Doença pulmonar obstrutiva crônica

Doença pulmonar obstrutiva crônica

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O tratamento antibiótico deve ser administrado sempre em pacientes com agudização infecciosa com troca na coloração do catarro que lhe confere um aspecto mais purulento.

“Tratamento Ambulatorial e Hospitalar da Exacerbação Infecciosa e Não-Infecciosa da DPOC – Caracterização Clínica e Laboratorial da Exacerbação Infecciosa”

Entre 85 e 100% de cepas de M. catarrhalis isoladas na Europa e nos Estados Unidos são produtoras de beta-lactamases. Nos países da América Latina, o programa Sentry, realizado em 10 centros de diferentes países, observou uma percentagem global de 93% de cepas de Moraxella produtoras de beta-lactamases. Existem dados que indicam que em diferentes países da América Latina as taxas de resistência à penicilina oscilam em torno de 25%, ainda que em sua maioria isso se deva a uma

QUADRO 10 Fatores de risco de má evolução da agudização

•Idade > de 65 anos •Dispnéia grave

•Mais de 4 exacerbações nos últimos 12 meses

•Hospitalização por exacerbação no ano prévio

•Uso de esteróides sistêmicos nos últimos 3 meses

•Uso de antibióticos nos 15 dias prévios

• Desnutrição

*Cardiopatia, diabetes mellitus dependente de insulina, insuficiência renal ou hepática.

resistência do tipo intermediário com concentração inibitória mínima (CIM) entre 0,12 e 1 mg/l. Esta resistência à penicilina também coexiste em ocasiões com resistência cruzada aos macrolídeos, de maneira que a atividade da claritromicina ou azitromicina frente ao pneumococo se vê freqüentemente diminuída naquelas cepas resistentes à penicilina. Esta resistência cruzada não é observada com outros antibióticos como as quinolonas.

Classificação e terapia antibiótica: Uma classificação proposta de gravidade e terapia antibiótica recomen- dada está presente no Quadro 1.

Estudos recentemente desenvolvidos mostraram que pacientes recebendo moxifloxacino apresentaram um resultado clínico e bacteriológico significativamente melhor entre 7 a 10 dias pós-terapia do que amoxicillinas, claritromicina, além de cefuroxima, também um maior período livre de exacerbações e a necessidade de antibióticos adicionais (Evidência B). Outro estudo recente demonstrou que o uso da gemifloxacina comparada com a claritromicina prolongou o tempo livre de exacerbações, indicando que as quinolonas podem ser benéficas neste importante desfecho.

QUADRO 1

Classificação da doença pulmonar obstrutiva crônica com os patógenos causadores das exacerbações e tratamento antibiótico ambulatório recomendado

Patógenos mais freqüentesTratamento recomendado Grupo(Evidência B)(Evidência C)

I. DPOC com VEF1 >H. influenzaeβ-lactâmico + inibidor de β−lactamase1 50% e sem fatoresM. catarrhalisCefuroxima de risco S. pneumoniae Azitromicina/claritromicina

C. pneumoniae M. pneumoniae

I. DPOC com VEF1 >H. influenzaeOs anteriores mais 50% e com fatoresM. catarrhalisMoxifloxacino/gatifloxacina/levofloxacina de risco2 SPRP Telitromicina

I. DPOC com VEF1H. influenzaeMoxifloxacino/gatifloxacina/levofloxacina entre 35 – 50%M. catarrhalisTelitromicina

SPRPβ-lactâmico + inibidor de β-lactamase1 Gram – entéricos

IV DPOC com VEF1 < H. influenzae Moxifloxacino/gatifloxacina/levofloxacina

35%SPRPCiprofloxacina se se suspeita de Pseudomonas

Gram – entéricosβ-lactâmico + inibidor de β-lactamase1 (se há alergia às quinolonas)3 P. aeruginosa

SPRP = S. pneumoniae resistente a penicilina. 1. Amoxicilina-clavulanato, amoxicilina-sulbactam e ampicilina-sulbactam. 2.Os fatores de risco são detalhados nos quadros 10 e 1. 3.Em certas ocasiões pode ser necessário o tratamento endovenoso em pacientes com suspeita ou confirmação de infecção por Gram-negativos, incluídas Pseudomonas. Neste caso pode-se administrar piperacilina-tazobactam ou imipenem ou cefepima.

Jornal Brasileiro de Pnemologia

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“DPOC Estável – Broncodilatadores, Corticóides (Orais e Inalatórios), N- Acetilcisteína, Oxigenoterapia, Vacinação. Tratamento do Cor Pulmonale e da Hipertensão Pulmonar”

1. BRONCODILATADORES

Os broncodilatadores são a base do tratamento sintomático das doenças pulmonares obstrutivas. A via de administração preferencial é a inalatória, pela ação direta nas vias aéreas e menor incidência de efeitos colaterais.

β2 -AGONISTAS: São broncodilatadores potentes e seguros que atuam abrindo os canais de potássio e aumentando o AMP cíclico. Os β2-agonistas de longa duração, formoterol e salmeterol, quando compa- rados aos β2-agonistas de curta ação, fenoterol, salbutamol e terbutalino e ao anticolinérgico brometo de ipratrópio, são mais eficazes, resultando em redução da dispnéia e melhora funcional mais acen- tuada e mais duradoura (Tabela 5). O único β2 -agonista de ação por 24 horas é o bambuterol, que, no entanto, não apresenta número suficiente de registros na literatura que apóiem o seu uso sistemático na DPOC.

ANTICOLINÉRGICOS: O brometo de ipratrópio é um antagonista inespecífico dos receptores muscarínicos. Em pacientes com glaucoma deve-se tomar o cuidado de não permitir contato direto da névoa de aerossol com os olhos. O pico de ação do ipratrópio varia de 30 a 90 minutos e a duração de seu efeito varia entre 4 e 6 horas (Tabela 5).

TABELA 5

Principais apresentações de broncodilatadores disponíveis no mercado

DrogaDispositivo inalatório (mcg) e SoluçãoOralInjetávelDuração de para nebulização (mg/ml)ação (h)

Curta ação Fenoterol100 - 200 (N)52,5 mg (C)4 - 6 0,25 - 0,5 mg/ml (L)

Salbutamol100 (N)52, 4 mg (C)0,5 mg/ml4 - 6 0,4 mg/ml (L)

Terbutalino500 (Pó)102,5 mg (C) 0,3 mg/ml (L)0,5 mg/ml4 - 6

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