Reciclagem artesanal de Papel

Reciclagem artesanal de Papel

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Fernando Henrique Cardoso MINISTRO DO TRABALHO E EMPREGO

Paulo Jobim Filho

Humberto Carlos Parro DIRETOR EXECUTIVO

José Gaspar Ferraz de Campos DIRETOR TÉCNICO

João Bosco Nunes Romeiro DIRETOR DE ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS

Antonio Sérgio Torquato ASSESSORIA ESPECIAL DE PROJETOS

Sonia Maria José Bombardi

MARIA GRICIA L. GROSSI FUNDACENTRO – São Paulo/SP

JOSÉ PEDRO SERRA VALENTE UNESP/Botucatu

5 ORIGEM DO PAPEL

Na China, no século I, Tsai-Lun observava as vespas fazerem seus ninhos e notou que elas destacavam lascas de rebentos de bambu e, após mastigarem, transformavam esse material em pasta. Com esta observação que fez, Tsai-Lun teve a idéia de fazer papel.

As primeiras experiências foram com uma massa obtida pela maceração de uma mistura de casca de amoreira, bambu e pedaços de seda. Posteriormente foram utilizados palhas de arroz e trapos velhos de cânhamo, estopa, linho, cordas, etc., para o fabrico do papel.

séculos pelos chineses, e somente no século VIII começou a ser difundido nos países árabes, e no século XII na Europa, por intermédio da Espanha.

Em 1840, na Alemanha, pela primeira vez o papel foi feito com a massa obtida com a celulose (fibra de madeira), e hoje esta é a principal matéria-prima do papel.

O papel é feito com fibras de celulose, que podem ser classificadas em virgens ou secundárias.

8 Fibras virgens são as usadas pela primeira vez para fabricar papel, e as principais fontes de fibra de celulose são:

• madeira • bagaço de cana-de-açúcar

• aparas de papel

• bambu

• palha de arroz

• sisal, etc.

No Brasil, 80% (alguns citam 95%) das fibras de celulose utilizadas para a fabricação de papel são derivadas da madeira, especialmente do eucalipto e do pinus.

quantidades de energia, água e produtos químicos.

Fibras secundárias são as que já foram utilizadas na fabricação de papel.

• As fibras secundárias possuem qualidade inferior, e por isso devem ser misturadas com fibras virgens para a fabricação de papel novo. Quanto maior a porcentagem de fibras virgens, melhor a qualidade do papel obtido. ,

• O papel limpo, como, por exemplo, o pa- pel branco (sulfite, formulário de compu-

um papel reciclado de melhor qualidade. O papel que possui menos fibras longas, como o jornal, produz um papel de qualidade inferior, tendo menor valor. O papel sujo não tem valor e não pode ser usado para a reciclagem.

1 LIXO

O papel (incluindo o papelão) é o segundo resíduo mais encontrado no lixo domiciliar (cerca de 20%), depois da matéria orgânica putrescível (cerca de 50%).

A reciclagem de papel: • Diminui o lixo destinado aos aterros.

• Diminui o número de árvores a serem cortadas.

• A indústria de papel reciclado requer 75% menos de energia, 50% menos de água, em relação ao papel obtido com fibras virgens.

12 • Diminui a poluição do ar (65%) e da água

(35%).

Aparas para reciclagem

O papel utilizado para a reciclagem é denominado apara. Este termo originalmente se destinava às sobras do papel cortado nas gráficas. Hoje, o termo é utilizado para designar todo papel, usado ou não, que pode ser aproveitado como matéria-prima na reciclagem. As aparas fornecem fibras de celulose secundárias, que são assim classificadas:

14 • Aparas de papel branco: são utilizadas para a fabricação de novas folhas de papel branco (maior valor).

• Aparas de papel jornal: são utilizadas para a fabricação de novas folhas para jornal.

• Aparas de papel misto: são utilizadas para a fabricação de papelão, papel jornal, papel higiênico, papel de embrulho (menor valor).

16 O papel para a reciclagem deve ser limpo e não pode estar impregnado de pigmentos, colas ou com substâncias impermeáveis, como parafinas, filmes metálicos ou plásticos, etc.

A utilidade principal do papel jornal é a fabricação de papelão e cartolina, que se transformam em produtos como caixas de cereais e de sapatos, canudos de papelão, etc. Uma vez que a tinta não é removida das fibras. Esses produtos tendem a ser acinzentados.

A reciclagem pode ser realizada por processo industrial ou artesanalmente, como mostrado nos esquemas a seguir.

caro, é extremamente prejudicial ao ambiente e à saúde dos seres vivos. Desta forma, não é recomendado o uso de papel branco, que na maioria das vezes só tem importância estética.

• O amido é utilizado para aglutinar as fibras do papel.

2 RECICLAGEM

As fibras aglutinadas pelo amido podem ser separadas dissolvendo-se o amido em água e agitando-as em um liquidificador.

Procedimento básico:

• O papel é picado e colocado de molho por no mínimo 24 horas.

• Em seguida , para cada medida de papel amolecido, colo car 2 ou 3 medidas de água no copo do liquidificador. A gramatura do papel depende da diluição da massa.

minutos até completa dissolução do papel (será formada uma pasta homogênea).

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