1. Introdução

No novo processo operacional que está sendo implantado na CHESF, é de suma importância que o Operador de Sistema do CROO tenha uma visão prática das atividades executadas pelo Operador de Instalação, visto que, com a implantação do PADR (Posto de Atendimento Dedicado com Operação Remota), torna-se indispensável o conhecimento detalhado de cada instalação do Subsistema Oeste para melhor interpretar sinalizações através do SAGE e agir de forma eficiente e eficaz na tomada de decisão. Neste contexto, uma visita de missão técnica “in loco” serve para consolidar a construção desse conhecimento.

2. Objetivo da visita

Adquirir conhecimentos suficientes para o PADR (Posto de Atendimento Dedicado com Operação Remota) da Subestação de Eliseu Martins, assim como integrar a equipe de operação de sistema à equipe de operação de instalação, pois se trata de um grupo único e um trabalho realizado em conjunto. E, também, na medida do possível, apoiar os Operadores da SE/ELM em suas atividades diárias.

3. Desenvolvimento 3.1. Dados dos Participantes

Marta Lúcia Lopes de Sousa – Mat. 217.212 Ney Leopoldino Nogueira – Mat. 228.397

3.2. Dados da Subestação Eliseu Martins

A SE/ELM é uma subestação Abaixadora de 230/69KV e fica na cidade de Eliseu

Martins, a 500 km de Teresina. Abastece cerca de 80 mil famílias na região Sul do Estado, entre elas Bom Jesus e a própria Eliseu Martins.

Possui 2 transformadores com potência total instalada de 100MWA, porém o consumo atual é de aproximadamente 20MW.

É uma subestação completamente digitalizada, que possibilita o controle tanto local quanto remoto, através da sala de comando da subestação ou através do CROO.

Suprida através da LT 04M2 proveniente da SE São João do Piauí, a Subestação

Eliseu Martins é dotada de bay completo na entrada da linha 04M2, com disjuntor 3AP1 – SIEMENS tipo FA-12, chaves seccionadoras motorizadas LAELC.

O setor 230 kV possui arranjo do tipo barra dupla, utilizando configuração disjuntor simples com cincos chaves seccionadoras motorizadas. Os disjuntores de 230 KV e 69 kV são de fabricação Siemens 3AP1. As saídas de linha/transformador utilizam chaves seccionadoras motorizadas com/sem lâmina de terra, de fabricação LAELC com movimento vertical (34M2-2, 34T1-2, 34T2-2, 34D1-2), chaves seccionadoras de fabricação LAELC tipo rotativa (comando central) no lado de 69 kV.

3.3. Período da visita

A visita foi realizada de 2/04/2009 a 30/04/2009, sendo que 2 e 30/04/2009, foi o deslocamento de Teresina a Eliseu Martins.

3.4. Metodologia utilizada

A visita técnica foi divida em duas etapas. Na primeira etapa ocorreu uma apresentação por parte dos operadores da SE mostrando os equipamentos, proteção, configuração da instalação, a lógica de intertravamento de chaves seccionadoras e rotinas operacionais diárias, semanais e mensais, bem como, o sistema de proteção contra incêndio e o sistema de qualidade ISO e suas particularidades.

A segunda etapa consistiu na participação efetiva das atividades operacionais, executando manobras sob supervisão da equipe de operação e outras rotinas, como coleta de leituras para confirmação de dados e testes em equipamentos essenciais para o repasse de informações corretas quando de uma ocorrência.

3.5. Conteúdo da visita

Em cada uma dessas etapas os participantes tiveram a oportunidade de verificar as atividades e recursos necessários para o bom funcionamento dos equipamentos, bem como a destreza dos OPI’s em relação a cada sinalização e perturbação da instalação, resultando numa gama de informações normalmente interpretadas de forma eficaz e eficiente para o rápido restabelecimento da normalidade.

Foi feita uma apresentação dos serviços auxiliares da SE-ELM; mostrando que são constituídos de AC – 220Vca, cuja finalidade é suprir em corrente alternada as cargas dos motores de chaves seccionadoras, moto-bomba, retificadores, ventilação dos trafos, resistência de aquecimento, iluminação, tomadas de força do pátio e dependências da SE, comutação de TAP dos transformadores, chassis de registradores e alarme falta de tensão corrente contínua; e DC – 125Vcc, cuja finalidade é suprir em corrente contínua os circuitos de comando, controle, supervisão, proteção e iluminação de emergência de toda a subestação.

Esses serviços auxiliares são supridos através do transformador 02T5, proveniente da barra 02BP(Fonte principal) e através do grupo gerador de emergência 200G1 (Fonte secundária).

O suprimento dos serviços auxiliares através do GGE pode ser feito por comando manual ou pelo sistema de automatismo existente, neste caso, quando da perda da alimentação através dos transformadores 01T6 e 01T7. O sistema de automatismo opera enviando uma ordem de partida para o gerador.

Existe também a possibilidade de operá-los remotamente através do SAGE, onde há uma janela especifica para supervisão e operação dos painéis de 220 AC e de 125 VCC, nos quais os comandos de abertura e fechamento de disjuntores, partida ou parada do GGE, podem ser efetuados diretamente da sala de comando. Além da supervisão das medidas de corrente, tensão e potencia das cargas instaladas nesta SE, pode-se visualizar uma lista de alarmes com os principais eventos de ocorrência nos serviços auxiliares, facilitando assim, a interpretação de sinalizações pelo OPI na perturbação.

Houve uma explanação sobre os disjuntores 3AP1, fabricação SIEMENS, que utiliza como meio isolante e extintor de arco o gás SF6, e que a sinalização por perda desse gás acontece quando a pressão atingir 5,2 bar e o bloqueio de função acontece ao atingir 5,0 bar, bloqueando fechamento e abertura.

Sobre bloqueio e intertravamento consolidou-se que os disjuntores possuem comando elétrico remoto através do IHM Nível 2 (Sala de Comando SE) ou Nível 3 (CROO) e elétrico local (pátio), a depender da chave 43 (Local-Remoto); que os disjuntores recebem, também, ordens de abertura e de religamento automáticos dados através dos relés de proteção e de religamento (relé 79) ou bloqueios dados pelas chaves de bloqueio respectivamente e, que todas as chaves seccionadoras possuem intertravamentos com os disjuntores associados. As diversas chaves existentes na SE não poderão ser manobradas em carga (disjuntor ou barramento, que poderá energizála, fechado ou energizado), nenhuma chave de aterramento deverá ser fechada com um barramento ou linha energizada e o fechamento do disjuntor 14D1 para transferência de qualquer disjuntor depende da supervisão de tensão dos TP’S das barras 04B1 e 04B2.

A Instrução de Operação da Proteção (IOP. ELM Alarmes) descreve sucintamente as possíveis sinalizações (as mesmas das IHM’s), as interpretações (conceito da sinalização), as conseqüências (o que ocorrerá no caso de atuação da sinalização) e as providencias que deverão ser tomadas. Os alarmes estão presentes tanto nas IHMs quanto nos próprios relés. As sinalizações nos relés também são de fundamental importância, caso haja perda das IHM’s. Essas sinalizações são controladas através de anexos (anexo I) que são afixados nos painéis de proteção para auxilio no caso de ocorrências (conforme IN-OP.01.006).

Quanto às proteções, foi feito uma descrição de cada uma delas, sendo informado o painel, o nome e a função desempenhada por cada uma. Essa descrição foi feita levando-se em consideração as sinalizações e alarmes da tela do SAGE local, onde se encontra detalhada a severidade das mesmas, mostrando as proteções impeditivas e as lógicas de bloqueio, através dos diagramas funcionais.

Referente às rotinas operacionais, os participantes fizeram um acompanhamento/execução de algumas delas e as demais foram observadas através do documento Rotina de Execução da Operação de Subestações (REOS). Pode-se com isso perceber as inúmeras atividades executadas pelo OPI, dentre elas leituras, inspeções, manobras e acionamentos e manutenção de primeiro escalão. Essas rotinas devem ser executadas em períodos preestabelecidos ou eventuais, adequados ao tipo de atividade/parâmetro operacional.

A equipe de operadores da SE/ELM está desenvolvendo um software

(“Chicolope”) para fazer simulações de manobras, que já está sendo de grande importância no treinamento e aperfeiçoamento tanto de OPI’s, quanto de OPS’s. O

“Chicolope” também fez parte desse processo de aprendizagem ao qual foram submetidos os participantes. Um software simples, de fácil manejo, prático e que agrega valor ao processo de melhoria contínua, que é objetivo a ser alcançado por todos no sistema de qualidade.

4. Resultados apresentados

Entendemos que a visita de missão técnica atingiu plenamente os objetivos almejados, já que os OPS’s treinandos/assistentes de operação de instalação não somente adquiriram conhecimento técnico associado à instalação, como também agregaram valor pessoal e profissional, além de estarem ainda mais motivados para o desenvolvimento das atividades propostas com esse novo projeto da CHESF, que é o PADR (Posto de Atendimento Dedicado com Operação Remota) de suas subestações.

5. Críticas/Sugestões

Obteve-se com essa visita de missão técnica um conhecimento substancial das características da SE/ELM, porém observou-se a necessidade de elaborar um cronograma das atividades para que a equipe da SE pudesse ministrar um treinamento mais estruturado, haja vista que o treinamento tinha como finalidade promover o conhecimento necessário para os OPS’s desempenhar suas funções de forma desejável pela empresa. Fica então, a sugestão para que se elabore um cronograma e que seja divulgado com uma antecedência mínima para planejar e projetar uma capacitação mais próxima possível do esperado por ambas as equipes.

6. Considerações finais

Entendemos que esta prática foi de grande valia tanto para os seus participantes, quanto para os profissionais responsáveis por ministrar esse treinamento, pois acabou tornando-se uma troca de experiências, posto que o conhecimento foi adquirido por ambas as partes integrantes do processo.

Queremos deixar registrado o nosso agradecimento à equipe de Eliseu Martins por esse engrandecimento profissional que cada um deles nos proporcionou durante toda a nossa estada nesta instalação. E deixar clara a competência, a capacidade e o comprometimento da equipe toda com o CROO e principalmente com a empresa.

Ney Leopoldino Nogueira Marta Lúcia Lopes de Sousa Operadores de Sistema Eletroenergético do CROO

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