Língua portuguesa III

Língua portuguesa III

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LÍNGUA PORTUGUESA I Graduação

Agora, ainda falaremos dos processos da comunicação humana, mas desta vez vamos tratar dos componentes que formam todo esse processo. São o que chamamos de ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO. Falaremos, também, da intencionalidade discursiva, ou seja, dos mecanismos utilizados por quem fala/escreve. Mãos a obra!

•Compreender as relações estabelecidas entre os componentes que formam o processo de comunicação humana, bem como os mecanismos de quem fala/escreve, isto é, a intencionalidade do discurso.

•Esquematizando o Processo Comunicativo.

•Conceituando emissor, receptor, mensagem, canal, código e referente.

•O referente situacional e o referente textual.

•A comunicação unilateral e a comunicação bilateral.

•O ruído.

•A Intencionalidade Discursiva.

Bons Estudos!

UNID ADE 3

UNIDADE 3 - OS ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO HUMANA

Para Francis Vanoye “toda comunicação tem por objetivo a transmissão de uma mensagem”.

Assim, para que a comunicação aconteça, temos que ter alguém construindo um texto (verbal ou não-verbal) e enviando-o a alguém. Esse material enviado se utilizará de um sistema de sinais e de um meio ou um contato para fazer chegar aquilo que se pretendia comunicar.

O ato comunicativo, portanto, sendo um ato social, concretiza várias manifestações, tanto do ponto de vista cultural como no nosso cotidiano. Vale dizer: sempre estamos nos comunicando com alguém através de uma mensagem.

Assim, podemos esquematizar esse processo comunicativo do seguinte modo:

O emissor – ou destinador ou ainda remetente – é o que emite (envia) a mensagem. Essa mensagem pode ser transmitida de forma individual ou em grupo.

O receptor ou destinatário é o que recebe a mensagem.

A mensagem é o que se denomina, ainda segundo Vanoye “objeto da comunicação”. Constitui-se no conteúdo daquilo que é transmitido.

O canal comunicativo é definido como os meios utilizados pelo emissor a fim de enviar a mensagem ao receptor.

Uma mensagem, por exemplo, que é transmitida por um órgão de controle de tráfego – uma placa do tipo “PERMITIDO ESTACIONAR” se dá através dos meios visuais de que o receptor é portador.

ouvido)

O som do apito de um guarda, sinalizando algo, acontece através do meio sonoro (ondas sonoras,

É através do canal de comunicação que utilizamos que podemos empreender a classificação das mensagens. Assim, teremos:

a) As mensagens visuais, cuja base são as imagens (desenhos, fotos) e os símbolos (a escrita ortográfica).

b) As mensagens tácteis – um aperto de mão, uma carícia. Usos da Linguagem – problemas e técnicas na produção oral e escrita. 1 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

c) As mensagens sonoras: os diversos sons significativos, as palavras faladas, as músicas, etc.

d) As mensagens gustativas: uma comida, por exemplo, apimentada ou salgada demais.

e) As mensagens olfativas: um perfume, um escapamento de gás de cozinha, etc.

O código é um conjunto de signos combinados entre si do qual o emissor se utiliza para elaborar a mensagem. Ao montála, o remetente estará operando a codificação; ao recebê-la, o destinatário – identificando o código utilizado – estará procedendo a decodificação.

Os processos de codificação/decodificação se realizam de algumas maneiras, tais como:

a) O emissor envia uma mensagem. O destinatário a recebe, mas não a compreende, porque não possuem signo em comum.

Como exemplo poderíamos apontar uma tentativa de diálogo entre um brasileiro e um japonês.

b) O emissor “tenta” manter um diálogo com um receptor que domina pouco o código utilizado. Neste caso, a comunicação é restrita, pois são poucos os signos em comum.

Exemplo:

Um americano recém chegado ao Brasil, tentando se comunicar com um estudante que está estudando inglês há apenas um ano.

c) A comunicação é mais abrangente, embora ainda não total, quando, por exemplo, um professor explica um determinado conteúdo, mas alguns alunos não dominaram ainda o anterior, que, por sua vez, seria pré-requisito do atual.

Sinal Fechado de Chico Buarque

UNIDADE 3 - OS ELEMENTOS DA COMUNICAÇÃO HUMANA d) Finalmente, temos a comunicação total. Todos os signos emitidos pelo emissor são do conhecimento do receptor e a figura assim representará esse caso:

O referente é constituído pelo conteúdo ao qual a mensagem nos remete. Temos o referente situacional e o referente textual. O 1º diz respeito aos elementos da situação e das circunstâncias da transmissão da mensagem. Assim, quando uma professora pede aos alunos que abram o livro na página 80, supõe-se que ela esteja dentro de uma sala de aula e os alunos, além de possuírem o referido livro, saibam sobre o que ela está falando.

Já, o referente textual é constituído pelos elementos do contexto lingüístico. Num conto ou em um romance, por exemplo, todos os referentes são textuais, ou seja, têm como base o texto.

Temos, ainda, dois tipos de comunicação: a comunicação unilateral e a comunicação bilateral. Quando se estabelece de um emissor para o receptor, sem qualquer reciprocidade, chamase comunicação unilateral. Uma palestra, um anúncio em outdoor ou uma placa de sinalização de trânsito transmitem mensagens sem precisar receber resposta. São bons exemplos.

Já, em uma conversa, em um debate em sala de aula temos a comunicação bilateral, pois o emissor e o receptor “trocam” de papéis.

Muitas vezes, a transmissão da mensagem é prejudicada por algo a que denominamos ruído. Não podemos entendê-lo apenas como um problema de ordem sonora. Na verdade, para o processo de comunicação, ruído é tudo aquilo que pode atrapalhar o receptor em receber a mensagem enviada pelo emissor. Podemos estabelecer, por exemplo, que ruído pode ser, entre outros: uma voz muito baixa, o barulho de uma britadeira funcionando perto de um “orelhão”, um defeito no sistema eletrônico de uma televisão; uma linha cruzada durante uma ligação telefônica, uma notícia cujo jornal apresenta uma das pontas rasgadas, não permitindo a leitura em seu todo; uma mancha borrada no papel de uma carta, etc.

Como vimos, a comunicação humana está muito além de um simples ato mecânico de estímulo e resposta. Não haverá comunicação de fato se não houver interação entre emissor e receptor, isto é, sempre estamos nos relacionando com o outro ou outros através da linguagem (verbal ou nãoverbal) num processo contínuo.

A piadinha que se segue constitui uma situação comunicativa entre duas pessoas:

Um amigo encontra o outro na rua: - Onde você está morando, rapaz?

- Em Copacabana.

- Em que altura?

- No 7º andar.

Nesse caso, a comunicação entre o emissor e o receptor não teve muito sucesso e foi aí que o humor se fez presente; exatamente pelo fato de que os interlocutores não atenderam a um princípio básico da comunicação: a intencionalidade discursiva – intenções (explícitas ou implícitas) existentes na linguagem dos membros que participam de uma determinada situação comunicativa.

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