análise Sobre Erosão hidrica na área urbana de Uberlandia

análise Sobre Erosão hidrica na área urbana de Uberlandia

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Caminhos de Geografia 1(2)70-83, dez/2000Página

ABSTRAT - This paper is the result of some reflections elaborated during a research accomplished in the year of 1998 on to erosive processes in the urban area of Uberlândia (MG). They were mapeaded areas together with erosive processes with a rising about the current situation of the areas with punctual problems. In general, it was verified that the municipal district didn't still adopt a satisfactory environmental politics for the resolution of those problems.

Key Words: City; Erosion; Water; Environment.

Uma das grandes mudanças ocorridas na organização social deste século foi o acelerado crescimento das cidades. Esse crescimento desordenado traz sérios problemas para o espaço urbano principalmente no que se refere aos impactos ambientais causados pela urbanização como os loteamentos, impermeabilização, etc. Com o aumento do grau de urbanização, aumenta também em proporção à degradação ambiental decorrente da concentração da população nas áreas urbanas como afirma DEL GROSSI (1991):

“As décadas de 60, 70 e 80 foram palco de várias decisões políticas e econômicas que concorrem para uma grande expansão do sítio urbano. (...) Como resultado dessa expansão, processos geomorfológicos são alterados, e, em conseqüência, cheias, ravinas, voçorocas e desabamentos passam a constituir problemas afetando toda a comunidade”.

Além das perdas referentes à devastação da vegetação natural gerando desconforto térmico e desarmonia paisagística, temos ainda a fuga da fauna local, e a interferência na dinâmica das microbacias hidrográficas urbanas tendo como principal conseqüência o desenvolvimento da erosão hídrica como ravinas, voçorocas e erosão marginal.

A cidade de Uberlândia - MG é um exemplo desse modelo de desenvolvimento, onde além da saída da população rural do campo observa-se também a vinda de habitantes de municípios vizinhos na busca de melhores condições de vida aumentando o seu contingente populacional sem uma planificação adequada.

Alguns estudos já foram realizados (BACCARO, 1994) e indicam que a área urbana de Uberlândia está inserida em uma categoria de erosão com susceptibilidade erosiva moderada. Dentro desse contexto, é possível observar a ocorrência de processos de erosão acelerada na maiorias das cabeceiras dos córregos não canalizados das microbacias urbanas (Córrego Lagoinha, do Óleo e Lobo), assim como em todo o município.

Com o desenvolvimento dos processos erosivos (ravinas e voçorocas) pode-se observar a formação de

Análise sobre a erosão hídrica na área urbana de Uberlândia (MG) BEATRIZ RODRIGUES CARRIJO et al.

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bancos arenosos na foz das microbacias comprometendo a dinâmica fluvial do rio responsável pelo abastecimento de água para população. Essas voçorocas comprometem ainda a população que habita seu entorno, pois em alguns casos pode haver o solapamento do terreno, e algumas dessas voçorocas são usadas como depósito de lixo e entulho colaborando para o desenvolvimento de animais peçonhentos, insetos e doenças epidemiológicas como dengue e cólera.

Alguns estudos desenvolvidos por DEL GROSSI (1991), BACCARO (1994), vêm alertando para este problema que se alastra pelo município tanto em proporções espaciais como na velocidade dos processos já instalados.

Com a expansão da malha urbana e, portanto a necessidade cada vez maior de espaços habitáveis, e a criação de uma legislação ambiental mais rígida, faz- se necessário desenvolver estudos sobre a ocorrência destes processos em Uberlândia a fim de se fazer cumprir a legislação já existente e ainda apontar medidas preventivas e de contenção apropriadas.

Neste contexto, o objetivo geral deste trabalho foi identificar a ocorrência de processos de erosão hídrica na área urbana de Uberlândia. Tem ainda como objetivos específicos: verificar a relação do crescimento urbano com a degradação ambiental, identificar as áreas onde já estão sendo feitas medidas de contenção e analisar estas medidas. Com essa pesquisa foi possível entender melhor a dinâmica dos processos erosivos em todo município verificando e comparando seu comportamento em áreas rurais e urbanas.

Os estudos sobre erosão hídrica devem partir da análise da origem dos processos. Quando somente os resultados do processo erosivo são levados em consideração, quase sempre as medidas de contenção não são eficazes. Isso ocorre porque deve-se trabalhar no sentido de entender o fenômeno pela sua dinâmica processual e, a partir daí, trabalhar com essa origens a fim de estabelecer procedimentos para o controle o monitoramento de resultados.

Caracterização Sócio - Ambiental da Área de Estudo

Uberlândia encontra-se localizada no Triângulo

Mineiro, Estado de Minas Gerais, aproximadamente na latitude 18º 5’ 23” Sul (Equador) e longitude 48º

17' 19" Oeste.

A área do Município é de 4.040 Km² sendo 219 Km2 na área urbana e 3.821 Km2 na área rural. Os municípios limítrofes são Araguari ao norte, Indianópolis à leste, Monte Alegre de Minas à oeste,

Prata à sudoeste, Tupaciguara à noroeste, Uberaba à Sudeste e Veríssimo ao sul.

O município de Uberlândia está situado no domínio dos Planaltos e Chapadas da Bacia Sedimentar do

Paraná, estando inserido na sub-unidade do Planalto

Meridional da Bacia do Paraná (RADAMBRASIL, 1983), caracterizando-se por apresentar relevo tabular, levemente ondulado, com altitude inferior a 1.0 m.

Em sua porção sul, a altitude varia de 700 a 900 m e apresenta relevo típico de chapada (relevo suavemente ondulado sobre formações sedimentares , apresentando vales espaçados e raros). Nesse conjunto, a vegetação característica é o cerrado entrecortado por veredas, encontrando-se também em boa parte das áreas, o campo cerrado.

Os solos são ácidos e pouco férteis, tipo latossolo vermelho-amarelo, argiloso-arenoso. A base geológica são os basaltos da Formação Serra Geral do Grupo São Bento, e rochas do Grupo Araxá nas proximidades da divisa com o município de Araguari.

Encontram-se recobertos pelos arenitos das Formações Marília, Adamantina e Uberaba do Grupo

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Bauru, e ainda arenitos da Formação Botucatu do Grupo São Bento.

AB’ SABER (1971) denominou a área como fazendo parte de um conjunto global chamado Domínio dos Chapadões Tropicais do Brasil Central.

O clima do município é caracterizado por épocas sazonais bem definidas com concentração das chuvas no verão (novembro à março), e seca do inverno (maio à setembro). O município está sob a influência de circulação dos sistemas atmosféricos tropicais. O clima é controlado pelas massas de ar continental (Equatorial e Tropical) e Atlântica (Polar e Tropical); os deslocamentos dessas massas de ar são responsáveis pela marcante alternância de estações úmidas e secas, e respondem, direta e indiretamente, pelas condições climáticas em nossa região.

Os rios e córregos correm sobre o basalto, apresentando várias cachoeiras e corredeiras, onde os solos são férteis, do tipo latossolo vermelho e vermelho-escuro. As declividades apresentam-se suaves, geralmente inferiores a 30%. Na porção norte, próxima do vale do Rio Araguari, a paisagem apresenta um relevo fortemente ondulado, com altitude de 800 a 1.0 m e manchas de solos muito férteis, do tipo latossolo vermelho escuro e podzólico. Em todas as suas porções, verifica-se que a vegetação predominante do município de Uberlândia é o cerrado.

Os principais tipos fisionômicos da região do cerrado são: vereda, campo limpo, campo sujo ou cerradinho, cerradão, mata de várzea, mata galeria ou ciliar e mata mesofítica. Na área urbana e seu entorno estão representados todos os tipos fisionômicos do cerrado, distribuídos de acordo com o tipo de solo e a proximidade do lençol freático, como no Parque do

Sabiá. Na área verde do Córrego Lagoinha está representada a vegetação do tipo vereda, com presença de buritizais, mata de várzea e mata de galeria, de extrema importância para a preservação do córrego. A área verde do Bairro Luizote de Freitas exibe um tipo fisionômico de vegetação do tipo mata de várzea, que protege uma das cabeceiras do Córrego do Óleo. As três áreas acima citadas são protegidas pela legislação ambiental e estão cercadas por alambrados. É comum também a presença da mata galeria ou ciliar às margens dos cursos (rios, ribeirões, córregos, etc), que protegem suas margens e contribui com seus frutos para alimentação da fauna aquática.

O Rio Uberabinha, afluente da bacia do Rio Araguari é de grande importância para a cidade, constituindose, em conjunto com seus afluentes, no manancial utilizado para o abastecimento de água da população. Ele nasce ao norte do município de Uberaba e atravessa todo o município de Uberlândia, até desembocar no Rio Araguari, à noroeste do

Município, numa extensão total de 118 Km. Seus principais afluentes estão na zona rural, que são os Ribeirões Beija-Flor e Bom Jardim.

Na zona urbana, o Rio Uberabinha tem também afluentes menores, que são os córregos Cajubá, São

Pedro, das Tabocas, do Óleo, Jataí, Lagoinha, Salto, Guariba, Lobo, Moji, Cavalo, Vinhedo e Buritizinho.

A captação de água do Rio Uberabinha é efetuada através de dois sistemas públicos: Sucupira e Bom Jardim, transportada até as ETAs (Estações de

Tratamento de Àgua) onde passa pelo tipo de tratamento convencional, sendo daí levada até os reservatórios situados na área urbana do distrito sede Uberlândia.

As elevadas amplitudes térmicas interferem diretamente nos processos erosivos, através da contração e expansão do solo facilitando o seu trincamento e a penetração da água que irá erodi-lo com mais facilidade.

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O município de Uberlândia está situado no Planalto de Uberlândia-Araguari, sendo que o município se desenvolveu no divisor de águas em áreas aplainadas.

A amplitude topográfica é de 150 metros, variando de 800 metros no rio Uberabinha até 940 metros. Apesar desse elevado gradiente topográfico. O relevo da área urbana não é excessivamente acidentado pois a diferença altimétrica se dá de extensos e suaves espigões.

A compartimentação geomorfológica foi realizada por DEL GROSSI (1991), onde foram identificadas as seguintes unidades:

As Superfícies de Cimeira : Corresponde às áreas entre 850 e 940 metros. Com declividade inferior a

2%, essa área foi facilmente urbanizada. Nessa unidade localizam-se as nascentes de alguns córregos que abastecem os rios Araguari e Uberabinha. De modo geral, a área é sustentada por basaltos da

Formação Serra Geral que se encontram recobertos por sedimentos cenozóicos de espessuras variadas. Nesses depósitos são encontrados cascalhos, seixos de quartzito, calcedônia além de uma elevada porcentagem de magnetita.

A vegetação natural era o cerrado que foi devastado devido à expansão urbana. Observava-se também a presença de covoais e de algumas lagoas.

Os solos predominantes nessa unidade são os latossolos vermelho-escuro, e latossolos vermelho- amarelo profundos com textura areno - argilosa (EMBRAPA, 1982). Esse solo é pouco consolidado devido às elevadas quantidades de areia. Esse fator associado à impermeabilização do solo facilita a formação de sulcos e ravinas. O nível da água encontrado em 1991 foi entre 5,80 metros a 6,40 metros de profundidade comprovando a ocorrência de um extenso pacote de sedimentos.

As vertentes convexas: Nas vertentes convexas localizam-se as nascentes em formas de dales caracterizadas por uma área de concentração de águas pluviais. Nessas áreas, devido à declividade mais acentuada, começam a surgir mais ravinas e voçorocas. Como essas vertentes são longas, o escoamento superficial torna-se mais concentrado facilitando o desenvolvimento de processos de erosão acelerada. Um exemplo concreto desse processo é a voçoroca localizada na cabeceira do córrego Buriti nas proximidades do aeroporto.

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