Breve Histórico da Epidemiologia

  • Prof.ª Natiane Carvalho Silva

Os Pilares da Epidemiologia

  • Clínica (Ciências Biológicas)

  • Estatística (Ciências Exatas)

  • Medicina Social (Ciências Sociais)

Medicina Individual X Coletiva

  • desde os primórdios do pensamento ocidental na Grécia Antiga

  • As duas filhas do deus Asclépios:

  • Panacéia e Higéia

Hipócrates

  • sempre considerar na avaliação do paciente:

  • o clima, maneira de viver, hábitos de comer e beber

  • estudou doenças epidêmicas e as variações geográficas das endemias

  • Seu Juramento: a ética médica e a importância do exame minuncioso para correto diagnóstico e fiel descrição da história natural da doença

Filhos de Hipócrates

  • estabeleceram o individualismo e o senso mercadológico para garantir a hegemonia de sua prática frente a inúmeras seitas

  • Roma: médicos eram escravos gregos valiosos, trabalhavam para a corte, exército e famílias nobres, “receitadores de muitos fármacos para poucos enfermos”

  • Contribuição romana para Epidemiologia:

  • somente os sensos periódicos e registro compulsório de nascimentos e óbitos

Idade Média

  • Catolicismo romano e invasões dos bárbaros

  •  práticas de saúde de caráter mágico-religioso

  • prática médica para os pobres exercida por religiosos (por caridade) e por leigos, boticários, barbeiros-cirurgiões (por profissão)

  • Durante este período a medicina árabe, sob os princípios hipocráticos, apresenta avanço tecnológico e caráter coletivo, com Avicena e Averroés

Os Hospitais

  • Eram originalmente hospedarias de ordens religiosas (Cavaleiros Hospitalários) destinadas a viajantes e que recebiam doentes, assim, passaram a ser o local onde os médicos deixavam sua prática privada para ter contato com “séries” de pacientes e patologias (investigação sistemática de enfermos)

  • Luta contra os físicos, leigos e religiosos, criando uma corporação médica

  • construção de um saber técnico e instituição de práticas (início de uma clínica científica)

Primeiras Quantificações

  • Surgimento dos Estados: necessidade de contar o povo (produção) e o exército (poder) com surgimento da Estatística (Estado=status + isticum=contar)

  • John Graunt em 1662: Tratado de tabelas mortuárias de Londres, proporção de crianças que morriam antes dos 6 anos de idade (pioneiro na utilização de coeficientes)

  • Primeiros registros anuais de mortalidade e morbidade realizados pelo estado (“SIS”)

Início da Medicina Social

  • Inglaterra: Revolução Industrial

    • Movimento hospitalário e o assistencialismo geraram a Medicina da “Força de Trabalho”
  • Alemanha: Polícia Médica

    • Medidas compulsórias de controle e vigilância das doenças: Medicina de Estado (Policial)
  • França: Revolução Sanitarista

    • Necessidade de sanear as cidades, ventilar ruas e construções isolando os miasmas: Medicina Sanitarista (Urbana)

Destaques (I)

  • Pierre Louis ( 1787-1872) utilizou método estatístico na investigação clínica de doenças e tratamentos, analisou a letalidade da pneumonia em relação à época que a sangria era realizada

  • Louis Villermé (1782-1863) investigou a pobreza, as condições de trabalho e suas repercussões sobre a saúde, foi um dos pioneiros nos estudos sobre a etiologia social das doenças

Destaques (II)

  • Willian Farr ( 1807-1883) Trabalhou no Registro Geral inglês, seus relatórios permitiram verificar as desigualdades, regionais e sociais nos perfis de saúde, fazendo com que muitos estudiosos alardeassem estes problemas, como Engels e Chadwick, advogado de cujos relatórios deram subsídios à reforma sanitária inglesa

  • John Snow (1813-1858) Realizou grande investigação de epidemias de cólera em Londres, elucidando com um minucioso trabalho de campo a relação da cólera com o fornecimento de água (contaminada) de uma certa companhia de abastecimento londrina

Teoria Miasmas X Germes

  • Miasmas: má qualidade do ar advindo da decomposição de material orgânico

  • (Malária = Mal + ar)

  • Germes: Louis Pasteur identifica e comprova que várias doenças são causadas por microorganismos transmissíveis (agente etiológico) comprovação laboratorial

Conseqüências

  • Fortalecimento da medicina organicista em detrimento da medicina social com centralização novamente no “curativo” e não no “higiênico”

  • Criação de Institutos de Pesquisa, clínica e patologia subordinadas ao laboratório (identificação do agente etiológico)

  • Preocupação com saneamento ambiental, vetores e reservatórios de agentes

Pós - II Guerra Mundial

  • Ênfase nas pesquisas:

  • Determinação das condições de saúde da população (indicadores / inquéritos)

  • Investigações de fatores causadores de doença

    • Estudos de Coorte: papel dos fatores de risco nas doenças não transmissíveis (Ex: d. cardiovasculares)
    • Estudos Caso-controle: conhecer a etiologia de doenças crônicas (Ex: tabagismo X CA pulmão)
  • Avaliação de Intervenções

  • Medicina Baseada em Evidência

Situação Atual: Multicausalidade

  • Fatores Físicos, Biológicos e Psicossociais

    • Tornou-se claro que os agentes microbiológicos e físicos não explicavam totalmente as questões de etiologia e prognóstico
  • Necessidade de incorporar conceitos e técnicas de outras áreas, como sociologia e psicologia

Duas Tendências Atuais

  • Epidemiologia Clínica:

    • MBE: aplicação da epidemiologia no diagnóstico clínico e no cuidado direto do paciente, com maior rigor científico na prática médica (“Panacéia”)
  • Epidemiologia Social:

    • Renascer do estudo da determinação social da doença, busca melhorar o atendimento à saúde da população, especialmente as mais subdesenvolvidas, de maneira multidisciplinar, procurando trabalhar na diminuição das desigualdades sociais e prevenção de doenças evitáveis (“Higéia”)

É lançada a pergunta:

Epidemiologia

  • “É o estudo dos fatores que determinam a freqüência e a distribuição das doenças nas coletividades humanas” (IEA)

Suas Utilidades

  • Descrever a distribuição e a magnitude dos problemas de saúde nas populações humanas

  • Identificar fatores etiológicos das enfermidades

  • Proporcionar dados essenciais para o planejamento, execução e avaliação das ações de prevenção, controle e tratamento das doenças, bem como para estabelecer prioridades

Epidemiologia

  • “Ciência que estuda o processo saúde-doença em coletividades humanas,...

  • ... analisando a distribuição e os fatores determinantes das enfermidades, dos danos à saúde e dos eventos associados à saúde coletiva,...

  • ... propondo medidas específicas de prevenção, controle ou erradicação de doenças,...

  • ... e fornecendo indicadores que sirvam de suporte ao planejamento, administração e avaliação das ações de saúde ” (Rouquayrol)

Exemplos

  • Conhecer a distribuição de características de um grupo ou de uma população (sexo, idade, estatura, peso, cor, renda, etc)

  • Conhecer a morbidade e/ou mortalidade de uma certa doença em uma população

  • Compará-las entre populaçòes

  • Conhecer a evolução de doenças durante um período de tempo numa população

Exemplos

  • Descobrir quais são os principais problemas de saúde de uma população

  • Avaliar a melhora que uma intervenção (p. ex. vacinas, pré-natal, educação em saúde) causa em uma população

  • Verificar qual a melhora que uma medicação pode trazer para uma doença ou agravo, e quais seus efeitos colaterais

  • Avaliar o quanto um exame realmente diagnostica uma doença existente ou deixa de diagnosticar

Exemplos

  • Avaliar que comportamentos ou fatores podem influenciar na piora ou melhora da saúde de uma população

  • Avaliar o funcionamento e a satisfação gerada por um serviço implementado

  • Conhecer as opiniões e o entendimento que uma população tem a respeito de uma doença, tratamento, intervenção, serviço, etc.

Obrigada !

  • Bibliografia:

  • Epidemiologia e Saúde de Maria Zélia Rouquayrol

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