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As curvas de ponderação (ou equalização) dos medidores são usadas para que o aparelho efetue as medições do ruído de acordo com a sensibilidade do ouvido humano. Essa equalização é dada pela curva "A" que atenua os sons graves, dá maior ganho para a banda de 2 a 5 kHz, e volta a atenuar levemente os sons agudos : é exatamente essa a curva de sensibilidade do ouvido.

Vamos comparar a curva "A" da Figura 5.4 com o limiar de audibilidade da Figura 3.11, reproduzido na Figura 6.4. Percebemos que a "Curva A" faz com que o medidor perceba o som como nós ouvimos.

A curva de ponderação "C" é quase plana e foi incorporada aos medidores caso haja necessidade de medir todo o som do ambiente (sem filtros), ou para avaliar a presença de sons de baixas freqüências. Como se vê na figura 5.4 a grande diferença entre as Curvas "A" e "C" está na etenuação para baixas freqüências. Portanto, se durante uma medição de ruído, constatarmos uma grande diferença entre os valores medidos na escala "A" e "C", isto significa que grande parte do ruído encontra-se na faixa de baixas freqüências.

Figura 5.4. - Curvas de Ponderação.

Os medidores de nível de pressão sonora usam duas constantes de tempo, aceitas internacionalmente. São os tempos correspondentes às respostas lenta (slow), de um segundo e, rápida (fast), de 0,125 segundos. O medidor apresenta em seu mostrador a média quadrática (RMS = Root Mean Square) das variações da pressão do som dentro do tempo especificado pela constante de tempo.

É escolhida o valor RMS da pressão sonora porque ela relata fielmente a energia contida na onda sonora. Como nós sabemos, a resposta do ouvido é proporcional à energia das variações da pressão.

Alguns aparelhos, mais sofisticados, possuem a constante de tempo de 35 ms (0,035 s), correspondente à operação "impulso". Essa constante existe em normas de alguns países sendo usadas para sons de grande intensidade e tempo de duração muito pequeno.

Devemos tomar as seguintes precauções com o medidor de nível de pressão sonora :

ç verificar a calibração sempre que for usar o aparelho. O medidor, por ter um circuito eletrônico, é muito sensível à temperatura, e o seu microfone tem alta sensibilidade à umidade e pressão atmosférica;

ç respeitar as características do microfone, quanto a limites de temperatura, umidade, ângulo de colocação, etc.;

ç verificar a bateria antes de cada medição;

ç fazer as devidas correções, quando utilizar o cabo de extensão;

ç usar adequadamente o fundo de escala em dB do aparelho, para obter maior precisão;

ç usar corretamente as curvas de ponderação "A", "B" ou "C";

ç usar de maneira adequada a constante de tempo.

5.3. - Precauções durante as medições

Alguns cuidados devem ser tomados quando medimos os níveis de ruído de um ambiente:

Os principais são :

è o medidor deve ser colocado na posição de trabalho dos operários e na altura do ouvido dos mesmos;

è deve ser evitada a interferência do vento no microfone do medidor. Para anular esse efeito, existe um dispositivo denominado "windscreen" que evita o "sopro" sobre o microfone;

è a distância do medidor à fonte de ruído deve estar de acordo com as Normas ISO 1999, ISO 1966/1 e as recomendações ISO R 131, R 266 e R 495;

è devem ser evitadas superfícies refletoras, que não sejam comuns ao ambiente. Assim, deve-se evitar que o corpo da pessoa que faz a medição não interfira nas medidas;

è recomenda-se fazer pelo menos 5 medições em cada local;

è o principal causador de erros nas medições de ruído é o Ruído de Fundo. Trata-se do ruído do ambiente, que não faz parte do ruído daquele local. Para comprovar a sua influência, fazemos o seguinte ensaio : medimos o nível de ruído com a máquina em funcionamento e, em seguida, desligada. No primeiro caso estaremos medindo o ruído total (ruído da máquina + ruído de fundo), e no segundo caso apenas o ruído de fundo. Se a diferença do nível for menor que 3 dB, indica um ruído de fundo bastante intenso, que deve ser levado em consideração nas medições. Para determinarmos o nível de ruído gerado apenas pela fonte, medimos o nível de ruído total Ls com a máquina funcionando e, em seguida, o nível Ln do ruído de fundo. Em seguida subtraímos (Ls - Ln) e, através da Tabela 6.2 obtemos o valor, em dB, que deve ser subtraído de Ls para obtenção do nível de ruído emitido pela fonte (máquina).

Tabela 5.2 – Medição com ruído de fundo [dB]

Diferença entre os dois níveis de ruído

[Ls – Ln]

Valor a ser subtraído do nível Ls

1

6,7

2

4,4

3

3,0

4

2,2

5

1,7

6

1,4

7

1,0

8

0,8

9

0,7

10

0,6

5.4– Alguns Métodos de Medição do Ruído

A seguir, vamos apresentar uma série de métodos de avaliação do ruído em ambientes, com crescente grau de sofisticação. No final, apresentaremos os métodos usados no Brasil, fixados pelas Normas Brasileiras e pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

5.4.1– Percepção Subjetiva do Ruído (sem o medidor)

Nós percebemos claramente quando estamos num ambiente com ruído pois o nosso aparelho auditivo tem grande sensibilidade para detectar a intensidade do som.

Surge porém uma questão : como saber se os níveis de intensidade sonora devem ser encarados como um problema ou não ? Devemos introduzir um programa de controle de ruído, ou os níveis estão abaixo dos valores prejudiciais à saúde ?

Existem duas maneiras fáceis para constatarmos se os níveis de ruído estão se tornando elevados demais, sem o uso do medidor :

¬ A primeira é verificar se existe dificuldade de comunicação oral dentro do ambiente. Essa dificuldade é constatada ao se tentar conversar com outras pessoas a um metro de distância com nível normal de voz. Caso haja dificuldade de comunicação, ou necessidade de gritar, ou falar mais próximo da outra pessoa, indicará que o nível de ruído do ambiente está acima do nível da voz (que pode ser tomado próximo de 70 dB).

­ A segunda maneira é constatar se as pessoas, após permanência prolongada no local, sofrem uma diminuição da sensibilidade auditiva (também chamada de sensação de campainha nos ouvidos).

A diminuição da sensibilidade auditiva e o zumbido nos ouvidos são causados por uma proteção natural que contrai os músculos do ouvido médio, proporcionando um amortecimento nas vibrações dos três ossículos. Essa contração permanece por algum tempo, mesmo depois de cessado o ruído, causando uma diminuição da acuidade auditiva.

Caso um desses dois testes releve resultados positivos, existe grande possibilidade dos níveis estarem acima do recomendável. Deve-se portanto, providenciar a imediata avaliação da situação acústica do ambiente.

5.4.2– Medição de Ruídos Contínuos

A avaliação dos níveis de ruído contínuos é feita diretamente com o medidor de nível de pressão sonora. Aproximamos o aparelho da fonte, na posição de trabalho do operário e lemos diretamente no aparelho o nível de ruído do local. Por ser um ruído do tipo contínuo, deverá haver pouca variação nos valores marcados pelo mostrador.

O medidor deve estar regulado na curva de ponderação "A" e com a constante de tempo em lenta (Slow = RMS da pressão sonora em 1 segundo).

5.4.3. – Medição de Ruídos Flutuantes

Existem muitos métodos de medição para ruído flutuantes. Todos eles têm por objetivo encontrar um valor que represente de forma significativa, em decibels, as variações de pressão sonora do som.

Nível Médio de Som Contínuo Equivalente (L eq)

As variações de nível de um ruído flutuante podem ser representadas pelo Nível de Som Contínuo Equivalente. Nesse método de medição obtemos um nível de ruído contínuo que possui a mesma energia acústica que os níveis flutuantes originais, durante um período de tempo. O princípio da mesma energia assegura a precisão do método para avaliação dos efeitos do ruído sobre o aparelho auditivo, sendo adotado pela Norma ISO, e muitas normas nacionais.

O Leq é definido por:

A figura 5.5 mostra o Leq graficamente.

Nível flutuante de Som

dB

Nível de Som equivalente contínuo

90

80

70

60

Tempo

Figura 5.5 – Nível de som equivalente contínuo

Nesse método devemos usar a constante de tempo em "lento" e a ponderação na curva "A", indicando-se por La eq . O tempo usado no método pode ser escolhido conforme a indústria ou o tipo de ruído, podendo der, por exemplo, de 60 segundos, 30 minutos, 1 hora, etc.

Esse método é muito preciso para avaliar o risco auditivo, mas necessita de um medidor que possua a escala esquivalente.

5.4.4- Dose de Ruído

O método de Dose de Ruído é uma variação do Nível de Som Contínuo Equivalente, medido para toda a jornada de trabalho. Existem duas diferenças entre o Leqe a Dose de Ruído:

å o medidor de Dose de Ruído, chamado de dosímetro, é um pequeno aparelho que o trabalhador transporta (no bolso da camisa ou preso na cintura) durante toda a jornada de trabalho, com o microfone instalado no abafador de ouvido.

å enquanto o Leq expressa o ruído em dB, o dosímetro apresenta a medida como uma porcentagem da exposição diária permitida. Caso esse limite seja fixado em 90 dB (A) (em alguns países 85 dB(A)), é calculado o Leq para 8 horas e o medidor acusa a porcentagem da exposição a que foi submetido o operário : se 100 %, equivale que o nível de ruído do ambiente está no limite permitido.

Dessa maneira, o aparelho mede a verdadeira exposição do operário, pois ele acompanha continuamente todos os ruídos que atingiram o operário durante a jornada, fornecendo, no final do dia, o valor médio. Por isso, a medição do ruído através da dose de ruído é considerada a forma mais precisa de se avaliar o risco do trabalhador.

O uso do medidor de dose de ruído requer cuidados especiais quanto a exposição a ruídos de impacto.

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