Apostila de Enfermagem 5

Apostila de Enfermagem 5

(Parte 6 de 10)

Em vista da maior incidência de infecções hospitalares nos clientes cirúrgicos, o pessoal de enfermagem pode contribuir para sua prevenção utilizando uniformes limpos e unhas curtas e limpas, lavando as mãos antes e após cada procedimento, respeitando as técnicas assépticas na execução dos cuidados, oferecendo ambiente limpo e observando os sinais iniciais de infecção.

A ocorrência ou não de infecção no pós-operatório depende de vários fatores, mas principalmente da quantidade e virulência dos microrganismos e da capacidade de defesa do cliente.

O uso de esteróides, desnutrição, neoplasias com alterações imunológicas e clientes idosos ou crianças pequenas são fatores de risco de infecção no pós-operatório devido à redução na capacidade imunológica. Outros fatores são o diabetes mellitus, que dificulta o processo de cicatrização; a obesidade, em vista da menor irrigação sangüínea do tecido gorduroso; o período pré-operatório prolongado, que faz com que o cliente entre em contato maior com a flora hospitalar; e infecções no local ou fora da região cirúrgica, que podem causar contaminação da ferida operatória.

O risco de infecção cirúrgica pode ser diminuído quando se trata ou compensa as doenças e os agravos que favorecem a infecção, tais como a obesidade, focos infecciosos, presença de febre e outros. Também no pré-operatório imediato alguns cuidados são implementados, tais como o banho com antissépticos específicos (clorexidine ou solução de iodo PVPI) na noite anterior e no dia da cirurgia, tricotomia, lavagem intestinal, retirada de objetos pessoais, próteses e outros.

a) Esvaziamento intestinal

O esvaziamento intestinal no pré-operatório diminui o risco de liberação do conteúdo intestinal durante a cirurgia, provocado pelo efeito de medicamento relaxante muscular. Existem controvérsias quanto à importância desse procedimento pré-operatório. Dependendo do cliente, da cirurgia e da equipe que o assiste, o preparo intestinal pode ser realizado mediante a utilizacão de laxativos, lavagem intestinal ou ambos. Geralmente, este preparo ocorre entre 8 e 12 horas antes do ato cirúrgico.

A solução pode vir pronta para uso individual (enemas) ou ser preparada pela enfermagem de acordo com a prescrição médica, mas antes de ser aplicada no cliente deve ser aquecida, para ficar morna.

As soluções mais prescritas são a solução fisiológica ou água acrescida ou não de glicerina ou vaselina, cloreto de potássio (para não ocorrer hipopotassemia nas lavagens freqüentes) e neomicina

Lembra-se da importância das técnicas assépticas no controle das infecções?

Nas cirurgias abdominais, o não-esvaziamento ou sua realização de forma inadequada pode favorecer a ruptura de alças intestinais e causar dificuldades para a visualização do campo operatório.

Lavagem intestinal ou enteroclisma – é a introdução de líquido (volume máximo de 2000ml) no intestino, através do ânus ou da boca da colostomia, com o objetivo de promover o esvaziamento intestinal.

Colostomia – é o orifício artificial feito para exteriorização de uma alça intestinal fixada na parede abdominal, criando uma abertura temporária ou permanente para a saída das fezes.

Enema – é a aplicação de no máximo 500ml de substância (contraste radiológico, medicamento, etc.) pelo reto.

6 Assistência Cirúrgica

(para destruir os microrganismos entéricos). Em algumas instituições, a solução preparada pela enfermagem é colocada em um recipiente chamado irrigador.

A numeração das sondas retais deve ser selecionada de acordo com a idade e sexo do cliente, sendo de 14 a 20 para crianças e adolescentes, de 2 a 24 para as mulheres e 24 a 26 para os homens. Caso a sonda apresente diâmetro maior do que o do ânus do cliente e/ou seja introduzida sem lubrificante, poderá provocar dor e lesões durante a sua passagem. Os frascos com solução pronta para uso dispensam a utilização da sonda retal, dependendo das orientações do fabricante.

O procedimento pode ser realizado no próprio quarto do cliente ou em sala apropriada, mas a equipe de enfermagem deve estar atenta em promover a privacidade do cliente.

Antes de iniciar o procedimento, a cama deve ser forrada com impermeável e lençol móvel. Para facilitar a entrada e o trajeto a ser percorrido pelo líquido do enteroclisma, o mesmo deverá ser introduzido seguindo os contornos anatômicos do intestino. Por esse motivo, o cliente é deitado em decúbito lateral esquerdo, com o corpo ligeiramente inclinado para a frente e apoiado sobre o tórax, tendo sua perna direita flexionada e apoiada ligeiramente na esquerda (posição de SIMS). Antes da introdução da sonda, o cliente deve ser orientado para relaxar a musculatura anal, inspirando e prendendo a respiração.

Entérico – é relativo ao intestino.

Caso haja dificuldade para a introdução da sonda, deve-se verificar as prováveis causas: contração retal involuntária perante a introdução de um corpo estranho, medo da dor, dobra da sonda e outras intercorrências. Para que a lavagem intestinal tenha melhor efeito, recomenda-se que o cliente tente reter o líquido da lavagem por cerca de 15 minutos.

Posição de SIMS b) Esvaziamento da bexiga

Recomenda-se seu esvaziamento espontâneo antes do pré-anestésico. Em cirurgias em que a mesma necessite ser mantida vazia, ou naquelas de longa duração, faz-se necessário passar a sonda vesical de demora, o que é feito, geralmente, no centro cirúrgico.

c) Preparo da pele

O banho e a rigorosa limpeza da região onde será feita a incisão cirúrgica devem ser realizados para diminuir a possibilidade de contaminação. De acordo com o tipo de cirurgia, o cliente pode necessitar ser encaminhado para a cirurgia sem pêlos na região operatória, sendo então necessária uma tricotomia da região.

Existem controvérsias se a tricotomia aumenta ou diminui o potencial de infecção da ferida operatória. Por esse motivo, recomenda-se que sua realização ocorra o mais próximo possível do momento da cirurgia (no máximo 2 horas antes) ou no próprio centro cirúrgico, em menor área possível e com método o menos agressivo. Também há controvérsia em relação às áreas da tricotomia, que variam conforme as técnicas e tecnologias usadas no processo cirurgico. Entretanto, existem cirurgias nas quais a tricotomia é absolutamente necessária, como as cranianas. Para exemplificar, listamos as áreas de tricotomia segundo a região da cirurgia:

!Cirurgia craniana – raspa-se o couro cabeludo total ou parcialmente, e o pescoço. Nas cirurgias de pescoço, deve-se incluir o colo e as axilas;

!Cirurgia torácica - raspa-se os pêlos do tórax anterior e posterior até a cicatriz umbilical, podendo-se estender tal processo até a axila e região ingüinal;

!Cirurgia cardíaca - as áreas a serem raspadas são o tórax, metade do dorso, punhos, dobras dos cotovelos e região ingüinal, acrescentando-se a face interna das coxas quando das cirurgias de revascularização do miocárdio;

!Cirurgia abdominal - recomenda-se a tricotomia da região mamária até a região pubiana anterior (posterior no caso das cirurgias renais); nas cesáreas e cirurgia abdominal via baixa, raspa-se a região pubiana;

!Cirurgia dos membros – raspa-se o membro a ser operado, acrescentando-se ou não as regiões axilar e pubiana.

!Realizando a tricotomia (rever marcador das cirurgias anteriores para não ficar igual)

Antes de iniciar a tricotomia em áreas de grande pilosidade, recomenda-se cortar o excesso de pêlo com uma tesoura.

Nas cirurgias ginecológicas, a bexiga, se distendida, pode ser lesada.

Tricotomia - consiste na retirada dos pêlos através da raspagem da pele ou do couro cabeludo, com o objetivo de diminuir os riscos de infecção e facilitar o manuseio e visualização da área a ser trabalhada.

6 Assistência Cirúrgica

Quando realizada com barbeador, deve-se esticar a pele e realizar a raspagem dos pêlos no sentido do crescimento dos mesmos, tendo-se o cuidado de não provocar arranhaduras na pele.

O uso de depilatórios tem sido utilizado em algumas instituições, mas apresenta a desvantagem de, em algumas pessoas, provocar reações alérgicas e deixar a pele avermelhada. A forma de utilização varia de acordo com as orientações do fabricante.

Existem ainda aparelhos que ao invés de rasparem os pêlos cortam os mesmos rente à pele, evitando escoriações e diminuindo o risco de infecção.

A manutenção do jejum de 6 a 12 horas antes da cirurgia objetiva evitar vômitos e prevenir a aspiração de resíduos alimentares por ocasião da anestesia. É importante que tanto o cliente como seus familiares tenham conhecimento deste cuidado, para que possam entender o motivo e efetivamente cumprí-lo.

O medicamento pré-anestésico (MPA) é prescrito pelo anestesista com os objetivos de reduzir a ansiedade do cliente, facilitar a indução anestésica e a manutenção da anestesia, bem como diminuir tanto a dose dos agentes anestésicos como as secreções do trato respiratório, sempre lembrando a necessidade de verificação da existência de alergia. Na noite que antecede à cirurgia, visando evitar a insônia do cliente, pode ser administrado um medicamento tranqüilizante.

Administra-se o MPA cerca de 45 a 60 minutos antes do início da anestesia. Todos os cuidados pré-operatórios devem ser realizados antes de sua aplicação, porque após sua administração o cliente permanecerá na maca de transporte, devido ao estado de sonolência. Os MPA mais comuns são os:

!Opiáceos - que provocam analgesia e sonolência, sendo normalmente prescritos para clientes que apresentam dor antes da cirurgia. O principal medicamento é a meperidina (Dolantinaâ, Demerolâ);

!Benzodiazepínicos - apresentam ação ansiolítica e tranqüilizante, bem como efeitos sedativo, miorelaxante e anticonvulsivante. Os principais medicamentos são o diazepan (Dienpaxâ, Valliumâ) e o midazolan (Dormonidâ). O diazepan injetável não pode ser administrado com outros medicamentos em vista da possibilidade de ocorrer precipitação;

!Hipnóticos - provocam sono ou sedação, porém sem ação analgésica, sendo os principais o fenobarbital (Luminalâ, Gardenalâ) e o midazolan (Dormonidâ);

Indução anestésica – é a fase inicial da anestesia, na qual o cliente passa do estado de consciência para o de inconsciência.

!Neurolépticos - diminuem a ansiedade, a agitação e a agressividade. Os principais medicamentos são a clorpromazina (Amplictilâ) e a prometazina (Fenerganâ).

Os medicamentos hipnóticos, neurolépticos, benzodiazepínicos e opiáceos, utilizados como pré-anestésicos, são de uso controlado, daí a necessidade de se guardar as ampolas vazias, para posterior reposição pela farmácia.

4.3 Encaminhando o cliente ao centro cirúrgico (C)

No momento de encaminhar o cliente ao C, deve-se observar e comunicar quaisquer anormalidades em relação aos preparos prescritos no dia anterior, tais como manutenção do jejum, realização da higiene oral e corporal e administração de medicação préanestésica. E ainda verificar e anotar os sinais vitais, vestir-lhe a roupa hospitalar (avental, touca e propés), certificar-se da remoção de próteses dentárias (visando evitar seu deslizamento para as vias aéreas inferiores durante a anestesia) e oculares (visando evitar lesões na córnea), jóias e adornos. Após essa seqüência de preparos, o cliente deve ser deitado na maca e encaminhado ao C com a documentação completa: exames e prontuário.

O transporte do cliente é executado pelo pessoal da unidade de internação ou do C, a critério de cada instituição. O transporte pode ser realizado em maca ou cadeira de rodas, mas para prevenir acidentes, como quedas, recomenda-se que para o cliente sonolento devido à ação de MPA e/ou após a cirurgia. não seja feito em cadeira de rodas.

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