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H> 1,60 m – privacidade >

H>1,70 m – gerência

STC < 20 tecido ou material absorvente

6.6- Acústica das edificações escolares

A acústica de salas de aula não tem recebido a devida atenção no Brasil.

Segundo o arquiteto João Honório de Mello Filho, com 30 anos em projetos de escolas, secretário de Educação em 2 governos de São Paulo, coordenou 4000 projeto, 11 escritórios de Arquitetura, 700 arquitetos os projetos de construção de escolas são em geral muito ruins.

Planos inexistem e quando há melhoras geralmente são resultados de ações políticas isoladas e são processos emocionais.

No Brasil há 200.000 escolas fundamentais, públicas e privadas. Em São Paulo são 11 a 12000 escolas incluindo as municipais.

Como representante brasileiro no fórum mundial de arquitetos especialistas em escolas, constatou alguns fatos:

- pedagogos não se preocupam com espaço físico.

- paulo freire não recomendou nada sobre instalções físicas (respeitado em todo mundo)

- Fundação Ford financiou projetos e recomendou algo...

- México trabalhou esta questão

- Na Europa – UNESCO –publicações são velhas

Não há uma percepção política sobre as demandas de acústica. Para haver percepção acústica nas escolas é necessário envolver os pais e alunos.

Os políticos no Brasil trabalham com pós-planejamento o que implica em remendos

Ha dois mitos gregos:

- PROMETEU: deu fogo ao mundo e foi punido -> ensinou a antecipar.

- EPIMETEU: abriu a caixa de pandora: sobrou só a esperança - FAZ DEPOIS PENSA

Assim funciona o Brasil: no estilo Epimeteu: faz depois pensa.

O ruído é produzido pelo homem e na escola os ruídos podem ser externos ou internos. O projeto de escolas estaduais em São Paulo geralmente tem as seguintes características:

    • Terrenos: são os piores possíveis - são doados (áreas com menor valor comercial nos loteamentos);

    • Formato ruim, pirambeiras;

    • Ruído externo intolerável.

Em estudo realizado no Rio de Janeiro verificou-se a relação entre inteligibilidade e ruído de fundo, com alunos de 5a série. Foram realizadas medidas similares em ambientes diferentes: uma sala tradicional com paredes até o teto e numa escola do CIEP, com parede terminando a cerca de 1 m do teto. Foram obtidos os seguintes resultados:

ESCOLA

Paredes

Ruído de fundo

intelegibilidade

CIEP

Baixas

>

16 %

TRADICIONAL

até o teto

<

90 %

Em estudo para elaboração de tese de mestrado a Universidade Federal de Santa Catarina foi traçado um perfil das escolas fundamentais naquele estado.

INTELEGIBILIDADE MÁXIMA 88 %

Figura 6.15 – Perfil básico das escolas fundamentais catarinenses

6.7- Conforto acústico nas edificações

O profissional normalmente envolvido no desenvolvimento projetos acusticamente adequados deve seguir alguns procedimentos para atuar nesta área.

Alguns fatores que implicam em promover o conforto acústico:

  • controle do nível de ruído;

  • tempo de duração

  • freqüência

  • tipo de ruído NBR 10152

  • hora do dia

  • características do ruído: contínuo, intermitente, impulso, flutuante

  • tipo de ruído ( música, motor, animais...)

Para fazer projeto é necessário:

    • levantamento do nível de ruído

    • definir parâmetros adequados

    • utilizar todas a técnicas de isolamento, tratamento adequadas para as freqüências e condições a serem atingidas.

Correções pós-construção geralmente são muito caras.

Quando o tratamento acústico é requerido para adequação interna do edifício, auditório ou sala em questão um dos parâmetros mais importantes para contribuir com uma boa intelegibilidade é a adequação do tempo de reverberação.

O tempo de reverberação é o tempo necessário para um sinal sonoro padrão após interrompido, ter reduzida sua energia em 1.000.000 de vezes ou 60 dB.

Este tempo poder ser medido, mas normalmente é calculado com base na equação e de Sabine:

Rt60 = 0,161.V/ Σ(i=1…n)αi.Si

onde V – é o volume em m3 do ambiente

αi – é o coeficiente de absorção do material i

Si – é a área do material i

Calcula-se o tempo de reverberação para varia combinações de materiais de revestimento do ambiente para se obetr o tempo ótimo.

O tempo ótimo de reverberação é definido a partir do volume do ambiente de acordo com gráfico de padrões, como na figura 6.16

figura 6.16- Curvas de tempo de reverberação padrão:

7- Acústica Industrial:

As instalações industriais em sua maioria são projetadas sem uma preocupação efetiva com os níveis de ruído gerados. As tecnologia disponíveis via de regra, não incorporam a preocupação acústica em seus projetos. Assim compressores, moinhos, empacotadeiras, tratores, caminhões, maquinas têxteis, etc, etc... são geralmente barulhentas e muitas vezes, muito barulhentas.

Além dos novos projetos não se preocuparem muito com os ruídos gerados, os equipamentos mais velhos tem suas vibrações e ruído de funcionamento, gradativamente aumentados. Já existe tecnologia para analisar vibrações de equipamentos, tanto para fins de manutenção preditiva, quanto para controle de vibrações que geram ruído.

Geralmente a prioridade é a preservação do equipamento. A saúde do(s) profissional(is) que opera(m) estes equipamentos vem lentamente ganhando atenção.

O ruído industrial pode ser controlado com duas finalidade diferentes:

  • Convivência com a vizinhança

  • Para promover a saúde ocupacional.

    1. Indústria versus vizinhança:

Providências de controlar o ruído que afeta a vizinhança, podem ser tomadas por iniciativa da indústria, ou como resultado de iniciativas da comunidade, não raramente através de processos judiciais. Geralmente esta última alternativa é mais cara, mas não rara.

Em qualquer dos casos, há necessidade de realizar um levantamento acústico que permita definir os pontos críticos e planejar os investimentos e a respectiva redução de ruído.

    1. Normas: NBR 10151 ( Comunitário) e NR 15 (ocupacional).

No Brasil, embora haja uma infinidade de leis (federais, estaduais e municipais), oe que prevalece no uso técnico e jurídico para questões de vizinhança e a NBR 10151 da ABNT. Esta norma foi adotada com referência pela Resolução n. 1 – de 8 de março de 1990 (CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente).

Esta norma regulamenta os métodos de medição, critérios de avaliação e procedimentos para laudos periciais, que em última análise é um trabalho técnico que quando bem feito, apóia plenamente uma ação judicial da parte prejudicada. Há casos que, mesmo quando o causador solicita a perícia, seus resultados acabam provando a inadequação e suas atividades, acima dos níveis de ruído admissíveis para o local e condições em questão. De qualquer forma costuma-se estabelecer pesadas multas diárias, que forçam o gerador do ruído a procurar solução técnica ou encerrar atividades.

Sempre há possibilidade de negociação entre as partes mas inevitavelmente a fonte de ruído deve ser atenuada... ou a atividade encerrada.

A NR 15 estabelece parâmetros para avaliação de ruído ocupacional. Classifica o ruído em contínuo e de impacto. A tabela 7.1 (anexo 01 da NR 15) nos dá os limites de exposição par o ruído contínuo.

Tabela 7.1- Limites tolerância NR 15

A exposição ao ruído é medida normalmente por um dosímetro, que é fixado junto ao corpo do trabalhador e o microfone fixado próximo ao ouvido do mesmo. Há diversos modelos no mercado que permitem estabelecer critérios que diferem em cada pais. Assim para iniciar as medições o decibelimetro deve ter alguns parâmetros ajustados:

- Limite de leitura: 80 dBA

  • taxa de divisão (ou de dobra) 5 dB

  • norma de referência: NR 15

Tabela 7.2- Limites em diversos países

    1. Controle de Ruído:

Como vimos o ruído pode ser gerado numa indústria por diversos tipos de equipamentos. Dependendo do tipo deste equipamento, sua localização, forma de montagem este ruído pode se propagar via aérea ou estrutural.

Assim como quase não se ouve um barbeador elétrico pelo ar também ocorre com equipamentos industriais. Muitas vezes a estrutura do equipamento, de montagem do mesmo ou até da construção industrial vibra com os equipamentos propagando e até amplificando o ruído original.

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