Projeto Pedagógico do curso

Projeto Pedagógico do curso

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Primeiramente, é preciso esclarecer que a dualidade de denominações hoje existente na área de computação com relação a seus cursos – Ciências da Computação e Engenharia de Computação – não é apenas semântica.

O documento desenvolvido pela força-tarefa para o “Computing Curricula 2004” entre ACM-IEEE-CS conceitua a Engenharia de Computação como

Projeto Pedagógico do Curso de Engenharia de Computação Página 16 de 89 um ramo ou uma especialização da Ciência da Computação, embora em alguns momentos pareçam que coincidem.

O documento “Perfis de Profissionais e Denominação de Cursos” publicado no site da Coordenação da Comissão de Especialistas do Ensino em Informática (MEC-SESu) afirma também:

“Não há consenso quanto à diferença de perfil entre os cursos denominados de Ciência da Computação e Engenharia de Computação. Normalmente, a diferença está na aplicação da ciência da computação e no uso da tecnologia da computação: os cursos de Engenharia de Computação visam a aplicação e o uso de tecnologia da computação, especificamente, na solução dos problemas ligados a automação industrial e a redes e telecomunicações. Muitos cursos de Engenharia de Computação visam, também a aplicação da física e eletricidade na solução de problemas de automação industrial. Esses cursos incluem, portanto, nos seus currículos, uma nova base científica, a física e a eletricidade, que se introduzida de forma abrangente e profunda estendem demasiadamente os currículos dos cursos, além de invadir a área de competência da engenharia elétrica. Os cursos de Ciência da Computação se possuírem uma formação complementar em automação industrial não diferem muito dos cursos de Engenharia de Computação”.

O artigo “Software Engineering Programmers are not Computer Science

37, 1998. Kluwer Academic Publisher) nos diz que “a ciência da computação pode

Programmers” de David Lorge Parnas (In Annals of Software Engineering 6(1;4):19- ser vista para o engenheiro de computação assim como a física é vista para o engenheiro eletricista”.

Assim, o Engenheiro de Computação deve ser um profissional preparado para aplicar a matemática, a ciência da computação e as tecnologias modernas em soluções computacionais, eficientes, seguras e confiáveis, que assegurem o bem estar da sociedade e em particular das corporações.

No Maranhão, existe um curso de Ciências da Computação na

Universidade Federal do Maranhão (UFMA), e diversos cursos de tecnólogos na área oferecidos pelo UniCEUMA e CEFET, que suprem, em parte, a necessidade do mercado do tecnólogo. Porém, no Estado do Maranhão, existe uma demanda por profissionais qualificados com formação em Engenharia de Computação que é o objeto deste projeto pedagógico proposto pela UEMA.

Como na UEMA existe um curso de Engenharia Mecânica, que também tem interesse na área de Automação – na automação industrial que se refere aos tipos de processo contínuos (ex. produção em fluxo contínuo) quanto a processos discretos (ex. processos de manufatura em geral) – e na Instrumentação, áreas que um curso de Engenharia de Computação poderá colaborar na formação de docentes e discentes como também no sentido da sinergia necessária para otimizar recursos. Nesse mesmo sentido,

Projeto Pedagógico do Curso de Engenharia de Computação Página 17 de 89 a UEMA conta com cursos de Engenharia Civil, Administração e Arquitetura, cursos que hoje demandam um substrato de conhecimentos em computação capaz de produzirem construções mais inteligentes, seguras e econômicas. Por tudo isso, além das características de demanda local e de preparação de profissionais para o processo de industrialização do Estado do Maranhão – processo em expansão – é que se optou por um curso de Engenharia de Computação.

Segundo o documento “Indicadores e Padrões de Qualidade para Cursos de Graduação da área de COMPUTAÇÃO”, os Cursos de Ciência da Computação e de Engenharia de Computação possuem as seguintes características:

• cursos cujos currículos possuem uma base teórica profunda em computação;

• cursos nos quais os alunos têm uma intensa atividade de estudos e exercícios extra-classe;

• cursos de formação tecnológica que visam o desenvolvimento tecnológico e, portanto, pretendem ou devem estar cercados por um ambiente industrial/empresarial de computação;

• cursos em que a formação complementar visa conhecer um domínio de aplicação, fora da área de computação, com vistas ao desenvolvimento de tecnologias (ferramentas) para a solução dos problemas do domínio;

• cursos voltados não apenas para o mercado de trabalho imediato, mas, principalmente, para alavancar/transformar o mercado de trabalho, através da produção/geração de novas tecnologias;

• cursos em que os alunos são instados a participar dos projetos de pesquisas dos professores na qualidade de alunos de iniciação científica;

• cursos em que seus professores estão engajados efetivamente na pesquisa científico-tecnológica sendo, portanto, recomendável à inserção desses cursos em um ambiente de pós-graduação e/ou de pesquisa na área;

• cursos recomendados para incluírem nos seus currículos um Trabalho de Diplomação (Trabalho de Conclusão de Curso);

• cursos recomendados para serem oferecidos no turno diurno;

• cursos de mercado de trabalho restrito;

• cursos em que os melhores alunos devem ser estimulados a prosseguir estudos em nível de mestrado e doutorado.

Tudo isso vem ao encontro desta proposta Pedagógica para o curso de Engenharia de Computação da UEMA.

3.2. Áreas de Concentração

Quanto às áreas de concentração ou habilitações, já se tinha um perfil preliminar, quando se optou por dar suporte à Engenharia Mecânica: automação e controle industrial – área que requer conhecimentos tecnológicos em Física e controle de sistemas, arquitetura de computadores, sistemas de tempo real, redes de

Projeto Pedagógico do Curso de Engenharia de Computação Página 18 de 89 computadores e telecomunicações, sistemas distribuídos, engenharia de software, confiabilidade de sistemas e robótica.

Essa multidisciplinaridade nos permite agrupar tais áreas em um conjunto de habilitações baseado numa estrutura de conhecimentos (habilidades e competências) que já está, em parte, disponível no CCT da UEMA, através de seus cursos de Engenharia Civil, Arquitetura e Engenharia Mecânica.

As três habilitações que serão implantadas no curso de Engenharia de Computação da UEMA serão:

• Engenharia de Software e Tecnologia da Informação; • Automação e Controle;

• Telemática e Telecomunicações.

Dessa forma, o Curso de Engenharia de Computação com as suas habilitações propostas requer um esforço multidisciplinar de integração departamental, que com certeza, exigirá um trabalho de reestruturação dos diversos órgãos envolvidos, de forma que eles possam absorver e aplicar novas tecnologias de transferência de conhecimento e de avaliação de desempenho, ainda não implementadas nos cursos presenciais da UEMA tal como Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA).

3.3. Competências e Habilidades

Neste projeto pedagógico, desenvolveu-se a estrutura curricular do curso de Engenharia de Computação baseada na formulação pedagógica voltada a competências, a partir das diretrizes curriculares para os cursos de engenharia e para cursos de computação.

Essa quebra de paradigma, esse rompimento com o modelo pedagógico reprodutivo, deve garantir que esta estrutura curricular atenda às habilidades e competências estabelecidas para o egresso do curso.

Não se pode esquecer que, os cursos de Engenharia são submetidos ao

Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES) (estabelecido pela Lei 10.861 de 14 de abril de 2004) e ao seu exame denominado Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE) que, se por um lado restringe o instrumento estabelecido no artigo 53 da LDB, por outro lado força a instituição mantenedora do curso em colocar no plano pedagógico do curso os instrumentos básicos que garantam uma avaliação de desempenho satisfatório dos alunos do curso, quando submetidos ao “exame”. Essa característica não foi esquecida na elaboração deste projeto pedagógico.

É importante lembrar que a Portaria INEP nº 179, de 24 de agosto de 2005, estabeleceu que a avaliação de desempenho de estudantes siga um perfil de habilidades e competências, na área de Engenharia de Computação (art 6º, §II) conforme descrito a seguir (grifo nosso):

“Os cursos de Engenharia de Computação têm a Computação como atividade fim e visam à aplicação da Ciência da Computação e o uso da tecnologia da computação, especificamente, na solução dos

Projeto Pedagógico do Curso de Engenharia de Computação Página 19 de 89 problemas ligados a processos de automação e comunicação de dados. Esses cursos se caracterizam pela utilização intensiva de conceitos de Física, Eletricidade, Controle de Sistemas, Robótica, Arquitetura e Organização de Computadores, Sistemas de Tempo-Real, Redes de Computadores e de Sistemas Distribuídos. Os egressos desses cursos podem potencialmente ser empreendedores e estar situados no estado da arte da ciência e da tecnologia da Computação e Automação, sendo aptos ao projeto de software e hardware. Esses egressos devem ter capacidade de continuar suas atividades na pesquisa, promovendo o desenvolvimento científico, ou aplicando os conhecimentos científicos, promovendo o desenvolvimento tecnológico nas áreas de Computação e Automação”.

3.3.1. Genéricas de um Engenheiro

As habilidades e competências que um Engenheiro tem que possuir são (conforme as diretrizes curriculares aprovadas pela Resolução CNE/CES 1-2002 de 1 de março de 2002):

• aplicar conhecimentos matemáticos, científicos, tecnológicos e instrumentais à engenharia;

• projetar e conduzir experimentos e interpretar resultados;

• conceber, projetar e analisar sistemas, produtos e processos;

• planejar, supervisionar, elaborar e coordenar projetos e serviços de engenharia;

• identificar, formular e resolver problemas de engenharia;

• desenvolver e/ou utilizar novas ferramentas e técnicas;

• supervisionar a operação e a manutenção de sistemas;

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