ancestral selvagem

• Já na época do descobrimento das Américas, o milho era o alimento base de todas as civilizações do continente. Das mais de 300 raças de milho identificadas no mundo, praticamente todas tiveram sua origem direta ou indireta nos trabalhos pioneiros dessas civilizações pré-colombianas.

• Em 1493, quando retornou à Europa, Cristóvão Colombo levou consigo variedades de grãos de milho. No final do século seguinte, o milho já se encontrava estabelecido em todos os continentes, nos mais variados ambientes e climas.

Vale saber também que:

A domesticação do milho, realizada por indígenas americanos, foi tão intensa que o milho atualmente não sobrevive no campo sem a participação do homem

A partir do início do século X, vários programas de melhoramento genético usando bases científicas foram iniciados.

O desenvolvimento de linhas puras, ou linhagens, oriundas do processo de autofecundação (pólen da planta fecundando a si própria) das plantas de milho por várias gerações, e do vigor híbrido, ou heterose – resultante do cruzamento dessas linhagens –, foram os responsáveis pelo impulso que o melhoramento genético convencional tomou no início do século passado.

Esse conhecimento permitiu que os programas de melhoramento conseguissem introduzir novas características ao milho como resistência a doenças e pragas, maior proteção dos grãos por meio do melhor empa-

• Em 1909, o botânico e geneticista norte-americano George Harrison Shull criou o primeiro esquema para a produção de sementes híbridas de milho. Ele mostrou que, ao fecundar a planta com o próprio pólen (autofecundação), eram produzidos descendentes menos vigorosos. Repetindo o processo nas seis ou oito gerações seguintes, os descendentes fixavam características agronômicas e econômicas importantes. Por meio da seleção, esses descendentes tornavam-se semelhantes.

• As plantas que geravam filhos geneticamente semelhantes, e também iguais às mães, passaram a ser chamadas de linha pura. Shull notou que duas linhas puras diferentes ao serem cruzadas entre si produziam descendentes com grande vigor, chamado de vigor híbrido ou heterose, dando origem ao milho híbrido.

Milho híbrido

1. O cruzamento de uma linha pura A com linha pura B dá origem à semente de um híbrido simples AxB.

2. Um híbrido simples AxB cruzado com uma linha pura C dá origem a um híbrido triplo (AxB)xC.

3. O cruzamento de dois híbridos simples, AxB e CxD, produz um híbrido duplo (AxB)x(CxD).

Os diferentes tipos de híbridos

A Genética Clássica no desenvolvimento do milho lhamento, maior resposta às práticas de manejo, melhor qualidade nutricional e menor tombamento e quebramento de plantas. Esse conjunto de melhorias – cuja par- ticipação de pesquisadores brasileiros foi de extrema importância – fez com que o milho se adaptasse a diferentes regiões, condições de clima, solo e finalidade de uso.

Técnica para obtenção de linhagens puras de milho por autofecundação

Melhoramento genético

A contribuição da Biotecnologia para o desenvolvimento de novas cultivares

Após a descoberta da estrutura da molécula básica da vida, o DNA – e a revelação de que o código genético correspondente é universal –, os pesquisadores começaram a trabalhar, a partir da década de 70, com a possibilidade de adicionar características específicas por meio da transferência de genes de uma espécie para outra. Assim, uma planta pode ter a qualidade nutritiva aprimorada ou adquirir a resistência a uma praga, a tolerância a um herbicida ou a resistência à seca, ao frio, etc.

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