Apostila de Enfermagem 5

Apostila de Enfermagem 5

(Parte 3 de 10)

6 Assistência Cirúrgica

Os aventais são dobrados de forma que as mangas fiquem ao longo do corpo do avental; a abertura das costas, para o lado externo e a ponta da gola, com os amarrilhos, para cima.

Os campos de algodão devem ser duplos e, quando novos, lavados para a retirada do amido (goma). Os invólucros de papel não devem ser reaproveitados, devido ao perigo de se rasgarem.

As figuras a seguir ilustram os passos da técnica.

O pacote deve ser feito de forma a envolver todo o material - evitando-se deixá-lo frouxo -, para que este, quando esterilizado, não se contamine ao entrar em contato com o meio ambiente. O peso do pacote deve situar-se em torno de 5 quilos e seu tamanho não deve exceder as medidas de 50x30x30cm.

Técnica de dobradura de campo fenestrado

Técnica de dobradura de avental cirúrgico

Os instrumentais cirúrgicos, após verificação de sua limpeza, conservação e funcionamento, serão acondicionados em caixa metálica perfurada ou bandeja de aço inoxidável, empacotada em campo de algodão.

Para evitar perfurações durante o manuseio destes materiais, bem como conservar a sua integridade, as tesouras e pinças mais delicadas devem ser protegidas com gaze ou compressa pequena e postas na parte superior da caixa ou bandeja. Por sua vez, as agulhas, porta-agulhas, pinças de campo e pinças para antissepsia devem ser organizadas de acordo com o tipo de cirurgia.

As agulhas metálicas, utilizadas em alguns procedimentos especializados, são acondicionadas em tubo de ensaio com uma bola de algodão no fundo, para proteger suas pontas e outra na boca do tubo para fecha-lo.

Os materiais de borracha e cânulas siliconizadas de baixa pressão são acondicionados individualmente em envelope de poliamida ou papel grau cirúrgico. As extensões de borracha devem estar enroladas e presas com uma tira de gaze, e acondicionadas em campo de algodão ou em envelope de poliamida ou papel grau cirúrgico. Em algumas instituições, os materiais de corte e as agulhas são acondicionados separadamente em bandeja ou caixa.

O papel grau cirúrgico é o mais adequado para a embalagem, pois sua composição atende à uma série de características preconizadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Técnica de abertura de material estérilTécnica de empacotamento de material

6 Assistência Cirúrgica

Ao empacotar os materiais, o invólucro utilizado deve possibilitar tanto a penetração do agente esterilizante como mantê-los protegidos até o momento do uso; portanto, faz-se necessário verificar a adequação do tipo de invólucro com o processo de esterilização:

!na autoclave – são utilizados campos de tecido de algodão, papéis (grau cirúrgico e kraft), filme poliamida transparente e caixa metálica perfurada embalada em campo, para permitir a livre circulação do vapor;

!na estufa – são utilizadas lâminas de alumínio, recipiente de vidro refratário e caixa metálica fechada;

!no esterilizador de óxido de etileno – são utilizados filme poliamida transparente e papel grau cirúrgico.

O fechamento do pacote, bandeja ou caixa depende do invólucro e do processo de esterilização a que será submetido. Nos pacotes embalados com filme poliamida e papel grau cirúrgico o fechamento deste é feito por seladora. Os demais, com fita crepe simples, evitando-se deixar aberturas - esta mesma fita é utilizada para identificar o pacote e colocar a assinatura do responsável pelo fechamento.

Existe uma outra fita crepe especial que deve ser colocada no pacote – a qual apresenta listras que, quando submetidas à ação do calor, ficam escuras, identificando que o material foi submetido a processo de esterilização.

A área de esterilização, como o próprio nome diz, é o local destinado à esterilização dos materiais, pois nela se encontram instalados os equipamentos necessários a este processo. Aos funcionários que trabalham nesta área é recomendado o uso de roupa privativa ao setor, bem como luva de amianto para manuseio do equipamento e material - quando os mesmos estiverem quentes, para evitar queimaduras.

As principais formas de esterilização são:

!!!!!Por vapor saturado sob pressão

O aparelho utilizado para este processo é a autoclave, composto por uma câmara - onde se acondiciona o material, por uma válvula na porta - que mantém a pressão interna mediante instrumentos que medem a pressão e a temperatura. Seu funcionamento combina a ação do calor, pressão e umidade na destruição de microrganismos, por agirem na estrutura genética da célula.

A autoclave funciona sob pressão de 1 a 18 atmosferas, dependendo do equipamento. O tempo de exposição do material ao vapor varia de acordo com o seu tipo, temperatura e pressão atmosférica. De forma geral, para o material de superfície, o tempo necessário é de 30 minutos em temperatura de 121oC ou 15 minutos em temperatura de 134oC; para o material de densidade, 30 minutos em temperatura de 121oC ou 25 minutos em temperatura de 134oC.

Pressão atmosférica - pressão que a atmosfera exerce sobre a superfície da Terra, devido ao peso do ar.

Material de superfície - material em que o vapor tem contato apenas com a sua superfície, como vidro, borracha, inox.

Material de densidade - aquele em que o vapor penetra internamente, como pacotes, caixas e bandejas.

Este tipo de esterilização está indicado para todo material resistente ao calor úmido, como tecidos (aventais, campos cirúrgicos, campos fenestrados), materiais de borracha e de metal. É contra-indicado para materiais termossensíveis, como cateteres e materiais de terapia respiratória.

Após o material ser colocado na autoclave, inicia-se a drenagem do ar dentro da câmara e do ar residual dentro dos pacotes, para que o vapor possa entrar em contato com os materiais neles contidos.

Para assegurar a correta esterilização dos materiais, faz-se necessária a adoção de alguns cuidados que facilitam a circulação e penetração do vapor no material, tais como: utilizar somente 80% da capacidade de armazenamento da câmara, com materiais que requeiram o mesmo tempo de esterilização; evitar que os pacotes encostem nas paredes do aparelho e entre eles; colocar os pacotes maiores na parte inferior e os menores na parte superior do aparelho, dispondo os jarros, bacias e frascos com a boca para baixo, para facilitar a remoção do ar e do vapor.

Para se verificar se a esterilização dos materiais está realmente ocorrendo, deve-se observar se a pressão e a temperatura estão nos níveis programados, durante todo o ciclo. Caso isto não ocorra, o processo deve ser interrompido e a manutenção do aparelho deve ser solicitada.

Ao término do ciclo deve-se entreabrir a porta do aparelho por um período de 5 a 10 minutos, para a completa secagem dos pacotes e materiais pelo calor das paredes da câmara.

Finalmente, os pacotes devem ser retirados e só colocados em superfícies frias após perderem completamente o calor, para evitar a formação de umidade ao contato. Complementando o processo, os pacotes devem ser datados e encaminhados para a sala de armazenamento.

!!!!!Por calor seco

Este processo é realizado através de um aparelho denominado estufa, no qual o calor seco é irradiado das paredes laterais e de sua base para destruir os microrganismos. A estufa possui uma câmara para acondicionamento do material e equipamentos para medir a temperatura e controlar o tempo. Seu uso é limitado, porque o calor seco não é tão penetrante como o calor úmido e a sua distribuição dentro da câmara não se realiza de modo uniforme.

Como existem várias controvérsias em relação ao tempo necessário e a eficácia deste método, o seu uso é recomendado apenas para pós, óleos e graxas (vaselina líquida ou gaze vaselinada). Na impossibilidade de proceder a esterilização pelo método de vapor

Você já presenciou auxiliares de enfermagem colocando sobre superfície fria os pacotes ainda quentes ou secando os pacotes úmidos na estufa, ou colocando na autoclave as caixas de instrumental com a tampa semi-aberta? Você acreditaria que esses materiais estão esterilizados?

Materiais termossensíveis - materiais que se danificam sob ação do calor.

Os óleos e pós têm seu tempo de exposição e temperatura variáveis em função do volume.

6 Assistência Cirúrgica saturado sob pressão o uso do calor seco (estufa) pode ser uma possibilidade atentando para os cuidados específicos. A temperatura pode variar de 120oC a 2000C, dependendo do material a ser esterilizado e tempo de exposição.

Para garantir a eficácia da esterilização e integridade dos materiais, recomenda-se colocar pequena quantidade de instrumental nas caixas e utilizar apenas 80% da capacidade da estufa, com materiais que requeiram o mesmo tempo de exposição; as caixas maiores devem ser colocadas sobre as menores, o que melhora a condução do calor. Jamais deve-se encostar as caixas nas paredes da estufa ou dispor os materiais no centro da mesma - por ser um local de concentração de pontos frios -, bem como abrir a estufa durante o processo de esterilização.

Decorrido o tempo programado para a esterilização, o aparelho deve ser desligado e o material esfriado com a estufa fechada. Após o que, deve ser retirado e as bordas das caixas e vidros vedadas com fita adesiva.

Após a última esterilização do dia, limpar com pano úmido a câmara interna da autoclave e estufa e enxugar, repetindo o mesmo procedimento na superfície externa.

Os materiais indicados para este tipo de esterilização são os termossensíveis, tais como os marca-passos, próteses, instrumentais de hemodinâmica, acessórios de respiradores, materiais com fibras óticas, cânulas siliconizadas de baixa pressão e materiais de borracha.

O ciclo de esterilização compreende o vácuo inicial, a préumidificação, a entrada do gás na câmara, o tempo de exposição, a exaustão do gás e a aeração mecânica, que tem por objetivo remover os resíduos de gás pela circulação de ar filtrado por todo o material esterilizado

Os materiais a serem esterilizados devem estar totalmente secos e dispostos de forma a manter um espaço entre cada um. Após fechar o aparelho, aguarda-se que o mesmo atinja os valores adequados de concentração do gás, temperatura e umidade; somente então inicia-se a contagem do tempo de exposição. Complementando o processo, ajusta-se o tempo de aeração de acordo com as orientações do fabricante.

Como o óxido de etileno é um gás tóxico e carcinogênico, o operador responsável pela remoção do material da câmara deve obrigatoriamente fazer uso de avental, gorro, máscara e luvas de proteção - o que o protegerá do contato com o gás.

A portaria interministerial nº4, de 31 de julho de 1991 estabelece normas técnicas para o uso do gás óxido de etileno como processo de esterilização

! Esterilização por plasma de peróxido de hidrogênio

Geralmente, o plasma de peróxido de hidrogênio é utilizado em clínicas de pequeno porte, em vista de sua fácil instalação, ter um tempo de esterilização de 1 hora e ocupar menor área física.

O aparelho realiza a esterilização em 5 fases consecutivas: vácuo, injeção, difusão, plasma e exaustão. O cassete de peróxido de hidrogênio é introduzido no aparelho e, após o término do processo, é automaticamente descartado em recipiente próprio.

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