Príncipios para Boas Práticas de Manejo (BPM) na engorda de Camarão Marinho no Estado do Ceará

Príncipios para Boas Práticas de Manejo (BPM) na engorda de Camarão Marinho no...

(Parte 2 de 7)

5.2 Monitoramento do Estoque51
5.3 Determinação da Muda52
5.4 Estimativa de Sobrevivência53
6. Afluentes, Efluentes e R esíduos Sólidos5
6.1 Tratamento de Efluentes e Afluentes56
6.2 Riscos da Contaminação da Água de Captação57
6.3 Manejo do Canal de Adução58
6.4 Esgotos e R esíduos Sólidos59
7. Aeração Mecânica61
7.1 Objetivos da Aeração Mecânica62
7.2 Horário e T empo de Aeração63
7.3 Taxa de Aeração64
7.4 Posicionamento e Alinhamento dos Aeradores65
8. Ração e Alimentação67
8.1 Métodos de D istribuição de Ração68
8.2 Ajuste das R efeições Ofertadas69
8.3 Número de Refeições e Densidade de Bandejas70
8.4 Armazenament o de Ração71
8.5 Número de Rações Empregadas72
8.6 Critérios Utilizados para Sel eção de Ração73
8.7 Inspeção e Testes de Qualidade da Ração74
8.8 Parâmetros para Avaliar o Desempenho de Rações75
9. Manejo do Solo7
9.1 Tipo e Uso Anterior do Solo78
9.2 Tratamentos do Solo79
9.3 Revirada do Solo80
9.4 Calagem81
10. Qualidade de Água83
10.1 Parâmetros de Qualidade de Água84
10.2 Análise dos Parâmetros de Qualidade de Água85
10.3 Bombeamento de Água86
10.4 Renovação de Água87
10.5 Filtragem de Água8
1. Substâncias Químicas91
1.1 Químicos e seus Objetivos92

ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO 1.2 Dosagens e F ormas de Aplicação .................................................................................... 94

12. Despesca95
12.1 Preparação para Despesca96
12.2 Equipamentos e Insumos97
12.3 Higienização de Veículos, Equipamentos e Pessoal95
12.4 Manipulação do Metabisulfito9
13. Sanidade e Biossegurança101
13.1 Instalações Sanitárias102
13.2 Acesso a F azenda103
13.3 Barreiras Sanitárias104
13.4 Manejo "All-In-All- Out"105
13.5 Enfermidades106
13.6 Descarte de Camarões Mortos107
14. Aspectos Ambientais109
14.1 Licenciamento Ambiental110
14.2 Áreas Especialmente P rotegidas112
15. R elação com os F uncionários115
15.1 Infra- estrutura de Apoio116
15.2 Comunidade e Escolaridade dos F uncionários117
15.3 Apoio Social e P remiação118
15.4 Regime de T rabalho119
15.5 Equipamentos de Proteção Individual - EPIs e Áreas de Atuação120

aplicação foi feita através de visitas às unidades de produção, quando o pesquisador entrevistou o técnico responsável ou o seu proprietário. Na ocasião foram também obtidos registros fotográficos. Para cada tópico abordado, são apresentados os resultados em forma de gráficos ou tabelas. No caso de gráficos é indicada a participação relativa das respostas para cada pergunta (gráfico tipo pizza) ou sua freqüência relativa (gráfico em barras), sendo também informado o número (n) de respostas obtidas. Anexo aos resultados encontra-se comentários sobre a pergunta em questão e as recomendações de BPM.

A investigação foi realizada no período de 12 a 30 de julho de 2004 e de 30 de agosto a 10 de setembro de 2004. Inicialmente foram selecionadas cinco Regiões Hidrográficas do Estado do Ceará, de acordo com a classificação do IPLANCE (1997), assim distribuídas: Acaraú, Baixo Jaguaribe, Coreaú, Litoral e Metropolitana. Considerando o número total de 185 fazendas de cultivo de camarão em funcionamento no Estado do Ceará, em cada uma dessas Regiões, foram definidos os números amostrais como se seguem: Acaraú, 6; Baixo Jaguaribe, 19; Coreaú, 1; Litoral, 3, e; Metropolitana, 4. Também foram levados em consideração os tamanhos das empresas existentes nas Regiões: 7 grandes (> 50 ha), 27 médias ( > 10 ha e < 50 ha) e 9 pequenas (< 10 ha). Em uma etapa subseqüente, foram elaborados questionários tipo checklist com 171 perguntas, aplicados em cada unidade visitada. Os questionários abrangeram os seguintes itens: identificação, operacional, berçário, pós-larvas, estoque, engorda, qualidade da água, aeradores, efluentes, solo, ração, químicos, despesca, sanidade, funcionários e preservação. Sua

1. Aspectos Operacionais

1.1. Tempo de Funcionamento 1.2. Viveiros de Engorda 1.3. Densidade de Estocagem 1.4. Duração do Cultivo 1.5. Parâmetros de Desempenho Zootécnico 1.6. Produção de Camarões

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1. TEMPO DE FUNCIONAMENTO

O tempo de funcionamento das empresas visitadas é relativamente recente, verificando-se que apenas 4,7% têm mais de 15 anos e 58,1 % estão na faixa de 2 a 5 anos. Vale salientar que a atividade de carcinicultura marinha, no Estado do Ceará, teve início na década de 70 do século passado e só atingiu um melhor desempenho a partir da metade da década de 90, observando-se uma maior expansão nos últimos cinco anos. Hoje o Ceará conta com um total de 185 fazendas de carcinicultura, sendo 12 grandes, 46 médias e 127 pequenas, perfazendo um total de 3.376 ha de área cultivada.

O crescimento da carcinicultura no Estado trouxe uma série de benefícios econômicos e sociais, gerando divisas através das exportações e criando empregos diretos e indiretos. Entre o período de 1999 a 2003, a exportação de camarão cultivado no Estado do Ceará evoluiu de US$ 6.228.900 para US$ 80.944.384, representando um aumento de valores da ordem de 1.199,5%. No que diz respeito à geração de empregos, a carcinicultura pode gerar cerca de 3,75 empregos diretos e indiretos por hectare, o que significa que este agronegócio trouxe em torno de 12.660 empregos. Por outro lado, devido à melhoria do poder aquisitivo desse contingente, o comércio nas localidades onde a atividade se estabelece, tende a crescer e conseqüentemente criar novas oportunidades de trabalho e trazer mais progresso através da aplicação dos impostos arrecadados.

PRÁTICAS RECOMEND ADAS 1. Monitorar a expansão da atividade de cultivo de camarões de forma criteriosa, a fim de evitar um aumento desordenado e garantir sua sustentabilidade econômica, ambiental e social. 2. Não exceder a capacidade de carga de áreas exploradas pela carcinicultura, regulando a qualidade dos efluentes em bacias hidrográficas com grandes concentrações de fazendas. Capacidade de carga é a máxima produção de camarão e de outras atividades geradoras de resíduos líquidos que pode ser suportada pela massa d’água receptora, sem comprometer a sua qualidade original. 3. Planejar e ordenar a construção de novas operações de cultivo considerando o Zoneamento

Econômico e Ecológico (ZEE) da região. 4. Delimitar distâncias mínimas entre fazendas de cultivo e plantas processadoras de camarão para evitar o risco de entrada e disseminação de enfermidades por esta rota.

Tempo de Funcionamento 30,2%

Gráfico 1 - Tempo de Funcionamento das Fazendas

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1.2. VIVEIROS DE ENGORDA

A variedade observada no número de viveiros (5 a 100) está relacionada com o tamanho das empresas visitadas, verificando-se o menor número nas pequenas empresas. Os primeiros projetos de fazendas de carcinicultura, instalados no Ceará, se caracterizaram pela construção de viveiros de grande porte, chegando até 50,0 ha. Com a continuidade, observou-se a dificuldade do controle do ambiente de cultivo em grandes áreas, sendo as unidades subdivididas, dando origem a viveiros menores. Assim, os novos empreendimentos buscaram a modernização, modificando seu lay out, passando a predominar a construção de viveiros com áreas entre 1,0 ha e 5,0 ha e profundidades entre 0,75 m e 1,75 m. Com a intensificação dos cultivos e o uso de aeradores mecânicos, as operações de cultivo passaram a construir viveiros mais profundos, oferecendo um maior volume de água por ha cultivado, conseqüentemente proporcionando condições ambientais mais estáveis e confortáveis para os camarões cultivados.

PRÁTICAS RECOMEND ADAS 1. Fazendas com um espelho d'água inferior a 50 ha, que operam sob uma condição intensiva de engorda, devem adotar áreas individuais de cultivo menores que 2,0 ha. 2. Evitar a construção de viveiros com áreas superiores a 5,0 ha, exceto quando se opera sob condições semi-intensivas (densidade de estocagem inferior a 35 camarões/ m2). 3. Evitar a construção de viveiros com profundidades inferiores a 0,75 m. Viveiros rasos podem sofrer com um rápido aquecimento da água, uma alta turbidez inorgânica e uma baixa produtividade biológica, podendo favorecer ainda o crescimento de algas bênticas.

Número de Viveiros na Fazenda 27,9%

< 5 viveiros 5-10 viveiros 1-20 viveiros 21-50 viveiros 51-100 viveiros 101-200 viveiros >2 0 viveiros

Área Média de Cada Viveiro 2,3%

Profundidade dos Viveiros

Gráfico 2 - Número de Viveiros na Fazenda

Gráfico 3 - Área Média de cada viveiro Gráfico 4 - Profundidade dos viveiros

ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO19

4. Adotar profundidades entre 1,2 m e 1,8 m. Viveiros mais profundos possuem uma maior quantidade de água para produção biológica, são menos susceptíveis a flutuações bruscas nas variáveis ambientais, contudo demandam o uso de aeradores mecânicos para evitar zonas de estratificação.

1.3 DENSIDADE DE ESTOCAGEM

A densidade de estocagem de camarões reflete os níveis de intensificação adotados. Enquanto no início do cultivo de camarão no Brasil era comum à adoção de densidades de um indivíduo/ m², um maior aporte tecnológico permitiu um incremento considerável nas densidades de estocagem. A densidade de estocagem tem uma relação direta com a produção dos viveiros. Sob o ponto de vista econômico, as baixas densidades de estocagem são desvantajosas, contudo à proporção que se incrementa o número de indivíduos por m², aumentam os riscos de transmissão de enfermidades. De um modo geral devese ter o cuidado quanto à escolha da densidade, principalmente em áreas com grande concentração de viveiros e em fazendas pouco tecnificadas.

PRÁTICAS RECOMEND ADAS 1.Somente incrementar as densidades de estocagem de camarão na engorda quando prevalecerem condições ambientais favoráveis. 2.Fornecer um devido aporte tecnológico na medida em que as densidades de estocagem forem incrementadas. Sistemas mais intensivos requerem uma capacitação técnica de pessoal, maiores taxas de aeração mecânica, intensificação das

Densidade de Estocagem

Gráfico 5 - Densidade de Estocagem

Figura 3 - Camarões estocados sob densidade de 120 animais/m em tanque de cultivo medidas de tratamento do solo entre os ciclos de produção, monitoramento rotineiro dos parâmetros de qualidade de água e do estoque cultivado. 3. Evitar densidades de estocagem demasiadamente baixas (< 5 camarões/m2) ou excessivamente elevadas (> 80 camarões/m2), pois ambas podem levar a perdas econômicas e (ou) ambientais. 4. Em fazendas nas quais as enfermidades virais já se manifestaram sem uma evidente perda de produção, deve-se reduzir ou manter constante as densidades de estocagem de camarão.

ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO20

1.4 DURAÇÃO DO CULTIVO

A duração do cultivo é um fator de extrema importância para viabilidade econômica do empreendimento e sua rentabilidade. Este parâmetro varia de acordo com a idade ou o tamanho do camarão no povoamento, as densidades de estocagem empregadas e as metas desejáveis de produção em relação ao peso do camarão no momento da despesca. Enquanto em outras regiões do país, o número de ciclos alcançados ao ano tem uma estreita relação com a temperatura anual da água, na Região Nordeste, este fator não sofre grandes oscilações. Portanto, o número de ciclos de engorda alcançados durante o ano varia conforme a duração da engorda e os intervalos adotados para descanso e tratamento do fundo dos viveiros. Em média, quando se adota sistemas bifásicos de produção (engorda realizada em duas fases, incluindo a de berçários) é possível alcançar 2,5 safras anuais, considerando períodos de engorda de 115 dias e dois intervalos de 10 dias entre as despescas. Por outro lado, na medida em que se elevam as densidades de estocagem, a tendência é alcançar períodos de engorda mais prolongados.

PRÁTICAS RECOMEND ADAS 1. Iniciar a engorda com camarões com idade ou peso mais elevado possível, de forma a reduzir a duração do ciclo de engorda e assim aumentar a rotatividade dos cultivos. 2.Trabalhar com densidades de estocagem de camarão que não gerem aumentos substanciais na duração do ciclo de engorda. 3. Considerar criteriosamente o peso do camarão para despesca. O cultivo de camarões acima de 12 g é mais difícil, pois prolonga a engorda, demanda um maior aporte de insumos e mobilização de capital. Contudo, dependendo da época do ano, seus preços mais elevados podem compensar os riscos e os maiores custos operacionais.

Número de Ciclos ao Ano

1c iclo

2c iclos 2,5 ciclos

3c iclos 4c iclos n= 43 Tempo do Ciclo de Engorda

Gráfico 6 - Número de ciclos ao ano Gráfico 7 - Tempo do ciclo de engorda

ZEE - ZONEAMENTO ECOLÓGICO ECONÔMICO21

1.5 PARÂMETROS DE DESEMPENHO ZOOTÉCNICO

As operações de cultivo no Brasil se caracterizam por produzir camarões de tamanhos médios como forma de reduzir os riscos econômicos e minimizar a mobilização de capital necessária para desenvolver o cultivo. A produção de camarão dentro de uma única faixa de peso restringe os nichos de mercado que poderiam ser atendidos, inibindo a diversificação e a agregação de valor do produto final. Isto é em parte resultado da ineficácia das poucas políticas de concessão de crédito para custeio da carcinicultura disponíveis no país. A engorda de camarão no Estado do Ceará sempre se caracterizou por aportar um nível tecnológico mais elevado nos cultivos e uma mãode-obra mais qualificada, resultando em produtividades recordes. Mais recentemente, devido ao surgimento de novas patologias nos cultivos e sua disseminação entre áreas, observouse uma queda na sobrevivência final de camarões e na produtividade, além de uma elevação do fator de conversão alimentar (FCA). Enquanto uma série de fatores pode influenciar o FCA, como condições ambientais, manejo alimentar e qualidade da ração, neste caso, o aumento do FCA teve como causa a mortalidade de camarões já numa avançada fase de crescimento.

PRÁTICAS RECOMEND ADAS 1.Manter um ambiente de cultivo saudável dentro dos padrões de segurança, evitando, ao máximo, situações de estresse para a população estocada, com vistas a reduzir perdas na produção. 2.Certificar-se quanto ao estado sanitário dos indivíduos estocados, evitando o povoamento com camarões debilitados ou com sinais clínicos de enfermidades. 3.Em face de um incremento na mortalidade de camarões durante o ciclo de engorda, considerar uma despesca emergencial, quando os camarões já apresentarem peso aceitável de comercialização

Peso dos Camarões na Despesca n= 43 Médiad eS obrevivência

Fator de Conversão Alimentar n= 43 Produtividade de Camarões

Gráfico 8 - Peso dos camarões na despesca Gráfico 9 - Média de sobrevivência

Gráfico 10 - Fator de conversão alimentar Gráfico 1 - Produtividade de camarões

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A produção anual de camarão nas fazendas entrevistadas varia de menos de 10 toneladas a mais de 5.0 toneladas, com uma maior representatividade entre 10 e 500 toneladas. Estabelecendo-se comparações entre as produções dos anos de 2002 e 2003, a maioria (57,6%) declarou que houve uma redução em maior ou menor grau, apenas 27,0% logrou aumento e 15,6% manteve-se estável. Quando indagados sobre a produção esperada em 2004, 7,4% esperam uma queda variando de menos de 25,0% a 50,0%, em relação a 2003. Com respeito à expectativa de crescimento para o ano de 2006 em relação a 2004, os dados foram otimistas, tendo 62,5% declarado esperar um incremento entre menos de 25,0 e 50,0%. A queda da produção que se manifestou de forma mais acentuada no ano de 2003 ocorreu devido ao surgimento da Mionecrose Infecciosa (IMN), sendo um vírus seu agente etiológico. Este fato, trouxe um sinal de alerta sobre a necessidade de implantação de medidas de biossegurança nas fazendas e da melhoria das práticas de manejo, como forma de reduzir o estresse aos indivíduos cultivados.

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