Doença pulmonar obstrutiva crônica

Doença pulmonar obstrutiva crônica

(Parte 3 de 16)

1 –Tenho falta de ar quando apresso o meu passo, ou subo escadas ou ladeira.

2 –Preciso parar algumas vezes quando ando no meu passo, ou ando mais devagar que outras pessoas de minha idade.

3 –Preciso parar muitas vezes devido à falta de ar quando ando perto de 100 metros, ou poucos minutos de caminhada no plano.

4 –Sinto tanta falta de ar que não saio de casa, ou preciso de ajuda para me vestir ou tomar banho sozinho.

(Modificado de: Ferrer M, Alonso J, Morera J, et al. Chronic obstructive pulmonary disease and health-related quality of life. Ann Intern Med 1997;127:1072-9)

Jornal Brasileiro de Pnemologia

QUADRO 2 Diagnóstico da DPOC

Sintomas crônicos respiratórios • Tosse

• Secreção

• Dispnéia

• Sibilos

Exposição a fatores de risco • Tabagismo

•Poeira ocupacional

•Fumaça de lenha

Fatores individuais conhecidos •Deficiência de alfa-1 antitripsina

Espirometria •Pré e pós-broncodilatador

Outros exames •Radiograma de tórax

• Oximetria/gasometria

OUTROS TESTES DE AVALIAÇÃO RESPIRATÓRIA: A realização de outros exames no paciente com DPOC não é rotineira, podendo, porém, ser considerada em condições especiais.

As determinações da capacidade pulmonar total (CPT), da capacidade residual funcional (CRF) e do volume residual (VR), bem como da determinação da capacidade de difusão, permitem uma melhor avaliação dos pacientes com DPOC.

As avaliações eletro e ecocardiográfica estão indicadas nos casos em que há suspeita de hipertensão pulmonar e cor pulmonale.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL: Os sintomas apresentados na DPOC são achados inespecíficos e podem levar a confusão diagnóstica. São várias as doenças respiratórias que servem como diagnóstico diferencial. oAsma brônquica: é a doença com maior confusão diagnóstica. Ela difere da DPOC em muitos aspectos, desde a epidemiologia até o processo inflamatório e, principalmente, pela resposta ao tratamento com corticóide inalatório. Alguns pacientes asmáticos fumantes, ou que têm remodelamento brônquico e obstrução ao fluxo aéreo fixo, podem causar maior dúvida diagnóstica. A boa resposta clínica ao uso de corticóide inalatório nestes pacientes confirma o diagnóstico de asma (Quadro 4).

QUADRO 3 Indicações para dosagem de α1-antitripsina

•Enfisema pulmonar com início em adulto jovem < 45 anos

•Enfisema pulmonar sem fator de risco conhecido •Enfisema predominante em região basal

•Doença hepática inexplicada

•Vasculite com positividade para o anticorpo antineutrófilo citoplasma (C-ANCA)

•História familiar de enfisema, doença hepática, paniculite ou bronquiectasia

“Caracterização da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) – Definição, Epidemiologia, Diagnóstico e Estadiamento”

oBronquiolites: os sintomas de tosse e dispnéia podem ser confundidos com os da DPOC. Pontos importantes para o diagnóstico: não-tabagista, dispnéia de progressão mais acelerada do que na DPOC, encontro de padrão de mosaico na tomografia de tórax de alta resolução, baixa prevalência. oBronquiectasias: pacientes podem apresentar tosse, dispnéia, secreção abundante e cursar nas fases avançadas com hipoxemia e cor pulmonale. A produção copiosa de secreção levanta a maior suspeita e a confirmação é obtida com a tomografia de tórax de alta resolução. Podem em alguns casos coexistir com a DPOC. oTuberculose: sua alta prevalência no Brasil a coloca, sempre, como possível diagnóstico diferencial. A pesquisa de BAAR no escarro e a radiografia de tórax confirmam o diagnóstico. oInsuficiência cardíaca congestiva: o exame físico com encontro de estertores finos em bases, aumento da área cardíaca no radiograma de tórax, exames complementares cardiológicos (eletro e ecocardiograma) e a espirometria permitem o diagnóstico diferencial.

4. ESTADIAMENTO Recentemente, Celli e colaboradores publicaram um escore prognóstico em DPOC (BODE) integrando nesta análise o índice de massa corpórea (Kg/m2), a avaliação espirométrica (VEF1), uma escala da dispnéia (MRC) e a capacidade de exercício avaliada pelo teste da caminhada de 6 minutos. Este índice tem uma pontuação que varia de 0 (ótimo) a 10 (pior) e tem melhor correlação com sobrevida do que os parâmetros isolados.

Visto que o GOLD tende a ser um documento balizador mundial, decidimos seguir a mesma proposta em nosso documento, com relação a valores espirométricos do estadiamento (Tabelas 3 e 4).

QUADRO 4

Dados da história e exames que favorecem a asma, no diagnóstico diferencial com a DPOC

• Não-tabagista

•Variação acentuada do grau de sintomas e sinais

•Reversibilidade completa da limitação do fluxo aéreo

•Boa resposta ao corticóide inalado TABELA 3

Estadiamento da DPOC com base na espirometria

Espirometria Estádio VEF1/CVF pós-BD

VEF 1

• Estádio 1- Doença leve< 70%

Normal

• Estádio 2 - Doença moderada< 70% ≥50 % < 80%

• Estádio 3 - Doença grave< 70% ≥ 30% < 50%

• Estádio 4 - Doença muito grave< 70% < 30%

TABELA 4 Aspectos clínicos e gasométricos adicionais aos dados espirométricos

Dispnéia deDispnéia de acordo comacordo comPresença

MRC modificadoMRC modificadoclínica deHipoxemiaHipercapnia 2 ou 34cor pulmonalePaO2 < 60 mmHgPaCO2 > 50 mmHg

Doença graveDoença muito graveDoença muito graveDoença graveDoença muito grave

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