Livro Eng. de Minas

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Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais

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PRODUÇÃO EM 2000PREÇOVALOR ANUAL DE VENDASCOMMODITIES MINERAIS(mil de toneladas)(US$ / tonelada)(US$ milhões)

FONTE: IIED / WBCSD, 2002, p. 36, a partir de dados da CRU International. NOTA: * estimado pelo autor, utilizando informações da UNCTAD.

FONTE: Elaboração própria a partir de dados de IIED / WBCSD, 2002, p. 45-47. NOTA: * incluem-se minerais energéticos; os critérios para elaboração de estimativas para cada país podem ser diferentes.

2000 80 18,7
2001 81 40,9

FONTE: Ericsson, 2000; 2002. NOTA: * transações acima de US$ 10 milhões

PRINCIPAIS FUSÕES E AQUISIÇÕES NA MINERAÇÃO MUNDIAL, 1995-2001

VALOR ADQUIRENTE ADQUIRIDA ATUAÇÃO ANO (US$ milhões)

FONTE: Ericsson, 2002.

AS DEZ MAIORES EMPRESAS DA MINERAÇÃO OCIDENTAL PELO CRITÉRIO DO VALOR DA PRODUÇÃO, 1994 E 1997*

AS DEZ MAIORES EMPRESAS DA MINERAÇÃO OCIDENTAL PELO CRITÉRIO DO VALOR DA PRODUÇÃO, 1994 E 1997*

FONTE: Daffós, 1997; Roskill, 1999. NOTA:*exclui minerais energéticos

**Estado do Brasil (principalmente CVRD), Estado do Chile (Codelco e Enami) e Estado da Malásia (principalmente Malaysia Mining).

AS DEZ MAIORES EMPRESAS DA MINERAÇÃO MUNDIAL PELO CRITÉRIO DO VALOR DA PRODUÇÃO, 2000 E 2001*

10… GRUPO MEXICO 1,3

PARTICIPAÇÃO DASPARTICIPAÇÃO DASMINERALMAIOR EMPRESA (%)3 MAIORES (%)10 MAIORES (%)

FONTE: Ericsson, 2002.

GASTOS MUNDIAIS COM EXPLORAÇÃO MINERAL POR REGIÃO, 1996-2001 (US$ MILHÕES)

FONTE: Elaboração própria, a partir de dados de várias informações divulgadas pela Metals Economics Group. NOTA: * o número de empresas é variável entre os anos.

Capítulo 2 - O cenÆrio brasileiro e de Minas Gerais27

BDMG40 anos

2.1. Breve revisªo histórica da mineraçªo brasileira

A história da mineraçªo de Minas Gerais se confunde com a própria trajetória da atividade no País. Nªo Ø objetivo desta seçªo elaborar uma digressªo profunda sobre este tema, que, aliÆs, jÆ foi tratado com propriedade por vÆrios autores. Ao contrÆrio, esta sucinta revisªo pretende tªosomente relembrar alguns traços mais marcantes deste longo percurso.

Durante o período colonial, Minas Gerais vivenciou nªo apenas o rush do ouro, mas tambØm o dos diamantes. De acordo com Martins & Brito (1989, p. 13), produzia-se pouco ouro no Brasil atØ 1690. Contudo, na œltima dØcada do sØculo XVII, centenas de jazidas de aluviªo começaram a ser descobertas, em rÆpida sucessªo, nos córregos e ribeirıes nas vizinhanças de Ouro Preto, Mariana, SabarÆ e CaetØ, causando o primeiro grande rush minerador da história do Brasil. Na avaliaçªo de Machado & Figueirôa (2000, p. 25), o clímax da mineraçªo de ouro no Brasil, nos sØculos passados, ocorreu entre 1739 a 1779, com a notória liderança de Minas Gerais. Durante o período colonial, estima-se que o Estado tenha produzido de 2/3 a 3/4 do ouro do país.

É bem verdade que se verificaram rushes de ouro em outros Estados. No caso da Bahia, o

Æpice da atividade de extraçªo nos depósitos de ouro ocorreu entre 1718 e 1730. Em GoiÆs, as descobertas iniciais concentraram-se na dØcada de 1720. Nesse estado, a produçªo atingiu seu clímax na dØcada de 1750. Adicionalmente, em Mato Grosso, o ouro foi descoberto em 1719, sendo que a duraçªo do boom foi ainda menor do que em GoiÆs. De fato, apesar da riqueza das primeiras jazidas, a produçªo mostrava sinais de declínio jÆ em 1723. Se nªo bastasse, muitas situaçıes adversas ocorreram durante a corrida do ouro em Mato Grosso, como malÆria, febre amarela e massacres de aventureiros promovidos pelos índios paiaguÆs e guaicurus (Martins & Brito, 1989, p. 13-19; Machado & Figueirôa, p. 24-25).

Nos sØculos passados, diamantes e gemas foram bastante representativos no âmbito da mineraçªo de Minas Gerais, em particular, e da brasileira, em geral. Machado & Figueirôa (2000, p. 25-28) apontam que a era do diamante brasileiro durou de 1730 a 1870, quando a `frica do Sul assumiu a liderança do mercado mundial. Embora haja (pelo menos) trŒs versıes acerca do descobrimento de diamantes em solos brasileiros, concretamente em fevereiro de 1730, as regiıes produtoras de diamantes, na entªo colônia de Tejuco (posteriormente Diamantina, Minas Gerais), foram declaradas de propriedade da Coroa. Por volta de 1740, tornou-se conhecida a existŒncia de jazimentos em GoiÆs e, em 1746, em Mato Grosso. Nesse estado, chegou a haver um pequeno rush à Øpoca da descobertas, mas a produçªo nªo correspondeu às expectativas iniciais (Martins & Brito, 1989, p. 32). Durante o domínio portuguŒs, a produçªo brasileira anual mØdia de diamantes passou de 20 mil quilates (na dØcada de 1730) para 52 mil quilates (entre 1741 e 1772), reduzindose posteriormente para 27 mil quilates (entre 1773-1806) e ainda para 12 mil quilates (entre 1807 e 1822) ver Machado & Figueirôa (2000, p. 28).

Seja no caso do ouro ou de diamantes, presenciaram-se corridas clÆssicas, causando vÆrios problemas nªo apenas durante o auge da produçªo, mas tambØm após a exaustªo dos recursos minerais. Pode-se afirmar que o principal legado deixado pela mineraçªo, no período colonial, em Minas Gerais, foi a ocupaçªo do território. Grandes cidades do período colonial prosperaram ao lado das minas, como Ouro Preto, Diamantina, SabarÆ e Serro. A produçªo mineral abriu estradas, implantou nœcleos urbanos, unificou o território e criou uma estrutura administrativa própria. Entre 1700 e 1808, a populaçªo estimada de Minas Gerais cresceu de 30 mil para 433 mil habitantes (Alves, 1998).

28Minas Gerais do SØculo XXI - Volume V - Consolidando posiçıes na mineraçªo

BDMG40 anos

Durante o ImpØrio, a produçªo mineral brasileira, cujo volume foi bastante inferior ao do período colonial, continuou concentrada em ouro e diamantes, notavelmente no Estado de Minas Gerais. Registre-se que, nas dØcadas de 1820 e 1830, foram formadas na Inglaterra seis companhias para explorar jazidas auríferas em Minas Gerais (Martins & Brito, 1989, p. 48). Dentre elas, destacase a St. John D el Rey Mining Company, que, apesar de ter passado por vÆrias alteraçıes patrimoniais, continua em operaçªo, atualmente sob a denominaçªo de Mineraçªo Morro Velho. É bem verdade que o sucesso dessa empresa constituiu uma exceçªo, pois, conforme Machado & Figueirôa (2000, p. 30) apontam, no restante, o desempenho das empresas mineradoras inglesas no Brasil (leia-se em Minas Gerais) foi medíocre, tendo resultado em 14 falŒncias.

A mineraçªo brasileira no sØculo X foi marcada especialmente pelo ferro. Antes de examinar esse mineral, Ø necessÆrio relembrar a importância do manganŒs. Durante todo esse sØculo, o Brasil foi um importante exportador de manganŒs de alto teor, para fabricaçªo de ferro-ligas, inicialmente em Minas Gerais, depois no AmapÆ. A exploraçªo de manganŒs da Morro da Mina, em Conselheiro Lafaiete (Minas Gerais), iniciou-se em 1894 (Martins & Brito, 1989, p. 94). Todavia, a produçªo em larga escala somente foi atingida a partir de 1920, quando a Morro da Mina foi vendida à empresa siderœrgica norte-americana United States Steel. A produçªo foi basicamente destinada ao abastecimento das usinas da empresa nos Estados Unidos. A Mineraçªo Morro da Mina foi, atØ 1961, responsÆvel por grande parte da produçªo brasileira de manganŒs, tendo sido, nessa data, superada pela mina da Serra do Navio (localizada no AmapÆ) ver Alves (1998).

No que tange à mineraçªo de ferro, vale lembrar que os primeiros altos-fornos construídos no País datam do início do sØculo XIX, em Sªo Joªo de Ipanema (Sorocaba, Sªo Paulo) e na FÆbrica do Morro do Pilar (Minas Gerais). A primeira corrida de ferro-gusa em alto-forno ocorreu, no Brasil, em 1814. Ainda naquele sØculo, destacou-se a usina construída pelo engenheiro francŒs Jean de Monlevade. Guimarªes (1987, p. 45) afirma, porØm, que todas as tentativas de produçªo de aço involuíram atØ seu total fechamento, por volta de 1860. Alguns anos mais tarde, mais precisamente em 1876, foi criada a Escola de Minas de Ouro Preto, que, alØm de formar os primeiros metalurgistas brasileiros, contribuiu para a introduçªo de novas tØcnicas no incipiente ramo de atividade.

Ainda no que se refere à mineraçªo de ferro, os primeiros anos do sØculo X foram marcados pela constituiçªo da Itabira Iron Ore Co., de capitais ingleses e organizada por Percival Farquar, que adquiriu os direitos das minas de ferro de Itabira e de participaçªo na Estrada de Ferro Vitória- Minas (EFVM). TambØm foram importantes os esforços de Artur da Silva Bernardes, tanto na condiçªo de Presidente do Estado de Minas Gerais quanto de Presidente da Repœblica, em desenvolver a siderœrgica nacional, durante a dØcada de 1920 (Martins & Brito, 1989, p. 83-85). Foi, inclusive, nessa Øpoca que o grupo luxemburguŒs Arbed investiu na entªo Cia. Siderœrgica Mineira, cuja denominaçªo foi alterada para Cia. Siderœrgica Belgo-Mineira5.

A produçªo de ferro somente ganhou fôlego após a dØcada de 1940. Foi necessÆrio que os

Acordos de Washington garantissem a transferŒncia da propriedade das minas de Itabira do governo inglŒs para o brasileiro. Com isso, possibilitou-se a criaçªo da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), em 1942. Na ocasiªo, o País exportava apenas 31 mil toneladas de minØrio de ferro por ano; dez anos mais tarde, 1,5 milhªo de toneladas (Martins & Brito, 1989, p. 94); atualmente, 160 milhıes de toneladas.

5Existe uma controvØrsia sobre as razıes que motivaram os investimentos do grupo Arbed na siderurgia brasileira. PelaØz (1970, p. 195), por exemplo, argumenta que o objetivo era obter, com o tempo, concessıes de jazidas de ferro, que inicialmente haviam beneficiado grupos ingleses e norte-americanos. Santos (1986, p. 185-189) apresenta uma outra interpretaçªo: que o objetivo era evitar a exportaçªo maciça de minØrios de ferro pela Itabira Iron, ao se demonstrar a viabilidade de uma siderurgia brasileira à base de carvªo vegetal. Com isso, evitar-se-ia a concorrŒncia dessa virtual exportaçªo com as vendas de minØrio que o Arbed fazia a partir de suas minas na Lorena.

Capítulo 2 - O cenÆrio brasileiro e de Minas Gerais29

BDMG40 anosNa dØcada de 1960, promoveu-se uma acentuada liberalizaçªo do setor mineral brasileiro à participaçªo do capital estrangeiro. Isto Ø usualmente considerado como um fator decisivo para o surto de desenvolvimento de grandes projetos, tais como: Mineraçıes Brasileiras Reunidas (MBR), Samitri e Ferteco (minØrio de ferro), Alcoa (alumínio), Companhia Brasileira de Mineraçªo e Metalurgia (CBMM, nióbio) e Sama (amianto) ver BDMG (1989, p. 26).

Esta breve recapitulaçªo nªo seria completa sem citar o Projeto Ferro CarajÆs, da CVRD. A reserva de minØrio de ferro de CarajÆs foi descoberta em 1967. Todavia, somente em 1978, um ano após a retirada da siderœrgica norte-americana United States Steel do projeto, Ø que se iniciou sua viabilizaçªo, com a construçªo de um trecho ferroviÆrio de 82 quilômetros de Sªo Luiz em direçªo à mina (Marques, 1992, p. 21). O Projeto Ferro CarajÆs começou a operar em fevereiro de 1985, atingindo a capacidade nominal de 35 milhıes de toneladas anuais em 1987, sendo praticamente todo voltado às exportaçıes. O custo do investimento total do Ferro CarajÆs foi de US$ 3,5 bilhıes. Em linhas gerais, esse projeto permitiu à CVRD consolidar-se como líder mundial da exportaçªo de minØrio de ferro.

2.2. Reservas minerais: Brasil e Minas Gerais

O objetivo desta seçªo Ø apresentar um panorama do volume de reservas minerais, do

Brasil e, em particular, de Minas Gerais. Antes, contudo, parece ser apropriado diferenciar recursos de reservas. Os recursos sªo segmentados, em ordem crescente de confiança geológica, em inferidos, indicados e medidos. Após as avaliaçıes apropriadas terem sido executadas e concluir-se que, sob condiçıes econômicas e tØcnicas realistas, justifica-se a exploraçªo, a parte minerÆvel dos recursos medidos e indicados Ø conhecida como reserva. As reservas minerais sªo, tambØm, divididas, em ordem crescente de confiança geológica, tØcnica e econômica, em reservas provadas e provÆveis.

Em primeiro lugar, cabe apontar os minerais em relaçªo aos quais o Brasil possui uma posiçªo de destaque no contexto internacional. O País detØm as maiores reservas do mundo de nióbio e tantalita; as segundas maiores de caulim e grafita; as terceiras maiores de alumínio, talco e vermiculita; as quartas maiores de estanho e magnesita; e as quintas maiores de ferro e manganŒs (QUADRO 1).

QUADRO 1

30Minas Gerais do SØculo XXI - Volume V - Consolidando posiçıes na mineraçªo

BDMG40 anos

Em segundo lugar, a TAB. 9 mostra a relevância do Estado no contexto brasileiro, seja pelo critØrio de quantidade de minØrio, seja pelo de minØrio contido. Tendo em vista os propósitos deste diagnóstico, preferiu-se analisar prioritariamente as chamadas reservas medidas. Essa opçªo decorreu do fato de que, para as reservas medidas, dispıe-se de informaçıes relativas à quantidade de minØrio, ao teor mØdio e, por conseqüŒncia, à quantidade de minØrio contido. Minas Gerais desempenha papel proeminente em termos de reservas medidas de metais ferrosos, pelo critØrio do minØrio contido, em: lítio (100% do total brasileiro, de ambligonita e espodumŒnio), berílio (98%), zinco (89%), titânio (87%, de anatÆsio), nióbio (73%, de pirocloro), chumbo (67%), ferro (59%) e ouro (48%). Merece tambØm destaque a participaçªo do Estado nas reservas de monazita (16%) e manganŒs (15%). Por outro lado, destaca-se que em trŒs importantes minerais metÆlicos a participaçªo estadual nas reservas brasileiras Ø bastante reduzida: alumínio/bauxita (4%), níquel (2,5%) e cobre (praticamente nula).

TABELA 9

PARTICIPAÇÃO RELATIVA DE MINAS GERAIS NAS RESERVAS BRASILEIRAS MEDIDAS DE SUBSTÂNCIAS MINERAIS METÁLICAS, 2000 (PERCENTUAL)

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