Filo Annelida

Filo Annelida

(Parte 1 de 3)

Protostomados: fi lo Annelida

Ao fi nal desta aula, o aluno deverá ser capaz de:

•Conhecer as vantagens funcionais relacionadas à presença de um celoma.

•Conhecer os aspectos gerais da arquitetura corporal e fi siologia do fi lo Annelida.

Pré-requisitosPré-requisitos

Disciplina Introdução à Zoologia.

Noções básicas de Citologia e Histologia.

Noções básicas de diversidade e fi logenia dos animais.

14AULA objetivos

Diversidade Biológica dos Protostomados|Protostomados: fi lo Annelida

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INTRODUÇÃONa aula anterior, você estudou a lógica utilizada nas chaves de identifi cação, revisou vários assuntos importantes estudados nas Aulas 1 a 12 e aprendeu a construir uma chave de identifi cação. Nesta aula, estudaremos algumas características interessantes dos animais que formam o fi lo Annelida. Antes de abordarmos as particularidades da arquitetura corporal e fi siologia do fi lo Annelida, estudaremos duas interessantes características desses animais. Como você já revisou na Aula 13, todos os animais estudados até agora não possuem um celoma verdadeiro. Por isso, são chamados acelomados e pseudocelomados. O fi lo Annelida será o primeiro grupo de animais eucelomados (ou seja, que possuem um celoma verdadeiro) a ser abordado no nosso curso. Associada à presença do celoma, há outra característica do fi lo Annelida que traz vantagens para esses animais, a metameria, ou seja, a segmentação do corpo em compartimentos semelhantes.

OCELOMAé uma cavidade corporal preenchida por um fl uido (o fl uido celômico). Este facilita o transporte interno de substâncias, tornando-o mais efi ciente.

A presença de um celoma verdadeiro confere algumas vantagens funcionais aos animais. Por exemplo, a separação entre o tubo digestivo e a parede corporal permite que o animal se movimente independentemente. Em outras palavras, o animal pode se virar, por exemplo, sem empurrar o alimento que se encontra dentro do tubo digestivo, o que aconteceria se este estivesse preso à parede corporal.

O surgimento dessa cavidade corporal também permitiu o desenvolvimento de vários órgãos, como as gônadas e órgãos excretores, que se localizam no interior do celoma.

Provavelmente, a principal função do celoma e de seu fl uido é servir como um esqueleto hidrostático, o qual fornece o apoio para a contração muscular. A interação entre a musculatura e o esqueleto hidrostático permite a movimentação mais efi ciente do animal.

Cavidade corporal interna que se forma no mesoderma durante o período embrionário. Diferese do pseudoceloma por estar rodeado de um revestimento mesodérmico (retorne às Aulas 1 e 9 deste curso e à Aula 17 do curso Introdução à Zoologia para rever os conceitos sobre cavidade corporal).

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14Apesar de apresentar uma estrutura corporal vermiforme, como outros animais já estudados nas aulas anteriores, a maioria dos anelídeos possui um corpo formado por uma série de segmentos repetidos. Em geral, cada segmento é formado por um conjunto de estruturas, pele, musculatura circular e longitudinal, e sistemas, como o reprodutivo, o nervoso, o excretor e o circulatório (Figura 14.1). Essa série de conjuntos de órgãos e estruturas é chamada segmentação metamérica, metameria ou metamerização e cada segmento é conhecido por metâmero. Os segmentos (metâmeros) estão separados uns dos outros por septos, que são fi nas camadas de tecido de origem mesodérmica (peritônio) (Figura 14.1). Cada segmento tem a sua porção de líquido celômico, que não passa livremente para os outros segmentos, pois é contida pelos septos.

Figura 14.1: Metameria em um anelídeo típico, ilustrando a repetição dos sistemas em cada segmento. nefridial

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A metameria também está associada à efi ciência na locomoção.

Em cada metâmero pode ocorrer uma movimentação independente, pois a musculatura presente nesse segmento age contra o fl uido nele contido, ou seja, seu esqueleto hidrostático. Isso permite a deformação localizada da parede corporal externa resultante da ação da musculatura circular e longitudinal do segmento.

A separação do corpo em vários conjuntos funcionais também é vantajosa porque permite a continuidade do seu funcionamento quando um segmento for danifi cado. Assim, se um anelídeo sofrer um dano em um ou poucos segmentos, o resto do corpo permanece funcionando normalmente. Como o animal mantém o seu metabolismo, a rápida reparação do conjunto danifi cado é também facilitada.

Agora que já apresentamos essas duas importantes características do fi lo Annelida (do latim, annelus= pequeno anel + -ida= sufi xo denotando plural), vamos abordar as classes que o compõem e outras características gerais.

O fi lo Annelida é um grupo de animais tipicamente protostomados.

Assim sendo, podemos relembrar as informações contidas nas Aulas 1 e 2 e caracterizar os anelídeos quanto ao nível de organização, simetria, formação da cavidade corporal e tipo de desenvolvimento embrionário (clivagem e formação do ânus e da boca).

Os anelídeos possuem um nível de organização orgânico-sistêmico, que apresenta o maior grau de complexidade. Nesses animais, o nível de organização é tal que os órgãos trabalham juntos para realizar alguma função. Dessa forma, as funções básicas do corpo de um anelídeo, como a circulação, a respiração, a digestão, a reprodução e a excreção são exercidas por sistemas.

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14Tais sistemas tornaram-se necessários devido ao aumento do tamanho do corpo e, conseqüentemente, da complexidade dos anelídeos. O surgimento de um celoma verdadeiro está relacionado a esses dois fatores. O celoma, como já vimos, é um espaço entre a parede corporal e o tubo digestivo. A sua presença permitiu o desenvolvimento de órgãos internos. Dessa forma, o volume corporal dos anelídeos cresceu mais que a sua superfície e, portanto, um sistema de transporte de substâncias tornou-se essencial para suprir os tecidos mais internos com nutrientes (oxigênio e alimentos) e retirar as substâncias indesejadas, os restos metabólicos (excretas).

Os anelídeos possuem o corpo alongado (vermiforme). Como vimos nas aulas anteriores, na arquitetura corporal de um verme, a simetria bilateral é estabelecida e o arranjo corporal passa a ser dorsal e ventral. Também, como conseqüência dessa forma do corpo, tal simetria propiciou a cefalização, ou seja, o acúmulo de células nervosas na extremidade anterior do animal. Essa é mais uma característica presente no fi lo Annelida.

Figura 14.2:Formação esquizocélica do celoma de anelídeos, evidenciando a formação de novos metâmeros e o sentido do crescimento corporal.

O celoma dos anelídeos é formado a partir de fendas que se abrem no mesoderma. Esse processo de formação é chamado esquizocelia e, na maioria dos anelídeos, está associado à metameria (Figura 14.2) (retorne ao assunto lendo mais uma vez a Aula 2 do nosso curso e a Aula 17 do curso Introdução à Zoologia).

A clivagem dos anelídeos é espiral, holoblástica e determinada (reveja o assunto na Aula 2) e a boca é formada primeiramente no embrião, a partir do blastóporo. Por essa característica, os anelídeos são considerados protostomados.

C d

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Annelida está subdivido em quatro classes: e Polychaeta: com cerca de 63% das espécies do filo oximadamente 10.0 espécies) (Figuras 14.3 e14.4). Classe Clitellata: formada pelas subclasses Oligochaeta (com cerca de 3.500 espécies, representando mais que 85% da classe) e Hirudinea (com cerca de 630 espécies) (Figuras 14.3 e14.4). Classe Pogonophora: formada por cerca de 120 espécies (Figuras 14.3 e14.4). Classe Echiura: formada por cerca de 140 espécies (Figuras 14.3 e14.4).

A classe Polychaeta (do grego, poly= muitas + chaeta= omposta, em sua maioria, por animais marinhos. As espécies racterizam por possuir muitos feixes de cerdas distribuídos ao longo do corpo (como o seu nome diz) e pela concentração de órgãos sensoriais na região cefálica. Os poliquetas caracterizam-se também por apresentar uma série de expansões laterais, chamadas parapódios (Figura 14.4.a), que auxiliam na locomoção e estão envolvidos na troca gasosa, pois são bastante vascularizados. A classe está muito bem representada em diversos ambientes marinhos, em várias latitudes e profundidades.

A classe Clitellata (do latim, clitellae = sela,ALBARDA+ -ata = portador) é formada pelas populares minhocas (subclasse Oligochaeta) e pelas sanguessugas (subclasse Hirudinea). A classe se caracteriza por possuir uma pronunciada região glandular, chamada clitelo (Figura 14.4), que exerce importante papel na reprodução.

A subclasse Oligochaeta (do grego, oligo = pouco + chaeta= cerdas) se caracteriza por possuir poucas cerdas ao longo do corpo (ao contrário dos poliquetas). Apenas 6,5% das espécies são marinhas, estando a maior parte das espécies distribuída em ambientes de água doce e terrestre. Ao contrário dos poliquetas, não ocorre o acúmulo de órgãos sensoriais na região cefálica das minhocas (oligoquetas) nem projeções ao longo do corpo. Assim, a aparência geral do corpo de uma minhoca é de um cilindro anelado e uniforme, exceto pela região do clitelo (Figura 14.4.b).

Figura 14.3: Proporção estimada das classes do filo Annelida. A classe Clitellata está escurecida e suas duas subclasses estão representadas.

Sela grosseira, enchumaçada de palha, para bestas de carga. No caso dos anelídeos, o termo “sela” referese, por analogia, à porção diferenciada do corpo, onde há a fusão de segmentos, o clitelo (Figura 14.4.bec).

Bo us

Canal do bóscide

Parapódios a c d e

Prostômio

Região bucal

Ventosa posterior

Poro genital masculino

Poro genital feminino

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