apostila silvicultura aplicada

apostila silvicultura aplicada

(Parte 3 de 5)

SÍTIO Na área de ocorrência natural, o Pinus patula desenvolve-se preferencialmente em clima quente e temperado, com a temperatura anual média de 12 a 18°C (com um mínimo absoluto de -10°C). A precipitação anual oscila entre 1.0 e 2.0 m, com incidência preponderante de maio a outubro.

Pinus patula tem bom crescimento nas áreas tropicais e subtropicais com chuvas de verão ou de monção.

Segundo WORMALD (1975), o êxito com tentativas de introdução depende de três fatores:

1) Disponibilidade de água durante o ano todo. São favoráveis neste sentido os solos profundos que permanecem úmidos mesmo durante o período seco. Quanto à precipitação pluviométrica, o ideal é que esta seja regularmente distribuída ao longo do ano. Devido ao sistema radicular bem desenvolvido, o Pinus patula ainda tem um crescimento satisfatório em regiões com precipitação anual de 750 m. Em solos pouco profundos, a espécie não vinga nem mesmo com precipitação anual de 1.250 m. 2) Acidez do solo. O Pinus patula pode desenvolver-se em solos com características químicas muito diversas, ao passo que o teor de nutrientes parece ser de importância secundária. O aspecto decisivo, porém, é que os solos sejam ácidos (pH inferior a 7,0). 3) Limites de temperatura. O Pinus patula suporta, no período de dormência, até temperaturas em torno de -10ºC (leves geadas), mas a temperatura média máxima do mês mais quente tem de ficar abaixo dos 29ºC para que possa haver um desenvolvimento normal.

Esta espécie de pinus também é heliófila, de crescimento rápido e atinge precocemente sua maturidade reprodutiva, produzindo já a partir do quinto ano sementes viáveis.

Na África oriental, central e meridional, tem início a partir dos 8 aos 10 anos de idade, formação anual e abundante de cones, cuja maturação ocorre num período de 2 a 30 meses. Uma vez maduros eles permanecem fechados na árvore durante 1 ou 2 anos, o que torna conveniente realizar a colheita de cones do período seco, quando as condições são mais propícias à extração das sementes.

Dada a predisposição das mudas ao tombamento, recomenda-se em viveiros manter uma boa drenagem e moderada acidez do solo nos canteiros de semeadura e repicagem. As plântulas crescem em ritmo relativamente lento, exigindo, conforme a altitude, de 6 a 12 meses para a formação de mudas suficientemente viçosas (30 cm de altura).

Durante o preparo do solo, não aconselha-se à queima devido à enfermidade provocada pela Rhizina undulata.

Recomenda-se, para uma rotação de 15 a 25 anos, um desbaste na idade de 10 anos, a fim de reduzir o número de árvores para 990 ha-1. Uma vez que a desrama natural do Pinus patula é insuficiente, faz-se uma poda de galhos verdes a uma altura de 1,8 a 2,4 m na idade entre 4 e 6 anos, facilitando-se assim o acesso e reduzindo o perigo de fogo. Em plantações destinadas à produção madeireira, as podas devem ser realizadas em alturas de 5 a 7 m e 1 a 12 m.

O incremento médio anual varia conforme o sítio e o tratamento, oscilando entre 10 e 40 m³ ha-1 ano-1 para uma rotação de 30 a 40 anos. Além da Rhizina undulata, é a Diplodia pini a principal praga das plantações de Pinus patula, particularmente em regiões freqüentemente assoladas por chuvas de granizo.

Na forma de plantações, o Pinus patula produz um tipo de madeira leve, destituída de cerne genuíno, de cor clara com anéis de crescimento amarronzado, muito nodosa, mas com baixo teor de resina. Trata-se de madeira de baixa resistência mecânica, no entanto é de fácil impregnação. A madeira pode ser empregada em trabalhos de marcenaria. É muito apropriada para a confecção de caixas e material de embalagem (desenrolado), para trabalhos leves de carpintaria, bem como para a fabricação de chapas e aglomerados.

GÊNERO Eucalyptus

A primeira descrição botânica do gênero sob o nome de eucaliptos foi feita em 1788 pelo botânico francês Charles-Louis L’ Héritier de Brutelle.

O nome genérico eucaliptos é derivado do “eu” significa “boa”, “calyptus” significa “cobertura”, logo “boa cobertura”, referindo-se a capa ou opérculo que cobre o estigma e estames até que a mesma caia e as flores se abram (anteras). Foram necessários 80 anos após a descrição original para que surgisse a primeira e verdadeira lista com nomes de eucaliptos conhecidos. O gênero Eucalyptus pertence a família Myrtaceae (Sub-família Leptospermoidae). Através de características fenológicas como tipo de inflorescências, botão floral e frutos, são conhecidas mais de 650 diferentes espécies de eucaliptos.

somente uma espécie ocorre nas Filipinas

Os eucaliptos são conhecidos como árvores Australianas. A maior parte das espécies e subespécies são endêmicas do continente Australiano e ilhas adjacentes. Entretanto algumas espécies ocorrem naturalmente em Papua Nova Guiné ao norte da Austrália e algumas espécies ocorrem somente na parte oeste do arquipélago da Indonésia como Timor, Sonda, Flores e Wetar e

No Brasil, até 1911, Navarro de Andrade cultivou no estado de São Paulo 75 espécies do gênero Eucalyptus dentre as quais merecem destaque: E. camaldulensis, E. tereticornis, E. citriodora, E. saligna, E. diversicolor, E. corinocalyx, E. triantha, E. botryoides, E. oblíqua, E. globulus, E. maculata, E. longifolia e E. robusta. Este mesmo silvicultor ao final de seu trabalho acabou por introduzir 144 espécies em todo o Brasil, das quais 110 permaneceram. Destas, após diversos estudos experimentais, somente algumas permaneceram e são empregadas em plantios comerciais de larga escala. Conforme dados da Sociedade Brasileira de Silvicultura, no Brasil no ano de 2000 foram plantados em torno de 2.965.880 ha de Eucalyptus.

A evolução dos eucaliptos na Austrália, pode ter respondido primeiro a uma pressão seletiva relacionada ao declínio da fertilidade do solo no desenvolvimento da paisagem, e depois de um longo intervalo de tempo, as condições mais secas do clima. Os eucaliptos não estão uniformementes adaptados aos solos com baixa disponibilidade de nutrientes e, como conseqüência da pressão de seleção mantida por um longo período de tempo, as espécies diferem em suas tolerâncias e habilidades competitivas.

A importância econômica que assume a cultura do eucalipto em nosso país decorre tanto da inerente multiplicidade de seus usos e empregos de suas diferentes espécies, como da expressiva área de florestas implantadas existentes.

A utilização do lenho de eucaliptos como madeira de uso generalizado na construção civil e nas indústrias de compensado, de papel e aplicação difundida como postes, estacas, dormentes, moirões, esticadores de cercas entre outros; como lenha e carvão, fornecendo comprovadamente apreciável combustível; a exploração da casca para tanino e de folhas para óleos essenciais. Todos estes aspectos positivos fornecem um elevado balanço econômico da essência utilitária, já que há absorção total de tais produtos pelo mercado nacional.

Embora o eucalipto seja uma essência florestal exótica, originária da

Austrália, a zona ecológica de sua cultura torna-se muito extensa, conseqüência do grande número de espécies. Desta maneira, em todo o Brasil, a sua cultura tornou-se perfeitamente exeqüível, do ponto de vista econômico.

A profundidade do solo, sem dúvida alguma, é fator básico para o êxito da cultura florestal. Solos profundos, com adequadas propriedades físicas e químicas, oferecem as condições ideais para o desenvolvimento deste gênero, embora encontremos plantações com desenvolvimento igualmente satisfatório em solos fracos de arenitos, com índices de pH realmente baixos.

Há um número muito grande der espécies distribuídas em todo o mundo.

No Brasil, entre muitas outras, destacam-se: Eucaliptus alba, E. botryoides, E. camaldulensis, E. citriodora, E. grandis, E. maculata, E. longifolia, E. robusta, E. saligna, E. umbellata, E. tereticornis, E. globulus, E. microcorys, E. pilularis e E. trabuti e E. viminalis.

O E. alba por ser largamente empregado nas fábricas de papel, ainda é recomendado na exploração de postes, moirões e, sobretudo, como lenha e carvão, ao lado de E. saligna e E. grandis. Das outras espécies referidas, com valor utilitário de madeira, surge, com destaque, no setor de marcenaria, o lenho de E. citriodora. No que concerne à produção de óleos essenciais, essa espécie ao lado de E. globulus, colocando-se entre as melhores espécies neste campo industrial.

Nos setores de tanino e cortiça, embora diversas espécies sejam preconizadas, desconhece-se, todavia, povoamentos industriais para esse fim específico. Para fins de estacas em edificações, citam-se os E. botryoides, E. camaldulensis e E. umbellata, com aproveitamento aos 15 anos de idade.

Dentre as espécies mais indicadas como dotadas de relativa resistência às baixas temperaturas, destacam-se os E. umbellata, E. camaldulensis e E. viminalis, enquanto o E. globulus é mencionado para extremos de altitudes. Como sensibilidade às baixas temperaturas, destaca-se o E. citriodora.

As diferentes espécies de Eucalyptus possuem características diferenciadas quanto às exigências edáfo-climáticas e sua madeira possui características variadas quanto à utilização. No Quadro 5, observa-se as características inerentes a algumas das principais espécies de eucaliptos plantadas no Brasil.

Quadro 5. Características das diferentes espécies de eucaliptos plantadas no Brasil.

Espécie Exigência em Solo Características/Utilização da Madeira

carvão e celulose. Apícola e ornamental

E. alba arenoso úmido cast. arroxeada, postes, dormentes,

E. botrioydes prefere solos arenosos, pode crescer em solos úmidos

Madeira pesada (0,95 g/cm3) dormentes, postes, construções e energia.

E. camaldulensis aluvião, úmido, subsolo argiloso e arenoso profundo madeira dura (0,70 g/cm3) principalmente para postes, dormentes, portas, móveis, carvão e celulose. Apícola.

E. citriodora

Prefere solos bem drenados, profundos, também se adapta a solos de baixa fertilidade.

Madeira pesada (0,9 g/cm3), de excelente qualidade, utilizada para serraria, cabos de ferramentas, carroceria, portas, embarcações. Folhas ricas em óleos essenciais.

E. grandis solos úmidos, bem drenados, não tolera solos hidromórficos, adapta-se bem a solos de baixa fertilidade.

Madeira com densidade de: (0,62 g/cm3) postes, carpintaria, parquet, caixas celulose e energia.

E. gummifera solo limo-arenoso ou argiloso, com boa disponibilidade de água e drenagem suficiente.

(0,70 g/cm3) grande durabilidade, sem preservação, postes, dormentes e construções pesadas. Apícola.

E. maculata crescimento de moderado a rápido em solos arenosos, de baixa fertilidade e com boa disponibilidade hídrica.

(0,85 g/cm3) excelente qualidade, fácil de trabalhar, carpintaria, máquinas agrícolas, rodas de carroça, postes tratados, chapas e celulose.

E. obliqua solos profundos, bem drenados, principalmente, solos arenosos, sítios de baixa fertilidade.

(0,62 g/cm3) alto valor comercial, serrarias, postes, dormentes, móveis, carpintaria, celulose.

E. paniculata adapta-se a grandes variedades de solos, desde os mais férteis aos menos férteis - argiloso ou arenoso.

(0,90 g/cm3) forte, flexível, difícil de trabalhar e muito durável, postes, construções gerais, painéis, celulose. Grande interesse apícola.

E. pellita solos arenosos, de baixa fertilidade e bem drenados. (0,92 g/cm3) boa qualidade, carpintaria em geral, postes, dormentes parquet e construção civil.

E. pilularis grande variedade de solos, o mais propicio deve ser arenoso, profundo e bem drenado.

(0,69 g/cm3) muito apreciado em construções navais, postes, dormentes, carpintaria, lenha, parquet, pontes etc.

E. punctata pouco exigente em solos, crescendo em solos de baixa fertilidade, porém bem drenados.

(1,05 g/cm3) resistente, construção pesada, dormentes, postes, portas e uso em geral.

E. resinifera arenosos, férteis, profundos. (0,80 g/cm3) excelente qualidade, pisos, construção naval em geral, carpintaria, móveis, carvão, postes, painéis. Uso ornamental.

E. robusta grande variedade de solos, indicado para solos úmidos, inundáveis e com drenagem deficiente, sendo grande alternativa para várzeas.

(0,62 g/cm3) madeira discutível de durabilidade restrita quando em contato com o solo -construção civil e celulose. Muito indicada para apicultura.

E. saligna própria para regiões subtropicais solos arenosos, de umidade apropriada ou argilosos não

(0,64 g/cm3) pouca duração quando enterrada sem tratamento, 2 a 3 anos. Serve para taboado, móveis, caixas, demasiadamente úmidos, crescimento reduzido em solos hidromórficos.

construção civil, parquet, celulose.

E. sideroxylon bom crescimento em solos arenosos, pedregosos, secos e argilosos bem drenados.

(0,91 g/cm3) fácil de trabalhar, construção de pontes, postes, dormentes, carvão e celulose.

E. tereticornis suporta elevado déficit hídrico, cresce rapidamente em aluviões, solos arenosos mas profundos, bem drenados, não suporta hidromorfia.

(0,7 g/cm3) muito apreciado para postes, painéis, carpintaria, parquet e celulose.

E. viminalis exige frio, com geadas e umidade no solo, em regiões altas de boa drenagem, porém com umidade suficiente

(0,6 g/cm3) madeira secundária, quebradiça, usada para compensados, parquet, embalagens, carrocerias e celulose. Apícola.

As diferentes espécies de eucaliptos, possuem uma vasta gama de utilizações: a) Lenha (8 anos): grandis, alba e saligna; b) Carvão (8 anos): botryoides, longifolia, grandis, alba, saligna e outros; c) Moirões (15 anos): alba, botryoides, bosistoana, citriodora, longifolia, maculata, maideni, microcorys, paniculata, camaldulensis, triantha, etc; d) Postes (20 anos): triantha, bosistoana, longifolia, microcorys, paniculata, propinqua, punctata, resinifera, camaldulensis, tereticornis, scabra e paulistana; e) Vigas, caibros, ripas e tábuas (20 a 40 anos): triantha, paniculata, pilularis, punctata, robusta, camaldulensis, tereticornis, maculata e citriodora; f) Celulose: saligna, alba e grandis.

O plantio executado com a formação de alinhamento em todos os sentidos, possibilita a mecanização dos tratos culturais com trator agrícola e grade com regulagem central, acavalando sobre a linha e aterrando sobre o colo da muda, com o objetivo de sufocar as ervas daninhas e proteger o sistema radicular.

Normalmente faz-se duas gradagens, perpendiculares entre si. Além desse trato cultural, em solos muito infestados por ervas daninhas realizam-se roçadas mecanizadas ou manuais de manutenção até o primeiro ano da floresta.

Quando as florestas são implantadas em áreas pedregosas (onde houve necessidade de escarificação do solo), normalmente uma roçada manual é suficiente para a formação da floresta.

De modo geral, salvo raras exceções, a floresta está implantada entre o 8º e o 10º mês, desde que o plantio tenha sido executado em época propícia.

Muitas vezes há necessidade de se fazer o coroamento em volta das mudas manualmente. Atualmente devido à prática do preparo reduzido do solo, faz-se o controle das ervas daninhas mediante aplicação de capinas químicas na linha de plantio.

A escolha da espécie deve ser feita de acordo com o tipo de solo e a finalidade do plantio. De acordo com o tipo de solo, temos: a) Solos férteis: E. pilularis, rostrata, saligna, viminalis, etc; b) Solos de baixa fertilidade: E. grandis, maculata, propinqua,etc; c) Solos secos: E. maculosa, grandis, punctata, propinqua, etc; d) Solos hidromórficos: E. alba, botryoides, globulus, maculata, tereticornis; e) Solos em terrenos baixos: E. paludosa, robusta, rudis, etc; f) Solos arenosos e úmidos: E. alba, tereticornis, viminalis, etc; g) Solos arenosos e secos: E. angulosa, albens, etc. h) Solos de origem calcárea: E. microcarpa, odorata, panchoniana, etc; i) Solos de origem granítica: E. deanei, ficifolia, leucoxilon, peltata, planchoniana; j) Solos de origem ferruginosa: E. cambageana, goniocalyx, guifoley, etc; k) Solos de origem basáltica: E. laevopinia; l) Solos salinos: E. botryoides, globulus, paniculata, pilularis, robusta, etc; m) Solos argilosos: E. alba e outras; n) Solos pedregosos: E. creba, bosistoana, etc; o) Vales: E. alba, saligna e outras.

(Parte 3 de 5)

Comentários