melhoramento genético

melhoramento genético

MELHORAMENTO GENÉTICO

  • O QUE É?

  • é uma ciência utilizada em plantas e animais para a obtenção de indivíduos ou populações com características desejáveis, a partir do conhecimento do controle genético destas características e de sua variabilidade.

  • ATRAVÉS DESTE CONCEITO, DISCUTIMOS SE É POSSIVEL ALTERAR OS GENES DE ANIMAIS E PLANTAS, MAS PARA ISSO PRECISAMOS COMPREENDER ALGUMAS QUESTÕES RELACIONADAS A ESTE ASSUNTO...

O que são os genes e onde se encontram?

  • Existem genes em todos os seres vivos, inclusivamente naqueles que já morreram. Existem genes nas pessoas, moscas, presunto, tomate, bactérias etc. Um bife de 200g contém 750.000.000.000.000 genes.

  • Um gene é um código que rege as nossas características. Existem, por exemplo, genes que determinam a cor dos nossos olhos. Metades dos nossos genes são herdadas e a outra metade do pai.

  • As plantas também têm genes. Estes decidem a cor das flores e a altura que uma planta poderá atingir. Tal como nas pessoas, as características de uma planta serão transferidas para os seus "filhos" - as sementes que crescem e se transformam em novas plantas.

O que é a modificação genética?

  • A modificação genética altera os genes e, consequentemente, as características do indivíduo. É possível, por exemplo, modificar geneticamente morangos para que se mantenham frescos durante mais tempo, e o arroz pode ser geneticamente modificado por forma a conter um maior teor vitamínico.

  • Quando se modifica geneticamente uma planta, introduz-se um gene estranho nos genes da própria planta. Poderá ser, por exemplo, um gene de uma bactéria resistente ao pesticida. Como resultado, a planta geneticamente modificada herda as características contidas no código genético, tornando-se também ela apta a suportar os pesticidas.

  • Com a modificação genética, é possível transferir genes de uma espécie para outra. Isto porque todos os genes, tanto humanos como vegetais, animais ou bacterianos são criados a partir do mesmo material. Os cientistas genéticos dispõem assim de uma enorme quantidade de características genéticas à sua escolha.

Como trabalha um cientista especializado em genética?

  • A modificação genética das plantas ocorre em várias fases:

  • 1. O cientista encontra e isola o gene com as características genéticas desejadas. Este processo é denominado mapeamento.

  • 2. O cientista faz várias cópias do gene isolado. O processo de cópia designa-se PCR.

  • 3. O cientista transfere os genes desejados para os genes das próprias plantas (utilizando um pedaço de tecido da planta). Para inserir os genes desejados na planta, o cientista tem 3 opções. Pode utilizar um "canhão de genes", uma bactéria do solo ou um material chamado protoplasto. Os métodos de inserção de genes chamam-se transformação.

  • 4. O cientista cria uma nova planta a partir do tecido da planta geneticamente modificada.

  • 5. O cientista verifica se os genes inseridos funcionam conforme esperado.

  • 6. O cientista verifica também se o gene inserido aparece nas sementes.

Como sabemos se a modificação genética foi bem sucedida?

  • Só raramente se pode ver a olho nu se uma planta ou animal foi geneticamente modificado. Os cientistas desenvolveram, por isso, algumas técnicas úteis para auxiliá-los.

  • Por exemplo - há um teste de coloração especial que permite identificar se uma planta é geneticamente modificada. Na altura em que a planta é geneticamente modificada, o cientista insere um "gene marcador" suplementar na planta. O gene marcador pode ter diversas características, por exemplo, a mudança de cor da planta quando exposta a um teste químico.

  • Deste modo, é possível aos cientistas identificarem se a planta foi ou não geneticamente modificada efetuando um teste químico e verificando a cor da planta.

Qual a diferença entre a modificação genética e o processamento tradicional?

  • Muito antes da descoberta da modificação genética, os agricultores já melhoravam as suas culturas através daquilo a que chamamos hoje "processamento tradicional".

  • Processamento é o cruzamento dos exemplares melhores, maiores, mais bonitos ou mais saborosos de uma certa espécie uns com os outros por forma a obter uma planta ou um animal ainda melhor, maior, mais bonito ou mais saboroso.

  • No processamento tradicional, os genes são transferidos de uma planta para outra. Este é também o caso na modificação genética - mas o modo de o fazer é muito diferente.

  • A modificação genética é uma técnica mais precisa, em que se pode ser exato na transferência das características desejadas. No processamento tradicional, não é possível evitar a eventualidade de transferência de outras características.

  • No processamento tradicional, as características só podem ser trocadas entre espécies idênticas ou muito semelhantes. Na modificação genética, as características podem ser transferidas de uma espécie para outra muito diferente, e mesmo entre plantas e animais.

  • A modificação genética é menos morosa que o processamento tradicional.

De que outras formas podem os genes ser alterados?

  • Nem só a modificação genética pode ser utilizada para alterar os genes de plantas e animais.

  • As alterações espontâneas, a radiação, os produtos químicos e o processamento tradicional também podem alterar as características de uma planta ou animal.

  • A alteração espontânea de genes ocorre naturalmente, e por vezes sem qualquer efeito. Uma alteração espontânea pode levar ao desenvolvimento de características positivas e negativas. O método não é particularmente adequado se a intenção for criar alterações específicas.

  • A radiação e os químicos podem ser utilizados para efetuar a alteração genética. Ambos os elementos são utilizados no processamento de plantas.

  • No processamento tradicional são cruzados plantas e animais muito idênticos. Poderá ser o milho e o navew, ou um cavalo e um burro. Deste modo, ocorrem diversas combinações de genes na progenitora. Os espécimes com características desejáveis são selecionados ao longo de várias gerações. As culturas e o gado que vemos hoje resultam do processamento tradicional.

Tudo pode ser geneticamente modificado?

  • Sim. Em princípio qualquer coisa viva pode ser geneticamente modificada - animais, pessoas, plantas e bactérias.

  • Por outras palavras, é possível transferir características de um peixe para um morango. Mas quanto mais diferentes forem as espécies, mais difícil se torna o processo. O mais fácil é modificar geneticamente as espécies semelhantes.

  • Nem todas as características podem ser transferidas. Algumas características são conseqüência da interação entre uma grande quantidade de genes. Só raramente os cientistas conhecem suficientemente bem estas interações para as poderem recriar.

  • Atualmente, os cientistas trabalham intensamente no mapeamento de genes nos humanos e nos porcos. Talvez isso lhes venha a dar conhecimentos e perspectivas suficientes para que no futuro possam criar modificações genéticas ainda mais complexas do que hoje.

  • MAPEAMENTO GENÉTICO DE SERES

  • HUMANOS?

  • ATRAVÉS DESTA DÚVIDA,

  • PESQUISAMOS E CHEGAMOS A UM

  • ASSUNTO POLÊMICO: “O GENOMA

  • HUMANO”...

O que é o genoma humano?

  • É o código genético humano. Em termos genéricos é o conjunto dos genes humanos. Neste material genético está contida toda a informação para a construção e funcionamento do organismo humano. Este código está contido em cada uma das nossas células. O genoma humano distribui-se por 23 pares de cromossomos que, que por sua vez, contêm os genes. Toda esta informação é codificada pelo ADN (ácido desoxirribonucléico) que se organiza numa estrutura de dupla hélice, formada por quatro bases que se unem invariavelmente aos pares - adenina com timina e citosina com guanina.

  • A ordem particular do alinhamento dos pares ao longo da cadeia corresponde à sua sequenciação. Estas seqüências que codificam as proteínas são os genes, que constituem a menor parte do ADN. Para além dos genes, o ADN é constituído na sua maior parte por material genético inativo (97%), o qual aparentemente não possui qualquer utilidade. Estudos recentes mostram que material não pode ser desprezado. Coloca-se a hipótese do mesmo desempenhar funções de coordenação e de conservação do ADN.

Para que serve?

  • A utilidade mais evidente e imediata para o genoma humano é a de permitir conhecer as causas da maioria das doenças. O seu conhecimento poderá permitir diagnosticar e curar muitas delas, assim preverem os potenciais riscos das mesmas ocorre em certas pessoas.

Quando teremos estes benefícios?

  • Alguns já hoje existem. Atualmente já existem meios para detectar se uma pessoa está predisposta a sofrer de certos cancros ou se um embrião herdou determinadas enfermidades graves. Os principais benefícios destas investigações só chegarão quando forem descobertas as funções de cada gene humano.

  • O genoma é formado por 6.000 milhões de peças. O seu conhecimento completo poderá beneficiar os seus 6.000 milhões de habitantes do nosso planeta.

O que é a sequenciação do ADN?

  • É o processo que permite determinar a ordem exata dos três mil milhões de pares de bases químicas que constituem o ADN. Esta sequenciação é o ponto de partida para a tarefa de identificar os cerca de 30 mil genes, e perceber como eles se codificam e como ocorre a regulação entre eles.

Quais são os riscos?

  • Os riscos mais imediatos referem-se tanto ao uso científico como à sua aplicação na sociedade. Os primeiros a beneficiar serão os países ricos, e neles os mais ricos. As grandes empresas de engenharia genética e de farmácia não deixarão de explorar este novo filão para acumularem lucros. Mas não só. É provável que as empresas, venham a implantar mecanismos de discriminação dos seus trabalhadores em função do seu material genético. As companhias de seguros a exigirem análises deste tipo, antes de fazerem qualquer seguro.   

Poder-se-á mudar os genes de uma pessoa?

  • É provável que esta alteração seja possível num futuro mais ou menos próximo. As modificações dos genes dos óvulos ou espermatozóides implicam, todavia, alterações na própria constituição da espécie humana.  .

Poder-se-á conceber pessoas?

  • Esta possibilidade existe, mas para isso será necessário descobrir as funções de cada gene. 

Quanto tempo leva a decodificar um gene?

  • Hoje em dia, um novo gene (com cerca de 12 mil bases) tem a sua seqüência decifrada em um minuto. Há três anos eram necessários 20 minutos. Há 20 anos era tarefa para um ano. Este avanço deve-se, sobretudo ao emprego dos computadores. A empresa Celera, por exemplo, possui o computador de uso civil mais poderoso do mundo.

Qual a diferença genética entre dois seres humanos?

  • A diferença do código genético do homem para o de seu parente mais próximo, o chimpanzé, é de apenas 1,5%. O DNA de homens e dos ratos de laboratório (camundongos), por exemplo, tem mais de 70% de similaridade. Por isso, cientistas consideram a principal questão na pesquisa genómica é descobrir quais as pequenas seqüências de DNA que nos fazem ser humanos. Os seis bilhões de habitantes do planeta dividem 99,9% de seu genoma. Apenas cerca de 0,1% varia de uma pessoa para outra em função da combinação dos genomas dos pais. 

Quantas letras químicas estão inscritas no genoma?

  • Há cerca de três bilhões de letras químicas no genoma. Se este livro fosse lido ao ritmo de uma palavra por segundo, durante oito horas por dia e em todos os dias da semana, seria preciso um século para que a leitura fosse concluída. O genoma humano tem o tamanho de 800 Bíblias. Digitalizado, cabe, todavia, num simples DVD.

Qual o comprimento do genoma humano?

  • Se todo o DNA de uma pessoa fosse esticado, seria possível fazer uma viagem de ida e volta ao Sol 600 vezes.

  • TRANSFORMAÇÃO GENÉTICA DE

  • PLANTAS

  • Um caminho que tem sido utilizado é a busca de características agronomicamente importantes em espécies selvagens afins das espécies cultivadas. Este caminho, entretanto, nem sempre é viável, uma vez que barreiras de isolamento reprodutivo podem impedir o sucesso no cruzamento. É importante salientar também que, sempre que for utilizado o método de cruzamento, seja intra-específico (entre plantas de uma mesma espécie), como interespecífico, mesmo que o melhorista esteja interessado em uma ou poucas características, grandes blocos de genes são transferidos da planta doadora para a receptora, mesmo após várias gerações de seleção. Por exemplo, quando comemos tomates, estamos comendo material que porta genes de resistência a doenças que foram introduzidos nas cultivares a partir de espécies selvagens aparentadas, juntamente com milhares de outros genes inevitavelmente transferidos ao mesmo tempo e que não eram encontrados na espécie cultivada.

  • Uma alternativa, bastante utilizada no passado para o aumento de variabilidade, foi à indução de mutações por radiações ou mutagênicos químicos, na expectativa de obtenção de variantes agronomicamente vantajosas. Como a mutação induzida não pode ser direcionada a genes específicos, não se tem controle dos genes que estão sendo alterados.

  • A revolução na ciência, nas últimas décadas, derivou do avanço no conhecimento de como as células e os organismos funcionam em nível molecular, bioquímico e fisiológico, juntamente com o desenvolvimento de técnicas que permitem a transferência de genes específicos de um organismo para outro. Isto significa que podemos obter uma planta transgênicas pela transferência de um ou poucos genes, identificados com precisão e com função conhecida. Neste sentido, a produção dessas plantas é um processo muito mais controlado e conhecido, permitindo o desenvolvimento de novas cultivarem mais rapidamente do que quando utilizados os métodos convencionais.

  • Independentemente do organismo e de sua complexidade, os genes são segmentos de um mesmo tipo de molécula: o ácido desoxirribonucléico - DNA. Esta característica permite que os genes de um organismo sejam potencialmente funcionais em outro. Com o advento da tecnologia do DNA recombinaste, foi aberta a possibilidade de isolar e clonais genes de bactérias, vírus, plantas e animais, introduzi-los e expressá-los (fazer com que funcionem) em plantas. Dessa forma, a barreira do cruzamento entre espécies e até entre diferentes reinos foi ultrapassada.

  • A transformação genética ou engenharia genética tornou possível também à remoção ou a inativação de genes indesejáveis, bem como a modificação de genes da própria planta, que atuam em rotas metabólicas específicas, para melhorar a qualidade do produto (ex. tomates geneticamente modificados que permanecem firmes por períodos mais longos). Genes que controlam substâncias tóxicas ou alergizantes podem ser inativados.

  • As primeiras plantas transgênicas foram desenvolvidas em 1983 quando um gene codificaste para a resistência contra o antibiótico canamicina foi introduzido em plantas de fumo. O sucesso inclui as principais culturas de importância econômica, plantas ornamentais, medicinais, frutíferas, florestais e forrageiras. A maioria dos genes transferidos, até o momento, foi retirada de bactérias ou vírus, o que é explicado pela facilidade de isolá-los destes organismos, pois têm genomas menores.

  • As plantas são produzidas sob condições de cultura de tecidos em laboratório. O seu estado transgênicos é revelado pela expressão do transgene inserido. A integração estável do gene exógeno ao genoma da planta, bem como o número de cópias inseridas são confirmadas por análises de hibridização de DNA. Após análises iniciais em laboratório, são avaliadas em casa de vegetação tendo como controle o genótipo original, ou seja, o não transgênicos. O teste final é sua performance a campo, que permitirá verificar a estabilidade da característica introduzida bem como avaliar outras características agronômicas pertinentes.

  • Para a obtenção de uma planta geneticamente modificada são necessários: um gene de interesse; uma técnica para transformar células vegetais através da introdução do gene de interesse nestas; e uma técnica para regenerar, a partir de uma só célula transformada, uma planta inteira. Após esta última etapa, temos uma planta geneticamente modificada, porque contém, além dos genes naturais, um gene adicional proveniente de um outro organismo, que pode ser uma planta, uma bactéria ou até um animal.

  • IMPACTOS AMBIENTAIS E SOCIAIS

  • O tema alimentos transgênicos tem causado muitos debates, por ser extremamente polêmico, tanto do ponto de vista ambiental, como social.

  • Há pesquisadores que ressaltam que é necessário medir a segurança biológica da convivência das tecnologias com a sobrevivência dos organismos vivos. Precisamos estar atentos à relação entre a biotecnologia e a biodiversidade. Afirmam que se não usarmos de forma sustentável os recursos da natureza, a vida na Terra corre o risco de se extinguir dentro de 50 anos. Com o uso desordenado da biodiversidade, a taxa de extinção das espécies, hoje, é mil vezes maior que a taxa histórica medida há 50 anos. Até o final do século, calcula-se que três quartos das espécies estarão extintas. Ela afirmou ainda que outro fator que colabora para a extinção é a própria migração humana.

  • No que se refere aos alimentos transgênicos propriamente ditos, pode-se citar alguns aspectos negativos e positivos.

  • A Associação Médica Britânica (BMA) pediu moratória por período ilimitado para as colheitas e os alimentos transgênicos, alegando haver poucas pesquisas relacionadas com o impacto sobre a saúde dos consumidores e o meio ambiente. Pediu também, regulamentação e fiscalização rigorosas das colheitas e da industrialização das chamadas “Frankenstein food”, até que se tenha certeza científica sobre os riscos e os possíveis benefícios dos organismos geneticamente modificados.

  • A reação da classe médica inglesa é grande, criticando o uso de “marcadores de genes” nas colheitas transgênicas, por entender que isso ajuda a criar uma cepa de bactérias resistentes aos antibióticos, como já ocorreu com alguns. A utilização de marcadores de genes resistentes aos antibióticos nos alimentos transgênicos é um risco inaceitável, por menor que seja, à saúde dos indivíduos, afirma a BMA.

  • Algumas técnicas afirmam que estudos de impacto ambiental não foram realizados em nenhum lugar do planeta, apenas tem se avaliado as performances agronômicas da soja transgênica.

  • Um problema divulgado na revista “Nature”, diz respeito a uma pesquisa da Universidade de Cornell, dos EUA. Nela, lagartas de uma espécie de mariposa morreram ao se alimentar de folhas impregnadas com pólen de milho transgênico, chamado Bt. Nesse milho modificado, um gene de bactéria adicionado ao seu material genético faz com que a planta produza o inseticida Bt e, ao comer qualquer parte da planta-inseticida, a praga do milho morre. O inseticida, no entanto, não seria eficaz em humanos.

  • Países como Estados Unidos, Inglaterra, Suécia, Japão e França, têm demonstrado oposição aos transgênicos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Archer Daniel Midland Co. and A. E. Staley Manufacturing Co., dois dos maiores produtores mundiais de milho, com sede em Decatur, Illinois, anunciaram que não aceitarão variedades de milho geneticamente modificadas. O anúncio refere-se ao milho da Monsanto resistente ao herbicida Roundup e variedades de milho Bt. Já, no Japão, de 3.300 associações (“governos locais”), 2.200 tem solicitado do governo nacional uma identificação obrigatória para os alimentos geneticamente modificados.

  • Na Inglaterra, estudos confirmaram que ratas alimentadas com batatas modificadas geneticamente, sofreram danos importantes no seu desenvolvimento. Também na Inglaterra, as filiais da Nestlé e Unilever anunciaram que não utilizarão cultivos transgênicos na elaboração de seus produtos. Esta decisão chegou pouco depois de que as principais cadeias de supermercados do país decidiram eliminar os ingredientes de origem transgênicas de seus produtos com suas próprias marcas.

  • Na França testes em laboratórios demonstraram que milho semeado em campos vizinhos sofreu contaminação através do pólen de uma variedade de milho transgênicos desenvolvido pela Novartis (BT-176). O grau de contaminação foi de 5% na bordadura e 0,2% a cinco metros. O risco desta polinização cruzada de plantas geneticamente modificadas com seus parentes selvagens foi sugerido como um grande problema para a liberação de plantas transgênicas. Acreditava-se que o fluxo gênico entre espécies selvagens e cultivadas trabalhadas pelos melhorista, como nanismo, ausência de dormência seriam desinteressantes às plantas selvagens. Com o melhoramento, e principalmente a biotecnologia voltando-se para a fixação de nitrogênio, resistência a pragas, doenças e tolerância a herbicidas e estresse, esta visão foi modificada, pois estas características são igualmente interessantes às espécies selvagens. Por outro lado, em girassol foi observado fluxo gênico entre plantas transgênicas e normais na distância de 1.000 metros. Esses dados revelam que de fato o fluxo gênico ocorre em condições naturais e que é possível que um gene de tolerância a herbicidas seja transferido de uma planta transgênicas para uma espécie selvagem, o que originaria uma planta daninha muito mais difícil de ser controlada.

  • A biotecnologia pode contribuir diretamente com a redução nos custos de produção.  Empresas afirmam que os produtos transgênicos que facilitam o controle de plantas daninhas e insetos estão provocando impacto positivo nos Estados Unidos, e que podem reduzir o uso de inseticidas de 10 a 40%. A empresa divulga também que nos Estados Unidos, a biotecnologia eleva em 9% a produção de soja. Os custos também são reduzidos, no milho o percentual chega a 5% e na soja 4%. A rentabilidade com a utilização da biotecnologia foi de 14% no milho e 12% na soja. Na cultura do algodão mais de 1 milhão de litros de inseticidas deixaram de ser aplicados anualmente. Porém, informações mais pormenorizadas sobre esses dados são escassas.

  • No Brasil, a discussão está pautada muito mais na opinião pessoal de pesquisadores e políticos do que em informações objetivas sobre o assunto.

  • TRANSFORMAÇÃO GENÉTICA EM ANIMAIS

  • Nos últimos anos, os avanços na biotecnologia sucederam-se a um ritmo frenético. Graças a eles, foi possível dominar o processo de alteração genética, a ponto de alterar o genoma animal, ou seja, o material responsável pelas características hereditárias do ser vivo, e criar um organismo transgênicos em laboratório que pode possuir genes de outras espécies em seu genoma. Isso aconteceu porque o DNA – que contém a informação genética – é uma molécula que pode ser transferida de uma espécie a outra. O maquinário celular responsável por sua transcrição e tradução em proteínas é semelhante em todos os organismos vivos. Com as técnicas descobertas nas últimas décadas, é possível manipular o DNA com o objetivo de alterar o genoma de forma controlada, criando diferentes espécies mutantes de camundongos, ratos, coelhos, porcos, ovelhas, cabras, cães, galinhas, macacos e vacas, dentre outras.

  • Outra conseqüência positiva dessa nova ferramenta biotecnologia foi promover o uso racional de animais de laboratório em todo o mundo. A geração de modelos transgênicos provocou uma redução do número de animais utilizados na experimentação de forma geral, além de tornar possível a substituição de espécies geneticamente mais próximas do homem, como primatas, por animais menores geneticamente modificados para ter as características específicas que se deseja estudar. No futuro, essa tendência de redução na quantidade de animais empregados deverá se acentuar em razão da maior especificidade dos modelos transgênicos desenvolvidos.

  • Embora importantes questões éticas envolvendo o tema esperem solução apropriada, as técnicas de geração de modelos transgênicos são muito promissoras comercialmente e nas diversas áreas da pesquisa básica e clínica médica. Os animais transgênicos são definidos de várias formas. Para a Federação Européia das Associações de Ciência em Animais de Laboratório, transgênico é “um animal que possui seu genoma modificado artificialmente pelo homem, quer por meio da introdução, quer da alteração ou da inativação de um gene [uma seqüência definida de DNA]. Esse processo deve culminar na alteração da informação genética contida em todas as células desse animal, até mesmo nas células germinativas [óvulos e espermatozóides], fazendo com que essa modificação seja transmitida aos descendentes”. O gene modificado pode ser proveniente da mesma espécie, de uma espécie diferente ou mesmo de bactérias ou plantas. Em qualquer dos casos, ele é denominado transgene, e o processo de manipulação das técnicas envolvidas nesse processo é chamado transgênese.

  • Existem vários métodos disponíveis para a geração de um animal transgênico. O método a ser empregado depende do tipo de modificação genética que se deseja realizar: introdução, modificação ou inativação de um gene.

  • MUITO SE TEM DISCUTIDO SOBRE ESSES ASSUNTOS, O FATO É QUE A CIÊNCIA ESTÁ SE DESENVOLVENDO.

  • OS RISCO SÃO GRANDES, MAS TAMBÉM PODEMOS SALVAR VIDAS ALTRAVÉS DESSES AVANÇOS.

DADOS BIBLIOGRÁFICOS

  • BORÉM, A. Melhoramento de plantas. 2 ed. Viçosa: Editora UFV, 1998. 453p. 

  • BORÉM, A.; MILACH, S.C.K. O melhoramento de plantas na virada do milênio. Biotecnologia Ciência e Desenvolvimento, v.2, n.7, p.68-72. 1999.

  • FRALEY, R. Sustaining the food suply. Biotechnology, New York, v.10, p.40-43. 1992.

  • GANDER, E.S.; MARCELLINO. L.H. Plantas transgênicas. Biotecnologia Ciência e Desenvolvimento, v.1, n.1, p.34-37. 1997.

  • GONZAGA NETO, L. Os genes da agricultura do futuro. Revista dos Engenheiros Agrônomos, Brasília. Ano I, n.3, p.10-17. 1999. 

  • JANK, M.S. As verdadeiras questões na polêmica dos transgênicos. O Estado de São Paulo, edição de 05/05/1999.

  • MELCHER, R.A.; BARRET, A.; CAREY, J.;  SMITH, G.; EWING, J. Fields of genes. Business Week, n.12, p.62-74. 1999.

  • SEVERO, G. Plantas transgênicas ameaçadas pela inquisição às portas do terceiro milênio. A granja, Ano 55, n.605, p.12-17. 1999.

  • SOUSA, A. de. A polêmica nas lavouras. Panorama Rural, n.3, p.20-25. 1999.

Comentários