Formação de Solos

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Numa análise química de solo determina-se: pH ( em água, KCl e CaCl2 ), Matéria orgânica ( % ), hidrogênio (H), alumínio (Al), fósforo (P), cálcio (Ca), magnésio (Mg), potássio (K), soma de bases (S), capacidade de troca catiônica (CTC), saturação por bases (V%) e saturação por alumínio (m).

5.1.1. pH: mede a acidez do solo, isto e, quanto menor o valor +( abaixo de 7 ), mais

ácido é o solo; valor igual a 7 indica neutralidade e valores superiores a 7 indicam caráter alcalino.

5.1.2. Matéria orgânica : indica a porcentagem de matéria orgânica coloidal que ocorre no

solo. Valores muito altos ( acima de 30% ) indicam solo orgânico.

5.1.3. Hidrogênio: determina a acidez do solo, de modo que quanto maior o teor de

Hidrogênio, menor o pH, e portanto maior a acidez.

5.1.4. Alumínio: solúvel em meio ácido, ocorre quando o solo está com acidez

elevada, e é tóxico para as plantas.

5.1.5. Cálcio, Magnésio, Potássio e Fósforo: macronutrientes das plantas,

determinados em meq/100g ( Ca, Mg, K ) e em ppm ( P ).

5.1.6. Soma de bases ( S ): representa a soma das bases presentes, isto é, a soma dos teores

de cálcio, magnésio e potássio.

5.1.7. Capacidade de troca catiônica ( CTC ): significa a capacidade que o solo possui

de armazenar nutrientes, é expresso em meq/100g, e corresponde à somatória dos cátions presentes, isto é, a soma de bases mais hidrogênio e alumínio ( S + H + Al ).

5.1.8. Saturação por bases ( V% ): significa a relação entre as bases presentes com a CTC,

Formação do Solo é expressa em porcentagem e determinada pela fórmula: S x 100 / CTC.

5.1.9. Saturação por alumínio ( m% ): significa a relação entre o teor de alumínio em

relação à somatória de soma de bases e alumínio, é expressa em porcentagem e determinada pela fórmula: Al x 100 / S + Al.

6. PERFIL DO SOLO

A medida que o material de origem se transforma em solo, ele vai se diferenciando em camadas, mais ou menos paralelas as superfícies, camadas essas que denominamos Horizontes. O conjunto de horizontes, situados em uma seção vertical que vai da superfície até o material originário, é o perfil do solo.

Os horizontes de um perfil de solo são formados por processos de adição, perdas, transformações translocações devido ao fato de estes processos ocorrerem com intensidade diferentes através do regolito. Entende-se por regolito todo material inconsolidado ou começando a se decompor, que esta sobre uma rocha.

Os perfis mostram as características do solo numa direção, ou seja, em profundidade. Se a estas características acrescentamos as que ocorrem nas duas dimensões laterais da área teremos o corpo do solo.

Os horizontes de um perfil, para conveniência de descrição e de estudo, recebem denominações com símbolos convencionais que tem significado genético. Os principais símbolos usados são: H, O, A ,B, C, e R (Figura 1). Os horizontes recebem o símbolo O são os que possuem feições mais afastadas do material originário e o horizonte C é o que apresenta aspectos mais próximos da rocha que, por sua vez, recebe a denominação R.

Horizontes

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Solum B

Figura 1: Horizontes morfológicos de um perfil de solo

Pode-se classificar os horizontes do solo de acordo com dois pontos de vista: Horizontes morfológicos e Horizontes diagnósticos.

4.1. Horizontes morfológicos

Os horizontes morfológicos são aqueles que podem ser determinados no campo 12

Formação do Solo através sua forma e suas características observadas a olho nu. Esses horizontes são denominados por letras, conforme suas características.

O - horizonte superficial, com acúmulo de matéria orgânica total ou parcialmente

decomposta, ocorrendo em solos de mata ou em solos orgânicos, principalmente em baixadas. H – horizonte superficial ou não, de constituição orgânica pouco ou não decomposta, típica de locais com estagnação de água. A - horizonte superficial, constituído de material mineral escurecido por matéria orgânica, podendo ser também o horizonte de perda de coloides minerais, apresentando, então, textura mais grosseira (mais arenoso). B - horizonte de subsuperfície, que ganha o material perdido pelo horizonte A, textura mais fina (mais argiloso) que o horizonte A, mais colorido e mais estruturado. C - horizonte de subsuperfície, parcialmente intemperizado, constitui transição do solo para a rocha (material de origem). R - rocha (material de origem).

A pode ser dividido em :

A1 - superficial, constituído de material mineral e escurecido por matéria orgânica; E - subsuperficial, apresenta máxima perda de colóides minerais;

AB- transição entre horizontes A e B, com mais características do A. O horizonte B pode ser dividido em: BA- transição entre os horizontes A e B, com mais características do B;

B2 - apresenta ganho de material perdido pelo horizonte A, e máxima expressão de cor e estrutura;

BC - transição entre os horizontes B e C, com mais características do B.

Subdivisões desses horizontes, como: A11 , A12 , A21 , A22 , B21 , B22 , B23 , C1 , C2 , C3, etc., indicam seqüência em profundidade.

Os horizontes morfológicos são utilizados para descrição do solo no campo, fornecendo elementos muito valiosos para a classificação desse solo.

Formação do Solo 4.2. Características morfológicas do perfil

As principais características morfológicas do perfil serão descritas a seguir na seqüência que se descreve na análise morfológica.

4.2.1. Profundidade e espessura entre horizontes Refere-se a espessura com que os horizontes estão expressos no perfil.

4.2.2. Cor

A cor do solo é definida pela presença de diferentes componentes do solo. Assim é que a cor vermelha ou amarela é devida à presença de óxidos de ferro e a cor cinza ou preta é devida à presença de matéria orgânica. A cor é uma característica tão importante que é utilizada na própria nomenclatura dos solos.

Pela cor pode-se avaliar no solo: conteúdo de Matéria Orgânica; conteúdo de compostos de Ferro; conteúdo de Sílica; drenagem, etc.

A cor do solo é determinada pela carta de Munsell, composta por matiz, valor e croma, como por exemplo 5YR 5/6, onde: Matiz: é a relação com o vermelho e o amarelo. Todas as quadrículas de uma carta de solo possuem a mesma matiz- 5YR

Valor: indica a tonalidade da cor (mais clara ou mais escura) sendo que quanto mais alto o valor, mais clara a cor do solo - 5/ Croma: indica a intensidade da cor sendo que o croma aumenta da esquerda para a direita - /6

4.2.3. Textura

Refere-se às dimensões e características das partícula primárias do solo. Essas partículas são agrupadas em função do tamanho, porém apresentam características comuns. Pode ser avaliada através do tato, pela sensação ao esfregar um pouco de solo úmido entre os dedos. A areia provoca sensação de aspereza, o silte de sedosidade e a argila de pegajosidade.

Raramente um solo é constituído de uma só fração granulométrica, daí a necessidade de classes de textura procurando definir diferentes combinações de areia, silte e argila. A

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Figura 2 mostra o triângulo das classes texturais, adaptado do americano proposto pelo Soil Survey Manual (1993).

Figura 2. Diagrama textural.

4.2.4. Estrutura

Estrutura do solo vem a ser o arranjamento das partículas unitárias, unindo-se através forças de adesão e coesão, constituindo as partículas secundárias do solo, denominadas unidades estruturais, promovendo o aparecimento de espaços porosos (poros), principalmente microporos. Quanto mais estruturado um solo, maior o volume total de poros que ele possui, e portanto maior a capacidade de armazenamento de água. A estruturação do solo é promovida pelos minerais de argila, pelos óxidos de ferro e alumínio e pela matéria orgânica coloidal (húmus).

Agregados são a junção de partículas primárias do solo com forças variadas de coesão, quebrando-se em fragmentos sem conformação específica.

Unidades estruturais são agregados que apresentam formas e tamanhos definidos, comportando-se como partes individualizadas que podem ser classificadas quanto ao tipo, grau de desenvolvimento e classe de tamanho da estrutura.

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1. Tipos de estrutura - laminar;

- prismática ou colunar;

- blocos angulares e subangulares;

- granular ou esferoidal.

2. Grau de desenvolvimento da estrutura - sem estrutura;

- fraca;

- moderada;

- forte;

- maciça.

3. Classes de tamanho da estrutura - muito pequena;

- pequena;

- média;

- grande;

- muito grande. Exemplo de descrição de estrutura: forte muito pequena granular.

4.2.5. Cerosidade

É o aspecto um tanto brilhante e ceroso que ocorre por vezes na superfície das unidades de estrutura, manifestada freqüentemente por um brilho colorido.

É decorrente da película coloidal iluviada, constituída por minerais de argila e óxido de ferro.

Quanto ao grau de desenvolvimento, pode-se classificar a cerosidade em fraca, moderada e forte. Quanto à quantidade pode ser: pouco, comum ou abundante.

4.2.6. Consistência

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Diz respeito ao comportamento de solo a diferentes teores de umidade. Assim considera-se o comportamento do solo quando seco, úmido ou molhado. Quando seco, o solo apresenta a propriedade da dureza; quando úmido, apresenta a da friabilidade; e quando molhado as de plasticidade e da pegajosidade. Estas propriedades são muito importantes quando se considera o trabalho mecânico do solo, visto que ao se arar ou se gradear um solo duro (seco) ou plástico e pegajoso (molhado) teremos sérios prejuízos quando comparado ao trabalho efetuado quando o solo esta friável (úmido).

4.2.7. Transição entre horizontes

A transição entre horizontes, que se refere à nitidez ou contraste de separação entre os mesmos é classificada quanto ao grau de distinção em: - abrupta – quando a faixa de separação é menor do que 2,5cm;

- clara – quando a faixa varia entre 2,5 e 7,5cm;

- gradual – quando a faixa varia entre 7,5cm e 12,5cm;

- difusa – quando a faixa for maior do que 12,5cm. Quanto à linha de separação, pode-se classificar: - horizontal ou plana;

- ondulada ou sinuosa;

- descontínua ou quebrada;

- irregular.

4.2.8. Símbolos aplicados aos horizontes a - propriedade ândica b - horizonte enterrado c - concreções d - material orgânico decomposto e - crosta nos agregados por MO f - plintita g - glei h – acúmulo iluvial de MO i – incipiente

Formação do Solo j – tiomorfismo k – carbonatos m – extremamente cimentado n – acúmulo de Na trocável o – material orgânico pouco decomposto p – aração e outras pedoturbações q – acúmulo de sílica r – rocha branda s – acúmulo iluvial de Fe+MO t – acúmulo de argila u – modificações e acumulações antropogênicas v – características vérticas w – intensa alteração + acúmulo de argila com ou sem Fe x – cimentação aparente reversível y – acúmulo de CaSO4 z – acúmulo de sais mais solúveis que CaSO4 ’ - segundo horizonte repetido na mesma seqüência ” - terceiro horizonte repetido na mesma seqüência.

4.3. Horizontes diagnósticos

Os horizontes diagnósticos são utilizados para classificação dos solos, possuindo valores determinados através análises químicas e físicas, de maneira a agrupar solos semelhantes em classes semelhantes. Citaremos os principais horizontes diagnósticos, segundo EMBRAPA (1988), utilizados no Sistema Brasileiro de Classificação de Solos.

4.3.1. Horizontes Diagnósticos Superficiais

1. Horizonte Hístico - horizonte orgânico;

- cor escura;

- presente em solos sob condições de excesso de água por longos períodos ou todo o ano, ainda que no presente tenham sido artificialmente drenados;

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- a) espessura ≥ 20cm e 12% ou mais de C-org para ≥ 60% de argila ou b) 8% de C-org para camada sem argila ou c) C-org de 8 a 12 % para teores de argila de 0-60%.

2. Horizonte A Chernozêmico - horizonte mineral;

- cor escura;

- V% ≥ 65%, com predomínio de Ca e Mg; - bastante estruturado;

- C-org ≥ 0,6%;

b) espessura ≥ 18cm para solos com espessura < 75cm ou
c) espessura ≥ 25cm para solos com espessura ≥ 75cm.

- a) espessura ≥ 10cm se o solo não tiver horizontes B e C ou

3. Horizonte A Proeminente - V% < 65%;

- demais características semelhantes ao A Chernozêmico.

4. Horizonte A Húmico - V% < 65%;

- cor escura com valor e croma 4,0;

- C-org < 8%;

- espessura de ≥ 20cm, dependendo da espessura do solo.

5. Horizonte A Antrópico - modificado pelo uso contínuo do homem;

- asemelha-se ao A Chernozêmico ou Húmico;

- teor de P2O5 ≥ 250 mg/kg de solo.

6. Horizonte A Fraco - estruturação com grau fraco de desenvolvimento;

- C-org < 0,6%;

Formação do Solo - Cor do solo seco ≥ 6 e ≥ 4, úmido.

-horizontes que não se enquadram em nenhum dos horizontes anteriores.

7. Horizonte A Moderado

4.3.2. Horizontes Diagnósticos Subsuperficiais

1. Horizonte B Textural

-argila iluvial;

- teor de argila ≥ 15%; - teor de argila de B > que A;

- presença de cerosidade;

- transição do A para o B é abrupta, clara ou gradual;

- espessura ≥ 7,5cm em solos rasos e ≥ 15cm para solos profundos;

- estruturação de média a forte; - estrutura em blocos ou prismática;

- pode apresentar horizonte E superior;

- pode apresentar mudança textural abrupta;

- apresenta razão textural B/A (teor de argila de B/teor de argila de A) de:

≥ 1,5 para solos com ≥ 40% de argila;

≥ 1,7 para solos com argila entre 15% e 40%;

≥ 1,8 para solos com argila < 15%.

2. Horizonte B Latossólico - estágio avançado de decomposição;

- presença de minerais primários pouco resistentes ao intemperismo <4%;

- minerais de argila do tipo 1:1; - textura franco arenosa ou mais fina;

- pouco silte;

- cerosidade pouca;

- CTC < 17 cmolc/kg de argila;

20 - Ki < 2,0;

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- estrutura granular desenvolvida

- transição difusa entre horizontes;

3. Horizonte B Incipiente - grau pouco avançado de alteração física e química;

- espessura ≥ 10cm; - textura franco-arenosa ou mais fina;

- CTC ≥ 17 cmolc/kg de argila; - Ki > 2,2;

- relação silte/argila ≥ 0,7; - espessura < 50cm;

- ≥ 5% de do volume do solo da rocha original;

- ≥ 4% de minerais intemperizáveis.

4. Horizonte B Espódico - acúmulo iluvial de matéria orgânica e alumínio e/ou Fe;

- pode apresentar horizonte E superior;

- estruturação fraca;

- cor clara;

- limite superior abrupto;

- se tiver consolidação e cimentação com Fe e MO – Ortstein; - não consolidado – Orterd.

5. Horizonte Plíntico - apresenta de plintita em 15% ou mais do horizonte;

- espessura da plintita ≥ 15cm;

- coloração variegada, com predominância de cores avermelhadas; - textura franco-arenosa ou mais fina;

- úmido e molhado apresentam consistência firme, pegajosa e plástica;

- argila 1:1;

- Ki de 1,2 a 2,2.

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PLINTITA: forma-se em terrenos com lençol freático alto, em região quente e úmida, relevo de plano a suave ondulada, em depressão, baixada e terços inferiores da encosta. Nas zonas molhadas do lençol acumula-se óxido de Fe lixiviados das partes mais altas onde estão sujeitas a processos de umidecimento e secagem.

6. Horizonte Litoplíntico - camada consolidada contínua;

- endurecida por Fe ou Fe-Al;

- C-org praticamente ausente;

- espessura ≥ 10cm; - adensamento que apresenta sério impedimento para penetração das raízes e da água.

7. Horizonte Glei

- presença de Fe reduzido; - qualquer classe textural;

- cor clara, mais clara a 10Y e cromas baixas;

- pode haver presença de mosqueados;

- < 15% de plintita;

- pode ser horizonte C, B, E ou A.

8. Horizonte E Álbico - onde ocorreram as perdas do perfil;

- espessura ≥ 1,0cm; - cores claras que não devido a calcáreo.

9. Fragipã - espessura ≥ 10cm;

- textura média, raramente arenosa ou argilosa; - C-org baixo;

- densidade do solo alta;

- consistência seca dura, muito dura ou extremamente dura;

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- consistência molhada é fraca e quebradiça;

- ocupa ≥ 50% do volume do horizonte;

- apresenta mosqueado esbranquiçado; - adensamento impedindo penetração de raízes e água.

10. Duripã

- espessura ≥ 10cm; - a cimentação promovida pela sílica em grau variável, geralmente forte;

- ocupa ≥ 50% do volume do horizonte;

- consistência úmida firme a extremamente firme; - consistência molhada suficientemente forte, não se desmanchando;

- adensamento impedindo a penetração de raízes e água.

1. Horizonte Cálcico - acumulação de ≥ 15% de carbonato de cálcio;

- espessura ≥ 15cm; - ocorre em cascalhos, como concreções ou em pó.

12. Horizonte Petrocálcico - com o acúmulo de carbonatos, o horizonte cálcico torna-se obturado e cimentado;

- horizonte contínuo, endurecido e maciço;

13. Horizonte Sulfúrico - espessura ≥ 15cm;

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