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2.2.2. Resistência Específica

A resistência específica é uma medida da maior ou menor facilidade de desidratação de um lodo (resistência do lodo a passagem de água) e varia largamente dependendo das características da água bruta, do coagulante e auxiliares de coagulação utilizados, dos processos de tratamento de água e do acondicionamento químico do lodo para desidratação. Quanto menor a resistência específica mais fácil à desidratação. De um modo geral lodos com resistência específica menor que 10x1011 m/kg1 desidratam com maior facilidade, enquanto que aqueles com resistência específica maior que 100x1011 m/kg são de difícil desidratação (Richter, 2001).

2.2.3. Compressibilidade

Os lodos provenientes da coagulação com sais de alumínio e ferro são geralmente altamente compressíveis. Os lodos oriundos de águas com baixo teor de sólidos, coagulados com sulfato de alumínio, têm coeficientes de compressibilidade muito elevados e, portanto, desidratam lentamente quando a pressão aplicada é elevada (Richter, 2001).

1 Unidade do Sistema Internacional (SI). Alguns autores utilizam o sistema CGS, resultando com unidade de resistência específica o s2/g . Entre as unidades existe a seguinte relação: L S2/g = 9.800 m/Kg.

2.3. ASPECTOS AMBIENTAIS DO DESCARTE INADEQUADO DE LODOS

Os lodos provenientes de ETAs contêm concentrações elevadas de metais, sobretudo de alumínio e ferro, que ao serem lançados in natura em cursos d'água podem induzir toxicidade aos organismos aquáticos e aumentar a degradação destes ambientes, considerando que este resíduo, além de conterem metais, apresentam também elevadas concentrações de sólidos, alta turbidez e demanda química de oxigênio (DQO), fatores que podem causar condições indesejáveis, tais como, a criação de bancos de lodo, o assoreamento do curso d'água, alterações na cor e na composição química, e ainda alterações biológicas. Em relação à toxicidade dos lodos de ETA existem poucos trabalhos que abordam esta questão, embora já existam resultados que apontam para efeitos deletérios diretos ou indiretos do alumínio à vida aquática (Barbosa e colaboradores, 2003).

A avaliação da toxicidade aguda e crônica de lodo de duas ETA que utilizavam cloreto férrico e sulfato de alumínio como coagulante, aos organismo - teste Daphnia similis, mostraram que os lodos das duas ETA não causaram toxicidade aguda aos organismos-teste, verificando-se apenas indícios de toxicidade. O lodo da ETA que utiliza cloreto férrico causou toxicidade crônica, evidenciada através de baixa produção de neonatas (recém-nascidos) e alta taxa de mortalidade, enquanto que o lodo da ETA que utiliza sulfato de alumínio causou toxicidade crônica evidenciada apenas em relação à produção de neonatas. Concluiu-se então que a disposição in natura dos efluentes das ETA estudadas prejudica a biota aquática, comprometendo a qualidade da água e do sedimento dos corpos receptores, o que é preocupante tendo em vista o número de estações de tratamento e o fato da disposição dos efluentes ser, via de regra, por lançamento nos corpos d'água adjacentes (Barbosa e colaboradores, 2003 ).

2.4. TRATAMENTO DE LODO DE ETA

O tratamento dos lodos de uma ETA visa obter condições adequadas para sua disposição ambiental, como obter um estado sólido ou semi-sólido, envolvendo a remoção de água para concentrar os sólidos e diminuir o seu volume. A fração de água no lodo pode ser classificada em três categorias: água livre, que não está intimamente ligada aos sólidos do lodo; água capilar e da camada aderida por forças de superfícies; e ligação química (hidratação) (Andreoli e colaboradores, 2001).

Os sistemas de tratamento de lodo podem comportar diversas combinações de operações e processos unitários.

2.4.1. Adensamento

Depois de removidos de um decantador, os lodos normalmente necessitam ser adensados antes de serem tratados. O adensamento é um processo físico de concentração de sólidos que busca a redução de umidade e consequentemente a redução de volume. A viabilidade do adensamento consiste na produção de um lodo concentrado.

2.4.2. Condicionamento

O condicionamento é um processo preparatório, no qual produtos químicos (coagulantes, polieletrólitos etc.) são adicionados ao lodo, visando aumentar a captura de sólidos no processo de tratamento (Santos, 2003).

2.4.3. Desidratação

A redução de volume dos lodos tanto de ETA como de ETE, através da remoção do teor de água, é uma operação fundamental para reduzir custos de transportes e disposição, melhorias nas condições de manejo e conseqüentemente beneficiar o descarte deste resíduo (Santos, 2003).

Na figura 18 estão representados esquematicamente às formas de redução de volume (desidratação) e os meios usuais pelos quais podem-se atingir esse objetivo.

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