Traqueostomia

Traqueostomia

Assistência de Enfermagem ao Portador de Traqueostomia

Escola de Enfermagem UFMG

Departamento de Enf. Básica

Disciplina Enfermagem do Adulto e do Idoso

ProfªLucia F.R. Moreira

EnfªDébora Gomes Belo Horizonte 2006

O termo traqueotomia refere-se àcirurgia realizada para criar uma comunicação da luz traqueal com o exterior .

Conceitos

Conceitos:

O termo traqueostomia refere-se àabertura cirúrgica na parede anterior da traquéia .

O termo traqueostomase aplica ao estoma cicatricial permanente obtido com a fixação da traquéia àpele.

Fonte: W.fotogeriatria.net/imagens. Acesso em 19/03/05

Fonte: não consegui recupera

Anatomia da Vias Respirat Anatomia da Vias Respiratóó rias rias

1.Língua4. Glote 7. Cartilagem cricóide
2.Orofaringe5. Cordas vocais 8. Traquéia

3.Laringe 6. Cartilagem tireóide 9. Esôfago

Traquéia:destinada apenas a passagem de ar. Está localizada àborda inferior da cartilagem cricóide atéa Carina, medindo de 10 a

12cm . A partir da laringe possui 18cm no homem e 16cm na mulher.

Indicações

Historicamente, a traqueostomia foi desenvolvida para promover a desobstrução das vias aéreas. Com os avanços técnicos atuais, tais como laringoscópio e broncoscópiode fibra ótica, as indicações tradicionais da traqueostomia sofreram uma grande mudança.

Atualmente a traqueostomia, não éo procedimento de escolha no manejo da obstrução aguda das vias aéreas.

[GoldAR, IrishJC, GullanePJ: Tracheotomy. In PearsonFG, DeslauriersJ, GinsbergRi (eds.): ThoracicSurgery. New York, Churchill-Livingstone, 1995, pg. 313-320.] .

Indicações

Hoje em dia, a sua principal utilização éno manejo de pacientes que necessitam períodos prolongados de suporte ventilatório mecânico.

Há, ainda, a utilização da traqueostomia com o intuito de promover uma adequada limpeza das vias aéreas, mesmo na ausência de necessidade de ventilação mecânica.

[Silva WE, HughesJ: Tracheotomy. In RippeJM, IrwinRS, AlpertJS, FinkMP [eds.): IntensiveCore Medicine. Boston, Little, Brown, 2a ed., 1991, pg. 169-182]

Indicações

Obstrução das vias aéreas superiores:

Infecções

Queimaduras

Apnéiado sono

Disfunção laríngea Manejo pós-operatório Aspiração de corpos estranhos

Acidentes com substancias corrosivas

Neoplasias de faringe, laringe, traquéia ou esôfago Anomalias congênitas do trato respiratório superior Traumas do esqueleto facial causando edema de laringe, de traquéia, língua ou faringe

Indicações

Problemas que alteram a ventilação pulmonar:

Estados comatosos

Intoxicação por barbitúricos

Paralisia diafragmática DPOC

Eliminação Ineficaz de secreções das vias aéreas inferiores:

Idade avançada

Fraqueza Afecções neuro musculares

Pacientes que necessitam Suporte ventilatório prolongado

TIPOS de TRAQUEOSTOMIAS Temporárias

Com Cânula Sem Cânula

Per manentes

Percutâneas

Cirúrgicas Cirúrgicas

Com Cânula

cirúrgicaspermanentes

Fonte: W.fotogeriatria.net/imagens. Acesso em 19/03/05 Fonte: não consegui recuperar

Com Cânula Sem Cânula

Classificação quanto àlocalização da abertura

•ALTA: abertura feita acima da glândula Tireóide nos dois primeiros anéis traqueais;

•MÉDIA: abertura através do istmo tireoidiano, utilizada em portadores de bócio;

•BAIXA: abertura na altura do 3ºe 4ºanéis traqueais, com tração do istmo tireoidiano.

Localização da Traqueostomia

Cânulas metálicas

Fonte:w. enferpro. co m/traqueos. htm Acesso em 19/03/2005

Duas Peças Peça única

Fonte: ???? Duas Peças sem balonete

•A traqueostomia deve ser realizada no centro cirúrgico com todos os suportes necessários.

•A exceção se faz em um ambiente de terapia intensiva, quando a saída do paciente daquele local pode trazer riscos para o mesmo. Éfactível, então, a realização da traqueostomia no leito de uma UTI, desde que as condições cirúrgicas sejam estabelecidas no local . (GoldsteinSI, BredaSD, Schneider KL:

Surgical co mplications of bedside tracheosto my in an otolaryngology residencyprogram. Laryngoscope97 : 1407, 1987.)

Posiciona mento Transoperatório

Decúbito dorsal, com moderada hiperextensão cervical, colocando- se coxins sob os ombros.

Técnica cirúrgica

•Anestesia local com Xylocaína(2% sem vaso-const.) e sedação venosa (fentanil, dormonid, curalizante);

•Assepsia e anti-ssepsiada pele;

•Incisão da pele vertical ou horizontal;

•Dissecçãodos planos mais profundos para exposição da traquéia

•Abertura traqueal longitudinal ou transversal;

•Inserção da cânula;

•Sutura e reparo;

•Fixação da cânula.

Fonte: W. formacionsanitaria.com Acesso: em 07/04/2006

Técnica cirúrgica

No caso de traqueostoma, anastomosa-sea pele à mucosa traqueal e até que ocorra a cicatrização da sutura, o estoma é mantido com cânula.

Fonte: W.fotogeriatria.net/imagens. Acesso em 19/03/05

Inserção da cânula

Abertura transversal com fenestração

FONTE: SWEARINGEN, P.L. Atlas fotográfico de procedimentos de enfermagem. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.

Fixação da cânula

•Fixar corretamente a cânula ao pescoço evitando pressão insuficiente ou excessiva, posicionamento do laço sobre as vértebras e a carótida.

Utilizar material macio para o cadarço e não colocá-lo muito apertado, de forma que não machuque o pescoço.

Ao colocar o cadarço, cuidar para que a cânula não se desloque, solicitar a ajuda de outra pessoa para firmar a cânula enquanto o cadarço estiver sendo colocado.

Passos da colocação do cadarço: vide figuras...

FONTE: SWEARINGEN, P.L. Atlas fotográfico de procedimentos de enfermagem. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.

Fixação da cânula

FONTE: SWEARINGEN, P.L. Atlas fotográfico de procedimentos de enfermagem. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.

Fixação da cânula

Trocar o cadarço sempre que estiver sujo ou úmido.

Ao troca-lo, cuidar para que a cânula não se desloque, solicitar a ajuda de outra pessoa para firmar a cânula enquanto o cadarço anterior éretirado, ou retirar o anterior somente após a fixação do novo cadarço. FONTE:

SWEARINGEN, P.L. Atlas fotográfico de procedimentos de enfermagem. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.

Fixação da cânula

•Prenda firmemente o cadarço e dê o laço ao lado do pescoço, evitando que este fique sobre vértebras ou sobre as carótidas.

FONTE: SWEARINGEN, P.L. Atlas fotográfico de procedimentos de enfermagem. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.

Fixação da cânula

Hemorragia: ocorre em 37% dos casos;

Mau posicionamento do tubo;

Laceração traqueal e fístula traqueoesofágica;

Lesão do nervo laríngeo recorrente;

Perfurações do istmo tireoidiano;

Pneumotórax e/ou pneumomediastino;

Bradicardia, hipotensão arterial;

Apnéia; Parada cardiorrespiratória.

COMPLICAÇÕES DE TRAQUEOSTOMIA 1. Trans- operatórias

COMPLICAÇÕES da TRAQUEOSTOMIA 2. Complicações no P.O. imediato

He morragia

Enfisema subcutâneo

Obstrução da cânula Deslocamento da cânula

Pneumotórax ou pneumomediastino

COMPLICAÇÕES DE TRAQUEOSTOMIA 3. Complicações no P.O. tardio

Infecção (51% dos casos)

Granulo ma

Disfagia

Estenose traqueal e subglótica

Fístula traqueoesofágica

Fístula faringocutânea Dificuldade de extubação

Fístula faringo- cutânea Fonte: acervofotográfico Profa Dra Eline Lima Borges

Tubos em “T”de Montgomery

•Utilizados para pacientes submetidos à reconstrução traqueal com anastomose términoterminal, varia de 4 a 16 m de comprimento

Precauções para evitar transmissão de micro-organismos

•Uso de avental, máscara e óculos se suspeita de processo infeccioso pulmonar ou HIV+;

•Atenda o portador de traqueostomia colocando-se ao seu lado, evite deixar seu rosto àfrente do estoma, o paciente pode apresentar episódio de tosse inesperado.

•Oriente-o quanto aos cuidados durante a tosse.

•Mantenha toalhas ou lenços de papel ao alcance do paciente e também um recipiente ou saco descartável para receber lenços ou toalhas utilizados.

Diagnósticos de Enfermagem

•Comunicação Verbal Prejudicada •Risco de Integridade da Pele Prejudicada

•Integridade Tissular Prejudicada (mucosa traqueal)

•Risco de Lesão

•Risco de Infecção

•Risco de Sufocação

•Risco de Aspiração

•Desobstrução Ineficaz das Vias Aéreas

Intervenções de Enf. para o D.E. Comunicação Verbal Prejudicada

•Manter o dispositivo de chamada da equipe de enfermagem ao alcance do paciente;

•Estabelecer com ele, jáno pré-operatório, uma forma de comunicação:

–Frases expressando necessidades, jáescritas, para ele apontar;

–códigos de sinais;

–prancheta, papéis, lápis, “tela mágica”.

•Técnica asséptica nos procedimentos envolvendo o estoma (curativo, limpeza e fixação da cânula, aspiração);

•Manter curativo e fixadorda cânula limpos e secos;

•Manter ambiente arejado;

•Evitar penetração de água, pelos e partículas durante higienização;

Intervenções de Enf. para o D.E. Risco de infecção

•Avaliar presença de secreções nas vias aéreas inferiores, e providenciar sua eliminação quando necessário (tosse, drenagem postural, fisioterapia respiratória e/ou aspiração);

•Uso de máscara pelos profissionais ou visitantes que estejam com processos infecciosos respiratórios;

•Evitar locais fechados e aglomerações.

Intervenções de Enf. para o D.E. Risco de infecção

Intervenções de Enf. para o D.E. Risco de infecção

Fonte: w. globalmed. co m. br/images/97_ a mpliada.jpg acesso em 19/03/2005

Nariz Artificial para traqueostomia com válvula para aspiração (Filtro)

Intervenções de Enf. para o D.E.

Risco de Integridade da Pele Prejudicada relacionado a fatores mecânicos (cadarço) e umidade

•Fixar corretamente a cânula ao pescoço utilizando cadarço de material macio;

•Aspirar secreções sempre que necessário;

•Conservar a pele peri-traqueostomiahidratada com creme suave;

•Manter boa higiene na área ao redor da traqueostomia, limpado-a com sabonete neutro e água limpa, cuidadosamente, pelo menos duas vezes ao dia.

Fonte: acervofotográfico Profa Dra Eline Lima Borges Fonte: acervofotográfico Profa Dra Eline Lima Borges

FONTE: SWEARINGEN, P.L. Atlas fotográfico de procedimentos de enfermagem. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.

Fazer limpeza com gaze ou haste de algodão umedecida com NaCl0,9% estéril;

Ao fazer o curativo, usar manobras delicadas.

FONTE: SWEARINGEN, P.L. Atlas fotográfico de procedimentos de enfermagem. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.

Utilizar uma proteção entre a cânula e a pele, mantendo-a sempre limpa e seca;

Utilizar compressas de gaze pré-cortadas ou curativos específicos como demonstrado no slide seguinte;

FONTE:BRUNNER L. S. & SUDDARTH D.S. Enfermagem Médico-Cirúrgica. 3ºed. Rio de Janeiro:Interamerican1977

Não cortar as compressas de gaze, para evitar risco de penetração de fiapos na cânula ou no estoma traqueal.

Usar acolchoados de gaze dobrada ao meio de cada lado da cânula ou fazer o modelo gravata.

Risco de Lesão

•Cuidar para que os circuitos dos nebulizadores ou respiradores não exerçam tração sobre a traquéia ou que puxem para fora a cânula

•Cuidar para que não sejam usados cigarros ou aerossóis no ambiente.

FONTE: SWEARINGEN, P.L. Atlas fotográfico de procedimentos de enfermagem. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.

Risco de Integridade Tissular Prejudicada (mucosa traqueal)

•Prevenir compressão da mucosa traqueal pelo balonete(“cuff”) insuflando-o adequada mente.

FONTE: SWEARINGEN, P.L. Atlas fotográfico de procedimentos de enfermagem. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.

Risco de Integridade Tissular Prejudicada (mucosa traqueal)

•Estudos tem demonstrado que pressões superiores a 30 cm de H2O (23 m Hg) alteram a perfusão da mucosa traqueal gerando lesões isquêmicas.(GuzmanJ. etall. Presionesde cuffdeltubo orotraquealem anestesia general com óxido nitroso.Revista Chilena de Anestesia v.3 n.2nov.2004 htpp://w w w. socanestesia. cl/ver_ anestesia/0411/08- te mas. asp Acesso e m 12/04/2006. )

•Estas lesões podem evoluir para granulomasou fibromas, acarretando estenose da luz traqueal.

Para evitar a lesão da mucosa traqueal

•Insuflar o balonete(“cuff”) com a quantidade de ar necessária apenas para impedir o escape do ar inspirado ao redor da cânula.

FONTE: SWEARINGEN, P.L. Atlas fotográfico de procedimentos de enfermagem. 3.ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.

•Para prevenir compressão da mucosa traqueal pelo balonete(“cuff”) alguns serviços utilizam o

CUFÔMETRO ou CUFFLATOR

FONTE: http://w w w. criticalmed. co m. br/FOTOS/cufflator. gif Acesso em 13/04/2006

A monitorizaçãoperiódica e o preciso ajuste da pressão do "cuff" das próteses ventilatórias evita diversos contra-tempos e desconforto ao paciente. Escala em cm de água. A pressão ideal estáentre 26 a 30 cm de água. Este equipamento permite medir a pressão e ainda corrigir a quantidade de ar insuflação , pois édotado de válvula e uma pêra.

pêra

Para prevenir compressão da mucosa traqueal pelo balonete(“cuff”) alguns serviços utilizam uma adaptação com sfigmomanômetro anaeróide, tubos de nelatone um tree-way.

Neste caso a escala éem milímetros de mercúrio. A pressão ideal estáentre 20 a 23 mmHg. Esta adaptação permite medir a pressão mas, a correção da quantidade de ar insuflado éfeita com a utilização de uma seringa de 10 ml.

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