Historia do Espírito Santo

Historia do Espírito Santo

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História do Espírito Santo

A História do Espírito Santo é um domínio de estudos de história do Brasil, focado na evolução do território e da sociedade capixabas que, canonicamente, se estende desde a tomada de posse da Capitania do Espírito Santo pelo donatário Vasco Fernandes Coutinho, em 1535, até os dias atuais. No entanto, este artigo também contém informações sobre os primeiros habitantes do Espírito Santo, ou seja, o período em que não houve registros escritos sobre as atividades aqui desenvolvidas pelos povos indígenas.

A história capixaba começou em 23 de maio de 1535, quando os colonizadores portugueses, chefiados pelo donatário Vasco Fernandes Coutinho, desembarcaram na Capitania do Espírito Santo. Nesse mesmo ano, foi fundada a povoação de Vila Velha, primeiro núcleo populacional da capitania. Na tarefa de catequese dos índios da região, destacou-se a figura de José de Anchieta, que lá morreu em 1597.

Houve um grande período neste meio tempo ao qual muitos desconhecem, em que o Espírito Santo foi anexado à Bahia, tendo portanto a capital sediada em Salvador.

A proibição da mineração nas Minas Gerais e a presença de tribos hostis no interior contribuíram para que o Espírito Santo se mantivesse por muito tempo como uma capitania essencialmente litorânea. Apenas na segunda metade do século XIX, essa situação modificou-se graças à expansão da lavoura cafeeira. O café, penetrando no extremo sul do estado, proveniente do Rio de Janeiro, garantiu o povoamento do interior.

O plantio do café foi ainda a principal atividade dos imigrantes europeus, especialmente alemães e italianos, que introduziram o regime da pequena propriedade na região serrana. A ocupação do extremo norte ocorreu no início do século XX, graças às primeiras plantações de cacau, estabelecidas por fazendeiros baianos. Mas foi apenas em 1963 que o Espírito Santo adquiriu sua atual configuração geográfica, com a solução da antiga disputa entre o Estado e Minas Gerais, relativa à posse da região da Serra dos Aimorés. Pelo acordo, a região foi dividida entre os dois estados.

Atualmente, o Espírito Santo conta com trunfos valiosos na arrancada para o desenvolvimento econômico: uma privilegiada localização geográfica, riquíssimas reservas de minerais radioativos no litoral, um dos maiores portos de minério do mundo e a segunda maior produção de petróleo do Brasil

Os primeiros habitantes

No início do século XVI, a região do atual Estado do Espírito Santo era habitada por índios do grupo tupinambá, os temiminós, dispersos por quase todo o território, e do grupo , os aimorés e os goitacás. Os aimorés eram índios bravios, que, ao que parece, habitavam a serra que tem seu nome. Os goitacás espalhavam-se pelo sul do Espírito Santo até as atuais cidades de Campos e Cabo Frio, já no Rio de Janeiro.

As primeiras expedições

A primeira expedição a explorar o litoral do Espírito Santo saiu de Portugal em 1501, pois trazia a bordo o navegador Américo Vespúcio. Em 1502, partia outra expedição, Estevão da Gama descobriu a ilha da Trindade, a 1.140 km da costa do Espírito Santo. Durante as três primeiras décadas do século XVI não houve qualquer iniciativa de colonização da região.

Inicio da Colonização

Apesar da resistência movida pelos indíos, Vasco Fernandes Coutinho desembarcou em uma enseada (atual Prainha - Vila Velha) onde foi erguida uma habitação rudimentar (uma paliçada - leve fortificação) e nas imediações oficialmente fundada a vila do Espírito Santo (primeiro núcleo de Povoamento do ES). Próximo a residência do donatário foi erguido o primeiro engenho - Sítio do Ribeiro.

Vasco Fernandes Coutinho ausentou-se em várias oportunidades (1540, 1550, 1558), sempre buscando recursos para dar continuidade à empresa colonizadora. O autoritarismo dos sesmeiros e a resistência dos índios desordenou a Capitania.

Em 1551, um ataque indígena à Vila do Espirito Santo destruiu a sede. Por questões de segurança, oficializou-se a transferência da sede do governo para Vila de Nossa Senhora da Vitória, antiga Ilha de Santo Antônio. Nesse contexto, a antiga sede, então destruída, recebeu novos colonos e ficou conhecida como Vila Velha. A economia da Capitania girava em torno da cana, mandioca, algodão e algum gado. Os engenhos espalharam-se de Nova Almeida até Barra de Itapemirim, nas poucas terras não-alagadas.

Capitania do Espírito Santo

Em 23 de maio de 1535, o fidalgo português Vasco Fernandes Coutinho, veterano das campanhas da África e da Índia, aportou em terras da capitania, que lhe destinara o rei Dom João III. Como era um domingo do Espírito Santo, chamou de vila do Espírito Santo a povoação que mandou construir nas terras que lhe couberam: cinqüenta léguas de costa, entre os rios Mucuri e Itapemirim, com outro tanto de largo, sertão adentro, a partir do ponto em que terminava, ao norte, o quinhão concedido a Pero de Campos Tourinho, donatário da Capitania de Porto Seguro. A Vila do Espírito Santo é hoje a cidade de Vila Velha. Ainda em 1535, a vila passou à capitania, em 1822 a província e em 1889 a estado.

Mineração

Em 1552, entradas, como a de Manuel Ramalho através do rio Doce, apelidado "rio da interiorização", enfrentavam a resistência dos botocudos e as dificuldades com a Serra dos Aymorés, em busca do sonho da descoberta do Eldorado. Em 1660, correm boatos em Portugal sobre a chegada de supostas "esmeraldas capixabas".

Em 1693, o bandeirante Antônio Rodrigues Arzão descobriu jazidas no interior da capitania do ES. A Câmara Municipal de Vitória cedeu roupas e víveres ao explorador que encontrava-se enfermo.

Francisco Gil de Araújo chegou a organizar 14 expedições, entre 1674 e 1685, na "febre" do ouro. Em 1705, saindo de Taubaté, o bandeirante Pedro Bueno Cacunda descobriu ouro seguindo o rio Manhuaçu, tendo fundado o Arraial de Santana (Serra de Castelo); graças a ação dos jesuítas que viveram em Rerigtiba (hoje município de Anchieta), surgiram outros arraiais na região. Em 1705, o Vice-Rei proibiu a mineração no ES e em 1718, os herdeiros de F. G. de Araújo devolveram a Capitania para Portugal por 40.000$00, tornando o ES uma Capitania Real. A mineração acarretou a escassez de alimentos devido à migração desordenada e abandono da região; a militarização da capitania, com a construção de fortaleza; o fechamento do rio Doce; a proibição da abertura de estradas para o interior; a redução drástica do território original e a diminuição do número de escravos. O ES se tornou uma zona de proteção à região minerada, impedindo possíveis invasões e o contrabando. Essa região ficou conhecida como "Barreira Verde".

Desenvolvimento da província

Em 1808 , com a chegada da família real no Brasil e o declínio da mineração , começou a ser incentivado o desenvolvimento da província espírito-santense , que se encontrava em grande atraso , comparando com outras regiões do país.

A província deixou de ser barreira verde. No governo de Rubem , foi permitida a navegação no Rio doce, foi feita uma estrada para Vila Rica e foram trazidos os primeiros imigrantes , vindos de Açores. Porém , essas medidas não foram eficazes para elevar a província a uma condição de região desenvolvida.

Já na metade do século XIX , a imigração européia , que vai ocupar regiões de pouca densidade populacional, e o café , que se tornar o produto principal da economia capixaba , iniciaram um processo desenvolmentista no Espírito Santo.

Influência do café

Outra região que cresceu, favorecida pela economia do café, foi o município de Cachoeiro de Itapemirim, recebendo muitos imigrantes vindo principalmente da Itália para trabalhar nas diversas lavouras existentes na época

Abolição da Escravatura

O Espírito Santo foi palco de várias rebeliões escravas , sendo a mais famosa a Insurreição de Queimados. A Insurreição de Queimados, ocorrida em meados do século XIX, na Freguesia de São José do Queimado, mais tarde incorporada no Município da Serra, na qual o escravo Chico Prego se destacou como líder do movimento que requeria a liberdade dos cativos que contribuíram na construção da igreja e, por isso, foi condenado e morto na forca, em 1850. Na ocasião , Afonso Cláudio , escreveu um livro criticando a escravidão e a condenação de Chico Prego. Tal fato impulsiona a campanha abolicionista no Espírito Santo. De certo modo , a abolição foi semelhante a ocorrida no Sudeste , com a formação de clubes , jornais , e apoio de cafeeiros descontentes com a monarquia

Século XX

Após a proclamação da República , em 1889 , O Espírito Santo faz sua primeira constituição estadual. O primeiro presidente de Estado eleito foi Moniz Freire. Ele investiu na rede ferroviária , na infra-estrutura do Porto de Vitória. Porém , com a desvalorização do café , o recurso se tornaram escassos e até 1908 ,o estado viveu um período de estagnação.

Jerônimo Monteiro, eleito em 1908 , iniciou um processo de modernização , levando luz elétrica a Cachoeiro de Itapemirim e a Vitória. Também foi construído o primeiro complexo industrial do estado , sediado em Cachoeiro , com indústria de cimento , óleo e açúcar. Mas , tantos investimentos na modernização do Espírito Santo , gerou dívidas externas altas , que prejudicou os governos posteriores.

Florentino Avidos foi eleito em 1924 ,e seu governo foi marcado pela construções de pontes. A ponte de Colatina acelerou a ocupação populacional do Norte do Estado. Em Vitória , foi feita a "primeira ponte" , hoje conhecida como ponte Florentino Avidos , que liga a capital a Vila Velha.

Em 1930 , Aristeu Borges , então presidente de Estado , apoiou a candidatura de Júlio Prestes e ,por isso, foi deposto com a revolução de 1930. Getúlio Vargas nomeia Punaro Bley como interventor no Estado. Bley ficou no poder entre 1930-1943. Investiu na saúde , criando hospitais e leprosarias. Sanou as finanças do Estado , em situação ruim , depois dos governo republicanos. Focalizou a agricultura como a principal produção capixaba.

Nesse período ,a AIB cresceu no estado ,dado seu caráter fascista , que encontrava apoio nos imigrantes italianos e alemães. Porém , com a eclosão da Segunda Guerra Mundial , esse grupos foram perseguidos. Medidas como a proibição de se falar italiano e alemão demonstram isso.

Jones Santos Neves assumiu o governo entre 1943 e 1945. Ele foi o articulador político, no estado, do processo de transição para a democracia. Neste mandato, ele executou os planos de obras e equipamento e fomento de produção. Esses planos visava saneamento, aumento na produção, melhorias no transporte, e incentivo a industrialização. Ofereceu vantagens especiais para quem instalasse novas indústrias que aproveitasse a matéria prima existente no estado.

Carlos Lindenberg venceu as eleições e assumiu o 1º mandato democrático pós Estado Novo (1947-1950). O seu governo foi caracterizado pelo apoio à agricultura .Continuou o processo de expansão para o norte , entregando as terras devolutas (pertencente ao governo) a novos fazendeiros. Seu empenho em possibilitar o aparecimento das indústrias foi tímido , apesar de seu governo ser marcado pela construções de hidrelétricas. Na educação , fundou a faculdade de medicina , federalizou a de direito e reabriu a de odontologia.

Jones Santos Neves, volta ao governo do estado, agora eleito pelo povo. A sua meta era industrialização do estado , por meio de um planejamento prévio. O governo passou a intervir diretamente na economia, a fim de criar condições de infra-estruturas que proporcionasse o arranque industrial. O plano de valorização priorizou quatro setores: Porto de Vitória, energia elétrica, malha rodoviária e fomento de produção. O porto de Vitória foi aparelhado para reparo e construção de barcos. Foi feita uma dragagem da baía, para possibilitar a entrada de embarcações com maior capacidade de carga. Ainda foram feitas construções no cais de carvão e instalação de aparelhagem moderna. Na questão de energia elétrica, a construção de inúmeras hidrelétricas (Suíça, Rio Bonito). Já na malha rodoviária, seus feitos são a ampliação e asfaltamento das rodovias Vitória – Colatina , Cachoeiro – Alegre e a pavimentação da rodovia Vitória – Cachoeiro.

Na educação , é criada a UFES e a Escola Politécnica com o objetivo de preparar e qualificar a mão-de-obra do estado. Também criou o IBES (Instituto do Bem -Estar Social), um conjunto habitacional com verbas estaduais, que visava a criação de residências populares para operários .

Francisco Lacerda, Chiquinho, põe fim na hegemonia do PSD no estado. Eleito pela Coligação Democrática; Chiquinho era populista. O seu governo era voltado para a área rural. O incentivo a agricultura, o fortalecimento da agroindústria do leite e estações de tratamento de água foram seus principais feitos. Porém Chiquinho enfrenta um grave problema. O café capixaba é acusado de conter pragas o que gera a segunda crise cafeeira . O café é erradicado, e como conseqüência várias famílias se vêem obrigadas a se mudarem para a cidade, provocando ,um êxodo rural.

Carlos Linderberg assume novamente o governo do estado (1959-1962). Importantes fatos ocorrem em seu governo. A transferência da Vale do Rio Doce, a construção do Porto de Tubarão, a federalização da UFES. Ele também levou luz elétrica para cidades do interior.

Lacerda vence novamente as eleições, com a promessa de erradicar o analfabetismo, o seu segundo governo foi marcado por ser interrompido pela ditadura militar. Inaugurou o Porto de Tubarão, há uma tentativa de industrialização.

Os Grandes Projetos industriais

No final da década de 1960, começara a ser viabilizada a instalação de projetos industriais no Espírito Santo, principalmente nos setores siderúrgico e paraquímico. Esses setores receberam especial destaque nas prioridades do Plano Nacional de Desenvolvimento - I PND - que visava, dentre outras coisas, tirar proveito econômico do espaço brasileiro, associado à disponibilidade de recursos humanos, com aplicação de recursos de capital já assegurados às novas regiões. A estratégia desenvolvimentista também abrangia o Plano de Integração Nacional, com implicações demográficas e com projetos estratégicos que priorizavam regiões menos desenvolvidas e periféricas. A política do Governo Estadual de divulgação das vantagens locais do Espírito Santo juntamente com os PNs abriram possibilidades de implementar os Grandes Projetos Industriais no Estado. A cidade de Vitória não possuía infra-estrutura para receber o grande fluxo migratório que, com o advento do desemprego no campo, se deslocou em sua direção durante e após a implementação das indústrias que fazem parte dos Grandes Projetos Industriais. A instalação dessa população no pequeno espaço físico da cidade gerou a expansão de favelas e a ocupação do manguezal na área oposta ao Oceano. Por outro lado, a cidade recebeu aterramentos que redefiniram suas fronteiras, aumentando o seu tamanho, o que ocasionou uma mudança radical na fisionomia urbana da capital capixaba. Ocorreram a explosão imobiliária, a pavimentação de vias, criação de praças e logradouros, além de o comércio do centro da cidade ser deslocado para a região norte da cidade, onde novos bairros foram criados para a melhoria de vida para a populações capixabas.

Economia

O estado possui a economia que mais cresce no Brasil, por causa dos seus amplos recursos naturais e sua variação de clima, apropriado para cultivo de diferentes tipos de culturas agrícolas, o estado tem experimentado uma fase de grande crescimento econômico, pois seus extensos recursos naturais e seu grande potencial, foram explorados somente após a década de 50, pois o estado foi abandonado para servir de barreira natural, por causa da densa floresta e pelas altas montanhas do estado para conter possíveis invasões estrangeiras que almejassem chegar ao ouro das Minas Gerais, o estado somente voltou a ser povoado de verdade com a introdução do café, mas só começou a crescer com a industrialização que começou na década de 40.

A economia é baseada principalmente nas atividades portuárias, de exportação e importação (maior do país), na indústria de Rochas ornamentais (mármore e granito) (maior do mundo), na Celulose (maior do país), extraída dos Pinheiros de Eucalipto, na Exploração de Petróleo (2° maior)e Gás Natural (maior do pais), além da diversificada agricultura, principalmente do plantio do café (2° maior). [1] [2] Hoje vila velha caracterizou-se como município de grande desenvolvimento econômico do estado sobressaindo-se na produção de chocolates, refrigerante, calçados infantis e sorvetes. possui agencias bancarias e um grande polo de confecção alem de varias operações de turismo.

Colonização

Vasco Coutinho desembarcou na capitania em dia 23 de maio de 1535, desembarcando na atual Prainha de Vila Velha, onde fundou o primeiro povoamento. Como era oitava de Pentecostes, o donatário batizou a terra de Espírito Santo, em homenagem à terceira pessoa da Santíssima Trindade. Para colonizar a terra, Vasco Coutinho distribuiu sesmarias entre os 60 colonizadores que com ele vieram.

Como em Vila Velha não oferecia muita segurança contra os ataques dos índios que habitavam a região, Vasco Coutinho procurou em 1549 um lugar mais seguro e encontrou numa ilha montanhosa onde fundou um novo núcleo com o nome de Vila Nova do Espírito Santo, em oposição ao primeiro, que passou a ser chamado de Vila Velha. As lutas contra os índios continuaram até que no dia 8 de setembro de 1551, os portugueses obtiveram uma grande vitória e, para marcar o fato, a localidade passou a se chamar Vila da Vitória e a data como a de fundação da cidade.

Vasco Coutinho era um militar e não administrador, mas deixou várias obras durante seus 25 anos de donatário. Além das duas vilas (Vila Velha e Vitória), foram construídas as duas primeiras igrejas, a do Rosário, em Vila Velha, fundada em 1551 e ainda existente. A outra, anterior à do Rosário, chamava-se Igreja de São João, e também ficava em Vila Velha.

Foram também construídos os primeiros engenhos de açúcar, principal produto da economia por três séculos, até 1850, quando foi substituído pelo café. Em 1551, foi fundado, pelo padre Afonso Brás, o Colégio e Igreja de São Tiago, que, após sucessivas reformas, transformou-se no atual Palácio Anchieta, sede do Governo do Estado.

Com a chegada de missionários, foram fundadas as localidades de Serra, Nova Almeida e Santa Cruz, em 1556. Dois anos depois chegou frei Pedro Palácios, que foi o fundador do principal monumento religioso do Estado, o Convento da Penha, padroeira do Espírito Santo.

Vasco Coutinho, que deixou parentes e amigos em Portugal, vendeu bens e contraiu dívidas para receber a Capitania do Espírito Santo, morreu em 1561, em Vila Velha, onde vivia, velho, cansado e pobre, um ano depois de renunciar ao governo da capitania.

Povoamento

Depois de Vasco Fernandes Coutinho, o povoamento do Espírito Santo foi sendo feito aos poucos e pelo litoral, durante aproximadamente 300 anos, restringindo-se à região ao sul do Rio Doce. Nesse período, o principal produto da economia era a cana-de-açúcar. A ocupação do interior aconteceu do Sul para o Norte, com mineiros e fluminenses que vinham atraídos pelo café, que começou a ser cultivado depois de 1840. No interior norte, o povoamento começou por Colatina e daí para os outros municípios, com a construção da Ponte Florentino Avidos, em 1928.

Em 1860, o então Imperador Dom Pedro II visitou o Espírito Santo, acompanhado da esposa, Dona Teresa Cristina, permanecendo durante duas semanas, quando desenvolveu intenso programa de visitas, percorrendo estabelecimentos públicos, colégios, cadeias e deixando de seu próprio bolso uma contribuição para a Santa Casa de Misericórdia.

Com a proclamação da independência do Brasil, os dirigentes passaram a se chamar presidentes da província, que eram eleitos pelo Congresso. A partir da proclamação da República, a província passou a se chamar Estado, e Afonso Cláudio de Freitas Rosa foi eleito pelo Congresso o primeiro governador.

Daí até o golpe de estado de Getúlio Vargas, em 1930, os governadores eram eleitos pelo Congresso, seguindo-se um período de interventores, até a eleição de Carlos Monteiro Lindenberg, por sufrágio popular. Com o golpe militar de 1964, novamente os governadores eram eleitos pela Assembléia após indicação dos presidentes- generais - Cristiano Dias Lopes, Arthur Carlos Gerhard Santos, Elcio Álvares e Eurico Rezende -, sendo novamente eleitos de Gerson Camata até Paulo Hartung

A Origem do Termo Capixaba

Segundo os estudiosos da língua tupi, capixaba significa, roça, roçado, terra limpa para plantação. Os índios que aqui viviam chamavam de capixaba sua plantação de milho e mandioca. Com isso, a população de Vitória passou a chamar de capixabas os índios que habitavam na região e depois o nome passou a denominar todos os moradores do Espírito Santo.

Presença Européia

Nos primórdios da colonização do Brasil, a cruz e a espada marcam a presença européia, símbolos da fé cristã e do poderio militar. No Espírito Santo, como em outras partes do Brasil que foram colonizados no século XVI, foram freqüentes as lutas pela posse da terra com a Igreja Católica atuando no auxílio ao predomínio lusitano através da ação dos jesuítas e franciscanos responsáveis pela catequese dos índios e pela assistência religiosa aos colonos e de seus familiares.

O colonizador português, responsável pela disseminação do idioma e da fé católica, queria a terra para explorar, plantar e produzir, e, produziu também cultura deixada por tradição nas cantigas de roda, nas brincadeiras infantis, na vestimenta, na culinária e, na arquitetura. O Convento de Nossa Senhora da Penha é o monumento mais popular do Estado do ES. Outros remanescentes da arquitetura colonial portuguesa, como as igrejas, que pontificam o litoral capixaba, e as localizadas na capital, Vitória, e, o casario proveniente deste período, enriquece a herança cultural lusitana. Destacam-se a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e o citado Convento de Nossa Senhora da Penha em Vila Velha; a antiga Igreja de São Tiago, hoje Palácio Anchieta, sede do Governo Estadual, a Capela de Santa Luzia, a Igreja de São Gonçalo e a de Nossa Senhora do Rosário e o Convento de São Francisco e do Carmo na capital Vitória. No município de Viana há a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, e a Igreja de Araçatiba, que foi sede de fazenda jesuítica que mantinha um engenho com escravos, residência, senzalas e oficinas. Em Nova Almeida e Carapina distritos do município de Serra, ainda existem a Igreja e Residência dos Reis Magos, sede de uma Redução Jesuítica e a Capela de São João Batista, antiga sede de uma fazenda de jesuítas. Em Guarapari encontra-se a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e em Anchieta localiza-se a Igreja e Residência de Nossa Senhora da Assunção, que completa a herança colonial de tradição jesuítica no período colonial.

A arquitetura colonial secular e urbana, em Vitória está representada pelos sobradinhos geminados da Rua José Marcelino, localizados atrás da Catedral Metropolitana na parte alta da cidade. No bairro de Jucutuquara, a arquitetura rural do século XVIII encontra um exemplar no casarão onde funciona o Museu Solar Monjardin, antiga sede da Fazenda que pertenceu ao Barão de Monjardim. A defesa da entrada da barra era feita por fortalezas como a de São Francisco Xavier em Vila Velha e a Forte de São João ainda existentes.

Este legado cultural do período colonial é, sem dúvida, para as terras capixabas, o mais precioso patrimônio herdado do continente europeu. A partir de meados do século XIX quando o ES recebe grandes contingentes de imigrantes europeus este patrimônio se enriquece ainda mais. Na Europa ocorreram revoltas populares que visavam à unificação dos países que constituem hoje a Itália e a Alemanha. Estas guerras de unificação e o estabelecimento de um novo Estado geraram um grande empobrecimento, causando fome e falta de emprego à população pobre, mais notadamente a camponesa. Os governos desses países impunham "pesados tributos aos pequenos proprietários de terras, que, vivendo numa economia de subsistência e artesanal, eram incapazes de cumprir suas obrigações com o fisco". Esta situação, somado ao desejo de se conseguir riqueza fácil e farta, fez ocorrer uma emigração em massa de suas populações a outros países, onde até se ofereciam aos aventureiros lotes de terras tornando-os pequenos proprietários rurais.

Imigrantes

O Brasil, em particular, precisava de braços para movimentar suas riquezas, uma vez que seu sistema de produção escravista começava a definhar. A proibição do tráfego de escravos a partir de 1850, fez com que houvesse, na opinião dos proprietários de terras, uma escassez de mão-de-obra, o que poderia prejudicar a economia Nacional.

A partir da chegada dos imigrantes, no século XIX, o Espírito Santo ganha nova configuração geográfica. As barreiras naturais apresentadas, principalmente pela Mata Atlântica, serão rompidas e o interior, sobretudo o norte do Estado, até então intocado, recebeu novos habitantes.

O Espírito Santo recebeu imigrantes de diversas partes da Europa, principalmente da Alemanha e da Itália que, junto com os portugueses, africanos e indígenas aqui residentes deram os traços principais da cultura capixaba. Igrejas, casarios, calçamentos guardam ainda marcas das influências destes povos. Os sítios históricos de Muqui, Santa Leopoldina, São Pedro do Itabapoana, o casario do Sítio do Porto de São Mateus e as tradições culturais de municípios como Santa Tereza, Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante entre outros compõem a riqueza cultural e econômica do Estado.

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