apostila silvicultura aplicada

apostila silvicultura aplicada

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Quando da instalação de uma floresta de Platanus spp, é importante observar com cuidado a qualidade do sítio, tendo cuidado para não realizar investimentos em solos não apropriados para a cultura. No quadro 4 pode-se observar as características do solo exigido para a implantação desta espécie.

Quadro 4: Qualidade do sítio para a cultura do Platanus spp segundo (BRISCOE, 1969).

Fator Influência Sitio Adequado Sitio Não Adequado

Física do solo

Material de origem Histórico da área Morfologia da superfície

Textura média Boa estrutura

Grande porosidade Sítio novo

Argiloso

Estrutura deficiente

Compactado Desgastado

Nutrientes Uso passado da área Material de origem

M. O. maior que 2 %

Horizonte A maior que 15 cm pH entre 5. 5 e 8.0 Solo jovem

M. O. menor que 1%

Horizonte A menor que 15 cm pH entre 8.5 e 9.0 ou menor que 4.5 Solos velhos

Umidade

Fisiografia e posição do relevo Profundidade do lençol freático História da área

Chuva normal

Umidade permanente durante a estação de crescimento

Seca durante a estação de crescimento

Aeração do Solo História da área Drenagem do solo

Cor do solo ( preto Marrom ou vermelho )

Solo cinzento

Variação na superfície Água permanente

O preparo do solo e do sítio é importante para a sobrevivência e crescimento das mudas no campo. Normalmente usa-se lavrar e gradear a uma profundidade de 20 a 25cm, dependendo do procedimento de plantio. A espécie é muito sensível à mato competição quando plantados com mudas de tamanho

rios. (BRISCOE 1969 )

pequeno. No que se refere à regeneração natural, o platanus spp aparece, na sua área de ocorrência natural, associada a outras espécies pioneiras, as quais invadem as áreas abandonadas, tornando-se dominante ao longo dos riachos e

(THONART, 1997)

No Brasil o preparo do terreno depende do tipo de solo sendo recomendado a subsolagem, quando o solo apresentar camadas de impedimento, cuja profundidade depende da profundidade do impedimento.

local de plantio

É comum usar também abertura de covas com trado perfurador de solo acoplado no sistema hidráulico do trator. Deve-se salientar que este tipo de abertura de cova é inviável devido a seu alto custo. A prática mais adequada, econômica e viável seria a subsolagem e com coroamento e coveamento no

Quando o plantio for executado em pequenas propriedades, a abertura de covas pode ser manual, sendo que as dimensões das mesmas dependem do tamanho das mudas.

subsolagem como tipo de preparo do terreno

No Brasil os plantios comerciais, normalmente são efetuados utilizando a

As grandes plantações de plátano tem sido realizadas através de mudas, cujo diâmetro do colo está entre 0.5 a 1.5 cm, tendo-se ainda pouca informação sobre a relação entre o diâmetro do colo e o crescimento inicial. O tamanho (comprimento das estacas variam de 32 a 50cm) (BRISCOE, 1969).

Como a maioria das espécies decíduas, o platanus spp aceita melhor o plantio na estação de queda das folhas, embora algumas mudas possam sobreviver em plantios quando estiver com brotações nova, neste caso é importante retirar as brotações. Mudas inativas podem ser guardadas em baixas temperaturas durante quatro meses, podendo após este período serem plantadas com sucesso. O plantio desta espécie é muito semelhante às outras espécies, sendo o importante ter cuidado com o sistema radicular para não ficar dobrado no momento do plantio e mesmo não danificá-lo provocando lesões e distorções A profundidade de plantio pode ser igual à profundidade das mudas nos viveiros, salientando que a profundidade não tem nenhuma influência negativa desde que tenha ramos acima da superfície do solo.

inverno anterior, as quais apresentam crescimento exuberante

No Brasil, especialmente no Rio Grande do Sul, o plantio é feito utilizando mudas de 1.5 a 2.0 m de altura, proveniente de estacas plantadas no viveiro no

Considerando o grande tamanho das mudas é necessário uma poda cuidadosa das raízes e o plantio com muita atenção para evitar o entrelaçamento das raízes.

Espaçamento

A otimização do espaçamento varia com a finalidade do plantio, por exemplo, quando se planta platanus spp para celulose o espaçamento pode ser mais denso do que plantios para toras visando madeira serrada. Quando o objetivo for grandes toras os plantios podem ser bem amplos e conduzidos através de um eficiente programa de desrama. Nos Estados Unidos o espaçamento recomendado é de 3m x 2m, naquelas condições a taxa de sobrevivência está em torno de 90% (McAlpine et al., 1966, apud BRISCOE, 1969).

Tratos culturais

A maioria dos plantios de Platanus spp são estabelecidos sem os devidos cuidados, sem qualidade, razão pela qual o crescimento é muito pequeno. Quando a plantação é mantida no limpo o desenvolvimento é bem mais eficiente. Em plantios efetuados em solo bem preparado, as mudas conseguem escapar da concorrência das ervas daninhas, evitando a forte concorrência inicial. No primeiro ano pode ser necessário até cinco limpezas, e a partir do segundo ano esta prática pode ser dispensada, tornando-se um investimento muito

fósforo é fator limitante para o crescimento da mesma

econômico. BRISCOE, (1969). A adubação aumenta o crescimento do plátano (Bradfoot & Ike, 1967, Apud BRISCOE, 1969). No entanto, (Gilmore, 1965 Apud BRISCOE 1969) informa que são poucas as informações disponíveis sobre experimentação de fertilização da espécie, embora se saiba que a deficiência de

Após a análise do solo pode-se aplicar calcário e fósforo com antecedência de até três meses, enquanto o nitrogênio pode ser aplicado durante ou até mesmo após o plantio.

Nos plantios com espaçamento mais largo os tratos culturais podem ser mecanizados, através de roçadas ou de gradagem na entrelinha.

Figura 1: Tronco de árvore de Platanus x acerifolia.

Figura 2: Árvore de Platanus X acerifolia. Figura 3: Plantio comercial de Platanus x acerifolia.

GÊNERO Pinus

Nativos do Caribe (com mais de 2 dúzias) e do Sudeste Asiático (menos de 1 dúzia), as espécies tropicais de pinus são de grande importância para o setor florestal.

Uma grande parte das espécies são cultivadas em toda área tropical e subtropical.

A utilização preferencial de pinus deve-se principalmente aos seguintes fatores:

•Amplo espectro de espécies, o que por sua vez torna possível a escolha de uma que melhor se adapte as respectivas condições ambientais do sítio; •Muitas dentre elas têm uma amplitude muito vasta em relação ao sítio;

•Boa parte das espécies consegue desenvolver-se mesmo em solos de baixa fertilidade e secos por natureza, ou degradados e abandonados;

•Muitas espécies apresentam um rendimento volumétrico elevado, ou até muito elevado, mesmo em condições ambientais desfavoráveis;

•Por serem espécies pioneiras pouco exigentes, os pinus prestam-se bem para o florestamento, assim como para o plantio de povoamentos simples e esquemáticos;

•Os pinus produzem, em grande quantidade e qualidade constante, um tipo de madeira característico de coníferas, o qual, com sua limitada ocorrência natural nos trópicos e subtrópicos, é particularmente cobiçado e necessitado como matéria-prima para a fabricação de celulose, papel, chapas, etc.

No que se refere à obtenção de sementes, das diferentes espécies do gênero pinus, os cones (frutos) são escolhidos ainda quando em processo de maturação bastante adiantado. Dos pinheiros exóticos que já apresentam frutificação com uma certa regularidade na região Sul do Brasil, destacam-se: Pinus elliottii, Pinus pinaster e Pinus taeda. A maturidade dos cones de Pinus sp., ocorre de março a abril, quando estes apresentam uma coloração marrom. A maturação é reconhecida também quando os cones são colocados em óleo mineral SAE 20 e as sementes permanecem em flutuação. Os cones pesam em média 46,6 g, com dimensões de 12,5 cm x 4,5 cm, com uma produção média de 10 gramas de sementes. Após colhidas, as sementes são colocadas em peneiras expostas ao sol para a liberação das sementes, levando de 3 a 10 dias, conforme as condições climáticas. Em galpões especiais, os cones são armazenados até a completa maturação, onde se abrem, deixando cair as sementes, que são beneficiadas em armazéns, sob refrigeração. Sob temperatura ambiente, as sementes de Pinus spp., originárias de climas temperados, perdem o poder germinativo. As sementes devem ser secas e guardadas em recipientes fechados à temperatura de 5°C. As sementes das coníferas (Pinus spp.) caracterizam-se por serem aladas e possuírem pequenas dimensões, resultando em apreciável quantidade por unidade de peso. As sementes apresentam grande quantidade de óleo em suas substâncias de reserva, o que possibilita grande resistência na armazenagem, com teor mínimo de umidade.

Como as sementes são aladas, o maior inconveniente para a semeadura são as asas, devendo por isso, serem desaladas antes.

ADUBAÇÃO DE BASE Produzindo mudas em recipientes plásticos recomenda-se 150 g de N,

700 g de P2O5, 100 g de K2O e 200 g de “fritas” (coquetel de micronutrientes na forma de óxidos silicatados) por cada m3 de terra de subsolo. Considerando-se que os níveis de Ca e Mg nas terras de subsolo são muito baixos, recomenda-se a incorporação de 500 g de calcário dolomítico por m3 de terra de subsolo. Garantindo desta forma, o suprimento de Ca e Mg para as mudas. Para mudas produzidas em tubetes de polipropileno deve-se usar 150 g de N, 300 g de P2O5, 100 g de K2O e 150 g de “fritas” por m3 de substrato. Geralmente os níveis de pH, Ca e Mg nos substratos utilizados neste sistema são elevados, sendo a aplicação de calcário dispensada.

ADUBAÇÃO DE COBERTURA No caso de mudas produzidas em recipientes plásticos deve-se usar 100 g de N mais 100 g de K2O, parceladas em 3 ou 4 aplicações. Recomenda-se dissolver 1 Kg de sulfato de amônio e/ou 300 g de cloreto de potássio em 100 litros de água. Já para as mudas produzidas em tubetes, que possuem substrato com elevada permeabilidade, o que facilita a lixiviação, e ao pequeno volume de espaço destinado a cada muda, faz-se necessário fazer adubações de cobertura mais freqüentes. Para a aplicação destes nutrientes, recomenda-se dissolver 1 Kg de sulfato de amônio e/ou 300 g de cloreto de potássio em 100 litros de água. As mudas devem ser regadas a cada 7 a 10 dias de intervalo, até que as mudas atinjam um tamanho desejado.

As operações de preparo de solo e plantio dependem das condições do sítio, mas atualmente existe uma tendência de fazer o preparo reduzido do terreno, aplicando somente a quantidade de adubo recomendado pela análise do solo e a limpeza e manutenção do plantio é feita mediante capina química com ROUNDUP. No Brasil, algumas espécies de pinus são utilizadas na forma de plantios homogêneos. A seguir, as principais espécies utilizadas serão descritas quanto à área de ocorrência, sítio, silvicultura e utilização.

Pinus elliottii

Esta espécie é composta de duas variedades distintas: Pinus elliottii var. elliottii e Pinus elliottii var. densa, esta espécie tem sua área natural de ocorrência no sudeste dos Estados Unidos. A variedade elliottii ocorre no sul dos estados do Mississipi, Alabama, Geórgia e Carolina do Sul, bem como no norte da Flórida, entre os paralelos 28° e 33° N. Em sua área natural de ocorrência, restringe-se a altitudes de 0 -150 m. Nas áreas tropicais de plantações, seu reflorestamento é feito principalmente em altitudes de 500 a 2.500 m.

O Pinus elliottii var. elliottii tem uma preferência natural por solos ácidos e arenosos localizados sobretudo em baixadas e junto a cursos de água, bem como de maneira geral em áreas com o lençol freático próximo a superfície. Em elevações mais secas, esta variedade cede lugar ao Pinus palustris, passando a formar com o mesmo um mosaico de pequenos povoamentos puros e ralos.

A temperatura média anual oscila entre 15 e 24°C (com 4 a 12°C para o mês mais frio e 23 a 32°C para o mês mais quente). Os índices de precipitação anual variam de 650 a 2.500 m, com um período seco de no máximo 2 a 4 meses (P<40 m). O Pinus elliottii é bastante resistente a geadas (seu limite setentrional de ocorrência corresponde à isotérmica de -7°C de temperatura anual mínima); essa espécie é tolerante a ventos com elevados teores de sal.

Sendo uma espécie heliófila de crescimento rápido, o Pinus elliottii usufrui de alta competitividade em relação às gramíneas e arbustos lenhosos. Em condição de floresta natural, a produção regular de sementes tem início a partir dos 20 anos de idade e só alcança quantidades comercialmente interessantes a cada 3 anos.

Geralmente o plantio pode ser realizado de 6 a 8 meses após a semeadura (tendo a plântula uma altura aproximada de 30 cm). As mudas de Pinus elliottii podem ser transplantadas com raízes nuas.

A maioria das plantações são destinadas a produção de madeira industrial, com uma rotação aproximada de 20 anos. No caso da madeira comercial, faz-se necessária, a partir da idade de 8 a 12 anos, a execução regular de desbastes e podas em intervalos de 5 a 10 anos. O incremento oscila entre 10 e 20 m³ ha-1 ano-1.

Dentre as pragas e doenças mais frequentes que atacam as espécies de

Pinus, destacam-se as causadas por fungos, tais como os gêneros Fusarium, Cronartium e Rizoctonia. O Pinus elliottii var elliottii é considerado como a espécie mais resistente a Diplodia pini. Em sua área natural de ocorrência, o Pinus elliottii é tido como sensível ao fogo.

Rica em resina, a madeira do Pinus elliottii é mais densa e dura do que a das demais espécies de Pinus (0,50 a 0,56 g/cm³). A madeira não é muito durável, mas é facilmente impregnável.

Nos Estados Unidos, a madeira do Pinus elliottii é empregada para construções pesadas e leves, bem como na confecção de embarcações e caixas. A madeira preservada é transformada em postes e vigas. No Brasil é utilizada para construções, como tábuas, caibros, revestimento interno, etc. O Pinus elliottii var. elliottii também fornece madeira de fibras longas, própria para a fabricação de pasta mecânica, papel e celulose.

Pinus taeda

O Pinus taeda é natural das regiões sul e sudeste dos Estados Unidos, entre as latitudes 28º e 39ºN e longitudes 75º a 97ºW (Figura 1). A precipitação média anual nessa região varia de 900 a 20 m, com boa distribuição durante o ano ou estacional com até dois meses de seca. A temperatura média anual varia de 13ºC a 19ºC, com a média das máximas do mês mais quente entre 20ºC e 25ºC e a média das mínimas do mês mais frio entre 4ºC e 8ºC.

FIGURA 4 – Distribuição natural do P. taeda nos Estados Unidos da América.

A área de ocorrência natural do Pinus taeda é dividida em duas partes: a área maior ocorre à leste do rio Mississipi, formando populações contínuas de Mississipi até Delaware, e a oeste do rio Mississipi ocorre uma população isolada, em uma região sujeita a secas mais prolongadas, no Texas.

Segundo Harlow & Harrar (1969), o P. taeda cresce em ampla variedade de solos, com bom desenvolvimento em sítios com bastante umidade e pouca drenagem, ocorrendo também em locais secos. Essa espécie tem ótimo crescimento em solos moderadamente ácidos, de textura média. A madeira de Piuns taeda é de alta qualidade para muitos usos, como construção civil, fabricação de móveis, chapas e celulose. Esta espécie não é produtora de resina.

Pinus patula ÁREA DE OCORRÊNCIA

O Pinus patula é uma espécie nativa do México. Sua área de ocorrência é limitada e descontínua, encontrando-se preponderantemente em três zonas florestais das encostas orientais da Sierra Madre Oriental entre paralelos 18° e 21° N, em altitudes de 1.800 a 2.700 m. A área de maior concentração das plantações está situada na África oriental, central e meridional, regiões sobre as quais recai uma percentagem superior a 95% do total plantado. Esta espécie de pinus apresenta uma produtividade particularmente elevada em altitudes a partir de 1.0 m. As plantações estendem-se desde o equador até o paralelo de 72° S, na Nova Zelândia.

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