apostila silvicultura aplicada

apostila silvicultura aplicada

(Parte 5 de 5)

O conteúdo de nutrientes na madeira sem-casca em acácia-negra e eucalipto é relativamente baixo, por causa do seu baixo teor, apesar deste componente possuir maior produção de biomassa (45% a 80% do total) (Caldeira, 1998). Franco & Dobereiner apud Caldeira (1998) estimam que a fixação de nitrogênio em Acacia mearnsii fica em torno de 200 kg de N ha-1, pois a taxa de fixação varia com a espécie, mas geralmente é limitada pelo ambiente.

De acordo com Franco (1994), as árvores fixadoras de nitrogênio, entre elas, o gênero Acacia podem contribuir para alta produção de proteínas, uso eficiente da água e nutrientes e proteção contra a erosão de solo. Elas podem adicionar grandes quantidades de nitrogênio ao sistema, isto é, acima de 500 kg de N ha-1 ano-1 e, ao mesmo tempo, retornar ao horizonte superficial K, Ca e Mg das camadas mais profundas do solo.

A região de ocorrência situa-se entre 34° e 44° S, em altitudes desde o nível do mar até 850 m e seu clima caracteriza-se como temperado sub-úmido e úmido, com temperatura média mínima do mês mais frio entre 0° e 5°C. Nas áreas da planície costeira ocorrem de uma a dez geadas por ano; em certas áreas do planalto podem ocorrer até quarenta geadas e a temperatura mínima absoluta pode chegar a -11°C. A precipitação anual média, na área de ocorrência natural é de 625 a 1000 m.

A acácia-negra fixa nitrogênio, através de simbiose com Rhizobium, e adapta-se a terrenos degradados, bem drenados. Na África do Sul, a acácianegra é considerada apta para solos rasos, a partir de 20 cm de profundidade. No Brasil a espécie se desenvolve em solos arenosos ou argilo-arenosos, de boa permeabilidade, com considerável profundidade, sendo em algumas zonas solos oxidados. A maioria dos solos são deficientes de fósforo e calcário, com pH médio de 5,0.

A acácia-negra cresce em zonas climáticas úmidas e subúmidas, quentes e frias. Essas regiões possuem temperatura máxima média do mês mais quente entre 2 e 28ºC. No entanto, raramente em locais onde a temperatura ultrapassa dos 38 a 40ºC, encontra-se acácia-negra. A temperatura mínima média do mês mais frio é entre 0 a 6ºC e a temperatura mínima absoluta pode chegar a -11ºC (Embrapa, 1988; Kannegiesser, 1990).

Povoamentos de acácia-negra podem ser estabelecidos em regiões de ocorrências natural com precipitações médias anuais de 625 a 1.0 m, até as mais elevadas (1.600 m ano-1) (Kannegiesser, 1990).

No Brasil, grande parte dos plantios de acácia-negra estão na região fisionômica natural do Rio Grande do Sul, denominada de Serra do Sudeste (Escudo Rio-Grandense) e Depressão Central (Dedecek et al.;1998).

O potencial das acácias em relação à tolerância às geadas está provavelmente associado com a origem, isto é, altitude, latitude e distância do banco de sementes. A maior parte do banco de sementes tolerantes às geadas são de altitudes altas ou longitudes altas no interior dos sítios da Austrália. Além disso, o teste de variações de procedências dentro de espécies é desejável (Pollock et al., 1986).

Em conseqüência da sua ampla distribuição, a acácia-negra é encontrada na Austrália nos mais diferentes tipos de solos e topografia.

Os povoamentos são encontrados em basaltos, granitos e arenitos, porém, muito comum em solos derivados de micas e ardósias metamórficas, aluviais e podzóis florestais profundos de moderado a baixa fertilidade. As texturas são, sobretudo argilosas e argilo-arenosas. Os maiores crescimentos da espécie são observados em solos úmidos, relativamente profundos, de textura leve, bem-drenados e geralmente ácidos, com um pH entre 5 e 6,5 (Marcar & Khanna, 1997). No Brasil, alguns povoamentos estão estabelecidos em solos com pH (H2O) variando entre 4,2 a 5,2 (Dedecek et al., 1998).

A acácia-negra desenvolve-se em terrenos com topografia montanhosa suave e moderada, preferindo as exposições leste e sul (Kannegiesser, 1990).

Povoamentos florestais consorciados, de acordo com Debell &

Harrington (1993), podem ser mais produtivos que plantios puros, pois isso se deve ao fato de que as plantas de diferentes espécies demandam ou afetam os recursos e condições do sítio de maneira distinta e em tempos desiguais.

Na Austrália, a acácia-negra cresce em sub-bosque de bosques altos e abertos, dominados por Eucalyptus sp. Em áreas de planície costeiras cresce com E. ovata, E. saligna, E. globulus e E. viminalis. Em área com altitudes altas se associa com E. cypellocarpa, E. radiata e E. viminalis (Kannegiesser, 1990).

O consórcio de uma leguminosa arbórea com eucalipto, a utilização do solo é maior, tanto física como quimicamente, isto é, em função das diferenças no sistema radicular e na exigência nutricional das espécies. Além destes efeitos aumenta a quantidade de nitrogênio do solo pela fixação simbiótica, pois a serapilheira formada, a partir destas plantas, será mais rica em nitrogênio, o que torna a decomposição dos resíduos vegetais mais rápida, em função da maior disponibilidade de nitrogênio para a atividade microbiana (Vezzani, 1997).

Sistemas silvipastoris com acácia-negra têm demonstrado uma série de vantagens, tais como:

¾ Aumento da renda do produtor através da diversificação da produção na propriedade;

¾ Melhorar a aproveitamento da área;

¾ Propicia uma condição favorável à produção animal, através da disponibilidade de pastagens durante todo o ano;

¾ Ameniza os extremos climáticos como secas e geadas em pastagens;

¾ Otimização da mão-de-obra existente na propriedade;

¾ Aumento na oferta de empregos;

¾ Reduz a pressão sobre florestas nativas, através da maior produção de madeira.

Da casca da acácia-negra é extraído o tanino, utilizado principalmente no curtimento de couro e peles, no tratamento de águas, efluentes e na indústria da cana, açúcar e álcool. A madeira, além do uso como lenha e carvão, é matériaprima para a fabricação de papel e celulose.

A gomose, doença do tronco causada por Phytophtora é um dos principais problemas fitossanitários da acácia-negra e ocorre nas principais regiões produtoras do Brasil, da África do Sul e dos países asiáticos. No Brasil, encontra-se distribuída em grande parte das áreas produtoras do Rio Grande do Sul. Essa doença acarreta prejuízos relevantes à cultura da acácia-negra, principalmente nas porções basal e mediana do tronco.

O serrador Oncideres impluviata causa grandes danos à acácia-negra. Os danos são causados por insetos adultos que serram os galhos e muitas vezes, o tronco da acácia. Ataca plantas de todas as idades. Quando ataca plantas de menos de 4 anos, geralmente provoca a morte.

(Parte 5 de 5)

Comentários