Metodologia de Pesquisa Cientifica

Metodologia de Pesquisa Cientifica

(Parte 1 de 4)

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Autores: Jaime Roy Doxsey Joelma De Riz

CAPÍTULO 1 1. Introdução

Este módulo explora temas relacionados à metodologia científica, introduzindo alguns procedimentos básicos de pesquisa em geral. Também apresenta os passos necessários para a elaboração de um projeto de pesquisa bem como as normas acadêmicas em vigor para um trabalho escrito: um artigo científico ou uma monografia. É importante que você pesquisa outras fontes, na Internet ou em livros e textos adicionais para suprir suas necessidades de aprendizagem sobre metodologia de pesquisa científica na sua área de conhecimento.

1.1 Ementa

Os pressupostos teóricos e metodologias da pesquisa científica e a utilização de instrumentos, utilizando as regras oficias acadêmicas para elaboração do trabalho científico.

1.2 Objetivos

Introduzir a metodologia de pesquisa enquanto processo de aprendizagem sobre a produção do conhecimento e a comunicação científica dos resultados.

CAPÍTULO 2

2. A pesquisa científica

criando as parafernálias tecnológicas

Quando falamos em pesquisa científica, vários elementos vêm à nossa mente: pensamos nos laboratórios bem equipados, nos experimentos com ratos, na manipulação de plantas, nos microscópios, nos engenheiros

Ou seja, a idéia que o termo pesquisa científica traduz pra nós está muito ligada às áreas de saúde e de tecnologia. No entanto, é possível também estudar os fenômenos sociais e as aplicações das novas tecnologias, tarefas que ficam a cargo das Ciências Humanas, da Educação, e das Ciências da Informática, quando têm no homem seu objeto de estudo.

Assim, a pesquisa científica abarca as ciências naturais, exatas e sociais. Em todas essas áreas, homens e mulheres se vêem intrigados por enigmas que precisam decifrar. E embrenham-se na busca de respostas para eles.

Essa busca acontece desde que o mundo é mundo, pois o ser humano traz consigo a curiosidade, a necessidade de transformar o ambiente em que vive. Por isso mesmo, se olharmos para trás, veremos que nossos antepassados sempre estiveram em busca de respostas para seus problemas, tentando entender como os fenômenos aconteciam, movimentando o fazer científico.

A ciência, portanto, busca respostas, é “a investigação metódica, organizada, da realidade, para descobrir a essência dos seres e dos fenômenos e as leis que os regem com o fim de aproveitar as propriedades das coisas e dos processos naturais em benefício do homem” (PINTO apud RICHARDSON, 1999, p. 21).

As respostas, por sua vez, resultam em novos conhecimentos, pois respondem a muitas de nossas muitas indagações. Para chegar a essa etapa, no entanto, o cientista precisa passar por outras duas: refletir sobre o fenômeno estudado e saber como ele acontece, para, finalmente, explicar como ele acontece (ibid, p. 20).

AristótelesPlatão

CAPÍTULO 3

3. Como fazer ciência: o método científico Ciência não é algo que se faça assim, de qualquer maneira. Quando um cientista realiza uma pesquisa, deve seguir métodos. Método é a junção dos termos gregos meta (além de, após de) e ódos (caminho), sendo definido como “o caminho ou maneira para chegar a determinado fim ou objetivo” (RICHARDSON, 1999, p. 2).

Na Grécia antiga, pensadores como Platão e Aristóteles já tentavam organizar um método para a produção do conhecimento. No século XVI, Galileu defendia a elaboração e a testagem de hipóteses, etapas que fazem parte do método usado pela ciência moderna, que se consolidou com Francis Bacon e René Descartes. Para Descartes, o conhecimento verdadeiro deveria ser produzido com rigores, por meio de demonstração, seguindo os princípios da Matemática.

O método científico clássico, segundo Richardson (1999), sempre é caracterizado pela observação da realidade que leva à:

Há vários métodos científicos: indutivo, dedutivo, experimental, fenomenológico. De acordo com Gil (1999) os métodos proporcionam as bases lógicas da investigação científica. Os diversos métodos são vinculados às correntes filosóficas “que se propõem a explicar como se processa o conhecimento da realidade” (p. 27).

Neste modulo introdutório, não se pretende uma revisão de correntes filosóficas (em cursos mais extensos, como os de mestrado, essas correntes são normalmente apresentadas em disciplinas específicas sobre metodologia científica, que abordam a filosofia e epistemologia da ciência1).

Entendemos que o aprendiz que pretende desenvolver um projeto de pesquisa, uma monografia ou artigo científico terá que buscar muitos subsídios para essa tarefa. Essa preparação envolve leitura tanto sobre o tema a ser investigado quanto sobre a metodologia de pesquisa a ser utilizada. Para uma leitura mais aprofundada em métodos de pesquisa, consulte a bibliografia que se encontra ao final deste módulo e alguns dos livros e/ou sites na Internet apresentados no quadro a seguir.

Quadro 01. Fontes iniciais para leitura aprofundada

Métodos de pesquisa em ciência do comportamento: http://pesqcomp.notlong.com/

Métodos de pesquisa em administração: http://pesqadmin.notlong.com/ http://pesqadmin2.notlong.com/

Métodos de pesquisa em psicologia organizacional: http://pesqpsiorg.notlong.com/

Métodos de pesquisa em novas tecnologias: http://pesqnovatec1.notlong.com/ http://www.empresario.com.br/livros/livros.html

Métodos de pesquisa em marketing: http://pesqmarking.notlong.com/

1 Ver GLOSSÁRIO se precisar refrescar a definição de epistemologia.

3.1 Métodos, técnicas e metodologia Cada um desses métodos tem procedimentos metodológicos próprios. Eis um ponto de grande confusão: método é o mesmo que metodologia? Não! Enquanto método é o caminho percorrido pelo pesquisador com o intuito de alcançar os objetivos do estudo, a metodologia diz respeito aos procedimentos e técnicas utilizadas pelo método.

Laville e Dionne (1999) apresentam três definições importantes para compreender melhor a terminologia que às vezes nos confunde:

Método: “Conjunto dos princípios e dos procedimentos aplicados pela mente para construir, de modo ordenado e seguro, saberes válidos” (p. 335);

Metodologia: “Estudo dos princípios e dos métodos de pesquisa” (ibid);

Técnica de pesquisa: “Procedimento empregado para recolher dados de pesquisa ou para analisá-los. Tem técnicas de coleta e técnicas de análise de informações” (ibid).

Portanto, a entrevista, o questionário, a análise de conteúdo, a história de vida e a história oral são procedimentos técnicos, e não métodos.

Como o pesquisador define o método e a metodologia que vai utilizar no estudo que se propõe a realizar? Essa escolha depende, principalmente, do fenômeno que será investigado.

O método científico deve ser usado em estudos em qualquer âmbito, mas os procedimentos por ele utilizados devem ser compatíveis com o objeto de estudo. Seria complicado medir o comportamento humano da mesma maneira que se mede o comportamento da matéria. Isso porque os fenômenos sociais envolvem pessoas. E as pessoas estão em constante mudança, pois são dotadas de consciência e de subjetividade. Assim, nem sempre é possível submeter o comportamento humano a situações de experiência e controle, por exemplo.

No entanto, apesar da diferença nada básica entre pessoas e plantas ou pessoas e trovões, até poucas décadas atrás, as Ciências Sociais usavam métodos com os mesmos procedimentos do método científico concebido por Descartes, ou seja, seguindo os rigores da Matemática.

Quando perceberam a inadequação, os cientistas enxergaram a necessidade de estudar os fenômenos sociais com métodos cujos procedimentos fossem mais adequados a analisá-los. Lógico, a escolha do tema, do método e da metodologia está condicionada aos pressupostos filosóficos que baseiam a visão que o pesquisador tem do mundo e a interpretação que dá a ele, dos quais lança mão para estudar os fenômenos.

No caso das Ciências Humanas, as principais abordagens constituem-se em “quadros de referência, subordinando outras teorias e sugerindo normas de procedimentos científicos”, chegando, segundo Gil (1999), a serem designadas como métodos (p. 36). Os principais referenciais citados por Gil são funcionalismo, estruturalismo, materialismo histórico e etnometodologia. Outros autores vão falar do método dialético.

Podemos também rotular esses referenciais como perspectivas. Ao mesmo tempo em que são importantes para diferenciar entre as posturas e correntes de pensamento, não é essencial construir os nossos projetos de pesquisa unicamente em função delas.

3.2 Autonomia do pesquisador

Algumas escolas de pensamento delimitaram estritamente os procedimentos científicos (especificação do problema, do método e das técnicas de coleta de dados). Hoje há mais flexibilidade na organização da pesquisa científica. Na pósgraduação lato sensu, como é caso dos cursos ESAB, não é requisito estabelecer uma ‘linha’ única de pensamento na monografia ou artigo ou uma ‘técnica’ única de coleta de dados.

Os aprendizes são estimulados a:

Para uma leitura mais avançada sobre métodos e metodologia científica, ver Lakatos e Marconi (1991); Severino (1996); Laville e Dionne (1999); Alves-Mazzotti e Gewandsznajder (1998).

CAPÍTULO 4 4. Classificação dos trabalhos científicos

O produto da ciência é o conhecimento, que se constrói pela realização de trabalhos científicos. Há vários tipos de trabalhos científicos: artigos, trabalhos de conclusão de curso (TCC) ou monografias, dissertações e teses.

Cada uma dessas produções está associada a um nível educacional, com exceção do artigo também chamado de paper, que pode ser produzido por estudantes de vários níveis de ensino ou por pesquisadores independentes.

TCC e monografia são termos usados como sinônimos. Enquanto TCC é a denominação dada aos trabalhos realizados por alunos que estão concluindo a graduação, a monografia é elaborada como um pré-requisito para a obtenção do título em cursos de pós-graduação lato sensu. Há cursos de graduação, porém, que também exigem monografias.

Já a dissertação e a tese são elaboradas por alunos de mestrado e doutorado, respectivamente.

O formato de apresentação desses trabalhos é estabelecido pela Norma NBR 14724, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que apresenta a definição de cada um deles:

1. Monografia: o conceito está ligado à origem etimológica do termo: mónos (um só) e graphein (escrever). Assim, significa que nela o pesquisador aborda um só assunto, ou seja, escreve a respeito de um assunto único. Por isso, a monografia relaciona-se mais à assimilação de conteúdos, servindo como um ponto de partida para a prática em pesquisa.

2. Dissertação: estudo no qual o pesquisador reúne, analisa e interpreta informações a respeito de um fenômeno, mostrando domínio de conhecimento a respeito do que já foi dito sobre ele.

3. Tese: a principal característica deste tipo de trabalho científico é a originalidade na investigação. Por isso mesmo, constitui-se em real contribuição para o conhecimento da ciência com relação ao fenômeno estudado.

Em resumo, o artigo científico é uma produção científica que desenvolve um tema específico. Muitas vezes, um artigo elabora uma reflexão sobre textos e os resultados de pesquisas recentes numa certa área de conhecimento. A monografia é mais detalhada, mas não é a quantidade de páginas que a difere do artigo.

A monografia focaliza um único assunto uma discussão sucinta. A discussão é resultado de um referencial de conceitos e teorias e, muitas vezes, envolve a coleta de dados empíricos. A monografia pode ser um ensaio teórico, discursivo, sobre o seu tema. Pode, também, ser o resultado de uma pesquisa de campo, dependendo do tempo, dos recursos e a intenção do investigador.

Ao longo dos módulos, o aprendiz pode ir organizando suas idéias sobre possíveis temas de interesse para a monografia ou o artigo. A Internet é um recurso incrível para explorar suas idéias. Torna-se pesquisador quem começa investigar e registrar essas idéias. Torna-se cientista quem sistematiza sua investigação e comunica seus resultados no formato padronizado da ciência.

CAPÍTULO 5

5. Por que e pra que pesquisar?

Se você está matriculado em um curso de pós-graduação ou de qualificação plena, é possível que já tenha se perguntado algumas vezes: por que tenho que desenvolver um trabalho científico ao final desse curso?

Um dos objetivos da educação é desenvolver nas pessoas o senso crítico, estimulando nelas o desejo da descoberta. Em outras palavras, é preciso formar profissionais que possam procurar respostas para os desafios que nos são impostos cotidianamente. O trabalho científico é também uma mostra da aprendizagem adquirida pelo aluno e a produção coletiva do curso ou instituição é um indicador de sua qualidade.

Além disso, a pesquisa ou a produção científica tem sido um dos índices para medir o grau de desenvolvimento de um país. Infelizmente, o Brasil ocupa posição bem distante da ideal. De acordo com relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2000, entre 72 países, o Brasil estava em 43º lugar no Índice de Desenvolvimento Tecnológico.

O mesmo órgão apontava duas patentes por milhão de habitantes, enquanto a Argentina tinha oito e a Coréia do Sul, 779. Isso faz com que o Brasil tenha que fazer altos investimentos no licenciamento de uso de inovações tecnológicas inventadas por outros países.

O fato de o Ministério de Educação e Cultura (MEC) estabelecer que a disciplina Metodologia da Pesquisa Científica faça parte dos currículos dos cursos de graduação e de pós-graduação representa um incentivo aos estudantes a se desenvolverem como profissionais da ciência.

Além de uma nota que te possibilite obter o título, o mais importante é que você enxergue a preparação do trabalho científico como uma oportunidade de pôr em prática seu lado de pesquisador, podendo, assim, contribuir para a construção do saber científico.

EXERCÍCIO 01

COMPLETE O PRIMEIRO EXERCÍCIO ANTES DE CONTINUAR NO CAPÍTULO 6.

CAPÍTULO 6 6. Elaboração da pesquisa científica

Elaborar um trabalho científico – como se classificam o artigo e a monografia que você, dependendo do curso, deverá preparar – requer uma preparação por parte do pesquisador.

Estamos falando, portanto, do planejamento da pesquisa. Toda pesquisa precisa ser planejada. Esse planejamento é mostrado em um documento chamado projeto de pesquisa.

6.1 Planejamento da pesquisa: escrevendo o projeto

Em geral na pós-graduação, antes de executar uma pesquisa, o pesquisador elabora um projeto de estudos, que é entregue ao orientador, para que, em conjunto, possam discutir a melhor forma de executar a pesquisa, fase em que os dados são coletados para, posteriormente, serem analisados.

No projeto, o pesquisador informa o que vai estudar, o que pretende alcançar com seu estudo, as razões que o levaram a querer desenvolvê-lo, o que já foi dito sobre o que ele pretende estudar e de que maneira o estudo será desenvolvido.

Dica:

Nos cursos lato sensu e de MBA da ESAB são oferecidas duas atividades: Monografia 1 e Monografia 2. Na Monografia 1, o aluno desenvolve o seu projeto e o submete ao tutor responsável pela atividade. Quando aceito o projeto, o aluno avança para a atividade Monografia 2 e recebe um tutor orientador designado pelo Departamento Acadêmico. Alunos matriculados nos cursos que exigem artigo científico não têm orientador designado e recebem instruções para tirar as suas dúvidas sobre essa produção.

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