Zoologia - taxonomia e classificação III

Zoologia - taxonomia e classificação III

(Parte 7 de 10)

¾ Fecundação interna; ovos com muito vitelo, envolvidos por uma casca calcária dura e depositados externamente para a incubação; segmentação meroblástica; membranas embrionárias (âmnio, córion, saco vitelino e alantóide) presentes durante o desenvolvimento dentro do ovo; filhotes são alimentados e vigiados pelos pais.

Evolução

As aves parecem ter se originado de répteis um tanto delgados, de cauda longa e andar bípede. Estes animais provavelmente corriam rapidamente com suas pernas posteriores, tendo os membros anteriores levantados e livres para darem origem às asas. Os fatores seletivos na evolução das penas não são bem esclarecidos.

Figura 115: Alguns tipos de pés nas aves.

A ave mais antiga que se conhece assemelha-se mais a um dinossauro do que as aves atuais. Foi descoberta em registros fósseis e denominada Archeopteryx (figura à esquerda), que significa “ave primitiva”. Tinha muitas características dos répteis (cauda longa, ossos pesados e compactos, dentes na boca), mas apresentavama característica mais predominante das aves: asas e penas.

As aves herdaram diversos aspectos dos répteis que contribuíram para seu sucesso como voadoras pela redução de peso. Os ovos desenvolvem-se totalmente fora do corpo materno e os produtos de excreção nitrogenada são excretados sem o peso de uma abundante urina aquosa. Outras reduções de peso foram conseguidas pela perda da bexiga e tornando o seu esqueleto mais leve.

As modificações viscerais relacionadas com a endotermia incluem um coração com quatro câmaras, separação completa das circulações venosa e arterial e aperfeiçoamento da respiração. Os sacos aéreos internos, que se abrem para o exterior através do trato respiratório, auxiliam a respiração e a dissipar o calor gerado pelo elevado metabolismo.

O vôo requer um corpo compacto, aerodinâmico e rígido, adquirido nas aves pela fusão, perda e reforço de ossos. Muitas modificações ocorreram no esqueleto para diminuir a massa total do corpo. As pernas localizam-se abaixo do corpo e podem ser retraídas entre as penas do ventre.

Uma grande acuidade visual e uma rápida acomodação são necessárias para um animal voador, sendo a visão um sentido primário nas aves. A grande mobilidade e a necessidade de comunicação a grandes distâncias promoveram a elaboração da voz e da audição. A quimiorrecepção, importante nos vertebrados inferiores, diminuiu inclusive o sentido do órgão de Jacobson.

O cuidado que os pais têm pelos ovos e pelos filhotes é muito mais avançado que nos ectotérmicos, mas nenhuma ave é vivípara.

As maiores aves viventes incluem o avestruz da África, que tem 2 m de altura e pesa até 136 kg e os grandes condores das Américas com envergadura de até 3 m; a menor é o beija-flor-de-helena, de Cuba, com 5,7 cm de comprimento e cerca de 3 g de peso.

Aspecto externo: apresentam uma cabeça distinta, um pescoço longo e flexível e um forte corpo fusiforme ou tronco. Os dois membros anteriores ou asas prendem-se no alto do dorso e têm longas penas apropriadas ao vôo (rêmiges). Em cada membro posterior os dois segmentos superiores são musculosos, enquanto que a canela contém tendões mas poucos músculos e é revestida com escamas córneas, assim como os 4 artelhos que terminam em garras córneas. A cauda curta apresenta um leque de longas penas caudais (retrizes). A boca projeta-se como um bico pontudo, com revestimento córneo (figura 116). No maxilar superior há duas narinas em forma de fenda. Os olhos são grandes e laterais, cada um com pálpebra superior e inferior; abaixo destas fica a membrana nictitante (membrana delicada que ocorre sobre os olhos, abaixo das pálpebras, para proteger o globo ocular). Por baixo e atrás de cada olho há uma abertura do ouvido, escondida embaixo de penas especiais. A crista mediana carnosa, as barbelas laterais na cabeça e os esporões cornificados das pernas são peculiares aos galos, faisões e algumas outras aves. Abaixo da base da cauda fica a cloaca (figura 117). A pele mole, flexível e seca é presa frouxamente à musculatura subjacente. Faltam glândulas, com exceção da glândula uropigial acima da base da cauda, que secreta uma substância oleosa para impermeabilizar as penas e é distribuída com o bico. As penas crescem a partir de folículos na pele.

Figura 117: Galo doméstico; estrutura interna. Os dois cecos foram cortados.

Penas: constituem um revestimento do corpo leve e flexível, mas resistente, com espaços aéreos úteis como isolante; protegem a pele contra o desgaste e as penas finas das asas e da cauda formam superfícies para sustentar a ave no vôo (fig. 118).

1. Penas de contorno. Fornecem o revestimento externo e estabelecem o contorno do corpo da ave, incluindo as grandes penas do vôo das asas e da cauda. Cada uma consiste em um vexilo achatado, sustentado pelo ráquis central que é uma expansão do cálamo oco preso ao folículo. Cada metade do vexilo é constituída por muitas barbas estreitas paralelas. Nos lados proximal e distal de cada barba há bárbulas menores, paralelas que apresentam minúsculos ganchos ou hâmulos, servindo para segurar levemente as fileiras opostas de bárbulas entre si. 2. Plumas. São penas macias que fornecem excelente isolamento. Têm cálamo curto, ráquis reduzidas e longas e flexíveis barbas com bárbulas curtas, sem ganchos. 3. Filoplumas. Minúsculas penas filiformes com poucas barbas e bárbulas. 4. Cerdas. Penas modificadas em forma de pêlo, cada uma com um cálamo curto e ráquis delgada com poucas ou nenhuma barba na base. São encontradas perto das narinas, e em torno da boca. 5. Plumas pulverulentas. As barbas nas extremidades desintegram-se à medida que crescem formando um pó fino que impermeabiliza as penas. São encontradas em garças, gaviões, papagaios etc.

Com exceção de avestruzes, pingüins e de algumas outras aves completamente cobertas por penas, as penas só crescem em certas áreas da pele chamadas ptérilas, entre as quais há espaços vazios (aptérios), visíveis quando se depena uma ave (figura 119).

Figura 118 (à esquerda): Em cima. Quatro tipos de penas. Embaixo. Estereograma das partes de uma pena de contorno; *, duas bárbulas proximais cortadas para mostrar a parte superior dobrada, ao longo da qual os hâmulos deslizam para deixar a pena flexível.

Figura 119: Áreas com penas do galo doméstico. Sistema Esquelético

Muitos ossos contêm cavidades aéreas (ossos pneumáticos) para diminuir o peso e têm uma estrutura de reforços ósseos que fornecem resistência. O esqueleto é modificado em relação ao vôo, à locomoção bípede e à postura de grandes ovos com casca dura (figura 120).

Nas aves que voam (também chamadas de carenatas, porque têm carena) os ossos são extremamente leves. Isso é essencial para diminuir seu peso específico durante o vôo. Os ossos maiores apresentam cavidades pneumáticas conectadas com sistema respiratório, sendo os principais: úmero, esterno, vértebras e crânio.

Figura 120: Esqueleto do galo doméstico.

As maxilas são alongadas para a sustentação do BICO. Há muitas adaptações na coluna vertebral: vértebras cervicais são mais numerosas e variáveis em número que em qualquer outro vertebrado vivente.

As costelas das aves são achatadas e todas, com exceção da primeira e última, possuem uma projeção posterior, que se sobrepõe a costela subseqüente e é chamada de processo uncinado.

O esterno é muito achatado e largo, de maneira que seja obtida uma superfície suficiente para fixação dos músculos do vôo. Em todas as aves que voam, o esterno tem uma quilha ou carena (prolongamento para baixo, a partir da linha mediana ventral), que serve como uma superfície adicional para a fixação dos músculos.

Sistema respiratório

É extremamente eficiente e, consequentemente, mais complicado que nos demais vertebrados de respiração aérea.

As narinas no bico ligam-se às coanas acima da cavidade bucal. A glote em forma de fenda no assoalho da faringe, abre-se na laringe ou em uma traquéia longa e flexível. A laringe das aves, entretanto, não é o órgão produtor de som, mas sim o modulador dos tons que se originam na siringe (caixa vocal), que se localiza na extremidade inferior da traquéia. Dentro da siringe existem músculos vocais. Da siringe parte um brônquio curto para cada pulmão (figura 121). Os cantos e gritos das aves são produzidos por ar forçado através de membranas nas paredes da siringe, que vibram como palhetas e podem variar a tensão para produzir notas de diferentes alturas.

A maioria das aves pode emitir gritos e cantos. Os gritos geralmente são sons breves, simples, estereotipados que influenciam o comportamento diário de manutenção, alimentação, interação entre pais e filhotes, migração, evitando o perigo e reunindo as aves. Os cantos tendem a ser mais complexos, geralmente são emitidos pelos machos, influenciados pelas modificações endócrinas do ciclo reprodutivo e são relacionados com a reprodução, estabelecimento e defesa do território, atraem uma parceira, mantém a união de um casal e sincronizam os ciclos reprodutivos de machos e fêmeas.

Figura 121: O pulmão e o sistema de sacos aéreos do periquito australiano; é mostrado somente o lado esquerdo. 1. Seio infraorbital; 2. Saco aéreo clavicular; 2a. divertículo axilar do úmero; 2b. divertículo esternal; 3. Saco aéreo cervical; 4. Saco aéreo torácico cranial; 5. Saco aéreo torácico caudal; 6. Saco aéreo abdominal; 7. Pulmão parabronquial.

Os pulmões das aves são proporcionalmente menores e incapazes de grande expansão, se comparados àqueles dos mamíferos. Entretanto, nas aves os pulmões são ligados a nove sacos aéreos, situados em várias partes do corpo, estendendo-se até aos espaços pneumáticos dos ossos. Os sacos aéreos não são revestidos de epitélio respiratório e servem essencialmente de reservatório, bem como para dissipar calor gerado pelos altos níveis de atividade muscular do vôo. Os sacos aéreos fornecem um sistema no qual o fluxo de ar através dos pulmões tem sentido único, ao invés de ter fluxo e refluxo como ocorre nos mamíferos. Assim, durante a inspiração e a expiração, o ar flui através do pulmão na mesma direção (figura 122). Durante a inspiração, o volume do tórax aumenta, conduzindo o ar pelos brônquios e sacos aéreos torácicos posteriores e abdominais, bem como para o pulmão. Simultaneamente, o ar do pulmão é conduzido aos sacos clavicular e torácicos posteriores anteriores.

Figura 122: Padrão do fluxo de ar durante a inspiração e a expiração. Note que o ar flui através do pulmão parabronquial durante as duas fases do ciclo respiratório. 1, pulmão parabronquial; 2, saco aéreo clavicular; 3, saco aéreo torácico cranial; 4, saco aéreo torácico caudal; 5, saco aéreo abdominal.

Na expiração, o volume do tórax diminui, o ar, dos sacos torácicos posteriores e abdominais, é impelido para o pulmão e ar dos sacos clavicular e torácicos é expelido pelos brônquios.

As aves não têm diafragma e, portanto, a respiração se faz as custas de movimentos das costelas e do esterno.

Sistema Digestivo.

As aves apresentam muitas modificações interessantes, algumas das quais associadas à ausência de dentes. Como não existem lábios, não há glândulas labiais na boca, mas sim sublinguais. Nas aves granívoras (que comem grãos) e carnívoras, existe uma porção do esôfago em forma de saco, o papo, que se destina ao armazenamento temporário de alimentos. Não há glândulas digestivas no papo, embora nos pombos e espécies aparentadas existam estruturas semelhantes a glândulas que produzem substância nutritiva (o “leite” dos pombos), que é regurgitada pelos pais para alimentar os filhotes.

O estômago tem uma porção glandular anterior, o proventrículo, que secreta sucos gástricos, e uma porção posterior, muscular e com espessas paredes, chamada moela. Na moela, areia e pedriscos engolidos pela ave ajudam a triturar o alimento. O intestino delgado é enrolado ou forma alças. A maioria das aves possui um ou dois cecos na junção dos intestinos delgado e grosso, que por sua vez termina numa câmara cloacal (figura 123).

Figura 123: Trato digestivo de um pombo.

Reprodução.

A fecundação é sempre interna e todas as aves botam ovos com muito vitelo e uma casca calcária dura, que precisam ser aquecidos ou incubados para o crescimento do embrião. Em quase todas as aves cada um ou ambos pais sentam sobre os ovos para fornecer o calor necessário. Os filhotes de galinhas, codornizes, patos, aves litorâneas e outras são nidífugos

(aptos à correr assim que saem do ovo), sendo bem formados, totalmente cobertos de plumas e capazes de perambular logo após a eclosão, enquanto que os de aves canoras, pica-paus, pombos e outros nascem com os olhos fechados, nus e desprotegidos. Precisam ser alimentados e cuidados no ninho; estes são chamados nidícolas.

Migração.

Muitas espécies migram ou deslocam-se regularmente de uma região a outra com a mudança das estações. Tanto as rotas de verão como as de inverno das espécies são bem definidas. A maior parte da migração é latitudinal, das regiões setentrionais e subárticas, onde há facilidades de alimentação e nidificação durante os meses quentes e depois retiramse para o sul, onde passam o inverno. Algumas outras aves fazem migrações altitudinais para regiões montanhosas para passarem o verão e voltam para as terras baixas no inverno. Migração, reprodução e muda são fases do ciclo anual das aves, todas reguladas pelo sistema neuroendócrino. Geralmente, antes da migração, acumulam rapidamente reservas de gordura, não presentes em outras épocas, para combustível extra durante os longos vôos.

9.2.2.4 Classe Mammalia

Os mamíferos (do latim mamma - mama e feros - portador), com cerca de 4.500 espécies atuais, distribuem-se por quase todo o globo terrestre, explorando amplamente os recursos da Terra, de pólo a pólo, do topo das montanhas às profundezas dos mares e mesmo no céu noturno. Apresentam uma grande disparidade morfológica relacionada à diversidade de hábitos alimentares e modos de locomoção. Reconhecemos 20 ordens atuais, que refletem essa diversidade. Essas ordens englobam representantes bem conhecidos popularmente: gambá, coala, canguru, tamanduá, preguiça, tatu, morcegos, macacos, cão, gato, lontra, onça, porco, camelo, veado, boi, rinoceronte, baleia, golfinho, elefante, entre outros.

Os mamíferos modernos podem ser divididos em três grupos principais, separados com base em seus modos de reprodução. Entre os Prototheria, ou Monotremados, sobrevivem cerca de seis espécies isoladas geograficamente na Austrália e Nova Guiné. Estão agrupadas em duas subordens, a das équidnas e a dos ornitorrincos. Os Prototheria caracterizam-se por botar ovos que são incubados e eclodem fora do trato reprodutivo das fêmeas. Apesar disso, são vertebrados com pêlos, endotérmicos, produtores de leite, possuindo dentes (apenas na maxila inferior) e portanto classificados como mamíferos.

Os dois grupos restantes de mamíferos são estreitamente relacionados, mas tiveram histórias evolutivas separadas. Os Metatheria (Marsupiais), cerca de 250 espécies, caracterizam-se pelo curto período de gestação, pela prematuridade dos filhotes e, em muitos, por possuírem uma bolsa de proteção (o marsúpio). Esta bolsa recobre as glândulas mamárias das mães e o jovem arrasta-se até seu interior imediatamente após o nascimento, para alimentar-se e completar seu desenvolvimento. Os marsupiais são restritos à Austrália e Novo Mundo.

Os Eutheria, ou placentários, incluem cerca de 3800 espécies, e nascem num estágio de desenvolvimento muito mais avançado que os marsupiais. Muitos estão prontos para correr ou nadar ao lado das mães minutos após o nascimento. Embora isso signifique um maior potencial de sobrevivência, o custo é alto e prolongado para a fêmea.

Caracteres gerais

De um modo geral, as principais características dos mamíferos são: ¾ presença de mamas em número par, com localização variável;

¾ presença de pêlos em algum estágio da vida, os quais contribuem para a manutenção da temperatura corpórea, já que são chamados homeotérmicos. Os pêlos podem ser reduzidos ou completamente ausentes em alguns mamíferos adultos. ¾ São endotérmicos;

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