apostila de irrigação completa

apostila de irrigação completa

(Parte 5 de 8)

Cebola - seca

Ervilha

Pimenta

Batata

Arroz

Açafrão

Sorgo

Soja

Beterraba

Cana-de- açúcar

Fumo

Tomate

Melancia

Trigo

Alfafa

Primeiro número: UR > 70% e velocidade do vento < 5 m s-1

Segundo número: UR < 20% e velocidade do vento > 5 m s-1 Caracterização dos estádios: - Estádio I – emergência até 10% do desenvolvimento vegetativo (DV)

- Estádio I – 10% do DV até 80% do DV

- Estádio I – 80% do DV até 100% do DV (inclusive frutos formados)

- Estádio IV – maturação

- Estádio V – colheita

Fonte: Doorenbos e Kassan. Efectos del agua en el rendimiento de los cultivos.

IRRIGAÇÃO CAP.I - 7

2.5 – QUANTIFICAÇÃO DA EVAPOTRANSPIRAÇÃO

A quantificação da água necessária a ser aplicada às plantas, ou seja, àquela referente à evapotranspirada pelo sistema solo-planta, é fator primordial para o planejamento, dimensionamento e manejo adequados de uma área agrícola irrigada.

Em toda a literatura especializada, diversos métodos para a estimativa da evapotranspiração são citados, constituindo-se basicamente dois grupos: o dos métodos diretos e o dos indiretos ou empíricos. Os métodos diretos caracterizam-se pela determinação da evapotranspiração diretamente na área, onde se destacam os diferentes tipos de lisímetros, ou mesmo pelo método do balanço de água no solo. Os indiretos são caracterizados pelo uso de equações empíricas ou modelos matemáticos, que se utilizam de dados meteoro-climático-fisiológicos para a sua aplicação. Estes, por se tratarem de uma estimativa, têm inúmeros problemas de precisão, principalmente quando aplicados em condições climáticas diferentes das quais foram elaborados.

Diversos pesquisadores em todo o mundo propuseram métodos para a estimativa da evapotranspiração com as mais diferentes concepções e número de variáveis envolvidas.

A utilização dos diferentes métodos para se estimar a evapotranspiração para um certo local de interesse fica na dependência da disponibilidade dos elementos climáticos. Em termos práticos, antes de se eleger o método a ser utilizado, é necessário saber quais os elementos climáticos que estão em disponibilidade. A partir disso, verifica-se quais os que podem ser aplicados.

Um fato importante a considerar é que nem sempre o método que apresenta o maior número de parâmetros em sua estrutura é o mais eficiente para um certo local. Para se saber aquele que melhor se adapta ao local de interesse, é necessário que se procedam a testes in loco para tal fim. Para que isto seja levado a efeito, há necessidade de se contar com informações confiáveis de medições diretas da evapotranspiração, situação esta que é extremamente rara.

Vários são os métodos de estimativa da ETo e a literatura sobre o assunto é bastante vasta, entre eles Camargo (1962), Doorenbos & Pruitt (1977); Berlato & Molion (1981); Ometto (1981); Rosenberg et al. (1983); Villa Nova & Reichardt (1989) e Pereira et al. (1997).

IRRIGAÇÃO CAP.I - 8

Dentre os vários métodos de estimativa da ETo, muitos tem grande aceitação, enquanto outros são bastante criticados e até desprezados (Pereira et al., 1997). Segundo o autor, os critérios de rejeição, muitas vezes, não são claros ou acham-se associados à má interpretação do conceito de ETo e ao uso de lisímetros mal expostos, sem a devida área tampão, usados para o teste dos métodos.

Muitos trabalhos como os de Stanhill (1961), Camargo (1966), Hashemi &

Habibian (1979); Samani & Pessarakli (1986), e mais recentemente Soriano & Pereira (1993), Santos et al. (1994) e Camargo & Sentelhas (1997), em diferentes partes do Brasil e do mundo, vem avaliando o desempenho de diferentes métodos de estimativa da ETo. As conclusões, no entanto, variam muito segundo a condição do autor, o que dificulta ao técnico, ligado à irrigação, decidir sobre a conveniência de utilizar determinado método (Camargo & Sentelhas, 1997).

2.5.1 – Métodos diretos

A medição direta da evapotranspiração é feita por meio de lisímetros, ou mesmo pelo método do balanço de água no solo.

Estes equipamentos são tanques enterrados, contendo uma amostra representativa do solo e da vegetação que se deseja estudar, e devem representar com bastante fidelidade as condições reais de campo. As plantas dentro do lisímetro têm que ser similares às que as rodeiam em todos os aspectos agronômicos, o que inclui: variedade, estádio de desenvolvimento, condições fitossanitárias, adubação, etc.

Existem diferentes tipos de lisímetros: os de drenagem e o de pesagem mecânica ou eletrônica.

No presente estudo, vamos destacar os lisímetros de drenagem (Figura I.1).

Esses equipamentos permitem a determinação da evapotranspiração pela diferença, para um dado período de tempo, entre a água fornecida e a água percolada.

A sua estrutura básica é composta por um tanque de alvenaria que possui no fundo um dreno que possibilita o escoamento da água percolada que é recolhida por um recipiente.

IRRIGAÇÃO CAP.I - 9

Antes de se colocar o solo no tanque, há necessidade de alguns procedimentos importantes para que ele funcione adequadamente. As paredes devem receber o tratamento de um impermeabilizante para evitar fuga de água pelas laterais do tanque. Na parte inferior é necessária a instalação de um filtro, com uma espessura de 10 a 15 cm, que é feito com materiais de diferentes granulometrias. Comumente, utiliza-se camadas superpostas de britas no 0 ou no 1, cascalho fino, areia grossa e areia fina. Para se evitar aprisionamento do ar no fundo do tanque, deve-se instalar um tubo de pequeno diâmetro, junto à parede lateral, do fundo até a parte superior do tanque.

Depois de preparado, o lisímetro deverá ser preenchido com solo. Na escavação, o solo deverá ser separado segundo seus horizontes para que seja transferido para o lisímetro obedecendo à ordem do seu perfil natural. É recomendável que os níveis do solo no interior do lisímetro e fora dele sejam iguais. Em geral, recomenda-se aguardar aproximadamente um ano para se trabalhar efetivamente com o lisímetro para acomodamento do solo em seu interior.

Na operação com este tipo de lisímetro, adiciona-se água com um volume suficiente que permita drenagem. Quando cessar a drenagem, pode-se garantir que o teor de umidade do solo no interior do tanque encontra-se na sua capacidade máxima de retenção. Após um certo intervalo de tempo, adiciona-se água no tanque, também com um volume que permita drenagem. Encerrado o processo de drenagem, contabiliza-se o volume aplicado e o volume percolado; a diferença representa o volume que foi necessário para reconduzir o solo à sua capacidade máxima de retenção.

Figura I.1 - Esquema de um lisímetro de drenagem ou de percolação.

IRRIGAÇÃO CAP.I - 10

Como a evapotranspiração é normalmente expressa em milímetros por dia, basta dividir o volume retido pela área superficial do tanque, obtendo-se a lâmina equivalente, uma vez que 1 milímetro equivale a 1 litro por metro quadrado. Dividindo a lâmina equivalente ao volume retido pelo tempo entre medições, tem-se a evapotranspiração média no período considerado para a cultura pesquisada. Matematicamente, pode-se representar a evapotranspiração, utilizando-se um lisímetro de percolação, pela Equação I.2.

VpVa

ETpc

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