Como gerar arquivos PDFX3

Como gerar arquivos PDFX3

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Apresentação

A Organização Internacional de Normalização, ISO, é uma federação não governamental internacional criada em 1947, que hoje reúne cerca de 140 países. A missão da ISO é promover o estabelecimento de normas e padrões globalmente aceitos, com o objetivo de facilitar a troca internacional de bens e serviços e auxiliar o intercâmbio intelectual, científico, tecnológico e econômico entre as nações. As Normas Internacionais ISO contém especificações técnicas, critérios, regras e definições de características que garantem que materiais, produtos, processos e serviços atendam os objetivos a que se propõem.

Na área gráfica, essas normas definem desde formatos padronizados de cartões e envelopes até critérios de qualidade que devem ser observados nos processos de impressão. O Brasil é representado na ISO pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABNT, que delegou à Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica, ABTG, a responsabilidade de participar das discussões e aprovar as normas pertinentes ao setor gráfico. Para levar adiante esse trabalho, foi criado, em 1995, o Organismo de Normalização Setorial de Tecnologia Gráfica, ABNT/ONS-27, que congrega técnicos ligados às empresas fornecedoras e consumidoras de tecnologia gráfica, bem como profissionais de diversos segmentos do setor.

Atualmente, a Comissão de Estudos de Pré-Impressão do ABNT/ONS-27 encontrase empenhada em traduzir, discutir e homologar a Norma Internacional que define regras de intercâmbio de arquivos digitais para uso gráfico em Formato de Documento Portátil - PDF (Portable Document Format). Desenvolvido pela Adobe Systems Incorporated, o formato PDF está rapidamente se transformando no novo padrão mundial de transferência de documentos destinados à impressão. Sua confiabilidade e eficiência, no entanto, dependem de regras e procedimentos estritos de construção, normalizados como padrão PDF/X-3.

Fruto de um trabalho coletivo, essa cartilha foi discutida e elaborada por um grupo de técnicos que participam do ABNT/ONS-27. Aqui estão reunidas, em linguagem simples e de forma didática, as instruções e informações necessárias para a geração de arquivos PDF/X-3 adequados à nova norma internacional. A ABTG espera que este manual auxilie clientes e fornecedores na transição para o novo padrão, contribuindo para a continuidade do atual processo de modernização da Indústria Gráfica Brasileira. ABTG/ONS27

GERAÇÃO DE ARQUIVOS PDF/X-3 ABTG - Março de 2007

Introdução

O Formato de Documento Portátil, PDF (Portable Document Format), é uma evolução do formato PostScript desenvolvido pela Adobe Systems Incorporated no início da década de 80 e provavelmente será o seu sucessor no fluxo de trabalho digital da Indústria Gráfica. Graças à sua estabilidade, confiabilidade e tamanho compacto, o PDF é hoje o formato mais moderno, prático e eficiente de envio de arquivos eletrônicos para uso gráfico, um padrão adotado pela maioria dos sistemas de fluxo de trabalho (workflow) dos principais fabricantes mundiais.

O PDF traz todas as informações de uma página presente no PostScript. Mas, ao contrário deste, pode ser aberto e visualizado para conferência e até mesmo sofrer pequenas edições e modificações sem que seja necessário recorrer ao aplicativo original. Além disso, o PDF independe da plataforma na qual foi gerado (Mac, PC, Unix etc), inclui todos os elementos vetoriais, imagens e fontes usados no documento e é um formato extremamente compacto. Na sua evolução, o PDF incorporou recursos específicos para uso gráfico profissional e diversos aplicativos novos surgiram para aproveitar e estender sua funcionalidade.

Existem diversas maneiras de produzir arquivos PDF. As versões mais modernas dos aplicativos de editoração eletrônica oferecem a opção salvar ou exportar as páginas em PDF. Há, ainda, sistemas baseados em impressoras virtuais que possuem o recurso de imprimir para arquivo (print to file) no formato PDF. Alguns aplicativos mais atuais já apresentam a confiabilidade e a precisão necessárias para o criação de um arquivo PDF destinado ao uso gráfico profissional.

Além disso, dada a sua versatilidade de uso, o PDF tem capacidade de incorporar elementos multimídia (sons, filmes, animações etc), funções de formulários (menus automáticos, campos para preenchimento etc), recursos de internet e bancos de dados (hiperlinks e catalogação automática), sem contar com anotações e comentários de revisão. Todas essas ferramentas são desnecessárias em um PDF destinado à impressão e podem causar erros no processamento dos arquivos. Por isso, foram definidos alguns padrões restritos (subsets) de PDF, específicos para uso gráfico (conhecidos como PDF/X), no qual esses recursos são eliminados e os arquivos são construídos conforme normas rígidas.

O subset PDF/X-3 é um desses padrões internacionais, normalizado pela ISO (Organização

Internacional de Normalização). O Organismo de Normalização Setorial de Tecnologia Gráfica, ONS27, no âmbito da Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica, já vem publicando a norma no Brasil.

O padrão PDF/X-3 prevê arquivos seguros e confiáveis, montados a partir de informações genéricas e universais, permitindo seu uso por todos os sistemas de fluxo de trabalho gráfico que suportam o formato PDF, independente do aplicativo e da plataforma em que os documentos originais foram criados. O objetivo final é garantir um intercâmbio de arquivos no modo conhecido como troca cega (blind exchange): o criador do arquivo não precisa obter nenhuma informação sobre o sistema de trabalho do fornecedor destinatário (bureau de serviços, gráfica, editora, etc), e este também não necessita de informações adicionais sobre o processo de geração do arquivo PDF/X-3.

Para se enquadrar na norma, o PDF/X-3 deve ser criado a partir de um arquivo PostScript, que é convertido para o formato PDF com uso de um aplicativo apropriado, como o Acrobat Distiller (Adobe), o PDF Normalizer (Agfa) e o Prinergy (Kodak), entre outros. Módulos de salvamento ou exportação direta podem ser utilizados desde que tenham sido testados exaustivamente. Todos os elementos de impressão de um arquivo PDF/X-3 podem ser intercambiados seja como valores para o dispositivo de saída ou como dados definidos colorimetricamente. No entanto, ambos os tipos de dados, se presentes, devem ser preparados para uma única condição de impressão caracterizada anteriormente à troca. Os arquivos PDF/X-3 devem conter as imagens definitivas incorporadas e todas as fontes tipográficas que serão usadas na produção do impresso devem estar embutidas.

É importante ressaltar que um leitor PDF/X-3 deve ser capaz de processar um arquivo PDF/X- 1a corretamente criado, caracterizando-se assim o que é indicado pela norma: o PDF/X-1a é um sub-conjunto do PDF/X-3.

Parte 1: criação dos arquivos PostScript

Para que possam ser adequadamente convertidos para PDF/X-3, os arquivos PostScript necessariamente devem possuir algumas características particulares. As informações abaixo são genéricas. Eventualmente, alguns valores podem ser modificados conforme instruções específicas do fornecedor destinatário do arquivo (bureau de serviço, gráfica, editora, etc).

Características que os arquivos PostScript devem ter: • Devem ser do tipo composto (composite).

• Documentos com mais de uma página podem ser salvos em arquivos individuais para cada página, ou em um único arquivo PostScript, com as múltiplas páginas incluídas na seqüência direta da numeração. No segundo caso, as páginas em branco (blank pages) devem ser colocadas no documento de paginação da obra e incluídas no arquivo PostScript.

• Todo arquivo PDF/X-1a conforme também é um arquivo PDF/X-3 conforme. Nos arquivos PDF/X-1a todos os elementos das páginas (inclusive imagens e ilustrações) devem utilizar valores CMYK (sem perfil ICC associado) preparados para a condição de impressão caracterizada, definida no OutputIntent. O PDF/X-3, além dessa opção, admite o uso de objetos definidos colorimetricamente, utilizando-se espaços de cor tipo ICCBased (Gray, RGB, CMYK e Lab) ou mecanismos alternativos, tais como CalRGB, CalGray ou Lab.

• Para os efeitos desta Cartilha, todas as cores definidas como “cores especiais” (spot colors) serão impressas como cores adicionais ao CMYK. Assim como no PDF/X-1a, no PDF/X-3 é permitido o uso de cores especiais (spot colors). As cores spot devem ser especificadas como Separation ou DeviceN. Sempre que se utilizar cores especiais, entre em contato com o seu fornecedor para definir os parâmetros técnicos.

• Versões definitivas de alta resolução (hi-res) das imagens devem ser incorporadas integralmente aos arquivos PS.

• As marcas de corte (crop marks ou trim marks) e outros elementos externos à página (registration marks, page info etc) devem necessariamente ser incorporadas no PostScript. Em programas que ofereçam opção de afastamento destes elementos, elas devem estar posicionadas a, no mínimo, 10 pontos tipográficos (3,5 m) da borda do documento. O uso das marcas de sangria (bleed marks) deve ser evitado salvo orientações diversas dos fornecedores.

• O formato do papel (paper size ou media size) definido na saída do PostScript deve ser, no mínimo, uma polegada (2,54 cm) maior que o tamanho de corte do documento nas duas dimensões, a fim de abrir espaço para as marcas de corte e informações de página. Por exemplo: documentos com 21 X 28 cm podem ser fechados em papéis 23,54 X 30,54 cm ou maiores. O documento e as marcas de corte devem estar centralizados no papel (horizontal e verticalmente).

• Elementos gráficos posicionados junto às bordas do documento devem possuir sangria (bleed) de, no mínimo, 3 m para além da linha de corte. Nos aplicativos onde a extensão da sangria precisa ser definida no fechamento do arquivo, a mesma deve ser acertada para 3 m ou mais, conforme especificações do fornecedor.

• Todas as fontes tipográficas utilizadas no documento – preferencialmente do padrão PostScript Tipo 1 – devem ser incorporadas no arquivo PostScript. Fontes especiais (True Type, Open Type etc) podem ser convertidas para curvas ou incorporadas ao PostScript conforme instruções do fornecedor.

Observação: os ajustes de encaixe entre as tintas (trapping) definidos nos aplicativos de paginação são desconsiderados na geração do PDF do tipo composto (composite) e sua aplicação passa a ser de responsabilidade do fornecedor. No entanto, as informações de sobreposição de cor (overprint) são preservadas e devem ser especificadas pelo criador do arquivo. É prática corrente de mercado forçar o overprint de elementos de textos 100% preto mesmo que o arquivo não esteja configurado desta maneira. Caso o projeto gráfico demande um comportamento diferente, entre em contato com o fornecedor para saber como proceder.

Características que os arquivos PostScript não podem ter: • Separação prévia de cores (PostScript pré-separado).

Parte 2 - Conversão PostScript-PDF

Estando com o arquivo PostScript preparado conforme as instruções acima, é preciso convertêlo para o formato PDF com uso de um aplicativo específico. As instruções abaixo são para uso do Acrobat Distiller (versões 6, 7 e 8) – que faz parte do pacote Adobe Acrobat. Versões anteriores do Distiller não devem ser utilizadas.

As opções de trabalho (job options) do Acrobat Distiller são os ajustes mais importantes do aplicativo e definem a qualidade e a adequação dos PDFs para uso gráfico. Para gerar um PDF/X-3, o usuário deverá ajustar essas opções conforme as instruções que se seguem para cada aba.

Acrobat Distiller 6 Acrobat Distiller 7

1) General

Principais ajustes:

• A compatibilidade deve ser ajustada para PDF versão 1.3 (gerada pelo Acrobat 4 ou superior). Essa é a versão do PDF usada no padrão PDF/X-3. Versões mais recentes possuem recursos que não são compreendidos pelos sistemas de fluxo de trabalho. As opções Object-Level Compression e Auto-Rotate Pages, abaixo de Compatibility, devem estar em off.

• A lombada da encadernação (binding) fica no lado esquerdo (padrão em revistas e livros ocidentais). A resolução deve ser igual a que será usada no dispositivo de saída final (2400 dpi ou 2540 dpi na maioria dos casos).

2) Images

Os ajustes de compressão têm relação direta com a qualidade das imagens e o tamanho final dos arquivos PDF. As opções abaixo foram testadas pela equipe que produziu essa cartilha e permitem assegurar alta qualidade das imagens dentro do menor tamanho possível de arquivo, facilitando o processo de transmissão dos PDFs via Internet. Eventualmente, o seu fornecedor pode recomendar ajustes diferentes.

Acrobat Distiller 6 Acrobat Distiller 7

Principais ajustes:

• As imagens coloridas e em tons de cinza (Color Images e Grayscale Images) são ajustadas para que a resolução fique – no máximo – em 300 dpi. Imagens com resolução acima dessa sofrem redução da resolução (downsampling) do tipo Bicúbico para adequarem-se à resolução máxima. O downsampling reduz o tamanho do arquivo e tem influência pouco significativa na qualidade final da saída.

• O sistema de compressão (Compression) é ajustado para modo automático (Automatic (JPEG)), onde o aplicativo seleciona o algorítimo de compressão mais adequado, com padrão de qualidade alto (high). Isso garante uma compactação bastante eficiente no arquivo, sem alterações ou perdas perceptíveis nas imagens.

• As imagens monocromáticas (traço) não devem sofrer downsampling para evitar o surgimento de padrões de moiré em arquivos pré-reticulados (como os gerados por sistemas copydot). A compactação usa o algorítimo CCITT Grupo 4.

3) Fonts

Acrobat Distiller 7

Principais ajustes:

• Todas as fontes usadas no documento devem ser incorporadas no PDF (Embed all fonts). Quando o PDF/X-3 for gerado a partir de arquivo PostScript, as fontes já devem ter sido embutidas dentro do PostScript conforme as instruções da parte 1 desta cartilha.

• A opção de sublistar (subset) permite ao Distiller incluir no PDF apenas a parte da fonte que está sendo realmente utilizada. Este recurso, embora reduza ligeiramente o tamanho dos arquivos para pré-impressão, impede que o mesmo sofra alterações de texto. Por isso, é recomendável que ele não seja habilitado.

• Caso a inclusão das fontes não possa ser feita (em função de arquivos defeituosos ou perdidos, ou ainda de fontes protegidas contra cópia), o Distiller está configurado para cancelar a tarefa e gerar uma mensagem de erro (Cancel Job).

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