Apostila de Física Moderna (part1)

Apostila de Física Moderna (part1)

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Material Elaborado por Caio Guimarães

Física Moderna:

Análise da Aplicação da Teoria nos Exercícios do ITA

Capítulo 1: Como tudo Começou Catástrofe do Ultravioleta e Efeito Fotoelétrico

Nota do Autor

A idéia desse artigo é apresentar os conceitos (geralmente incomuns nos cursos de ensino médio) do inicio da teoria de Física Moderna. Não nos preocuparemos muito com a demonstração rigorosa de todos os resultados que aqui discutiremos, até porque muitos deles se baseiam em teorias avançadas demais (e desnecessárias no momento) para os alunos do ensino médio (ou que querem prestar o vestibular do ITA). Lembrando aos que prestarão ITA, esse assunto como é cobrado no vestibular, não chega a ser de complexidade tão alta, porém são coisas que o aluno precisa ter tido contato para entender. Sugerimos que o leitor leia com atenção a teoria, e pratique todos os exercícios que estão aqui apresentados. Bons estudos!

Introdução

eletromagnetismoFoi exatamente então que começaram surgir furos na

A Física é um ramo da ciência que se preza pela sua consistência de sua teoria. Uma Lei da física é algo que deve ser seguida independentemente da situação em que esteja sendo analisada. No início do século XIX a física parecia já ter mapeado grande parte dos fenômenos naturais com suas leis. Até o momento grandes nomes já haviam sido consagrados com suas teorias explicando fenômenos como o movimento de corpos (mecânica newtoniana e gravitação), movimento da luz (óptica), máquinas térmicas, teoria clássica; furos esses que só seriam explicados com teorias completamente inovadoras e bem diferentes das tendências estudadas até então. Apresentaremos agora alguns fenômenos (esses furos) que foram analisados, e que consequentemente deram inicio à Mecânica Quântica.

A Catástrofe do Ultravioleta

A teoria clássica da física apresentava um dos seus primeiros furos ao se estudar a emissão de um corpo negro. Corpo negro é qualquer corpo que absorve totalmente a energia emitida sobre ele. Um corpo negro ao ser incidido com certa energia emitirá energia na forma de energia eletromagnética (produzindo luz e calor). Naturalmente, deveria existir uma lei matemática que nos dá a dependência da intensidade emitida com a temperatura e a freqüência emitida. Os conhecimentos da Física Clássica nos davam a seguinte expressão (elaborada pelo trabalho de Rayleigh-Jeans e Boltzmann):

O gráfico da intensidade em função do comprimento de onda é decrescente com o aumento do comprimento de onda. Isso gera o absurdo em questão. Para freqüências no espectro do ultravioleta teríamos uma intensidade tendendo a infinito, o que viola a lei da conservação de energia.

Os gráficos experimentais mostravam que a função deveria ter um máximo global, o que não acontecia até então com as teorias conhecidas.

O Efeito Fotoelétrico

O efeito fotoelétrico foi primeiramente estudado por Hertz, e posteriormente Einstein. O fenômeno consiste do seguinte. A partir de uma placa metálica, incide-se uma freqüência crescente de energia. A partir de certo instante, elétrons são arrancados dessa placa. Isso pode ser evidenciado com o seguinte experimento de Einstein. Um circuito é montado com duas placas metálicas. Ao aumentarmos a freqüência de luz incidida sobre a placa metálica, o amperímetro indica passagem de corrente.

Tal fenômeno ajudará nas teses (que veremos mais a frente) da dualidade partícula onda. Por enquanto fique registrado o caráter não usual de que apenas a partir de certa freqüência houve emissão de elétrons, não importando a intensidade de energia emitida.

Por quê?

Teoria de Max Planck

Diante de tais impasses Planck propôs uma teoria que revolucionaria física. E se tudo aquilo que até então acreditássemos fosse apenas uma parte da verdade? Obviamente a teoria clássica não pode estar errada. Ela possui uma consistência suficiente para acreditarmos nela. Planck então propôs um modelo que, apesar de alterar os conceitos físicos já imaginados na época, funcionaria apenas como uma extensão da realidade. Ou seja, a teoria de Planck, de certa forma engloba a teoria clássica no mundo macroscópico, mas também explica coisas novas no mundo microscópico.

A teoria de Planck primeiro surgiu ao tentar atacar o impasse do Corpo Negro. Planck descobriu uma expressão, que nem ele mesmo conseguiu demonstrar teoricamente ao apresentar para seus colegas da Berlin Physical Society. Em 1900, Planck apresentou a função que se ajustava a todos experimentos da emissão do corpo negro, porém que seguia uma teoria completamente inovadora. Eis a teoria de Planck:

Segundo Planck, um átomo oscilando com freqüência f só pode absorver ou emitir energia em múltiplos inteiros de h.f onde h é uma constante (conhecida como Constante de Planck). Essa quantidade h.f foi denominada pelo cientista como quantum de energia ou fóton.

. .E n h f n

A constante de Planck, determinada para que a equação matemática se ajustasse aos dados experimentais (que a principio Planck não sabia se de fato tinha ou não um significado físico) é dada por:

É comum encontrar o termoh em livros do assunto (usaremos essa notação mais a frente). Por convenção: 2 h .

Voltando ao problema: Corpo Negro

Com base na sua recém teoria era possível encontrar uma função matemática que se ajustasse aos experimentos feitos (uma que não violasse o principio da conservação de energia). A expressão apresentada por Planck foi a seguinte:

hc KT hc I

Fica como exercício para o leitor mostrar que essa função possui um maximo global (usando noções básicas de derivada, ver artigo de derivadas no site rumoaoita.com).

A figura abaixo mostra o gráfico dessa função.

Encontrando o máximo da função teremos que:

maxI b

Tal expressão é conhecida como lei do deslocamento de Wien, e a constante de Wien é dada por:

Exercício contextualizado Sabemos que a temperatura média da superfície da estrela polar é de 8300K. Qual das opções propostas pode melhor representar o comprimento de onda relativo a radiação espectral máximc?

(a) 3500 Angstrons(b) 2100 Angstrons (c) 4500 Angstrons
(d) 1500 Angstrons(e) 5000 Angstrons

Solução: A expressão que nos dá o comprimento de onda para o pico de intensidade para uma dada temperatura é a Lei de Deslocamento de Wien. Para obter a expressão, como foi visto anteriormente, bastaria derivar a expressão de Planck para I em função de lambda e T. O resultado nos diz que:

10 max max

I I m

Resposta: Item a

Voltando ao problema: Efeito Fotoelétrico

O fato que causava problema na compreensão de a intensidade da luz incidida não ser fator no arrancamento dos elétrons podia ser agora explicada pela teoria de Planck. A energia emitida é meramente função da freqüência.

Discutimos que para que o elétron seja libertado é preciso que receba uma freqüência mínima, chamada de freqüência de corte. Recebendo uma energia correspondente a uma freqüência maior ou igual à de corte há liberação de elétrons (obrigatoriamente deverá ser no mínimo o valor da de corte).

Incidindo uma energia h.f numa placa metálica (maior que a energia de corte) parte da energia será usada para superar o corte e o restante dará energia para os elétrons (a menos que haja uma força dissipativa, essa energia será transformada em cinética). A conservação de energia, ou equação de Einstein para o efeito fotoelétrico é dada por:

0 max .hf h f E

OBS: A energia de corte (h. fo) é também denominada de função trabalho.

Sendo essa energia máxima transferida totalmente à energia cinética, temos:

Sabendo que a energia de corte pode ser dada em função de um potencial (pela definição física Energia = Potencial x Carga), temos:

Segue que:

.h V f f

Isto é, o potencial de corte é uma reta em função da freqüência de luz incidente. Um experimento de laboratório interessante é determinar a constante de planck utilizando dados experimentais (é só lembrar que o coeficiente angular da reta resultante será h/e). É importante então concluir que o potencial de corte depende do material porém seu coeficiente angular h/e é constante para todos os materiais.

Podemos inclusive fazer uma análise de como é o comportamento do gráfico da corrente de elétrons liberados em função da voltagem estabelecida.

Para uma dada intensidade de luz incidida temos um aumento de corrente com o aumento da voltagem. Notar que basta aplicar uma ddp com a voltagem de corte negativa para zerar a corrente. Tal ddp que zera a corrente é a mesma independente da intensidade do feixe incidido, porém a corrente de saturação não é (veja a figura acima).

Exercício contextualizado resolvido Sobre um circuito de efeito fotoelétrico são incididos radiações de duas freqüências diferentes, de comprimentos 1 e 2 (maiores que a frequência de

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