GUIA Técnico Ambiental de Gráficas - série P L

GUIA Técnico Ambiental de Gráficas - série P L

(Parte 1 de 6)

Realização e Suporte TécnicoApoio 4

2ª Edição

3 GUIA TÉCNICO AMBIENTAL DA INDÚSTRIA GRÁFICA - SÉRIE P+L

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO José Serra – Governador

SECRETARIA DE MEIO AMBIENTE Francisco Graziano Neto – Secretário

CETESB – COMPANHIA DE TECNOLOGIA DE SANEAMENTO AMBIENTAL Fernando Cardozo Fernandes Rei – Diretor Presidente

SINDIGRAF- SP – SINDICATO DAS INDÚSTRIAS GRÁFICAS NO ESTADO SÃO PAULO Mário César de Camargo - Presidente 2009

GUIA TÉCNICO AMBIENTAL DA IndústrIa GráfIca - sérIe P+L

Companhia Ambiental do Estado de São Paulo

Fernando Cardozo Fernandes Rei Diretor Presidente

Marcelo Minelli

Diretor de Controle de Poluição Ambiental

Ana Cristina Pasini da Costa

Diretoria de Engenharia, Tecnologia e Qualidade Ambiental

Edson Tomaz de Lima Filho diretor de Gestão corporativa

Realização e Suporte Técnico

Silvio Roberto Isola Presidente do conselho diretivo

Reinaldo Marcelino Espinosa Presidente executivo

Aparecida Soares Stucchi Gerente de Operações

Maíra da Costa Pedro Nogueira da Luz técnica Gráfica

Teddy Lalande

Coordenador da Comissão de Questões Ambientais do ONS-27 sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo

Mário César Martins de Camargo Presidente

Levi Ceregato Vice-Presidente

Valter Marques Baptista diretor administrativo

Beatriz Duckur Bignardi Diretora Financeira

Sonia Regina Carboni diretora executiva

Federação das Indústrias do Estado de São Paulo

Paulo Skaf Presidente

Nelson Pereira dos Reis

Diretor Titular do Departamento de Meio Ambiente – DMA

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (CETESB – Biblioteca, SP, Brasil)

G971 Guia técnico ambiental da indústria gráfica [recurso eletrônico] / Elaboração Daniele de O. Barbosa...
2.ed.[et al.]. – 2.ed. – São Paulo : CETESB : SINDIGRAF, 2009.

Catalogação na fonte: Margot Terada CRB 8.42 59 p. : il. col. ; 21 cm. - - (Série P + L, ISSN 1982-6648)

Disponível em:
<http://w.cetesb.sp.gov.br/Tecnologia/producao_limpa/documentos.asp>.

Publicado também em CD e impresso. ISBN 978-85-61405-10-6

1. Impressão – sistemas 2. Indústria gráfica 3. Poluição – controle 4. Poluição – prevenção 5. Produção limpa 6. Resíduos industriais – minimização I. Barbosa, Daniele de O. I. Wittmann, Giselen Cristina Pascotto I. Luz, Maíra da Costa Pedro Nogueira da V. Série.

CDD (21.ed. Esp.) 686.028 6 CDU (2.ed. port.) 628.51/.54 : 655

No decorrer dos últimos anos a CETESB vem desenvolvendo Guias Ambientais de Produção mais Limpa, com o intuito de incentivar e orientar a adoção de ações de P+L nos diversos setores produtivos, além de fornecer uma ferramenta de auxílio para a difusão e aplicação do conceito de P+L junto ao setor público e às universidades. Os guias mais recentes, publicados a partir de 2005, têm uma importante participação do setor produtivo em sua elaboração, fruto de fundamental parceria firmada entre a CETESB e representantes da indústria, estabelecendo novas formas conjuntas de ação na gestão ambiental, com o objetivo de assegurar maior sustentabilidade nos padrões de produção.

Não há dúvidas de que a adoção da P+L pode trazer resultados ambientais satisfatórios, de forma contínua e perene, ao contrário da adoção de ações pontuais de controle corretivo. Na maioria dos casos, estes resultados permitem aprimorar a produtividade, obter redução do consumo de matérias-primas e de recursos naturais, eliminar substâncias tóxicas, reduzir a carga de resíduos gerados e diminuir o passivo ambiental, colaborando com a redução de riscos para a saúde ambiental e humana. Adicionalmente, a P+L, em geral contribui significativamente para a obtenção de benefícios econômicos pelo empreendedor, melhorando sua competitividade e imagem empresarial. Neste contexto, o intercâmbio maduro entre o setor produtivo e o órgão ambiental é uma importante condição para que se desenvolvam ferramentas de auxílio, tanto na busca de soluções adequadas para a resolução dos problemas ambientais, como na manutenção do desenvolvimento social e econômico sustentável.

Esperamos, assim, que a troca de informações iniciada com estes documentos gere uma visão crítica, que identifique e concretize oportunidades de melhoria ambiental nos processos produtivos, bem como venha a subsidiar o aumento do conhecimento técnico, promovendo o desenvolvimento de tecnologias mais limpas para a efetiva garantia de aprimoramento da qualidade ambiental.

Fernando Rei

Diretor Presidente CETESB - Companhia Ambiental do Estado de São Paulo

É unânime o diagnóstico de que o caminho da prosperidade socioeconômica passa, necessariamente, pelo crescimento sustentado do nível de atividade. Por essa razão, o compromisso com o meio ambiente é uma das mais enfáticas bandeiras da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP/CIESP).

Criamos o Conselho Superior do Meio Ambiente, que soma empresários, técnicos e ambientalistas. Também mantemos o Departamento de Meio Ambiente, com quadro profissional de altíssima qualificação. O Prêmio FIESP de Mérito Ambiental, com crescente participação das indústrias paulistas, reconhece e incentiva as boas práticas nessa área. O Prêmio FIESP de Conservação e Reúso da Água valoriza as ações em prol do bom aproveitamento dos recursos hídricos. Além disso, todos os anos, em especial na Semana do Meio Ambiente, numerosos eventos são realizados para mobilizar a opinião pública.

e a qualidade de vida

Assim, é gratificante observar o engajamento de distintos setores industriais na causa da sustentabilidade. Um dos segmentos mais empenhados nesse sentido é o gráfico. Exemplo disso é este guia, resultante de esforço conjunto da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SMA), Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), FIESP/ CIESP e o Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo (Sindigraf-SP). Iniciativas como essa evidenciam que sociedade e governo podem atuar de modo sinérgico no processo de desenvolvimento do País, para garantir a salubridade ambiental

Paulo Skaf Presidente FIESP - Federação das Indústrias do Estado de São Paulo

GUIA TÉCNICO AMBIENTAL DA INDÚSTRIA GRÁFICA - SÉRIE P+L OBjETIVO FACTíVEL

Este Guia Técnico Ambiental da Indústria Gráfica é uma importante iniciativa voltada a contribuir para que o setor responda ao desafio da produção mais limpa de maneira cada vez mais efetiva. O universo corporativo, obviamente, não pode ficar alheio a esse movimento voltado à sobrevivência, com qualidade de vida, da presente civilização.

O parque gráfico, um dos segmentos industriais brasileiros que mais investiram no aporte tecnológico, busca fazer a sua parte. É com tal propósito que o Sistema Abigraf, por meio do Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo (Sindigraf-SP), produziu esta publicação, em parceria com a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP/CIESP) e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), vinculada à Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SMA).

A indústria gráfica, integrante da cadeia produtiva da comunicação, tem especial responsabilidade na difusão da consciência universal sobre a importância da responsabilidade ambiental. Livros, jornais, revistas, cadernos, manuais de distintos produtos, embalagens e numerosos outros impressos interagem no dia-a-dia com todos os cidadãos. São mídias que alcançam milhões de pessoas, informando e formando opinião pública. Ao serem produzidas com processos de impressão que respeitam o ambiente, tornam-se, também, exemplos positivos de como a almejada sustentabilidade é um objetivo viável. Vamos concretizá-lo!

Mário César de Camargo

Presidente Sindigraf-SP - Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de São Paulo

Foi com muita satisfação que recebemos a missão de revisar o Guia Técnico

Ambiental da Indústria Gráfica. A ABTG - Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica, ciente de seu papel de difusão do conhecimento, foi incumbida de atualizar e adequar o compêndio original, dada a evolução e as inovações técnicas registradas em quase todos os processos gráficos.

Estamos entrando em uma nova era, onde a sustentabilidade dos processos e sistemas, bem como a análise de ciclo de vida dos produtos por eles gerados, têm que ser devidamente pensados e planejados.

Este Guia traduz a preocupação do setor em se tornar adequado e consciente da sua importância na divulgação da informação e qualidade de vida em nossa sociedade.

silvio roberto Isola

Presidente do Conselho Diretivo ABTG – Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica

Realização:

CETESB – Companhia Ambiental do Estado de São Paulo Av. Prof. Frederico Hermann Jr., 345 – Alto de Pinheiros 05459-900 – São Paulo/SP Telefone: (1) 3133-3000 Site: http:\\w.cetesb.sp.gov.br

Coordenação Técnica da Série P+L

Meron Petro Zajac Flávio de Miranda Ribeiro aBtG – associação Brasileira de tecnologia Gráfica

Secretaria Técnica: Rua Bresser, 2315 – 03162-030 – São Paulo/SP

Telefone: (1) 2797-6700 Site: http:\\w.abtg.org.br

Coordenação de Meio Ambiente

Silvio Isola - Presidente do Conselho Diretivo

Aparecida Soares Stucchi – Gerente de Operações Maíra da Costa Pedro Nogueira da Luz – Técnica Gráfica

Elaboração Técnica: ABTG

Comissão de Estudo de Questões Ambientais do ONS-27

Teddy Lalande - Coordenador (Dixie Toga SA.) Daniele de O. Barbosa (Inapel Embalagens Ltda.)

Giselen Cristina Pascotto Wittmann (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial

Escola SENAI Theobaldo de Nigris)

Maíra da Costa Pedro Nogueira da Luz – (ABTG – Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica)

Marcos Ueda (Comércio de Papéis Primos de Rio Claro Ltda.)

Sergio Roberto da Silva (Editora Gráfica Burti Ltda)

Silvia Linberger (Maqtinpel Máquinas e Materiais Gráficos Ltda.) e Andre Heli Coimbra Botto e Souza (CETESB)

Colaboradores:

Cesar Augustus Rio Corrêa (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial

Escola SENAI Fundação Zerrenner)

Eufemia Paez Soares (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial

Escola SENAI Fundação Zerrenner)

Manoel Manteigas de Oliveira (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial

Escola SENAI Theobaldo de Nigris) Flávio de Miranda Ribeiro (CETESB) Hélio Tadashi Yamanaka (CETESB) José Wagner Faria Pacheco (CETESB) fotografia Valquiria Brandt (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial Escola SENAI Theobaldo de Nigris) revisão de texto RVO

1 INTRODUÇÃO 14 1.1 Perfil da Indústria gráfica nacional 15 1.2 A indústria gráfica paulista 16 2 DESCRIÇÕES DOS PROCESSOS GRÁFICOS 17 2.1 Etapas produtivas do processo gráfico 17 2.2 Principais sistemas de impressão 19 2.2.1 Offset 19 2.2.2 Rotogravura 21 2.2.3 Flexografia 2 2.2.4 Tipografia 23 2.2.5 Serigrafia 24 2.2.6 Impressão digital 26 3 ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS 26 3.1 Introdução 26 3.2 Consumo de matérias-primas 27 3.2.1 Fôrmas 28 3.2.2 Substrato 28 3.2.3 Insumos químicos de impressão 29 3.2.4 Outras matérias-primas 31 3.3 Consumo de água 31 3.4 Consumo de energia 31 3.5 Geração de resíduos sólidos 32 3.6 Geração de efluentes líquidos 3 3.7 Emissões atmosféricas 34 3.8 Ruído e vibrações 34

4 MEDIDAS DE PRODUÇÃO MAIS LIMPA (P+L) 35 4.1 Conceitos 35 4.2 Oportunidades de P+L (OP+L) 37 4.3 Complementos às fichas de OP+L 39 4.3.1 OP+L 1 - Controle de recebimento de matérias-primas 39 4.3.2 OP+L 2 - Controle de estoque de matérias-primas 40 4.3.3 OP+L 3 - Minimização das embalagens de matérias-primas 42

com insumos químicos 43

4.3.4 OP+L 4 - Prevenção de ocorrências ambientais

com recuperação de insumos 4

4.3.5 OP+L 5 - Tratamento on-site dos efluentes fotográficos 4.3.6 OP+L 6 - Sistemas alternativos de gravação de fôrmas de offset e flexografia 45 4.3.7 OP+L 7 - Reúso de água na operação de polimento do cilindro de rotogravura 46 4.3.8 OP+L 8 - Otimização do setup de impressão 47 4.3.9 OP+L 9 - Redução de perdas na impressão 48 4.3.10 OP+L 10 - Uso de tintas mais ecológicas 49 4.3.1 OP+L 1 - Substituição do álcool isopropílico (IPA) na solução de molha 50 4.3.12 OP+L 12 - Redução da necessidade de limpeza dos equipamentos 51 4.3.13 OP+L 13 - Reúso de água na operação de lavagem das telas de serigrafia 53 4.3.14 OP+L 14 - Boas práticas de gestão de resíduos 54 4.3.15 OP+L 15 – Sistema de abastecimento de tinteiros na rotogravura 5 4.3.16 OP+L 16 – Acondicionamento de papel na impressão digital 56 5 REFERÊNCIAS 57 6 GLOSSÁRIO 59

1 INTRODUçÃO

O guia técnico ambiental da indústria gráfica, publicado em 2003, foi um dos primeiros de uma série de guias de Produção mais Limpa (P+L) publicados para os mais diversos setores industriais.

Além de revisada e atualizada, esta versão segue o formato mais recente dos guias da “Série P+L” da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB). É o resultado de um trabalho realizado entre esta agência ambiental e a Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG) para disponibilizar informações e orientações sobre produção mais limpa na indústria gráfica.

O guia é voltado para empresários, técnicos, colaboradores em geral e demais interessados na adoção de práticas de gestão ambiental ou práticas ambientais que buscam, ao mesmo tempo, aumentar a eficiência dos seus processos e reduzir os impactos ao meio ambiente, de forma integrada e preventiva.

São apresentados neste guia, o perfil do setor gráfico, os principais processos e sistemas de impressão da indústria gráfica, os aspectos e impactos ambientais relacionados a estes processos, além de exemplos práticos de oportunidades de produção mais limpa para eliminar ou reduzir estes mesmos impactos. Cada um desses temas foi desenvolvido de forma genérica e orientativa. Sendo assim, caberá a cada gráfica analisar as informações e considerar as particularidades inerentes às suas atividades.

As informações contidas neste documento ajudam os envolvidos a identificar os principais aspectos ambientais associados com suas atividades e a buscar as melhores formas de mitigá-los. Além disso, estimulam a adoção de um comportamento pró-ativo em relação às questões ambientais no setor como, por exemplo, a implantação de um sistema de gestão ambiental.

A reavaliação dos processos produtivos sob o foco dos seus aspectos ambientais certamente auxiliará as empresas gráficas na busca de uma maior participação nos mercados nacional e internacional, tornando-as aptas a competir e ampliando o volume de produtos gráficos elaborados dentro dos princípios do desenvolvimento sustentável.

A indústria gráfica brasileira caracteriza-se por um alto nível tecnológico. Muitas empresas obtiveram importantes avanços em termos de inovação, o que contribuiu para a melhoria de sua produtividade e da qualidade de seus produtos, com efeitos positivos sobre os seus aspectos ambientais. No entanto, há ainda um grande número de estabelecimentos com processos e equipamentos antigos, que necessitam de adequação.

Além disso, muitas empresas atualmente terceirizam a realização de certas etapas do processo, como a obtenção da imagem e a preparação das fôrmas de impressão, junto a empresas especializadas, sem saber se estes terceiros trabalham de forma ambientalmente adequada.

Após a leitura deste guia, espera-se que os interessados possam utilizar os conceitos, metodologias e ideias aqui sugeridos para realizar uma avaliação de seu processo produtivo, podendo, dessa forma, atuar sobre seus aspectos ambientais específicos, minimizando os impactos.

As declarações contidas neste documento constituem um guia de boas práticas.

Não se pretende que ele deva ser interpretado como criador de obrigações. Empresas e órgãos públicos podem decidir seguir as diretrizes contidas neste documento ou agir de forma diferente, de acordo com as circunstâncias específicas e a legislação aplicável.

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