Inserção da astronomia como disciplina curricular do Ensino Médio

Inserção da astronomia como disciplina curricular do Ensino Médio

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CAMPOS DOS GOYTACAZES-RJ NOVEMBRO - 2005

Monografia apresentada ao Centro Federal de Educação Tecnológica de Campos como requisito parcial para conclusão do Curso de Pós-Graduação Lato-Sensu em Ensino de Astronomia. ORIENTADOR: Prof. Josué Rodrigues

Santa Rita Mestre em Ciência de Engenharia de Materiais – UENF

CAMPOS DOS GOYTACAZES-RJ NOVEMBRO - 2005

Este trabalho, nos termos da legislação, que resguarda os direitos autorais, é considerado propriedade institucional.

É permitida a transcrição parcial de textos do trabalho, ou menção ao mesmo, para comentários e citações, desde que sem finalidade comercial e que seja feita a referência bibliográfica completa.

Os conceitos expressos neste trabalho são de responsabilidade dos autores e não definem uma orientação da Instituição.

Aprovada em

Prof. M. Sc. Josué Rodrigues Santa Rita (CEFET-Campos)

Prof. D. Sc. Marcelo Oliveira e Souza (CALC/ CEFET-Campos - UENF)

Prof. M. Sc. Márcio dos Santos Teixeira Pinto (CALC/ CEFET-Campos)

“O conhecimento que temos das coisas é pequeno, na verdade, quando comparado com a imensidão daquilo que ainda somos ignorantes”. (Pierre Simon Laplace (1749-1827)).

Aos meus pais, responsáveis pela orientação inicial do meu caminho. À minha esposa pela compreensão, dedicação e auxílio ao término deste trabalho .

Ao professor Josué Rodrigues Santa Rita pela excelente orientação, auxílio e dedicação no processo evolutivo deste trabalho.

Ao professor Marcelo Oliveira e Souza pela sua dedicação para a existência do curso.

Ao professor Márcio, por sua dedicação ao transcorrer do curso. Aos demais professores que contribuíram para minha formação.

A Astronomia é considerada com uma das primeiras ciências que o homem dominou, porém não é isto que se verifica quando os alunos do ensino médio concluem o ensino básico.

Os alunos estão concluindo o ensino médio sem conhecimento de vários temas na área de Astronomia, que são obrigatórios nos PCNs. Em virtude, desta discrepância, este trabalho vem evidenciar a necessidade da incorporação de uma disciplina específica de Astronomia, em prol da promoção da redução das distorções entre o que é ensinado e o que se deve ensinar.

Palavras chaves: Astronomia no ensino médio, ensino de Astronomia no ensino médio, parâmetros curriculares nacionais em Astronomia.

The Astronomy is considered with one of the first sciences that the man dominated, however it is not this that is verified when the students of the medium teaching conclude the basic teaching.

The students are concluding the medium teaching without knowledge of several themes in the area of Astronomy, that you/they are obligatory in PCNs. In virtue, of this discrepancy, this work comes to evidence the need of the incorporation of a specific discipline of Astronomy, on behalf of the promotion of the reduction of the distortions among what is taught and the one that one should teach.

Key words: Astronomy in the medium teaching, teaching of

Astronomy in the medium teaching, parameters national curricular in Astronomy.

• Fig. 1: Índice percentual das respostas encontradas na 1º questão26
• Fig. 2: Índice percentual das respostas encontradas na 2º questão27
• Fig. 3: Índice percentual das respostas encontradas na 3º questão28
• Fig. 4: Índice percentual das respostas encontradas na 4º questão29

LISTA DE FIGURAS: • Fig. 5: Índice percentual das respostas encontradas na 5º questão ..... 30

fundamental: Geografia- 5ª à 8ª série)

• Tabela 1: Astronomia aplicada à Geografia, de acordo com o PCN do ensino fundamental 5ª à 8ª Série (adaptado do PCN do ensino 1

• Tabela 2: Resultado obtido pelos alunos do ensino médio................ 26

• Capítulo 1: INTRODUÇÃO1
• Capítulo 2: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA2
• 1- A busca do ensino Transdisciplinar2
• 2- Astronomia: uma ciência interdisciplinar6
• 3- Principais disciplinas interdisciplinares com Astronomia9
• 3.1- Geografia e Astronomia9
• 3.2- Ciência da Natureza e Astronomia12
• 3.3- A Física e a Astronomia16
• 4- O Ensino de Astronomia20
• Capítulo 3: RESULTADOS E DISCUSSÕES25
• Capítulo 4: Conclusão34
• Capítulo 5: Referências Bibliográficas36

SUMÁRIO • ANEXO: Questionário aplicado................................................ 39

Capítulo 1 – INTRODUÇÃO

Desde os nossos antepassados até hoje em dia, a curiosidade por assuntos referentes aos conhecimentos astronômicos fascina as crianças, os jovens e os adultos. Muitos temas interessantes fazem parte da matriz curricular proposta pelos PCNs nesta respectiva área, de tal forma que o aluno adquira conhecimentos mínimos dentro de uma formação geral.

O ensino de Astronomia é um importante recurso, pois além de apresentar uma forte interdisciplinaridade com outras ciências, ela desenvolve o raciocínio lógico, noções sobre os sistemas de localização, escalas numéricas enormes e pequenas ao mesmo tempo, e além disso, talvez seja a única ciência capaz de desvendar nossas origens e criar possibilidades de abandonar o planeta em caso de uma grande catástrofe. Portanto, é de suma importância o conhecimento de Astronomia.

Muitos trabalhos têm surgido na área de ensino de Astronomia e percebe-se em conclusões dos mesmos que existem falhas em livros didáticos, professores não capacitados para trabalharem com assuntos ligados aos conhecimentos astronômicos, falta de recursos didáticos e de forma geral o desinteresse pela carreira de professor, devido principalmente os baixos salários ofertados pelas instituições de ensino. Assim sendo, estes fatores levam a crer que os alunos deixam o ensino fundamental e médio sem obter os requisitos básicos para uma alfabetização concreta em Astronomia.

Este trabalho terá como objetivo principal propor a inserção de uma disciplina de Astronomia, dentro de uma visão interdisciplinar em busca da transdisciplinaridade, no ensino médio, com o intuito de que o aluno adquira as competências necessárias ao final do ciclo básico de estudo.

A metodologia a ser utilizada será a aplicação de um questionário a alunos do 3º ano do ensino médio, com o objetivo de detectar a ocorrência ou não do aprendizado de competências básicas citadas nos PCNs relativos aos assuntos de Astronomia, em escolas públicas. Além de demonstrar a importância de trabalhar estes conteúdos a professores que lecionam disciplinas que necessitam conhecimento prévio de Astronomia.

CAPÍTULO 2 – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

1- A busca do ensino Transdisciplinar

É facilmente detectável que a realidade do ensino na grande maioria das instituições educacionais brasileiras constituem-se de forma fragmentada e desarticulada, trazendo como conseqüência uma formação profissional e humana de alunos e professores despreparados para tomar decisões em situações que exijam uma formação mais crítica e interconectiva.

A revolução industrial, dentro de uma política capitalista, faz com que as escolas transformem-se nas principais instituições formadoras de mão-deobra, de tal forma que o ensino organizado nestas assemelhem-se com a organização do trabalho industrial promovido pelo regime capitalista, baseado na divisão internacional do trabalho, onde o trabalhador detém o conhecimento somente de uma parte do processo de produção industrial.

Na fase atual, modelos como o fordismo e taylorismo, baseados nas afirmações do liberal Adam Smith (1723-1790) perdem força, devido principalmente a introdução de um alto grau tecnológico no processo produtivo. Desta forma, os meios de produção passam a exigir trabalhadores mais qualificados, com uma forte base científica, principalmente nas áreas de informática, ciências naturais e língua estrangeira, ou seja, trabalhadores multifuncionais, a partir disto começa-se ouvir falar, no campo do ensino, em multidisciplinaridade, pluridisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade.

O PCN introdutório do ensino fundamental, publicado em 1998, juntamente com a LDB (Art. 2º) afirma que “toda a pessoa – criança, adolescente ou adulto – deve poder se beneficiar de uma formação concebida para responder às suas necessidades educativas fundamentais” 1, dentro deste contexto, as necessidades de aprendizado fundamentais são: leitura, escrita, expressão oral, cálculo, resolução de problemas, enquanto que as necessidades educativas consistem em: conceitos, atitudes e valores,

1 PCN- Introdução (5ª a 8ª séries), 1998, p. 17.

proporcionando ao educando, no final do curso, a possibilidade de vida com dignidade, tomada de decisões de forma esclarecida, participação do desenvolvimento social, político e econômico, além de demonstrar que os conhecimentos a este nível estão completamente inacabados, valorizando desta maneira a continuação ao aprendizado.

Com a fragmentação do conhecimento, ocorrida no séc XVII, onde os determinados conteúdos de uma área são construídos sem a menor necessidade dos outros, provocou-se em determinadas disciplinas específicas, um forte aporte de conhecimentos científicos, em sua maioria dispensáveis para a formação educativa do aluno, já que estes conhecimentos deveriam e poderiam ser trabalhados no ensino superior.

Atualmente, a educação escolar passa por um processo de mudança, precisa se transformar para atender as reais necessidades de formação dos cidadãos brasileiros. Porém, é forçada a manter uma rotina de aulas expositivas voltadas a conteúdos que são determinados pelas competências requeridas pelas disciplinas acadêmicas. Portanto, existe uma identificação entre conhecimentos escolares e conhecimentos científicos, quando, a rigor, estes últimos deveriam se constituir a fonte e o meio para a compreensão da realidade.

Segundo Vinicius Signoreli,

“a construção de uma escola democrática passa, necessariamente, pelo rompimento com essa visão” seletiva e propedêutica “, e uma das formas de empreender essa construção é desenvolver um ensino interdisciplinar. Um ensino no qual as atividades de aprendizagem dêem prioridade à capacidade de pensar os problemas reais que afligem a sociedade, problemas esses que não pertencem a uma disciplina específica e que para serem resolvidos precisam dos conhecimentos científicos disciplinares” 2, desta forma, a busca de um processo educativo interdisciplinar seria a base para a promoção de conhecimentos escolares, de acordo com os parâmetros curriculares sugeridos pelo MEC.

Dentro das concepções no campo do ensino, identificam-se algumas formas de se trabalhar interagindo grandes áreas das Ciências, são elas:

2 Artigo publicado no site: w.educarede.com.br

• A multidisciplinaridade ocorre nas tentativas de trabalho em conjunto pelos professores, onde um tema é abordado por diversas disciplinas sem uma relação direta entre elas, onde, cada tema é trabalhado dentro das perspectivas dos educadores e não em conjunto.

• A pluridisciplinaridade: é a existência de relações complementares entre disciplinas mais ou menos afins. É o caso das contribuições mútuas das diferentes "histórias" (da ciência, da arte, da literatura, etc.) ou das relações entre diferentes disciplinas das ciências experimentais.

• A interdisciplinaridade começa a ser comentada nos anos 70, onde iniciam-se as primeiras críticas à organização do ensino universitário e o papel do conhecimento na sociedade capitalista, deste modo, o processo interdisciplinar aparece como alternativa de superação de um modelo superespecializante e a busca de uma formação mais integralizada, mais concisa e menos fragmentada.

A necessidade de um conhecimento interdisciplinar remonta da origem da ciência, onde este se encontra intimamente ligado à necessidade da resolução de problemas. A resolução de um problema não depende apenas dos conhecimentos dessa ou daquela ciência ou disciplina, mas de conhecimentos mútuos que permitem formular hipóteses adequadas e adiantar possíveis conhecimentos novos. Segundo K. Popper,

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