GUIA TÉCNICO AMBIENTALda Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos - SÉRIE P L

GUIA TÉCNICO AMBIENTALda Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos -...

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Resíduos oriundos do sistema de exaustão e equipamentos de controle da poluição atmosférica Resíduos da varrição dos pisos Frascos e potes com defeitos

Óleos Minerais/ ÁlcooisEnergia elétrica TANQUES DE ÓLEOS E

VOC´s (compostos orgânicos voláteis) Resíduos e efl uentes líquidos oriundos das limpezas dos equipamentos e pisos Restos de embalagens (resíduos de plásticos, papelão, tambores e outros) Ruídos

Água desmineralizada Álcoois

EssênciasEnergia elétrica MACERAÇÃO

VOC´s (compostos orgânicos voláteis) Resíduos e efl uentes líquidos oriundos da limpeza dos equipamentos

Resíduos e efl uentes líquidos graxos oriundos das limpezas dos reservatórios guia técnico ambiental 39

H O N Vapor

Preparação da Fase Aquosa

Vapor Óleo mineral

Preparação da Fase Oleosa

Vapor Anilinas

Preparação das Anilinas

Água desmineralizada Vapor Energia Elétrica Nitrogênio Hidróxido de Amônio Fenilenodiaminas Aminofenois Resorcinol Monoetanolamina

VOC´s (compostos orgânicos voláteis)

Restos de embalagens (resíduos plásticos, papelão, tambores e outros)

Resíduos e efl uentes líquidos oriundos da limpeza de equipamentos e pisos

Adição de outros componentes (aditivos)Água gelada RESFRIAMENTO ATÉ 40ºC

Vapor Resíduos e efl uentes líquidos oriundos da limpeza de equipamentos e pisos

Capítulo I Aspectos e Impactos Ambientais

No capítulo anterior, foram identifi cados como entradas e saídas os principais aspectos ambientais nas operações e atividades desenvolvidas pelo setor. A cada aspecto ambiental mencionado está associado pelo menos um impacto ambiental, que pode ser defi nido como qualquer alteração das propriedades físico-químicas e/ou biológicas do meio ambiente, devida a qualquer forma de matéria ou energia gerada por atividades humanas.

A seguir, estão apontados os principais impactos que podem ser provenientes de atividades das empresas do setor de cosméticos e são discutidas as relações de causa e efeito entre os processos produtivos e o meio ambiente.

Uso de Insumos

Água

A utilização de água no setor se dá em larga escala e para diversos fi ns. Considerável parcela é incorporada ao produto, parte é empregada nas operações de limpeza e lavagem de máquinas, equipamentos e instalações industriais, além do uso na área de utilidades e manutenção, tais como em sistemas de aquecimento e refrigeração.

O uso de recursos hídricos subterrâneos tem sido a alternativa mais atraente para a indústria. No entanto, a exploração desregrada tem levado à crescente degradação das reservas, apontando para a urgência do desenvolvimento de uma política de exploração racional desses recursos. A diminuição (rebaixamento) do nível dos aqüíferos subterrâneos, pela perfuração exagerada ou exploração excessiva de poços já existentes, gradativamente levam a um aumento dos custos de bombeamento, diminuição do rendimento da operação, afundamento (recalque) de terrenos e, em casos extremos, à exaustão dos aqüíferos. É necessário conscientizar os usuários quanto a formas de minimizar o consumo de água não apenas na planta produtiva, mas também nas práticas cotidianas de cada indivíduo.

Energia

O setor de cosméticos não é grande consumidor de energia, devido às próprias características de seus processos produtivos, nos quais a maioria das etapas é realizada à temperatura ambiente. Determinados produtos, no entanto, são obtidos a partir de operações que necessitam de aquecimento. Deve-se considerar o consumo de eletricidade por máquinas e/ou equipamentos como motores, bombas, misturadores e outros equipamentos.

É comum o uso de caldeiras alimentadas por óleo combustível e, nesses casos, é essencial o controle rígido da queima, de modo a minimizar as emissões de monóxido de carbono, óxidos de enxofre (SOx) e material particulado para a atmosfera. O emprego do gás natural, considerado mais adequado ambientalmente e de custo razoável, também demanda medidas de controle das emissões. Por fi m, é possível citar a utilização de caldeiras elétricas que podem ser chamadas de caldeiras “limpas”, mas que necessitam de grande quantidade de energia guia técnico ambiental 43 a alto custo. Além do controle rígido da efi ciência de queima da caldeira, é importante atentar para os resíduos resultantes de sua operação e manutenção (borras oleosas, estopas sujas, incrustações da parede da caldeira, embalagens de combustível, entre outros), pois sua disposição fi nal pode depender de autorização específi ca do Órgão de Controle Ambiental competente.

Algumas operações exigem rápido resfriamento, sendo necessário o uso de unidades de refrigeração de alta capacidade (chillers), que consomem energia elétrica e por vezes são muito onerosas, devendo também ser consideradas.

Matérias-primas e Produtos Auxiliares

O conjunto de matérias-primas e produtos auxiliares empregados pelo setor é extremamente variado:

• água, detergentes, emulsifi cantes, ésteres de ácidos graxos; • polímeros (PEG), sais quaternários de amônio;

• corantes, pigmentos, solventes orgânicos;

• álcalis (como soda e potassa), conservantes (como metilparabeno, propilparabeno e formol) e peróxido de hidrogênio;

• óleos essenciais e outros.

Várias dessas substâncias apresentam propriedades tóxicas, irritantes e/ou corrosivas, o que torna essencial o conhecimento de seus efeitos potenciais sobre a saúde humana e o meio ambiente, assim como sobre os procedimentos emergenciais em caso de derramamentos acidentais, contaminações ou intoxicações. Embora não seja objeto deste manual, é importante chamar a atenção para os riscos ocupacionais associados ao recebimento, transferência e manuseio de muitas destas substâncias e para a importância do uso de equipamentos de proteção individual (EPI’s) e coletiva (EPC’s).

Principais Interferências no Meio

Os principais impactos ambientais do setor podem estar associados tanto ao processo produtivo, como à geração de efl uentes, ao próprio uso dos produtos ou mesmo à geração de resíduos de embalagem pós-uso.

Efl uentes Líquidos

A geração de quantidades signifi cativas de efl uentes líquidos depende basicamente da freqüência de realização das operações de lavagem e limpeza, e da maneira como estas são realizadas.

Em relação à composição destes efl uentes, há variações signifi cativas entre os resultados analíticos de diferentes empresas para os mesmos parâmetros, que podem ser atribuídas principalmente à diversidade de matérias-primas envolvidas para a obtenção dos produtos e, também, às diferentes quantidades de água utilizada nas operações.

Embora a composição dos efl uentes do setor varie em função do tipo de produto elaborado, pode-se apontar alguns componentes normalmente presentes que, de modo geral, podem ocorrer em concentrações acima das permitidas em legislação especifi ca para lançamento sem tratamento prévio.

Dentre estes, podem ser citados os seguintes poluentes e efeitos adversos associados:

• Óleos e graxas: a pequena solubilidade dos óleos e graxas prejudica sua degradação em estações de tratamento de efl uentes por processos biológicos e, quando presentes em mananciais utilizados para abastecimento público, podem causar problemas no tratamento d’água, além de impedir a transferência do oxigênio da atmosfera para o meio hídrico, trazendo problemas à vida aquática.

• Sulfetos: normalmente resultantes de processos de produção de tinturas, apresentam odor desagradável e toxicidade.

• Despejos amoniacais: são tóxicos e tendem a alcalinizar o meio líquido, necessitando de neutralização antes do lançamento.

• Tensoativos: apesar de não apresentarem alta toxicidade, são resistentes à biodegradação. Suas propriedades lipossolventes lhes conferem efeito bactericida, prejudicando processos biológicos importantes ao bom funcionamento dos ecossistemas aquáticos.

• Fosfatos e Polifosfatos: presentes na formulação de detergentes e limpadores, podem, em altas concentrações, levar à proliferação de algas e plantas aquáticas, e provocar o fenômeno da eutrofi zação dos corpos d’água1, que causa desequilíbrio no pH do corpo aquoso, bem como grandes oscilações nas concentrações de oxigênio dissolvido, com maiores valores nos períodos de maior luminosidade, e valores eventualmente próximos de zero durante a noite.

A legislação ambiental estabelece que os despejos industriais devam ser tratados, de modo que as características físico-químicas dos efl uentes estejam de acordo com os padrões estabelecidos pela Resolução CONAMA 357, de 17/03/2005.

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