Cinqüenta anos demedicamentosantipsicóticos empsiquiatria

Cinqüenta anos demedicamentosantipsicóticos empsiquiatria

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Ainda na década de 60, nos países escandinavos, a perfenazina foi introduzida na forma dépôt (enantato) para o tratamento de longo prazo na Esquizofrenia (108) e goza ainda de prestígio na Europa, embora nunca tenha sido licenciada no Brasil. Mais recentemente, a preparação decanoato confirmou ser mais eficaz e melhor tolerada, propiciando níveis plasmáticos

(154, 165)Estudo multicêntrico duplo-cego

mais estáveis (TRILAFON DECANOATE ) comprovou equivalência com o decanoato de haloperidol, tanto em tolerabilidade quanto em eficácia (65).

Até passado recente limitou-se a ser comercializada, no país, pela Schering, em associação com a amitriptilina para tratamento de depressões ansiosas e/ou com sintomas psicóticos:

os antigos MUTABON A e MUTABON D . Esta associação que data dos anos 60 com o nome comercial de ETRAFON em países da Europa (274), sempre gozou de muito sucesso entre os clínicos e ainda hoje está disponível nos Estados

4/25 e 4/50

Unidos (TRIAVIL -Merck) em cinco apresentações: comprimidos com 2/10 (2mg de perfenazina/10mg de amitriptilina), 2/25, 4/10,

significativa (290)

Embora continue confirmando superioridade sobre as duas drogas usadas isoladamente na Depressão com Sintomas Psicóticos (279), recentemente se demonstrou que a associação da perfenazina com a fluoxetina poderia ser tão eficaz como com a amitriptilina com a vantagem adicional de ser melhor tolerada (245) mas por outro lado, a potencialização da amitriptilina, observada com a perfenazina, por elevação das concentrações de nortriptilina (principal metabólito ativo) não se verifica, por exemplo, com o zuclopentixol, embora também metabolizado, ao menos em parte, pela CYP 2D6 (178), conferindo assim, algum respaldo às observações naturalísticas dos antigos clínicos. É importante frisar que outras associações de antipsicóticos com antidepressivos também já demonstraram eficácia na Depressão com Sintomas Psicóticos (315), mas a associação com a paroxetina (potente inibidor da CYP 2D6) costuma aumentar de 2 a 13 vezes as concentrações de perfenazina (225). No caso de recorrer-se a um outro inibidor seletivo da recaptação de serotonina, é preferível associar-se o citalopram, com o qual não revelou interação

granisetrona e ondansetrona (85)

Celebrizou-se também em preparados antieméticos, mas as doses necessárias costumam ser mal toleradas por seus efeitos extrapiramidais, mais intensos do que os de outros bloqueadores dopaminérgicos como a metoclopramida ou mesmo as fenotiazinas alifáticas. De qualquer modo, vem sendo gradualmente substituída nesta indicação por antieméticos novos como

Também é empregada em neurologia, como outros neurolépticos, no tratamento das Coréias de Sydenham e de Huntington e pela ação analgésica, na Neuralgia Pós-Herpética crônica. Também demonstra utilidade no alívio de algias cicatriciais severas do pós-operatório (54, 309). Mostrou ser eficaz e bem tolerada em psicótico portador de Porfiria Intermitente Aguda (282), uma condição freqüentemente desencadeada ou agravada por barbitúricos e outros medicamentos psicoativos (diazepam, imipramina), fato que costuma problematizar o tratamento das complicações psiquiátricas amiúde observadas.

Insipidus transitório (23)A Discinesia Tardia,
Sweet (287)Também foi responsabilizada por

Eleva a prolactina como todos os antipsicóticos típicos. Tem potencial fototóxico elevado (180) e já esteve implicada em Diabetes um risco grande em pacientes de mais idade e/ou com doses superiores a 8mg, poderia ter sua instalação evitada ou sua gravidade reduzida pelo monitoramento de sinais precoces ainda nos primeiros dias de tratamento, com o emprêgo de instrumentos clínicos padronizados, como a Escala de Simpson ("Simpson Extrapyramidal Side Effect Scale") conforme demonstrado por Síndrome Neuroléptica Maligna tanto na forma clássica, exigindo hemodiálise (218) como atípica, sem febre (174). A associação perfenazina/ amitriptilina também já esteve implicada em caso de hipertermia com rabdomiólise e insuficiência renal com seqüelas cerebelares (provavelmente caso de Síndrome Neuroléptica Maligna) (168).

Com relação a outros efeitos adversos, já foi registrado o desencadeamento de comportamento cleptomaníaco (90), priapismo (45, 292) e soluços ("hiccups"), um sintoma que, quando grave e persistente costuma ser tratado preferencialmente por neurolépticos (207). Do mesmo modo que outras fenotiazinas, também já foi relacionada a casos de Lupus Erythematosus de origem medicamentosa (9, 280) e, ainda bem recentemente, à temível Anemia Aplástica (pancitopenia e depressão da medula óssea na ausência de células sanguíneas anormais) (224).

Não disponível comercialmente no Brasil

No Exterior: DECENTAN , EMESINAL , ETAPERAZIN , ETRAFON ( Canada), FENTAZIN ( Reino

Unido), MUTANXION (França) - comp c/ 4mg em associação com 10mg de cloridrato de amitriptilina. MUTASPLINE (França) - comp c/ 2mg em associação com 25mg de clor. de amitriptilina. PERATSIN , THILATAZIN ,

TRANQUISAN , TRIFARON , TRILAFON (Canada)(USA)(Schering) - comp 4mg.

TRILIFAN (França) - comp 4 e 16mg.

TRILIFAN RETARD (França) - sol inj de 100mg/ml, para uso IM, de 0,5 a 3ml de 2 em 2 ou de 4 em 4 semanas. TRIPHENOT , TRIPTAFEN .

Cloro-3 (N-metilpiperazinIl-3 propil)-10 fenotiazina [França] ou: 2-Cloro-10-(3-(1-metil-4-piperazinil)propil)- fenotiazina ou:

FM: C20-H24-Cl-N3-S D: 25 a 250mg (Rhodia, 53); 15 a 100mg (262);

(82)

Introduzida em 1956, logo celebrizou-se como medicamento antiemético. Embora possua atividade antipsicótica, atualmente, só esporadicamente é empregada nesta indicação

paciente com náuseas e/ou vômitos (24, 312)

Em dose única tem uma meia-vida de 8h, aproximadamente, após lenta absorção gastrintestinal e intenso metabolismo de primeira passagem, alcançando baixa biodisponibilidade. Seu emprego repetido pode elevar a meia-vida para algo em torno de 18h e fazendo surgir ação anti-histamínica, provavelmente por formação de metabólito(s) ativo(s) já que em dose única, não se observa esta propriedade (132). Existem preparados para uso oral, mais rapidamente absorvidos pela circulação sistêmica e melhor tolerados, com menores riscos de regurgitação no

Já foi demonstrado que a farmacocinética pode variar bastante, pelo menos nos pacientes pediátricos em quimioterapia para câncer (214).

Ainda empregada no Reino Unido como antiemético, em particular na radioterapia e quimioterapia do câncer e na prevenção de vômitos do pós-operatório, além de antivertiginoso na Síndrome de Menière. Como outras fenotiazinas tende a ser superada nesta indicação por novas substâncias, entre os quais os compostos do grupo da ondansetrona já mencionados, com ação mais específica e menor ação sedativa central (19, 39, 68, 160, 235, 308), embora não haja ainda total unanimidade nesta superioridade (46) e os custos destes novos medicamentos sejam proibitivos para alguns pacientes. Nos vômitos da quimioterapia do câncer, chega-se a sugerir no manejo desta extrema e consternante situação, especialmente em crianças, associações com múltiplas drogas, como, por exemplo, escopolamina, em forma de "patch" cutâneo, proclorperazina, por via oral, e, simultaneamente, lorazepam, ondansetrona e dexametasona por via endovenosa (114). Tem-se recorrido com êxito, diga-se de passagem, até mesmo ao tetra-hidrocanabinol (dronabinol) principal alcalóide da Cannabis (maconha, marijuana), isoladamente (103), ou em associação com a proclorperazina (233). O

MARINOL foi recentemente licenciado no Canadá para pacientes aidéticos nesta indicação.

Parece possuir efeitos cardiovasculares
opacificação do cristalino (142)

Por outro lado, a proclorperazina por via endovenosa, sob a forma do sal edisilato, mostrou ser uma opção segura e eficaz no tratamento emergencial de enxaquecas agudas graves (141, 239, 261), e com maior segurança e menores doses em associação com diidroergotamina (248). mínimos (apenas taquicardia postural), mas deve ser lembrado que compartilha com outras fenotiazinas a capacidade em ocasionar

Mesmo em doses únicas, a acatisia é freqüente (69, 284) e reações distônicas foram observadas (20) no uso repetido ou prolongado, ainda que apenas como antiemético, havendo registro de casos de Discinesia Tardia (03). Há, também, na literatura, um registro de Discinesia diafragmática (“flutter”) com comprometimento da dinâmica respiratória (37). Uma associação com a metoclopramida, como terapia antiemética em paciente com idade avançada e disfunção cerebral prévia, provocou uma síndrome extrapiramidal severa permanente (parkinsonismo acrescido de Distonia Tardia), implicando talvez mais tarde, sua morte (7). Casos como esse, vêm reforçar a recomendação de cautela no emprego da associação de bloqueadores dopaminérgicos, especialmente quando se tratar de pacientes

idosos e/ou com suspeita de lesão cerebral

49 registro de Síndrome Neuroléptica Maligna atribuída à associação de proclorperazina com droperidol (18), mas também com a fenotiazina empregada isoladamente (192, 229), até mesmo em paciente submetido a cirurgia para transplante de medula óssea (8). Como outras fenotiazinas, também já foi implicada em colestase crônica (182) e demonstra potencial fototóxico (220).

Não disponível comercialmente no Brasil.

Antigo TEMENTIL (Rhodia) - dimaleato, comp 25mg, frs c/ 20 e 250 comps.

No Exterior:

COMPAZINE (USA)(Smith-Kline Beecham) - comp 5, 10 e 25mg; COMPAZINE

EXPANSULE (USA)(Smith-Kline Beecham) - cáps 10 e 15mg; EMELENT , KRONOCIN , METERAZIN , NIPODAL , NOVAMIN , TEMENTIL (França) - mesilato de, 40mg/ml sol oral, 1mg/gt, 40gts/ml. ; STEMETIL .

FM: C22-H29-N3-S2 D: 50 a 300mg.

neuroléptico por Niemegeers (219)Possui fraca
(35)

Classicamente um antiemético fenotiazínico (246) mas que foi ensaiado como antipsicótico de potência intermediária na antiga Checoslováquia (302) (3 vezes mais potência que a clorpromazina). Também é citado como ação antiadrenérgica como o pimozida em contraposição à tioridazina e propericiazina (158). Mencionado como antipsicótico também por Schaller-Clostre & Dunant (253), não faltando na literatura, relatos de reações extrapiramidais distônicas agudas (62, 87), hemidistonia crônica seguindo-se a reação distônica aguda (138), acatisia (02, 76), Discinesia Tardia (73, 149, 285), e até mesmo Síndrome Neuroléptica Maligna

Há também diversas referências na literatura a seu uso como antivertiginoso, apesar do anuário de avaliação de medicamentos da Associação Médica Americana (AMA Drug Evaluations Annual, edição de 1994, pág. 457) negar sua utilidade na prevenção das vertigens ou náuseas ligadas ao movimento (transporte rodoviário, embarcações) embora classificando-a como antagonista dopaminérgico com utilidade como antiemético na anestesia ou quimioterapia do câncer .

Foi recentemente implicada em caso de Lupus medicamentoso (294).

Não disponível comercialmente no Brasil

No Exterior: TORECAN (Sandoz)(Europa)(Israel)(Paquistão), TORESTEN (Japão).

4-[3-(2-clorofenotian-10-il)-propil]-1- piperazinetil ou: 1-Piperazinoetanol, 4-(3-(2-clorofenotiazin-10- il)propil)-, acetato (éster) ou: 1-Piperazinoetanol, 4-(3-(2-cloro-10H-fenotiazin- 10-il)propil)-, acetato (éster) ou:

N-(beta-Acetoxietil)-N'-(gama-(2'-cloro-10'- fenotiazinil)pro- pil) piperazina ou: 1-(2-Acetoxietil)-4-(3-(2-cloro-10- fenotiazinil)propil) pipera- zina ou: 10-(3-(1-(2-Acetoxietil)-4-piperazinil)propil)-2- clorofenotia- zina ou: 2-Cloro-10-(3-(1-(2-acetoxietil)-4- piperazinil)propil)fenotia- zina ou: 4-(3-(2-Clorofenotiazin-10-il)propil)-1- piperazinoetanol acetato ou: 1-Piperazinoetanol, 4-(3-(2-clorofenotiazin-10- il)propil)-, acetato (éster) ou: 1-Piperazinoetanol, 4-(3-(2-cloro-10H-fenotiazin- 10-il)propil)-, acetato (éster) ou: (SC 7105)(HSDB 3401). (CAS RN 84-06-0)

FM: C23-H28-Cl-N3-O2-S D: 15 a 30mg (262).

Teve iniciada sua experimentação como antipsicótico na Europa, no fim da década de 60 (303).

na acatisia (06, 34, 59, 144, 161, 199, 270, 275)
Não disponível comercialmente no Brasil

Desde então, porém, a maioria dos ensaios relatados na literatura tratam de seu emprego apenas na Discinesia Tardia (como diversos outros antipsicóticos o foram antes de descobrir-se que a melhora observada era passageira e seguida de piora do quadro a médio e longo prazo). Pelas mesmas razões, também foi proposto nasCoréias, córeo-atetose e até mesmo No Exterior: DARTALAN , DARTAL .

10-[3-(4-metil-1-piperazinil)-propil]-fenotiazina- 2-dimetilamida sulfonato ou: 10H-Fenotiazina-2-sulfonamida, N,N-dimetil-10- (3-(4-metil-1-piperazinil)propil)-ou:

Fenotiazina-2-sulfonamida, N,N-dimetil-10-(3-(4- metil-1-piperazinil)propil)- ou: 2-dimetilsulfamida-(10-(3-1-metilpiperazinil-- 4)propil)-fenotiazina ou: (RP 7843)(SKF 5883) (CAS RN 316-81-4)

Antipsicótico de alta potência. Segundo

ambiente hospitalar

Benkert & Hippius (16), o mais potente do grupo das fenotiazinas, com freqüentes e intensos efeitos extrapiramidais, que deveria ter uso limitado ao

Foi-lhe atribuída ação desinibidora e/ou timoanaléptica, do mesmo modo que à carpipramina e à sulpirida (204, 230).

Esquizofrenia Catatônica (228)

Comercializado no passado no Brasil, após ser aqui inicialmente experimentado ainda na década de 60 (227), inclusive em casos de

Mesmo após a reabilitação da clozapina, foi sugerida em associação com haloperidol para a Esquizofrenia Refratária (300).

Encefalítica em altas doses (162)Há registro na
ulcerativa (167)

Foi também empregada no controle dos vômitos pós-operatórios (177), na Coréia (3, 140) e até sintomas obsessivos da Síndrome Pósliteratura de melhoras dramáticas na reto-colite

Não mais disponível comercialmente no Brasil.

Antigo MAJEPTIL (Rhodia) - sol oral 4% (1 gota = 1mg), fr 10ml.

No Exterior: MAJEPTIL (França) - dimesilato, comp 100mg; sol oral 40mg/ml, frs conta-gotas

10ml e 125ml. CEPHALMIN , MAJEPTYL , MAZEPTYL , MEGEPTIL , SULFENAZIN , VONTIL .

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