A greve geral

A greve geral

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A GREVE GERAL – pseudônimo: GAFANHOTO 1

A GREVE GERAL – pseudônimo: GAFANHOTO

A GREVE GERAL Goulart Gomes

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A GREVE GERAL – pseudônimo: GAFANHOTO

GERAL Goulart Gomes

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Obra registrada na Fundação Biblioteca Nacional, Escritório de Direitos Autorais sob num. 119.500, Livro 183, Folha 8, em 17/10/96.

Capa: elaborada pelo autor a partir de cartaz criado pelo pintor espanhol Joan Miro, para propaganda da Guerra Civil Espanhola.

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logo assimEntrando num acordo com a propriedade...
ABELARDO I: De fatoEstamos num país semicolonial...

ABELARDO I: Pelo que vejo o socialismo nos países atrasados começa ABELARDO I: Onde a gente pode ter idéias, mas não é de ferro. ABELARDO I: Sim. Sem quebrar a tradição. O REI DA VELA Oswald de Andrade

"Não sou homem, sou dinamite..." Friedrich Nietzsche

"Queremos ser uma alternativa para mostrar que, se ninguém mais resiste aos Estados Unidos, nós ainda tentamos. O problema é que ninguém sabe como." Jean Baudrillard

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ANATOLE, sindicalista LUIZ, sindicalista IVAN, sindicalista JOSÉ, sindicalista BILL, diretor da Capitalitex SANCHEZ, diretor da Capitalitex ROBERTA, diretora da Capitalitex SEIS DEPUTADOS, três de partidos da esquerda (progressistas, socialistas) e três de partidos da direita (conservadores, neoliberais). SECRETÁRIO TRABALHADORES

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CENA 1

SALA DO SINDICATO. Uma sala com diversas bandeiras nas paredes, nas quais predomina a cor verde, com símbolos triangulares, chaves de fenda e enxadas cruzadas em X, que representam os partidos trabalhistas e sindicatos. Existe também um enorme e velho retrato emoldurado de um homem de barba desgrenhada, com uniforme de revolucionário, dependurado na parede. Numa mesa, ao centro, três homens sentados fumam e bebem o que parece ser aguardente, enquanto conversam. Não há mais cadeiras. Ao canto, um caixote de madeira. Desenrolar-se-á o diálogo entre alguns líderes sindicais, a respeito da organização do movimento prestes a ser deflagrado.

LUIZ: A terrível hora é chegada, aquela que não desejamos, mas para a qual por um ano inteiro somos preparados.

IVAN: É sempre assim. Não há possível diálogo entre os que línguas diferentes falam.

JOSÉ: É a eterna luta que tem sempre dado a vitória aos mesmos lutadores. Mas eles não podem amordaçar os vencidos senão temporariamente.

IVAN: Engana-se, José. Não há vencidos, tampouco vencedores, porque para que tal é necessário o total aniquilamento do oponente, e esta glória a nós será dada. Quem luta, conquista: este é o lema do Comitê Unificado Proletário.

LUIZ: Ouçam o rugir das nuvens e o levantar das marés. A trepidação sob os meus pés me diz que o terremoto está por vir. A hora é chegada. Por todos os cantos, em todas as partes há revolta e indignação. O limite da servidão humana é a consciência da sua dignidade.

JOSÉ: A mão que segura nossas gargantas já nos sufoca, Luiz. Temos que tomar o poder para entregá-lo a quem o merece. Assim pensamos nós da Força Proletária.

Chega Anatole. ANATOLE: Boa noite, senhores.

Os outros o olham com desdém e respondem mal-humorados, como que insatisfeitos com a sua chegada.

TODOS: Boa noite. IVAN: Sente-se.

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Anatole olha à sua volta e vê apenas o caixote onde pode se sentar. Apanha-o, senta. Sente algo beliscá-lo e levanta rapidamente, alisando as nádegas. Torna a sentar, acomodando-se.

ANATOLE: Tenho notícias que a greve geral não tarda a ser deflagrada, Luiz.

LUIZ: Nenhuma novidade, Anatole. Há muito nós, do Centro Geral do

Proletariado trabalhamos com tal intuito. A greve geral é o primeiro passo para a construção do movimento que colocará os trabalhadores em seu devido lugar e banirá quem os explora, para sempre.

ANATOLE: Dentre os trabalhadores que conheço, de nenhum ouvi tal pensamento. Pensei que buscávamos melhores condições de trabalho.

Os sindicalistas irão se erguer, no início de suas falas, passando a caminhar em torno da mesa.

LUIZ: E quem quer a fatia se pode ter todo o bolo! Não seja tolo, Anatole. O que aqui se constrói é o futuro.

IVAN: Não cheguemos a tanto. Maiores salários, é o que eu digo. Que importa quem oferece a ceia, contanto que ela seja farta? Nenhuma revolução me interessa. Não estou aqui para morrer por causa alguma, nem que ela seja boa. Uns bons milhares de dólares, isto é o que interessa.

ANATOLE: E as condições de trabalho? O bem estar do trabalhador? A redução da jornada de trabalho? Continuaremos sendo mutilados pelas mesmas velhas máquinas? Continuaremos a perder nossos dias e sacrificar nossas famílias apenas pelo dinheiro?

JOSÉ: Muito bem, Anatole. Mas, precisamos do poder, porque é do alto que se toca as nuvens e se enxerga o chão. Nem o salário nem a revolução. A greve deve legitimar a nossa força e por as cartas em nossas mãos. A empresa para os seus empregados.

ANATOLE, erguendo-se:

Não foi isso o que eu disse. Apenas vejo dois cães em luta, na qual um atraca-se ao rabo do outro e giram infinitamente enquanto sangram, até caírem desfalecidos. E se arrancam os rabos, é só o tempo de cicatrizarem-se e novamente avançam, às orelhas,

A GREVE GERAL – pseudônimo: GAFANHOTO focinhos, couro até que não reste nada que não seja carne viva, e dentes, e unhas, e olhos que destilam veneno. Nem Prometeu, nem Sísifo, nem as Danaides sofreram semelhante castigo. Enquanto isto vêm os gatos e roubam, sorrateiros, a ração. É assim que temos lutado.

LUIZ: Meu pobre AnatoleTuas leituras têm lhe feito mal. A seguir tuas

idéias, pararíamos na carrocinha. Há uma greve lá fora, nascendo do fervor dos explorados. Não me venha com tuas cachorradas.

IVAN: Temos que construir o movimento e seguir adiante das massas. A geladeira cheia e o forno quente são tudo que precisamos. Nós somos a vanguarda da causa operária!

JOSÉ: E o poder. As jazidas de capitalita tem que ficar sob nosso controle e não destes malditos empresários. Toda propriedade é um roubo. O que está sobre a terra e abaixo dela, tudo que provém da Natureza pertence ao povo.

LUIZ: O momento é propício. Vamos ao povo, pela revolução! JOSÉ: Pelo poder. IVAN: Por melhores salários. Saem todos, arrastando Anatole pelo braço.

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