Cultura com amor e tempero

Cultura com amor e tempero

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Cultura comCultura com tempero e sabortempero e sabor

Cultura

com tempero e sabor

Apresentação

A diversidade cultural chega a nossa mesa de muitas formas: de navio, trem, ônibus, avião ou até mesmo a pé. São variados sabores e temperos recheados de história, informações, ditos populares, que também servem de aconchego e acalanto para todo coração carregado de saudade.

Esses temperos e sabores se uniram a outros e formaram a gastronomia brasileira. Alguns pratos já se tornaram tão nacionais que já não se conhecem suas origens. Neste livro, convidamos vocês para uma deliciosa viagem no tempo, com uma grande variedade de sabores.

Aproveitamos a oportunidade para agradecer a todos os professores que enviaram suas histórias e causos, contribuindo para a realização deste trabalho.

Diretoria Gestão 2006/2009

Este livro é uma publicação do Sindicato dos Professores do

Estado de Minas Gerais – Sinpro Minas Filiado à Fitee, Contee e CTB.

Os textos assinados são de total responsabilidade de seus autores.

Ilustrações Eunice Carattiero da Paixão

Programação Visual Mark Florest

Organização Denilson Cajazeiro

Revisão Aerton Silva

Departamento de Professores Aposentados do Sinpro Minas

Heleno Célio Soares Maria da Glória Moyle

Miriam Fátima dos Santos (Coordenadora) Nardeli da Conceição Silva (Coordenadora)

Impressão Gráfica do Sinpro Minas

Dezembro de 2008

Antiguidade

Quando eu era menina bem pequena, em nossa casa, certos dias da semana, se fazia um bolo, assado na panela com um texto de borralho em cima

Eu era menina em crescimento. gulosa, abria os olhos para aquele bolo que me parecia tão bom e tão gostoso

Trechos de poema de Cora Coralina

A tão famosa PAELLA1
Almoço da consoada14
Arroz de cuchá15
Assalamu’alaikum16
Banda com bambá de couve21
Bolo do vovô24
Brasil em sabores26
Canjiquinha com queijo30
Como transformar um bode em cordeiro31
Cookies da mamys3
Couscous Marroquino35
Defunto saboroso37
Doce no céu de nossas bocas41
Férias regadas a Bolinhos de Chuva45
Geléia de jabuticaba48
Heranças de família50
História52
História da Cocada de Maracujá5
História do bolo Souza Leão56
História do Forrobodó Chique58
Influência da culinária africana na comida mineira60

Índice 9

Maçã do Amor65
Naquela noite, para o jantar, não houve beringelas67
Pequi, fruto do cerrado72
Petisco da nona73
Ricas recordações da Infância7
Rio do Prado81
Teranga83
Tia Folô – A mestra quituteira84
Torta de Maçã86
Vinho é a bebida dos deuses91
Xixibara94

Lembranças que alimentam a alma..........................................62 10

A tão famosa PAELLA Nardeli da Conceição Silva

Existe um velho ditado popular que diz: “Amigos, nós escolhemos.

A família, nascemos nela”. Mesmo tendo essa autonomia, às vezes não acertamos na escolha. Mas eu posso garantir que sou privilegiada com os amigos que tenho.

Hoje em especial estou escrevendo para falar de uma amiga;

Maria Dolores Babet Sarobé, ou simplesmente Dolores. Ela era educadora e nos conhecemos neste universo da educação, para ser mais exata, em uma escola no bairro São Benedito, em Santa Luzia, na escola municipal Gervásio Lara, onde inicialmente exerceu a função de orientadora educacional e depois de diretora. Era uma mulher frágil fisicamente, mas sua força interior superava sua fragilidade, sua luta pela justiça social fazia dela uma grande guerreira.

Dizia sempre: “temos que quebrar o individualismo, humanizar esta escola, precisamos trabalhar em parceria, diretor, professores, alunos e comunidade (isso no final de 70), na construção de um conhecimento que articule saberes, experiências, cidadania e direitos”.

Nessa caminhada, além de aprender muito com ela, nasceu uma grande amizade, aquela amizade de alguém que está sempre disponível, seja para ouvir, seja para trocar idéias ou até mesmo para falar de coisas que parecem sem importância. Infelizmente a morte a levou, ela lutou enquanto pode contra uma doença violenta. Mas à noite, enquanto dormia, a morte aproveitou de sua fragilidade e a levou.

Para aquela comunidade escolar, tia Dolores, como era chamada, deixou sua marca de força e de coragem. Para mim, ela deixou a saudade e também um vazio na parte do coração que é reservado aos grandes amigos.

Hoje me lembrei dela, sabe com quê? Com a história da Paella (pronuncia-se 'paeja'). Ela sempre dizia “este prato é recheado de lembranças da minha vó, da minha terra e da minha infância”.

Assim ela descrevia a história da Paella. Surgiu na região de

Valência, Espanha. Os camponeses iam trabalhar levando apenas arroz, óleo de oliva e sal. Depois juntavam ingredientes típicos do campo, vagem e ervilhas. Com o tempo foi se acrescentando mais ingredientes, principalmente os frutos do mar, fazendo surgir uma diversidade de receitas. A Paella Valenciana passou a ser um prato misto com carnes e frutos do mar.

Ingredientes - 7 colheres de sopa de azeite

- 2 cebolas picadas

- 2 dentes de alho amassados

- 1 pimentão em tiras

- 250 g de polpa de tomate

- 6 tabletes de caldo de galinha - dissolvidos em 3 (três) litros de água fervente - 8 pedaços de frango picados

- 200 gr de lombo de porco em fatias finas

- 6 gomos de lingüiça grossa

- 12 camarões grandes - tipo camarão rosa

- 400 gr de mexilhões

- 500 gr de arroz

- 1 lata de ervilha

- 1 colher de chá de açafrão

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