As Festas que a República Manda Guardar

As Festas que a República Manda Guardar

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A unidade nacional, frulO da elite imperial que representa a continuidade da elite ponugucsa, ou melhor, européia, simboliza a continuidade, ou seja, a manutenção dos laços entre Ponugal e

Brasil, entre o Velho Mundo e O Novo

Mundo. Unidade e continuidade cons tituíram a visão e O desejo da maioria dos intelectuais brasileiros e as principais questõcs a serem enfrentadas por todos aqueles que quiseram se libertar desta construção simbólica.

A interpretação sobre o papel do Império como garantidor da unidade nacional e da República como seara da anarquia desenfreada abriu caminho para a aceitação do pacto oligárquico como a única solUÇãO capaz de controlar as forças centrípetas e a ameaça de separatismo.

A institucionalização da nova ordem

-o pacto das forças oligárquicas, a política dos estados ou dos go vernadores, federalismo à brasileira ou outra designação que se queira -passou a simbolizar a única solução para manter a continuidade daquilo que o Império conseguira -a unidade nacional. Mas esta é uma queslllo e uma construção posterior ao período que estamos analisando, já que a ordem republicana só vai se instaurar no Governo Campos Sales (Kugelmas, 1986).

Notas

1. Carlos de Lael e Josi da Costa Azevedo, monarquista' cariocas que participaram dai chapas �public.nu. Rio tiveram Seul diplomas reconhe· cidos pan • Constituinte.

188 ESl1JOOS IDSTORICOS -1989/4

2. A primeira ediçio ,do livro foi confi,ced. ,pelo ,ovemo. UumOl • quinta cdiçio. de 1980, pnbtiC'd. JICla IBRASA,$1o Paulo. 3. UMmot aqui. buicmtenre. o livro de'Suely

4Entte'0I poUticos 'mudos de envolvimento

Rotlh. {;luciroz (1986). cun o jaoot ; niamo e o .&enredo ealio: Francisco

Glic6ri.o. icpublic.Ml bju6rico �ulista. c:hefe do P.artido Jt.cpublic.eoo Federal., e Manuel Vhorino, poUIico baiano, vice9.ptelidente de Prudente de Mcoc FI,

S. Rochi&o OIivio de juriJta e mapu.do. Nnccu an (SI? em

1866 e (·teneu no Rio de Janeiro em 1944. Foi M>\,jetirio da Prui4ência da Rcp.lblica no ,ovedlO

de I'ruda"o de Mor.·. {I B94·96}, dolo,odo piai. pnt'mci.6rio do Sruil em divenu conferências m· &emacionai •• vice-presidente da Liga da. Naç6e. (1920), rubsecn:úrio de Etlado das Relações E�lCr

riora (1920-21), pu.KIen1e do InltiIuto dos Adv� g.doI BruileirOl por diversas vezes, vicc.-pre

.idm'e do Instituto Hillórioo e Geogri.fico Brasi leiro e membro-fundador da Acadcmi. B�sileira de Letru, onde ocupou • cadcinI 3S, cujo palfOOO 6 T.Yaft:1 B·"OI.

6. O capÍ1Ulo lObn: o Quiaze de Novembro foi lMnb6i1 public'do em sep&rado pela Imprensa da CIS. d. Moeda em 1894. para distribuiç.Jo 'fltui· ta, constando o tItulo "Educaçio dvica; Quinze de novembro",

7. Quintino FenW'a d. Silva &doeo JObteno­

me indlgen. Boc'ióva seguindo I voga n.cionali. la de meadot do �cu10 XIX. 8. Indicador da permanência de Aoriano COlhO fieura importante e polêmica � o romance de Lima Banew, O 'rU/e fllft de Policarpo Quaresma, pu blicado como folhetim em 1911. 9. Suetônio, O Q.Il/igo r�giIM. �1Lf e coUiJ.f.

prefácio de QuinLino Bocaiúv', Rio de Janeiro, 1886; Oscar Araújo, L'idi� ripublicaiM ali BrisiJ,

Pari., 1893; Felfcio Buarque, Origens upu.blica· MS,' estudos cU gi"u� políJica, 1894.

10. � irJtereJ5ante observar como OI iepublia nOl mais polemistas, aquelea que denm mais vui bilidade ao projeto republicano, mOileam cedo. Escolhendo um pouco ao acaso podemos citar:

entre os republicanos, Silva J.rdim (1860-91), Benj.min Constant (1836-91), Raul Pom�i.

(1863·9Sl, AorUno Peixoto (I839·9Sl e Quintino Bocaillva (1836-1911); entre os monarquistas, Joa quim N.buco (1849-1910), visconde de Ouro PrelO (1837·1912), Carlos de Lael (1847·1927), Afon.o CoI", (1860·1938) e Edu.nIo Prado (1860-190I).

que � o c"o desviante.

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