apostila silvicultura aplicada

apostila silvicultura aplicada

(Parte 4 de 5)

A colheita dos povoamentos florestais pode ser efetuada a partir dos 7 anos, quando destinada à produção de lenha, muito embora a idade econômica seja entre o 8º e 9º anos. Quando o seu objetivo é pasta para papel, dos 5 a 7 anos. Deve-se considerar a capacidade produtiva dos diferentes sítios quanto a época da colheita da floresta, caso se pretende assegurar a perpetuidade das áreas. O rendimento médio em função das condições edafo-climáticas e, principalmente da espécie, por hectare, é da ordem de 250 a 400 m³, decrescendo todavia no segundo corte. Já no caso da extração para celulose, pode-se adiantar que o seu rendimento mínimo corresponde a 42% sobre o peso de madeira seca.

Em se tratando de povoamentos destinados à lenha ou à celulose, o método de exploração utilizado normalmente é o da talhadia simples e regular, mediante a derrubada total do maciço. Após o corte, ocorrerá a regeneração das touças cujos brotos, em ocasião oportuna, serão selecionados e conservados no máximo em número de três. Novos cortes sucessivos serão propiciados pelo povoamento, sob turnos de cinco anos, deixando-se as touças com altura máxima de 10 cm, pelo sistema “em talude”, que confere a elas a forma cônica.

Uma forma de exploração para lenha é a seguinte: divide-se a área em 8 parcelas, de maneira a se plantar uma por ano. Ao se atingir a última plantação, pode-se iniciar o corte raso da primeira, passando-se a fazer turnos de 8 anos.

Quando o produto final do povoamento se destina à exploração do lenho como madeira - móveis, construção civil, etc - dos 30 aos 35 anos, então o regime florestal adotado será o da “talhadia composta” ou mesmo o do “alto fuste regular”. Desbastes sucessivos, em função das áreas basais de cada uma das espécies, tornam-se imprescindíveis, depois de uma certa idade, quando, aliás, a intervenção do especialista se fará necessária para a ordenação florestal racionalizada. Os diferentes desbastes fornecerão, na medida do tempo, os mais variados produtos para os mais diversos fins.

Apenas para ilustração e visando proporcionar a idéia exata do valor do eucalipto, como planta econômica, no fornecimento de material para serraria, o aproveitamento médio se faz nas seguintes bases: - 50% de madeira de primeira qualidade;

- 35% de madeira de segunda, com fendilhamento e empenamento;

- 15% de madeira próxima à medula, usada como lenha. Para que se possa fazer considerações a respeito do rendimento de alguns de seus produtos florestais, apresentam-se os seguintes dados: a) Na exploração de carvão, há necessidade de 9 a 10 m³ de lenha para uma tonelada do produto; b) Um hectare cultivado no espaçamento inicial de 2 x 2 m, dará em média 800 postes de uma altura de 8 a 10 metros; c) A produção de celulose, por hectare, para a média de 330 m³ de madeira, será aproximadamente de 48 toneladas, o que vem a corresponder a 120 toneladas para um alqueire que tenha produzido 800 m³ de madeira; d) As espécies indicadas na produção de óleos essenciais, fornecem de 1.0 1.400 gramas para cada 100 quilos de folhas verdes.

Entre as pragas de importância econômica, destacam-se as formigas saúva (Atta sexdens), e a formiga “quem-quem” (Acromyrmex rugosus) e os cupins subterrâneos, cujas espécies pertencem aos gêneros Cornitermes e Armitermes.

Outras pragas, como as lagartas das mariposas Tirinteina arnobia e

Sarsina violances, têm-se registrado esporadicamente, surtos em alguns pontos do país.

Entre as mais variadas moléstias, destacam-se o “Damping-off” das plântulas, causado por diversos gêneros de fungos, como: Pythium, Rhizoctonia, Fusarium, Corticiumm, Cylindrocladium e Phytiphtora; A “ferrugem”, causado por

Corticium monicolor e a mais perigosa delas, e o “cancro”, causado por Diaporthe cubensis.

De acordo com Aracruz (2005) estudos contínuos são realizados na empresa e estes demonstram que os eucaliptos consomem a mesma quantidade de água que outras espécies de árvores e que existe grande biodiversidade nas áreas florestais.

Os impactos dos plantios florestais sobre o meio ambiente dependem da forma de manejo utilizada. A medida que as árvores dos novos plantios de eucalipto se desenvolvem, surgem sub-bosques formados por espécies nativas que funcionam como um abrigo natural e fonte de alimentação para várias espécies da fauna.

¾ Um hectare de floresta plantada de eucalipto é capaz de produzir a mesma quantidade de madeira que trinta (30) hectares de florestas nativas tropicais;

¾ Uso da água: o consumo de água pelos plantios de eucalipto é semelhante ao da floresta nativa;

¾ Raízes: o uso da água pelo eucalipto concentra-se onde está a maior parte das raízes finas, ou seja, no primeiro 1,5 m de profundidade; ¾ Erosão: praticamente não existe nas ares de plantio de eucalipto.

O eucalipto em nosso dia-a-dia

Por ser uma árvore da qual tudo se aproveita, ele está presente em nossas vidas de formas diversas:

¾ A fibra: se transforma em celulose que é usada para fazer papéis, cápsulas de remédio, tecidos sintéticos, embalagens etc. ¾ A madeira: de utilização variada, incluindo desde móveis a postes.

¾ O óleo: é usado em produtos de limpeza, alimentícios, perfumes e remédios.

¾ A flor: é excelente melífera – mel de alta qualidade.

Fonte: Aracruz Celulose / 2005.

O eucalipto é uma árvore que:

¾ Reduz a pressão sobre a mata nativa e protege a sua fauna; ¾ Recupera solos exauridos pelo cultivo e queimada;

¾ Controla a erosão, promovendo infiltração e retenção da água no solo;

¾ Mantém a fertilidade do solo pela decomposição dos resíduos florestais;

¾ Absorve grande quantidade e gás carbônico da atmosfera, o que diminui a poluição e o calor e combate o efeito estufa; ¾ Contribui para regular o fluxo e a qualidade dos recursos hídricos;

¾ Fornece matéria-prima para produtos indispensáveis em nossas vidas;

¾ Gera empregos e mantém o homem no campo.

Fonte: Aracruz Celulose / 2005.

Figura 5: Esquema demonstrando a relação do eucalipto com o ambiente.

Nome comum: Cinamomo-gigante Nome científico: Melia azedarach L. Família: MELIACEAE

A espécie Melia azedarach é originária da Ásia, provavelmente do Baluquistão e da Kachemira, ocorrendo também na Índia, Indonésia, Nova Guiné e Austrália (var. australasica).

A espécie ocorre em regiões temperadas, subtropical e tropical, em altitudes de até 2000 m, com temperatura média anual em torno de 18°C e precipitação entre 600 e 2000 m anuais. O cinamomo tolera períodos secos e, quando adultas as árvores resistem a temperaturas de até -15°C.

O cinamomo-gigante, embora apresente comportamento superior em solos férteis e profundos, pode ser plantado em solos ácidos e arenosos. Em solos rasos e pedregosos seu crescimento é lento. Solos hidromórficos não devem ser usados para a implantação do cinamomo-gigante.

Nas regiões sujeitas a geadas, o cinamomo não deve ser plantado nos fundos de vale ou nas encostas com exposição sul.

Um problema técnico desta espécie florestal é seu alto grau de variação genética. Dentro da mesma espécie existem, botanicamente, três formas - a "sombrinha", a "comum" e a "gigante" - não muito claramente definidas e capazes de cruzar entre si.

A forma gigante, ás vezes denominada variedade sempervirens, foi introduzida em 1946-1947 na Argentina, com sementes do Brasil. Ela diferencia- se por seu maior tamanho, dominância apical e retidão do tronco, folhas de coloração verde mais escura e frutos maiores, com maior número de lóculos. Sua folha persiste por quase todo o inverno, logo as plantas são mais sensíveis ao frio. As geadas severas ocasionam danos em plantas de até quatro anos.

Quando em plantios homogêneos o cinamomo-gigante requer espaçamentos amplos, como 4 m x 3 m ou 4 m x 4 m.

O cinamomo gigante apresenta crescimento rápido, entre 24 e 4 m³/ha/ano em Missiones, Argentina, onde é a espécie mais plantada. Nesta região, ele é sensível ao fungo Laetiporus sulphureus, quando em plantios mais densos. No Paraguai, Guayabi, sua rotação é de 12 a 15 anos, devendo sofrer pelo menos dois desbastes, no terceiro e sexto anos, removendo-se em cada desbaste 50 % das árvores.

Os povoamentos podem ser manejados por talhadia. A espécie é sensível a competição por plantas invasoras. O cinamomo requer desramas nos dois primeiros anos, caso se deseje fustes limpos até 6 m de altura. Em Missiones, quando a desrama é efetuada em idades mais avançadas, a madeira poder ser depreciada pelo ataque do fungo Laetiporus sulphureus, em decorrência da maior dificuldade de cicatrização.

O cinamomo-gigante produz madeira de densidade média - 0,52 g/cm³, empregada na fabricação de móveis de luxo, serraria, laminados e compensados, estacas, vigas, esquadrias e fins energéticos. O cinamomo gigante pode ser utilizado em sistemas Agroflorestais.

Figura 6: Aspecto do tronco. Figura 7: Árvore de Melia azedarach.

Nome comum: Leucena Nome científico: Leucaena leucocephala Família: Mimosoideae

A área original de ocorrência natural situa-se nos trópicos latinoamericanos, provavelmente no México. A L. leucocephala vem sendo plantada a bastante tempo (fim do século XVI até século XVIII) em toda região tropical.

A regeneração natural é abundante em todas as localizações e, nas

Filipinas, chegou a converter a leucena numa essência típica das florestas secundárias. L. leucocephala pode atualmente ser também considerada uma essência pantropical subespontânea. A dispersão vertical abrange de 0 a 800 m de altitude, em casos isolados até 1000 m.

Até o presente momento são conhecidas mais de cem variedades que podem ser ordenadas em três grupos:

1) Grupo Havaí 2) Grupo Salvador 3) Grupo Peru

A leucena desenvolve-se tanto em regiões com quatro a cinco meses secos e precipitação entre 400 e 800 m, como também em zonas sem nítidos períodos sazonais, com precipitação anual entre 1600 e 2500 m. Constitui a espécie dominante nas zonas áridas do Havaí, com precipitação anual de 250 m e desenvolve-se ainda no México (Yucatan e Guerrero) com oito meses de estiagem. A temperatura anual oscila entre 20 e 28°C, tolerando leves geadas noturnas.

Graças à longa raiz pivotante e à capacidade de fixar nitrogênio mediante rizóbios (até 500 Kg N/ha/ano), a espécie consegue se adaptar em substratos extremamente diversos.

A leucena prefere solos profundos e levemente úmidos. Esta espécie tolera também solos ácidos, apresentando todavia bom crescimento apenas em substratos neutros até alcalinos. A espécie é considerada muito tolerante a salinização, suporta queimadas e é bastante resistente as intempéries.

Em condições naturais cresce em plena luz, tratando-se de uma espécie heliófila. Quanto à importância silvicultural esta pode ser descrita de acordo com as diversas variedades:

Grupo Havaí

• Espécie pioneira utilizada para recuperação de solo; • Florestamentos anti-erosão (usado em terraço);

• Produtora de lenha e carvão vegetal;

• Barreiras de proteção contra ventos.

Grupo Salvador

• Produção de madeira em massa (madeira para lenha e fabricação de papel), rotações de 3 a 8 anos e incremento volumétrico médio de 30 a 40 m³/ha/ano (máx. 100 m³/ha/ano);

• Espécie de povoamento auxiliar, árvore sombreadora em regimes de cultura agroflorestal; • Utilizada em recuperação de solos.

Grupo Peru

• Especialmente usada para produção de forragem (folhas, flores, frutos, botões, rebentos). Em rotações de 1 a 3 anos, a produção de matéria seca atinge 12 a 20 ton/ha/ano.

Os povoamentos destinados à produção de lenha, iniciados por semeadura direta fornecem em média, após cinco anos, 200 m³/ha de madeira aproveitável, as rebrotações do cepo chegam a atingir no primeiro ano 5 m de incremento em altura e 5 cm de diâmetro. Indivíduos de bom crescimento apresentam em idade de 8 anos DAP entre 21 e 37 cm.

Nas Filipinas foram registrados incrementos anuais de 24 a 100 m³/ha ou mais. A espécie possui elevada resistência contra riscos bióticos e abióticos. As sementes constituem alvo muito apreciado por insetos, sendo também freqüentes os danos provocados por mordeduras de animais silvestres e de pastoreio em povoamentos sem proteção. A nível de canteiro pode ocorrer "damping-off".

A leucena caracteriza-se como uma essência florestal de aplicações múltiplas. Flores, folhas, botões e ramos jovens são utilizados como verdura, os frutos podem ser comidos crus ou, tostados, serem consumidos como sucedâneo de café. Pode ainda ser utilizada como forragem para bovinos, ovinos e caprinos, não sendo porém recomendável para suínos e coelhos (mimosina), tampouco se deverá utilizar as sementes como forragem para eqüinos e ovinos (perigo de cólicas). As sementes também podem ser aproveitadas na medicina caseira como terapia contra vermes intestinais, gonorréia, perturbação de visão, etc. Como adubo verde, a leucena tem uma produção equivalente a 550 Kg de nitrogênio, 225 Kg de fósforo e 550 Kg de potássio/ha/ano.

A casca e outras partes da planta fornecem substâncias corantes e tanino de qualidade inferior. A madeira é bastante dura, pesada (densidade de 0,81 g/cm³), muito durável e fácil de trabalhar. É utilizada como lenha (elevado poder calorífico) e na fabricação de papel (madeira para papel de fibras curtas de elevada qualidade técnica, com um rendimento de quase 50%), a madeira ainda é usada na fabricação de postes, palanques, mobiliário, armações e na construção civil.

Nome científico: Acacia mearnsii De Wild. Nome comum: Acácia-negra Família: Leguminosae

A acácia-negra é uma espécie florestal que foi introduzida na Brasil, no estado do Rio Grande do Sul, na década de 30. Atualmente com uma área plantada de 100.0 hectares, envolve cerca de 10.0 pequenos produtores rurais.

Acacia mearnsii pode ser uma árvore de porte médio, inerme (Marchiori, 1997), arbusto grande ou uma árvore pequena com ramos recorrentes, geralmente atinge uma altura de 6 a 10 m (Medrado & Carvalho, 1998), mas pode alcançar uma altura entre 20 m a 25 m (Camillo, 1997). Em povoamentos jovens (2,4 anos de idade), dependendo da procedência, a altura pode ser em torno de 9,0 m a 1,0 m (Caldeira, 1998), entretanto em povoamentos com idades entre 6 a 7 anos, a altura das árvores de acácia-negra fica em torno de 17,0 m a 18,0 m (Freddo, 1997).

O rápido crescimento da acácia-negra, associado ao aproveitamento integral da madeira, torna essa espécie ideal para reflorestamento e para a utilização industrial. Sua contribuição aos mais variados segmentos econômicos e industriais é ampla, tanto pelo aproveitamento da casca para a extração de tanino (a casca possui cerca de 28% de tanino), quanto pelo uso da madeira para diversos fins, tais como a fabricação de papel e celulose, chapas de aglomerados, carvão e lenha (Embrapa, 2001).

A densidade básica é de, aproximadamente, 0,62 g cm-3 a 0,63 g cm-3 (densidade média) (Embrapa, 1986; 1988) e o peso específico 0,70 g cm-3 a 0,85 g cm-3 (Carvalho, 1994); a densidade da madeira seca ao ar, segundo Bootle

(1984) varia entre 0,5 g cm-3 a 0,80 g cm-3 e a massa específica aparente 0,56 g cm-3 a 0,85 g cm-3 (Carvalho, 1998 a; 1998 b).

Em relação ao conteúdo de macronutrientes na madeira de acácia--negra,

nutrientes que possuem as maiores concentrações

Caldeira (1998) observou que em povoamentos jovens com diferentes procedências australianas (Batemans Bay, Bodalla, Lake George Bunge Dore) ocorre uma variação desses nutrientes, sendo que o K seguido do N são os

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