Vestibular ufjf 2009

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Entretanto, para operacionalizar o conceito de família, os institutos de pesquisa restringem o escopo da família ao grupo domiciliar. Assim, nos censos demográficos e outras pesquisas domiciliares (tipo PNAD), o alcance máximo de uma família vai até os limites físicos da moradia. Uma mesma família (definida pelos laços de parentesco e de ajuda mútua) que ocupe dois domicílios é contabilizada como duas famílias.

A tabela 1 mostra os dados de população, domicílios permanentes ocupados e famílias nos Estados

Desta forma, família e domicílio estão, intrinsecamente, relacionados nos censos demográficos. Contudo, a despeito dessa regra geral, existem diferenças metodológicas importantes adotadas pelos diversos países. Por exemplo, nos Estados Unidos (EUA) e na Argentina, uma pessoa que more sozinha num domicílio ou mais de duas pessoas sem laços de parentescos que morem juntas são classificadas como “não-família”. Já no Brasil, ambos os casos se encaixam na definição de família do IBGE. O que o IBGE define como família no Brasil é o que os EUA e a Argentina definem como família + “não-família”. Porém, o objetivo desse texto é abordar um outro problema metodológico que, senão compreendido, pode ser fonte de grande confusão. Trata-se da questão das “famílias conviventes” que é um procedimento adotado pelo IBGE e que difere das normas adotadas por outros países do mundo. Unidos, Argentina e Brasil. Observa-se que a soma de famílias e “não-famílias” coincide com o número de domicílios nos dois primeiros países, mas difere no caso brasileiro, isto é, no Brasil o número de famílias (o que inclui as “não-famílias”) é maior do que o número de domicílios ocupados.

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A diferença de 3,4 milhões de famílias excedendo o número de domicílios no Brasil se deve ao procedimento metodológico adotado pelo IBGE que, ao contrário de outros países, fraciona as famílias dentro de um mesmo domicílio. O conceito de FAMÍLIA CENSITÁRIA do IBGE define um responsável pela família, mesmo que este não seja o responsável pelo domicílio. Toda vez que isto acontece, tem-se os domicílios com famílias conviventes. Na verdade, as famílias conviventes do IBGE são famílias estendidas, compostas por duas ou mais famílias nucleares, parentes ou não-parentes.

Exemplificando: um casal com dez filhos é uma família única (12 pessoas), mas um casal com apenas um filho se torna duas famílias se este filho se casa e o cônjuge for morar no mesmo domicílio. Nesse segundo caso teríamos uma família principal (composta pelo casal de pais) e uma família secundária composta pelo casal formado pelo filho/a e genro/nora. Teríamos, então, duas famílias nucleares compostas de duas pessoas cada uma. Da mesma forma, se algum filho/a de um casal de família principal tem um filho/a que vá morar debaixo do mesmo teto (neto/a do casal responsável pelo domicílio), então, o IBGE classifica como duas famílias nucleares. Se uma terceira família nuclear (um irmão ou primo com o respectivo cônjuge ou filho) for morar sob o mesmo teto, então, teríamos uma terceira família convivente (mesmo sendo parente próximo), e assim por diante.

O resultado da metodologia adotada pelo IBGE provoca um inchaço artificial do número de famílias existentes no Brasil, vis-à-vis a outros países do mundo. A tabela 2 mostra que para 2,89 milhões de famílias principais, segundo o censo demográfico de 2000, existiam no Brasil 3,4 milhões de famílias conviventes, sendo 2,89 milhões de famílias secundárias, 298 mil famílias terciárias e 250 mil quartas ou mais famílias conviventes.

Se o IBGE adotasse a mesma metodologia dos institutos de pesquisa dos Estados Unidos e da Argentina, essas famílias conviventes desapareceriam e teríamos apenas 2,89 milhões de famílias, isto é, o número de famílias coincidiria com o número de domicílios e o Brasil não apresentaria um “excesso” de famílias.

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Questão 6: A principal diferença entre o conceito de família adotado na literatura sociológica e aquele assumido pelos institutos de pesquisa é a de que:

a) os institutos ignoram os laços de parentesco entre os membros da família. b) as teorias sociológicas restringem o conceito de família à ocupação comum de espaços. c) a conceituação de família, segundo as teorias sociológicas, é definida pelo grupo domiciliar.

d) os institutos de pesquisa ignoram sempre os laços de parentesco entre os membros da família.

e) os institutos de pesquisa definem família a partir de restrições de limites físicos de moradia.

Questão 7: Leia as afirmativas abaixo:

I - Estados Unidos, Argentina e Brasil convergem na classificação de não-família. I - Uma pessoa morando sozinha em uma casa, na Argentina, é classificada como família. I - O “excesso” de famílias cadastradas no Brasil decorre de erros na coleta de dados pelo IBGE.

IV - O IBGE, diferentemente dos institutos de pesquisa censitários da Argentina e dos Estados Unidos, leva em consideração as “famílias conviventes” em seu cadastramento.

Com base na leitura do texto, é POSSÍVEL afirmar que:

a) todas as alternativas estão incorretas. b) somente (I) está correta. c) somente (IV) está correta. d) apenas (I) e (IV) estão corretas. e) apenas (I) e (II) estão corretas.

Questão 8: Leia novamente o exemplo utilizado por Diniz Alves (sexto parágrafo). De acordo com a exemplificação de Diniz Alves, é INCORRETO afirmar que:

a) a classificação de família secundária é feita de acordo com o número de filhos de um casal. b) famílias nucleares conviventes partilham o mesmo domicílio. c) a família secundária pode ou não habitar o mesmo domicílio que a família principal. d) uma família única é aquela formada pelo casal de pais e pelos(as) filhos(as) solteiros(as).

e) uma casa habitada por um casal e por seu neto é cadastrada como tendo 2 famílias nucleares.

Questão 9: Leia novamente:

É CORRETO afirmar que o termo destacado, ENTÃO, no enunciado acima:

a) estabelece uma relação de concessão entre esse enunciado e o precedente. b) introduz uma idéia de conclusão na argumentação desenvolvida. c) foi utilizado como um recurso discursivo para evitar a redundância na argumentação. d) estabelece uma relação de oposição entre os argumentos utilizados pelo autor. e) foi utilizado como um modalizador, minimizando o impacto da argumentação.

“(...) Teríamos, então, duas famílias nucleares compostas de duas pessoas cada uma.” (sexto parágrafo)

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Questão 10: Leia novamente:

A respeito do uso da expressão “Na verdade”, no enunciado acima, é CORRETO afirmar que o autor pretende:

a) informar que a afirmação anterior era inverídica. b) enfatizar o argumento utilizado na afirmação anterior. c) esclarecer o sentido do termo anteriormente utilizado. d) introduzir um novo argumento em oposição aos já apresentados. e) minimizar o impacto da argumentação inicialmente desenvolvida.

Questão 1: Leia novamente:

A melhor reescrita da sentença acima, resguardando-se o seu significado original e mantendo-se as exigências da norma padrão, é:

a) Contabilizam-se, como duas famílias, uma mesma família que ocupe dois domicílios. b) Contabiliza-se, como duas famílias, uma mesma família que ocupe dois domicílios. c) Contabilizam-se uma mesma família como duas famílias que ocupem dois domicílios. d) Contabiliza-se uma mesma família como duas famílias que ocupem dois domicílios. e) Contabilizam-se, como dois domicílios, duas famílias que ocupem um domicílio.

Questão 12: Leia novamente:

O termo “INTRINSECAMENTE”, destacado no enunciado acima, pode ser substituído, sem modificações relevantes em seu significado, por:

a) inadequadamente. b) essencialmente. c) externamente. d) inadvertidamente. e) superficialmente.

“(...) Toda vez que isso acontece, tem-se os domicílios com famílias conviventes. Na verdade, as famílias conviventes do IBGE são famílias estendidas,compostas por duas ou mais famílias nucleares, parentes ou não-parentes.” ( quinto parágrafo)

“Uma mesma família (...) que ocupe dois domicílios é contabilizada como duas famílias”. (segundo parágrafo)

“Desta forma, família e domicílio estão intrinsecamente relacionados nos censos demográficos.” ( terceiro parágrafo)

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Questão 13: Observe, novamente, a Tabela 1 para responder. Leia, agora, as afirmativas abaixo:

I - O número de domicílios contabilizados na Argentina coincide com o número de famílias se o número de não-famílias for excluído da contagem.

I - Há tantas famílias quanto não-famílias nos Estados Unidos, dado o seu grau de desenvolvimento.

I - O número de domicílios ocupados contabilizados no Brasil é menor que o número de famílias, o que significa que não há disponibilidade de casas para alugar.

IV - Há mais de 3 mil famílias brasileiras sem local para morar.

Com base na leitura da tabela, pode-se afirmar que:

a) todas as afirmativas estão incorretas. b) apenas a afirmativa (I) está correta. c) somente a afirmativa (I) está correta. d) apenas a afirmativa (I) está correta. e) somente a afirmativa (IV) está incorreta.

Leia, agora, com atenção, o fragmento de texto publicado na Revista Cláudia, edição de maio 2008, p.184, intitulado Como é no Brasil, para responder às questões de 14 a 16.

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