(Parte 1 de 8)

i Sumário

Capítulo 1 – Histórico do Karate01
1.1. Introdução01
1.2. As Origens02
1.3. O Okinawa Te03
1.4. O Karate Moderno05
1.5. Principais Estilos06
Capítulo 2 – O Dojo e a Conduta do Karateca07
2.1. Introdução07
2.2. O Dojo08
2.2.1. A Limpeza do Dojo08
2.2.2. Os Principais Elementos09
2.2.3. O Cumprimento09
2.3. Conduta Durante as Aulas10
2.4. Os Personagens do Dojo1
2.4.1. Sensei1
2.4.2. Senpai1
2.4.3. Kohai1
2.5. O Dogi1
2.6. O Obi12
2.7. Bases Filosóficas12

2.7.1. O Dojo Kun..................................................12

2.7.2. O Niju Kun13
Capítulo 3 – A Respiração14
3.1. Introdução14
3.2. Processo de Respiração15
3.3. Formas de Respiração15
3.4. Praticando a Respiração16
3.5. Respiração na Concentração Mental17
Capítulo 4 – Energia18
4.1. Introdução18
4.2. Energia Interior18
4.2.1. Kiai19
4.3. Energia Exterior20
4.4. Atitude Mental20
Capítulo 5 – As Armas no Karate21
5.1. Introdução21
5.2. Armas Artificiais21
5.2.1. Bo2
5.2.2. Jo2
5.2.3. Nunchaku23

i 5.2.4. Kama ............................................................ 23

5.2.5. Tonfa23
5.2.6. Sai24
5.3. Armas Naturais24
5.3.1. Shuto25
5.3.2. Seiryuto25
5.3.3. Haishu26
5.3.4. Nukite26
5.3.5. Seiken26
5.3.6. Uraken27
5.3.7. Tetsui27
5.3.8. Koshi27
5.3.9. Kakato28
5.3.10. Haisoku28
5.3.1. Sokuto28
Capítulo 6 – Técnicas do Karate29
6.1. Introdução29
6.2. Bases30
6.3. Uke Waza31
6.4. Atemi Waza32

i 6.5. Geri Waza .................................................................. 3

Capítulo 7 – Treinamento34
7.1. Introdução34
7.2. Kihon34
7.3. Kata35
7.3.1. Kata e Significado35
7.4. Kumite36
7.4.1. Gohon Kumite36
7.4.2. Sanbon Kumite36
7.4.3. Ippon Kumite36
7.4.4. Jiyu Ippon Kumite36
7.4.5. Jiyu Kumite36
7.5. Termos Técnicos37
Capítulo 8 – Exames e Graduações38
8.1. Introdução38
8.2. Graduações38
8.3. Exames39
8.3.1. Branca para Amarela39
8.3.2. Amarela para Vermelha40
8.3.3. Vermelha para Laranja41

iv 8.3.4. Laranja para Verde.......................................42

8.3.5. Verde para Roxa43
8.3.6. Roxa para Marrom4
Capítulo 9 – Competições45
9.1. Introdução45
9.2. Área de Competição45
9.3. Kata46
9.3.1. Individual46
9.3.2. Equipe46
9.4. Kumite47
9.4.1. Individual48
9.4.2. Equipe48

v Bibliografia ........................ ......................................................... 49

CEFET-RN PROF. HENRIQUE 1

Capítulo 1 – Histórico do Karate

“Nunca é tão fácil perder-se como quando se julga conhecer o caminho”. SABEDORIA CHINESA

1.1. INTRODUÇÃO

A maioria das pessoas imagina que as lutas marciais têm por objetivo principal a defesa pessoal, fisicamente falando. É verdade que normalmente o indivíduo praticante é uma pessoa bastante forte, de personalidade, e com energia e técnicas de defesa pessoal, fisicamente falando, bastante aprimoradas e cientificamente estudadas e testadas, em inúmeros combates antigos e em competições modernas. Porém estas qualidades são apenas uma das conseqüências dos treinamentos marciais, elas são atribuições vindas por acréscimo dentro de uma meta muito mais profunda, importante e superior.

As lutas marciais, na verdade, têm como seu verdadeiro objetivo, ser um caminho alternativo para as nossas buscas de soluções aos problemas que a vida nos apresenta, tentando ser uma solução para nossas dificuldades. Assim, este caminho – o “DO” – aberto inicialmente pelos hindus e chineses e posteriormente pelos japoneses tem várias correntes:

¾ E outras dezenas de caminhos.

Todos os mestres afirmam que sua arte é fundamentalmente um treinamento para a vida, uma filosofia, um caminho para se resolver os desequilíbrios vitais e atingir a felicidade.

CEFET-RN PROF. HENRIQUE 2

1.2. AS ORIGENS

As artes marciais atuais têm suas raízes mais remotas por volta do de 5000 anos a.C., quando na Índia surgiu uma luta cujo nome em sânscrito era “Vajramushti”, cuja tradução literal significa punho real ou punho direto. Era uma arte guerreira da casta Kshatriya (portanto, praticada por nobres apenas) foi uma arte marcial que se desenvolveu simultaneamente com práticas de meditação e estudo dos antigos clássicos hindus (por ex: os Veda, Gita, os Purana). Esta arte marcial foi incorporada ao budismo, pois seu criador era um príncipe e, portanto, um conhecedor da mesma (Sidarta Guatama – o Buda histórico).

Quase mil anos após a morte de Buda, Bodhidarma, que era filho do rei Sughanda, tornou-se o 28o patriarca do budismo e viajou à China a convite do imperador Ling Wu Ti, mas como tinham opiniões divergentes de como alcançar a iluminação, Bodhidarma (ensinava que a união do corpo com a alma é algo indivisível para chegar à verdade e a paz) foi ao reinado de Wei, província de Honan, e hospedou-se no templo Shaolin. A lenda conta que quando Bodhidarma chegou ao templo encontrou os monges numa condição de saúde tão precária, devido às longas horas que eles passavam imóveis durante a meditação, que ele imediatamente se preocupou em melhorar-lhes a saúde.

Valorizando o vajramushti como auxiliar do homem em sua pesquisa interior, os monges budistas se desenvolveram enormemente nesta arte marcial e o templo Shaolin ficou mais famoso, como centro de artes marciais, do que de budismo, efetivamente. Os ensinamentos de Bodhidarma são reconhecidos pelos historiadores como a base de um estilo de arte marcial chamado de Shaolin Kung Fu.

Os templos Shaolin foram destruídos e saqueados por ordem do governo chinês e apenas cinco monges escaparam, enquanto todos os demais foram massacrados pelo exército manchú. Os cinco sobreviventes tornaram-se conhecidos como “Os Cinco Ancestrais” e vagaram por toda China, cada um ensinando sua própria forma e visão de Kung Fu. Considera-se que este fato deu origem aos cinco estilos básicos de Kung Fu: Tigre; Dragão; Leopardo; Serpente e Grou.

CEFET-RN PROF. HENRIQUE 3

1.3. O OKINAWA TE

A história conta que o rei Hasshi, para evitar as revoltas, proibiu o uso de armas aos habitantes de Ryu Kyu1. Tal proibição não impediu que o povo da pequena ilha de Okinawa improvisasse armas de artefatos agrícolas:

Mais tarde Shimazu conquistou a ilha e proibiu mais uma vez o uso de as armas novamente.

Dado que Ryu Kyu pertencia à China, sob a dinastia Ming, havia uma crescente imigração da corte imperial e sem se aperceberem, eles introduziram as técnicas de lutas chineses na ilha. Com a nova proibição, os treinos se tornaram secretos e os alunos passaram a ser escolhido com muito cuidado, treinando-se firmemente fazendo com que as mãos e os pés se tornassem armas eficazes contra espadas, facas e armaduras. O nome genérico dado às formas de luta na ilha foi “TE”, que significa mão.

Havia três principais núcleos de “Te” em Okinawa, estes eram nas cidades de

Shuri, Naha e Tomari. Conseqüentemente os três estilos básicos tornaram-se conhecidos como: Shurite; Nahate e Tomarite. E todos eram conhecidos como Okinawa Te.

O Shurite veio a ser ensinado por Sakugawa, que ensinou a Matsumura Sokon que por sua vez transmitiu esses ensinamentos a Itosu Anko. O Shurite foi o precursor dos estilos japoneses que eventualmente vieram a se chamar:

O Nahate tornou-se popular devido aos esforços de Higaonna Kanryo, tendo este aprendido a arte com Arakaki Seisho e o seu aluno mais ilustre foi Miyagi Chojun,

1 Ryu Kyu – Antiga denominação do arquipélago do qual Okinawa faz parte.

CEFET-RN PROF. HENRIQUE 4 que também estudou na China e mais tarde desenvolveu um estilo conhecido atualmente como Goju Ryu.

O Tomarite foi desenvolvido juntamente por Matsumora Kosaku e Oyadomari Kosaku, sendo que os dois professores mais famosos desta época Motobu Chokki e Kyan Chotoku foram discípulos dos dois anteriores respectivamente. Até então o Tomarite era largamente ensinado e influenciou tanto Shurite como Nahate.

Azato Yasutsume orientou os primeiros passos de Funakoshi Gichin e posteriormente o companheiro e amigo Itosu foi quem ficou responsável pelo aprendizado do jovem Funakoshi. Com Azato a filosofia de treinamento era chamada “Hito Kata San Nen” (um kata em três anos).

No começo do século X (aproximadamente 1900) o Karate foi reconhecido como um método eficiente de condicionamento físico e educação sendo então ensinado nas escolas públicas da pequena ilha e o responsável por esta introdução foi o Mestre Itosu. O ensino do Karate tornou-se oficial a partir de 1902 quando da visita do inspetor da prefeitura de Kagoshima à escola onde Funakoshi ensinava e este organizou uma demonstração para o ilustre visitante.

No final do ano 1921 o Príncipe Hirohito convidou Funakoshi para fazer uma demonstração de Karate em Tóquio, a exibição de Kata (Kanku Dai, o preferido de Funakoshi) foi um sucesso total. Após esta demonstração, Funakoshi foi assediado para permanecer em Tóquio e ensinar sua arte que tanto maravilhou os japoneses.

CEFET-RN PROF. HENRIQUE 5

1.4. O KARATE MODERNO

Em 1922 sob a influência do pintor Kosugi Hoan, Funakoshi publica o seu primeiro livro intitulado “Ryukyu Kenpo Karate”, onde enfatiza os propósitos e a prática do Karate. Na introdução deste livro ele escreveu:

“A pena e a espada são inseparáveis como duas rodas de uma carroça”.

Este livro teve grande repercussão e quatro anos depois foi reeditado com o título de “Renten Goshin Karate Jitsu”.

Em 1936, Funakoshi muda os caracteres kanji utilizados para escrever a palavra Karate. O caracter “KARA”, que significava China é trocado por um outro que tinha o mesmo som; o caracter utilizado foi um do Zen Budismo que significava vazio, passando o Karate a ser conhecido não mais como “Mãos Chinesas”, mas como “Mãos Vazias”. Funakoshi defendia o fato de que “Mãos Vazias” era mais apropriado, pois representava não só o fato de o Karate ser um método de defesa sem armas, mas também representava o próprio espírito do Karate, que é esvaziar o corpo de todos os desejos e vaidades terrenas, como escrito por ele mesmo:

“Como sobre a face polida de um espelho, se reflete tudo que está diante dele e como um vale calmo transmite os sons mais doces, assim o estudante de karate, deve ter seu espírito livre de egoísmo e das coisas materiais, num esforço por reagir a tudo que pode parecer adverso a ele”.

Ainda sob a luz das mudanças, Funakoshi troca o nome dos Kata, com significado chinês, para nomes mais adequados ao momento histórico que passa o Japão (guerra sino-japonês). O Karate até este momento era praticado apenas através dos Kata e por volta de 1933 foram introduzidas às técnicas básicas de treinamento com a ajuda de um colega, surgindo assim:

CEFET-RN PROF. HENRIQUE 6

O filho do Mestre Funakoshi, Yoshitaka, introduziu no Karate as modernas técnicas de pernas:

Em 1939, os alunos de Funakoshi dão-lhe de presente o seu próprio Dojo e nele havia uma placa pendurada onde se lia “SHOTOKAN” – “SHO” significa pinheiro, “TO” significa ondas ou o som que as árvores fazem quando o vento bate nelas e “KAN” significa lugar ou escola. Portanto, nasce assim o estilo Shotokan de Karate, que nada mais foi do que uma pequena homenagem dos alunos ao seu Mestre.

Com o passar do tempo Funakoshi também mudou o nome da própria arte de

Karate Jutsu – Técnicas das Mãos Vazias – para Karate Do – Caminho das Mãos Vazias. Esta mudança foi de vital importância para o crescimento do Karate, pois o mesmo deixou de ser visto apenas como um simples método de treinamento e passou a ser um “caminho”, focalizando o lado espiritualizado desta arte marcial. Portanto, o Karate deixa de ser uma preparação física, unicamente, e passa a se preocupar com a formação do cidadão e da sociedade como um todo também.

1.5. PRINCIPAIS ESTILOS Dentre todos os estilos de karate, os mais praticados na atualidade são:

¾ SHOTOKAN – Funakoshi (Tóquio, 1922); ¾ SHITO RYU – Mabuni (Osaka, 1930);

(Parte 1 de 8)

Comentários