A saúde bucal de adolescentes de Recife

A saúde bucal de adolescentes de Recife

(Parte 2 de 4)

Recebimento de instruções sobre higiene oral

Sim Não

Freqüência da escovação2

Uma vez ao dia Duas vezes ao dia Três vezes ao dia ou mais

Uso de bochecho fluoretado

Sim Não

FemininoUm adolescente não quis opinar; um adolescente admitiu não escovar os dentes; Qui-quadrado, p= 0,03.

Masculino

1159 Ciência & Saúde Coletiva, 12(5):15-16, 2007

Estudo na cidade de Feira de Santana, Bahia, Brasil

Foi registrado em média 29,78% de perdas entre os três tipos de escolas. Em relação à composição por sexo, houve ligeiro predomínio do sexo feminino (Tabela 1). Quanto aos formulários, de um total de 971 escolares examinados, 793 formulários foram respondidos pelos pais e 725 pelos adolescentes.

Em relação à escolaridade, os pais dos adolescentes das escolas privadas apresentaram níveis mais elevados. Com respeito à renda familiar, nas escolas públicas houve uma tendência decrescente dos percentuais à medida que aumentava a faixa de renda salarial, enquanto que nas escolas particulares ocorre o inverso; situação similar foi observada no que tange à renda familiar em termos de salários mínimos (Tabela 1).

Sobre a saúde bucal de seus filhos, nas escolas particulares, os pais atribuíram melhores condições bucais, ao passo que ocorreu o inverso nas escolas públicas, onde na condição “ruim” o per- centual registrado nas escolas municipais foi muito maior que nas particulares (Tabela 3).

A maioria dos pais, em todas as escolas, responderam já haver recebido informações sobre como cuidar da saúde bucal dos filhos, sendo que, nas escolas particulares, esse percentual foi bem mais elevado. Quase todos os adolescentes responderam que realizavam a limpeza bucal diariamente duas vezes ou mais, mas não faziam uso de qualquer bochecho fluoretado em quase sua totalidade (Tabela 3).

Em relação à cárie dentária, as médias dos componentes e do índice CPO-D por tipo de escola demonstraram que nas escolas públicas o componente cariado tem maior participação, mesma situação ocorrendo com o componente obturado (restaurado) nas escolas particulares. As composições do índice CPO-D, segundo o tipo de escola, foram diferentes e estatisticamente significativas (X2 = 535,52; p = 0,0). Contudo, não foi encontrada diferença entre os CPO-Ds médios registrados para os grupos de escolas. Observou-se também que mais de 30,0 % de todos os

Tabela 3. Avaliação dos pais sobre a saúde bucal dos filhos e auto-avaliação dos adolescentes quanto à escovação e uso do bochecho, segundo o tipo de escola, Feira de Santana-BA, zona urbana, 2002.

Variável

Informações dos pais (n=793) Avaliação da saúde bucal dos seus filhos

Excelente Muito boa Boa Razoável Ruim

Recebimento de instruções sobre higiene oral

Sim Não

Informações dos escolares (n=725) Freqüência de escovação

Uma vez ao dia Duas vezes ao dia Três vezes ao dia ou mais

Uso de bochecho fluoretado

Sim Não

Estadual (n=284)Municipal (n=247)Particular (n=262) n

Estadual (n=251)Municipal (n=187)Particular (n=287) n

S a ntos, N.

et al.

escolares examinados estavam livres de cárie (CPO-D= 0). As comparações entre os valores de CPO-D segundo sexo e tipo de escola (estaduais, municipais e particulares) não foram significativas (Tabela 5).

Para a condição periodontal, verificou-se freqüência maior de sextantes sadios ou com condições melhores nas escolas particulares. As médias de sextantes em cada condição periodontal por tipo de escola apresentaram diferenças significativas, demonstrando condições de saúde periodontal mais favoráveis nos escolares de instituições particulares (Anova, p = 0,0; p = 0,009; p = 0,0, respectivamente) (Tabela 5).

Ao analisar os dados segundo o sexo, verificou-se que, independente do tipo de escola, nos escolares examinados houve uma menor prevalência da condição “sadio” e maior prevalência da condição “cálculo” para o sexo masculino. Esta diferença foi estatisticamente significativa nas escolas municipais (X2 = 8,45; p = 0,015), registrando, portanto, uma condição de saúde periodontal mais favorável no sexo feminino neste tipo de escola, o que não ocorreu nas estaduais e particulares.

Discussão

Ao dar início à discussão, faz-se necessário enfatizar que, no estudo em Feira de Santana, foi realizada uma investigação epidemiológica sobre as condições de saúde bucal de adolescentes, o que produziu medidas de prevalência, utilizando-se uma amostra representativa de adolescentes residentes na área de abrangência daquela cidade, enquanto que, na cidade de Recife, realizou-se um estudo exploratório, utilizando uma amostra de conveniência, podendo este grupo não refletir as características desta cidade.

Tabela 4. Avaliação clínica da condição de saúde bucal para os adolescentes. Recife, 2005. Variável

Índice de placa visível (%)

Mediana (Q25% - Q75%)

Acúmulo de placa1

Localizado (até 30% das superfícies dentárias) Generalizado (mais de 30%)

Presença de cálculo dentário

Sim Não

Índice de sangramento gengival (%)

Mediana (Q25% - Q75%)

Sangramento gengival

Localizado Generalizado

Índice CPO-D

Mediana (Q25% - Q75%)

Valor do CPO-D < a 3,0 > 3,0

Presença de recessão

Sim Não

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