GUIA TÉCNICO AMBIENTALda Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos - SÉRIE P L

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• disposição fi nal

A disposição inadequada destes resíduos pode provocar efeitos graves no ambiente, como, por exemplo, a contaminação do solo e das águas subterrâneas, sendo portanto necessária a avaliação de suas características em laboratório, para posterior avaliação do órgão ambiental competente dos tipos de alternativas de disposição do mesmo.

Solventes Orgânicos

Os solventes orgânicos são usados em geral como desengordurantes, solventes de uso geral (limpeza), entre outros. Na forma pura, apresentam-se como líquidos incolores, com odores adocicados ou pungentes. Os de maior utilização pelo setor de cosméticos são os seguintes:

• Tolueno: solvente aromático de alta pureza, rápida evaporação e elevado poder de solvência. Faz parte da família de compostos BTXE, juntamente com o benzeno, xileno e o etilbenzeno. Substituiu o primeiro como alternativa menos perigosa na indústria de tintas e vernizes e na fabricação de resinas e adesivos. Na indústria de cosméticos, é utilizado como componente e em operações de limpeza em linhas de esmaltes.

• Álcoois: grupo funcional em que se destaca o álcool etílico (etanol), substância volátil e infl amável. É utilizado na formulação de perfumes e para operações de limpeza.

• Acetatos de Etila e de n-Butila: solventes moderadamente voláteis, com boas propriedades dissolventes de nitrato de celulose, polímeros, resinas e óleos. Utilizados na formulação de esmaltes de unhas.

Os solventes orgânicos apresentam periculosidade em maior ou menor grau, com riscos ocupacionais e ambientais, além de alto grau de infl amabilidade, sendo que incêndios envolvendo acetatos costumam ser especialmente difíceis de controlar apenas com água, demandando métodos especiais de extinção. Isso sugere a necessidade de uma análise mais aprofundada sobre os riscos de acidentes envolvendo incêndios e explosões com conseqüências sobre a população do entorno e o meio ambiente.

Para tanto, é interessante a implantação de metodologias de gerenciamento de riscos sempre que a empresa utilizar ou estocar solventes em quantidades signifi cativas. Nesses casos é necessário que a empresa atente para as normas e procedimentos referentes ao armazenamento de produtos perigosos, infl amáveis e combustíveis. Nos casos em que for aplicável, realizar estudos e/ou a implementação de programas de gerenciamento de riscos, segundo a norma CETESB P 2.461- Manual de Orientação para Elaboração de Estudos de Análise de Risco.

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Uma vez que se tratam de compostos de cadeias de carbono de baixo peso molecular (até C12), a maioria desses solventes orgânicos fl utua na água. Quando lançados com os efl uentes líquidos, trazem risco de efeitos tóxicos agudos ao ambiente. Os organismos aquáticos são os mais vulneráveis, uma vez que absorvem esses contaminantes pelos tecidos, brânquias, por ingestão direta da água ou de organismos contaminados. Solventes aromáticos, como o tolueno, são resistentes à degradação por via microbiológica, e bastante persistentes no ambiente. São fortemente absorvidos pelos sedimentos, neles permanecendo por muitos anos.

Os efeitos ocupacionais dos solventes ocorrem pela inalação de vapores e fumos, sendo irritantes aos olhos e à mucosa. Quando em grande concentração no ar, vapores de tolueno podem causar dores de cabeça, irritação dos olhos/nariz/garganta e fadiga. Exposições extremas podem levar a lapsos de memória, difi culdades com a fala, problemas de visão e de audição; também já foram registrados alguns casos de óbitos. O contato cutâneo com o solvente sob forma líquida pode provocar dermatoses e amarelecimento da pele. Estes fatores novamente remetem à recomendação de uso de EPCs e EPIs. A opção de destino fi nal destes solventes pós-uso (sujos) ou suas borras, deve necessariamente ser acompanhada e aprovada pelo Órgão de Controle Ambiental competente.

Emissões Atmosféricas

Os principais problemas de emissões atmosféricas do setor de cosméticos estão relacionados à emissão de material particulado e substâncias odoríferas.

A geração de material particulado está ligada às operações de moagem/micronização e envase nas linhas de talcos, pós descolorantes, maquiagem em pó e similares. O material em suspensão pode causar doenças ocupacionais e/ou contaminação ambiental, e de acordo com a necessidade devem ser controlados por medidas como o enclausuramento de linhas, procedimentos operacionais cuidadosos, instalação de sistema de ventilação local exaustora (SVLE) e equipamento(s) de controle de poluição do ar (ECPA).

As emissões de substâncias odoríferas podem ser geradas nas operações de armazenamento, transferência e manuseio de matérias-primas e produtos auxiliares, bem como durante o processo produtivo ou no envase. Podem apresentar riscos à saúde, além de possuírem um grande potencial de incômodos à vizinhança da unidade industrial. Esses efeitos podem ser atenuados pela adoção de medidas como o enclausuramento dos processos produtivos e a instalação de sistema de ventilação local exaustora associado a equipamentos de controle de poluição atmosférica, além do uso de EPI’s adequados pelos funcionários.

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