Projeto Pedagógico do curso

Projeto Pedagógico do curso

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Uma outra razão das queixas referentes à inabilidade dos cursos de graduação em formar profissionais aptos ao ingresso no mercado de trabalho deriva da inexistência de componentes curriculares para o ensino de ferramentas. O ensino de ferramentas não é mesmo o papel de um curso de graduação. No entanto, ferramentas tecnológicas são partes da vida profissional de qualquer pessoa ligada às áreas das Engenharias e da Computação. Mais do que isso, a velocidade com que tais ferramentas aparecem e são substituídas no mercado leva a que o profissional precise aprender tais ferramentas com rapidez, eficiência e eficácia. O desenvolvimento dessas habilidades será trabalhado no curso através da requisição compulsória de utilização de ferramentas tecnológicas (linguagens, pacotes, sistemas, etc.) para realização de trabalhos práticos, de maneira que os alunos tenham que aprendê-las por conta própria.

Cada trabalho ou “Projeto e Atividades de Pesquisa e Inovação Tecnológica” desenvolvidos deverão especificar também quais ferramentas devem ser

Projeto Pedagógico do Curso de Engenharia de Computação Página 35 de 89 utilizadas. Desta forma, cria-se uma dupla vantagem: o aluno torna-se capaz de aprender sozinho qualquer novo recurso e o curso fica mais flexível, no sentido de que desta maneira, a troca das ferramentas utilizadas no mercado não tem impacto nos conteúdos ministrados no curso, apenas na sua implementação. No Projeto de Conclusão de Curso, por exemplo, deve-se deixar ao próprio aluno a tarefa de buscar e descobrir por conta própria as ferramentas a serem utilizadas, fazendo-o exercitar ainda mais o seu espírito empreendedor e a sua capacidade de análise crítica.

4.3.6. Tecnologia na Aprendizagem

A Informática encontra um solo fértil na área de educação. Novas tecnologias estão sendo correntemente aplicadas no ensino dos mais variados componentes curriculares.

No ensino da Engenharia e da Ciência da Computação, o emprego dessas tecnologias é particularmente importante, uma vez que suas características de uso encorajam o aprendizado ativo, onde a iniciativa da busca pelo conhecimento parte do aluno e é ele o guia de seu aprendizado. A facilidade de disponibilização de conteúdos por meio eletrônico (textos, programas, vídeos, simulações, etc.) existente nos dias de hoje permite que o aluno possa dirigir melhor seu processo de aprendizado, tanto no que se refere ao conteúdo quanto ao tempo disponibilizado para aprender.

“A habilidade do trabalho colaborativo de produzir resultados em grupo, mesmo que os indivíduos estejam separados por uma enorme distância geográfica é essencial a um profissional que pretenda ser bem sucedido em um mundo sem fronteiras físicas. A utilização das novas tecnologias estimula a curiosidade, o interesse e a capacidade de organização dos estudantes, fazendo com que os ideais de atitudes expressos no perfil do egresso sejam efetivamente atingidos” [47].

A motivação do aluno para aprender está freqüentemente relacionada com a utilidade aparente das competências e habilidades a serem adquiridas nos diversos componentes curriculares disponibilizados na estrutura curricular do curso. Entretanto, apesar de que muitas competências e habilidades tenham aplicação óbvia, muitas outras são obscuras para o aluno no que se refere à sua utilidade prática.

A matemática e os aspectos teóricos da Ciência da Computação são os conteúdos mais óbvios nesse critério, mas surpreendentemente, assuntos como estruturas de dados, comunicação e sincronização entre processos e outros igualmente importantes podem não ser vistos por muitos alunos como tendo aplicações práticas além dos trabalhados nos componentes curriculares. Por esta razão, será imprescindível que se estabeleçam os relacionamentos existentes entre as competências e habilidades transferidas com aplicações da vida real, e da forma mais completa e abrangente

Projeto Pedagógico do Curso de Engenharia de Computação Página 36 de 89 possível. Este será uma marca a ser fixada pelo Curso de Engenharia de Computação, e sabe-se, será preciso fazer com que os docentes aprenderem essa nova forma de transferência de conhecimento, pois se distingue frontalmente daquelas formas utilizadas atualmente.

Componentes curriculares mais avançados serão alocadas preferencialmente a professores que realizam pesquisa sobre os assuntos abordados, possibilitando que estes desenvolvam os conteúdos sobre a perspectiva holística desejada para a estrutura curricular a ser implantada.

4.3.8. Comunicação Oral e Escrita

O desenvolvimento das habilidades de comunicação oral e escrita dos alunos também deve ser um objetivo comum de todos os componentes curriculares.

Essas habilidades serão desenvolvidas a partir de projetos sobre assuntos relacionados a cada componente curricular na forma de seminários que envolvam a criação de documentos escritos e apresentações orais. É importante que todos os alunos sejam submetidos a avaliações deste tipo, uma vez que tal habilidade, independente das condições técnicas do aluno, pode determinar o seu futuro profissional. Escrever e apresentar trabalhos devem ser atividades tão naturais quanto implementar um algoritmo, e assegurando que os alunos precisarão realizá-las, e ao longo de todo o curso, garante-se que estas habilidades sejam efetivamente desenvolvidas no egresso.

Nos seus componentes curriculares, os professores serão orientados a trabalharem intensamente as habilidades de comunicação oral e escrita para documentação do projeto e do produto, para sínteses das pesquisas bibliográficas, para redação das monografias, para elaboração e realização das apresentações.

4.3.9. Multidisciplinaridade

“A aplicação da Informática nos dias de hoje estendeu-se muito além das fronteiras da Ciência da Computação propriamente dita” [24]. A ubiqüidade de sistemas computacionais em praticamente todas as áreas de conhecimento deve levar a que os egressos do curso de Engenharia de Computação do CCT/UEMA necessitem interagir com pessoas provindas dos mais diferentes campos do conhecimento. A diferença de métodos e linguagens entre áreas de conhecimento distintas causa problemas de comunicação entre grupos multidisciplinares. Sendo assim, é importante que os estudantes tomem contato com os trabalhos realizados em outras áreas no que diz respeito à utilização de recursos computacionais. Sempre existirão mais áreas de conhecimento do que componentes curriculares que o aluno terá oportunidade de cursar. E novas áreas de conhecimento multidisciplinares estarão também sempre em formação.

Uma das maneiras de se conseguir essa interação durante o curso é a criação de projetos multidisciplinares, de iniciação científica e tecnológica, que envolvam estudantes de diversos cursos de graduação, de áreas correlatas ou radicalmente diferentes.

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A experiência de trabalho com outros grupos (no caso da UEMA, podese envolver pessoal de engenharia mecânica, engenharia de produção, engenharia de segurança, engenharia de pesca, medicina, biologia, etc) não só desenvolve conhecimentos nos alunos, como também os faz entrar em contato com diferentes formas de pensar e agir, preparando-os de maneira adequada para os problemas de comunicação que certamente acabarão aparecendo na vida profissional.

Os projetos de iniciação científica e tecnológica serão grandes catalisadores de trabalhos multidisciplinares, que também serão desenvolvidos a partir de projetos de grupos de pesquisa e de ações de extensão.

A transferência de conhecimento e tecnologias desenvolvidas no âmbito de pesquisa e promovidas pela extensão deve se dar não somente para o mercado de trabalho em Computação e Informática, mas também para outros segmentos da sociedade, inclusive para outras áreas da UEMA.

conforto térmico,– segurança predial, etc.), com a Administração (projetos de

Nesse contexto, o curso de Engenharia de Computação poderá ser elemento catalisador de desenvolvimento dentro da UEMA, pois poderão ser desenvolvidos projetos multidisciplinares com a Engenharia Civil (projetos de softwares para as áreas específicas de estrutura, hidráulica, saneamento, mecânica dos solos, materiais de construção, métodos construtivos, gestão de empreendimentos, etc.), com a Engenharia Mecânica (projetos nas áreas de térmica, máquinas térmicas e operatrizes, mecatrônica, controles industriais, maquinas ferramentas, mecânica computacional, etc.) com a Arquitetura (projeto de automação para confortos ambientais – iluminação, sistemas de informações gerenciais em geral, etc.), com a Pedagogia (projetos de educação a distancia, métodos avaliativos, etc.), dentre outros.

4.3.10. Métodos Formais

A formalização dos conceitos e técnicas da área é condição necessária não só para a futura atuação profissional do aluno, mas também como parte de seu desenvolvimento científico. O estudo dos conteúdos sob o ponto de vista operacional, da aquisição de competências e de habilidades práticas específicas, pode ser interessante até certo aspecto, mas não pode existir de forma exclusiva. A exatidão de todos os conceitos vistos durante o curso precisa ser expressa de maneira formal, e o aluno deve habituar-se a entender e a se comunicar em linguagem matemática.

A formalização de conceitos garante que se possa verificar propriedades de sistemas, estruturas, algoritmos, etc, além de permitir o desenvolvimento e prova de teorias a respeitos dos mesmos.

Uma gama enorme de métodos formais existe para representar os mais diversos conteúdos: sistemas lógicos, programas imperativos, orientados a objeto, concorrentes, funcionais e lógicos, protocolos de redes de computadores, especificação de sistemas nos mais diferentes níveis de abstração, comunicação em sistemas distribuídos, sintaxe e semântica de linguagens, sistemas de tipos, e assim sucessivamente. Estes métodos devem ser trabalhados junto aos componentes curriculares que deles necessitam. Desta forma, cria-se no aluno a expectativa de definições sem ambigüidade, de uma maneira natural, contribuindo para o

Projeto Pedagógico do Curso de Engenharia de Computação Página 38 de 89 desenvolvimento do pensamento científico do aluno, e permitindo que ele leve essa característica para sua vida profissional.

4.3.1. Referências Bibliográficas

O referencial bibliográfico utilizado no desenvolvimento dos conteúdos, dentro e fora da sala de aula, deve impactar dominantemente o tipo de conhecimento a ser alcançado pelo aluno. Dessa forma, as referências bibliográficas para todos os assuntos programados para os componentes curriculares do curso têm uma maior ou menor profundidade e abrangência. Os livros indicados como texto de um componente curricular devem conter o assunto tratado em abrangência e em profundidade, mesmo que a totalidade dos assuntos não seja trabalhada no componente curricular. Assim, o aluno pode visualizar a existência de um corpo de conhecimento sobre um assunto muito maior do que o efetivamente visto no componente curricular.

Em geral, não existe a possibilidade do esgotamento de um assunto na carga horária disponibilizada para um componente curricular, mesmo que sejam elaborados trabalhos extra-classe.

A utilização de bibliografias mais completas e com uma maior profundidade mostra aos alunos que existem mais coisas a aprender além daquelas vistas na sala de aula, mostrando que novos conhecimentos e novas relações entre os conhecimentos adquiridos sempre podem ser encontrados. Não deve também ser utilizada uma única fonte como referência (ou livro-texto) para todo o componente curricular, possibilitando que o aluno entre em contato com diferentes autores ou fontes de informação e abordagens sobre um mesmo assunto.

Além de livros que contenham um tratamento adequado dos assuntos do componente curricular, é necessário que, no desenvolvimento dos trabalhos e projetos dos componentes curriculares, o aluno tenha a necessidade de buscar informações em artigos científicos de congressos e revistas relevantes às áreas. Esta situação mostra aos alunos que o corpo de conhecimento da área não só é grande, mas também encontra-se em crescimento constante. Este crescimento torna a atualização contínua dos conhecimentos uma necessidade, e o aluno precisa se conscientizar de que esta necessidade implica em outra: a de aprender por conta própria, visto que nem sempre em sua vida ele vai poder contar com um professor ao lado para guiar suas escolhas.

4.3.12. Utilização de Laboratórios

Laboratório aqui deve ser compreendido em seu sentido mais amplo, ou seja, como um local para a realização de experimentos e atividades práticas. Nesse sentido, a maior parte das aulas deverá ser realizada em laboratório (mesmo que o local físico seja a própria sala de aula), uma vez que as aulas puramente expositivas devem ser limitadas a um mínimo necessário de recursos.

As atividades em aula devem ser, em sua grande parte, na forma de oficinas, fazendo com que o aprendizado seja construído pelos alunos, sob a supervisão do professor. Deve ser constante a utilização da Internet e de outras ferramentas de comunicação durante as atividades de aprendizagem. O Curso de Engenharia de

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Computação possuirá uma infra-estrutura que viabilize a conexão de notebooks e desktops dos alunos à Intranet usando redes com fio e sem fio.

Quanto aos laboratórios de computação propriamente ditos, estes serão em número suficiente para garantir que as atividades desenvolvidas pelos alunos, dentro ou fora do horário estabelecido para as aulas, sejam com a utilização de computadores interligados à Internet. O número de computadores deverá atender à utilização de um aluno por máquina, nos componentes curriculares básicos e na formação profissional comum, e de um total máximo de 20 alunos nos componentes curriculares de formação profissional específica, permitindo o acesso a todo o software de apoio aos componentes curriculares.

Além do software utilizado no desenvolvimento dos componentes curriculares, é importante que os laboratórios tenham as ferramentas mais utilizadas no mercado em relação a qualquer área (linguagens, sistemas gerenciadores de banco de dados, simuladores, ferramentas CASE, etc.). A utilização de ferramentas tecnológicas atualizadas será uma constante nos componentes curriculares do curso, conforme expresso no conjunto de metodologias a aplicar.

Além disso, é importante que, mesmo que um destes programas não seja utilizado em nenhum componente curricular, esteja disponível caso algum aluno necessite aprender uma ferramenta moderna, ela deve estar à sua disposição, incentivando assim as capacidades de auto-aprendizagem do aluno. Logicamente que o número de licenças destes programas não precisa ser elevado, como é o caso de software utilizado em componentes curriculares.

Além dos laboratórios de computação, laboratórios de hardware serão disponibilizados e equipados com osciloscópio, analisadores de dados, multímetros, oscilador, fonte de alimentação e materiais para experimentos, além de outros voltados para as áreas de redes, telecomunicações, controle passivos e ativos industriais, robôtica, teleprocessamento, Internet, programação, etc, conforme quadro abaixo:

• Laboratórios de computação para o ensino básico equipados com estações de trabalho, softwares e projetor;

• Laboratórios de eletricidade, magnetismo e eletrônica básica (ligado ao Depto. de Física);

• Laboratórios de eletrônica industrial e de microprocessadores e microcontroladores;

• Laboratórios para área de redes, web e conectividade;

• Laboratórios para área de automação e controle;

• Laboratórios de controle e servomecanismos, robôtica e mecatrônica;

• Laboratórios de processamento de sinais digitais, computação gráfica e processamento de imagens;

• Laboratórios para área de engenharia de software;

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