Apostila de Enfermagem 5

Apostila de Enfermagem 5

(Parte 7 de 10)

O centro cirúrgico deve dispor de elevador privativo, o que diminui os riscos de contaminação e infecção cirúrgica, agiliza o transporte e propicia conforto, segurança e privacidade ao cliente.

! Transportando o cliente

A maca ou cadeira de rodas deve estar forrada com lençol e situada próxima à cama, para facilitar a transferência do cliente e evitar acidentes. Após deixá-lo confortável, deve ser coberto com lençol e cobertor (nos dias frios).

Os responsáveis pelo transporte do cliente para o

C devem empurrar a maca ou cadeira de rodas com cuidado, e estar atentos para observar alguma anorma-

É muito comum que o cliente sem horário de cirurgia predeterminado receba o MPA momentos antes de ser encaminhado para o C. Isto evita que fique sonolento e sofra queda acidental, e que o efeito do MPA acabe antes da chamada para o C, perdendo assim sua verdadeira função.

6 Assistência Cirúrgica lidade com o cliente (palidez, sudorese, dificuldade respiratória, etc.), além disso verificar se o soro, sondas, drenos e outros equipamentos que se fizerem necessários estão livres de tração. É recomendável que o cliente seja transportado de modo a visualizar o trajeto de frente, para evitar desconforto.

É importante observar o alinhamento correto das partes do corpo durante o transporte e, nos casos de clientes com venóclise ou transfusão sangüínea, deve-se adaptar à maca ou à cadeira de rodas o suporte apropriado, posicionando corretamente o frasco de solução venosa, cateteres, drenos e equipamentos. Durante o trajeto, conversar e encorajar o cliente, ou respeitar o seu silêncio.

5- O CUIDADO DE ENFERMAGEM NO TRANS-OPERATÓRIO

O período trans-operatório compreende o momento de recepção do cliente no C e o intra-operatório realizado na SO.

Nesse período, as ações de enfermagem devem assegurar a integridade física do cliente, tanto pelas agressões do ato cirúrgico como pelos riscos que o ambiente do C oferece ao mesmo, já submetido a um estresse físico e exposição dos órgãos e tecidos ao meio externo; daí a importância do uso de técnicas assépticas rigorosas.

5.1 Montagem da sala cirúrgica

O auxiliar de enfermagem desempenha a função de circulante da sala cirúrgica, que também pode ser exercida pelo técnico em enfermagem, quando necessário.

Ao receber a lista de cirurgia, o circulante da sala verifica os materiais, aparelhos ou solicitações especiais à mesma. Para prevenir a contaminação e infecção cirúrgica, é importante manter a sala em boas condições de limpeza, observar se o lavabo está equipado para uso e lavar as mãos. Portanto, antes de equipar a sala, o circulante limpa os equipamentos com álcool etílico a 70% ou outro desinfetante recomendado, deixando-os prontos para a recepção do cliente e equipe cirúrgica.

Para evitar problemas durante o ato operatório, o circulante deve testar o funcionamento dos aparelhos sob sua responsabilidade, verificando suas perfeitas condições de uso, bem como revisar o material esterilizado e providenciar os materiais específicos em quantidade suficiente para a cirurgia, dispondo-os de forma a facilitar o uso. Com o anestesista, checar a necessidade de material para o carrinho de anestesia.

Deve-se também preparar a infusão endovenosa e a bandeja de antissepsia, e dispor os pacotes de aventais, campos, luvas e a caixa de instrumentais em local limpo e acessível.

Quando do processo de abertura do pacote, tomar o cuidado de manusear somente a parte externa do campo, para evitar contaminar sua parte interna. Se o pacote for grande, deve ser aberto sobre uma superfície; se pequeno, pode ser aberto afastado do corpo e seu conteúdo oferecido ao profissional que dele fará uso.

5.2 Fluxo do cliente no centro cirúrgico

Na recepção, é importante atender ao cliente com cordialidade, transmitindo-lhe tranqüilidade e confiança, bem como proporcionar-lhe privacidade física e conforto.

É fundamental identificá-lo, chamando-o pelo nome, checando a pulseira de identificação ou conferindo seus dados com quem o transportou; além disso, deve-se verificar se o prontuário está completo, se os cuidados pré-operatórios foram realizados, se há anotações sobre problemas alérgicos e condições físicas e emocionais – estes cuidados são absolutamente necessários para evitar erros, ou realização de cirurgias em clientes inadequadamente preparados. Após a checagem de todos esses dados pode-se fazer a tricotomia, se esta for a rotina do hospital, e encaminhar o cliente para a sala de operação.

Através do corredor interno do C, o cliente é transportado em maca - sempre as grades levantadas para evitar quedas acidentais - até a sala de cirurgia.

Na sala de operação, o circulante recebe o cliente de forma a tentar diminuir sua ansiedade, transmitindo-lhe confiança, segurança e tranqüilidade. Para evitar erros, repete os mesmos cuidados de conferência de dados prévios à entrada no C.

Após conferir os dados do prontuário, o cliente deve ser transferido da maca para a mesa cirúrgica, tendo-se o cuidado de posicionar corretamente os frascos de solução, drenos e sondas, caso existam.

Ao posicionar o suporte de braço (para a infusão endovenosa) sob o colchonete da mesa cirúrgica, deve-se ter o cuidado de colocar o braço do cliente num ângulo inferior a 90o em relação ao corpo, para evitar dores musculares e articulares no pós-operatório.

6 Assistência Cirúrgica

Em vista da probabilidade de ocorrer hipotensão arterial provocada pela anestesia e/ou perdas sangüíneas durante o ato operatório, é necessário controlar a pressão arterial pelo monitor ou aparelho de pressão arterial.

O cliente pode apresentar hipotermia devido à baixa temperatura da SO, administração de líquidos gelados, feridas ou cavidades abertas e diminuição da atividade muscular. Para corrigir essa intercorrência, administrar soluções mornas e trocar os campos molhados por outros secos, já que os tecidos molhados promovem a perda de calor.

Como o cliente está anestesiado e, portanto, incapacitado para se defender de qualquer tipo de agressão física, é dever da equipe médica e de enfermagem assegurar-lhe um ato operatório seguro, prestando alguns cuidados específicos, entre outros: anestésico administrado na dosagem certa para evitar a dor; manter os olhos do cliente ocluídos, para evitar úlceras de córnea; atentar para o posicionamento do cliente, de modo a evitar escaras e dor no pós-operatório; evitar extravasamento de solução para fora da veia.

O circulante, além de auxiliar o anestesista no posicionamento do cliente, também auxilia, quando necessário, a suprir material - e durante a cirurgia comunica e registra as alterações do que observou.

Compete ao cirurgião ou assistente posicionar corretamente o cliente para o ato cirúrgico, cabendo ao circulante da sala auxiliá-los no procedimento ou realizá-lo sob orientação médica. O cliente deve estar posicionado de forma anatômica, possibilitando boas condições de respiração e evitando distensões musculares, compressão de vasos, nervos e saliências ósseas.

Também é atribuição do circulante ajudar os integrantes da equipe cirúrgica a se paramentarem. Para tanto, no momento de vestir o avental, o circulante deve posicionar-se de frente para as costas do membro da equipe que está se paramentando, introduzir as mãos nas mangas - pela parte interna do avental - e puxar até que os punhos cheguem nos pulsos; amarrar as tiras ou amarilhos do decote do avental, receber os cintos pela ponta e amarrar; posteriormente, apresentar as luvas.

Após auxiliar a equipe a se paramentar, abrir o pacote com o impermeável sobre a mesa do instrumentador e a caixa de instrumentais sobre a mesa auxiliar, fornecer ao instrumentador os mate-

É importante lembrar o respeito com o cliente anestesiado, que se apresenta inconsciente mas continua sendo um ser humano e, portanto, tem o direito de receber um tratamento técnico e ético pela equipe cirúrgica. É lamentável a ocorrência de desrespeito à figura humana anestesiada ou sedada, mediante comentários indevidos, manipulação grosseira do corpo, falta de respeito ao pudor natural e outros.

Técnica de paramentação

riais esterilizados (gaze, compressas, fios, cúpulas, etc.) e oferecer ao cirurgião a bandeja de material para antissepsia. Auxiliar o anestesista a ajustar o arco de narcose e o suporte de soro de cada lado da mesa cirúrgica, fixar as pontas dos campos esterilizados - recebidos do assistente - no arco e suportes, formando uma tenda de separação entre o campo operatório e o anestesista.

Posteriormente, aproximar da equipe cirúrgica o hamper coberto com campo esterilizado e o balde de lixo; conectar a extremidade de borracha recebida do assistente ou instrumentador ao aspirador, e ligá-lo.

Se for utilizado o bisturi elétrico, faz-se necessário aplicar gel condutor na placa neutra, para neutralizar a carga elétrica quando do contato da mesma com o corpo do cliente, conforme orientação do fabricante. A seguir, colocar a placa neutra sob a panturrilha ou outra região de grande massa muscular, evitando áreas que dificultem o seu contato com o corpo do cliente, como saliências ósseas, pele escarificada, áreas de grande pilosidade, pele úmida. Ao movimentar o cliente, observar se ocorre deslocamento da placa, reposicionando-a se necessário. Qualquer que seja a posição escolhida para colocar a placa, ela deve permitir o funcionamento correto dos eletrodos dos aparelhos, equipos de solução e de sangue, drenos, sondas e cateteres.

Jamais se deve deixar nenhuma parte do corpo do cliente em contato com a superfície metálica da mesa cirúrgica, pois isto, além de desconfortável, pode ocasionar queimaduras devido ao uso do bisturi elétrico.

Quando não for mais utilizado material estéril dos pacotes, os mesmos devem estar sempre cobertos para possibilitar o seu eventual uso durante a cirurgia, com segurança.

No transcorrer da cirurgia, alguns cuidados se fazem necessários, dentre eles:

!ajustar o foco de luz sempre que solicitado, de forma a proporcionar iluminação adequada no campo cirúrgico, sem projeção de sombras e reflexos;

!observar o gotejamento dos soros e sangue, líquidos drenados e sinais de intercorrências;

!controlar a quantidade e peso das compressas cirúrgicas e gazes, para evitar esquecimento acidental desses materiais no campo operatório;

!avaliar a perda sangüínea e de líquidos pelas sondas e do sangue aspirado no frasco do aspirador.

Quando for necessário mudar a posição do cliente durante a cirurgia, deve-se evitar movimentos rápidos e bruscos, porque a mudança repentina de posição pode ocasionar hipotensão arterial.

Arco de narcose - suporte metálico curvo, utilizado para separar o campo operatório das atividades do anestesista.

É importante notificar o cirurgião se o cliente faz uso de marca-passo, em vista do risco de interferências no funcionamento.

É freqüente a ocorrência de queimaduras por posicionamento inadequado da placa de bisturi no ato cirúrgico. Este fato pode ser considerado negligência, o que você acha disto? Discuta esse assunto com o seu instrutor.

No caso de retirada de uma peça anatômica, a mesma deve ser identificada e encaminhada de acordo com a rotina da instituição.

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